13
Jul06
Viagem na viagem

No trem entre Itália e Áustria. É uma das minhas fotos favoritas. Parece posada, mas não é. Só a vi quando revelamos o filme. Clique pra ver ampliada.
Laura Tuyama, 1997.
18
May06
Os lugares da memória
Um texto de Raul e um poema de Drummond no +D1 me levaram a fazer uma pequena viagem ao passado. Por Recife, Natal, praias potiguares e Floripa.
16
May06
Anotações esparsas sobre nomes
Mais de dez primos meus têm nomes que começam com A. Nenhum com Z, que eu saiba. Mas tudo é possível.
~
Nunca consegui diferenciar meus primos gêmeos Cosme e Damião. Como a maioria das pessoas, aliás. Eles atendem pelos dois nomes.
~
Em Granada, Espanha, há um hotel com meu nome. Também achei uma marca de azeite de oliva. Será que me dão desconto?
~
Não tenho nenhum desses sobrenomes, mas se você tiver, é possível que sejamos parentes: Severiano; Pascoal; Lopes.
~
Poucos sabem, mas também me chamo Pedrosa da Silva. Tou reservando esses nomes pra escrever contos cabeludos.
~
Já tirei 2º lugar num concurso de poesia com o pseudônimo Ascaris lumbricoidis. O poema se chamava Papel carbono e felizmente se extraviou.
~
Apelidos nunca grudaram em mim. Na escola ensaiaram me chamar de Álcoolman, mas logo fui pro jornalismo, onde tal alcunha não fazia muito sentido.
~
Na escola tive um colega apelidado Mangaba e outro Batatinha. Na vizinhança, Cebolinha. No jornalismo, Tomate e Feijão. Também conheci vários bananas.
23
Mar06
16
Mar06
22
Feb06
Domingo na Costa da Lagoa
Miguel e eu curtindo o verão
enquanto o almoço não vinha.
Foto de Raul Ribeiro, do Puxadinho.
02
Feb06
Dez mais caras
Pra quem gosta de viajar e de listas, esta pode ser útil. Depois de 14 anos no topo do ranking, Tóquio foi desbancada pela capital da Noruega como a cidade mais cara do mundo.
- Oslo, Noruega
- Tóquio, Japão
- Reykjavik, Islândia
- Osaka, Japão
- Paris, França
- Copenhague, Dinamarca
- Londres, Reino Unido
- Zurique, Suíça
- Genebra, Suíça
- Helsinque, Finlândia
Da BBC News, via Aidan Doyle, de Osaka.
~
Laura e eu passamos duas semanas na Noruega em 97, metade do tempo em Oslo. Só conseguimos a façanha graças à generosidade dos amigos Eirik e Hélène – que nos hospedaram em sua simpática casinha à borda da floresta de Oslo, [tal como a de Sofia] e viajaram conosco pelo interior. E também à bondade de Kjersti – de quem fomos convidados especiais à sua festa de casamento -, Camilla, Kristian e Marianne, que nos mostraram a cidade e bancaram belos jantares.
Se você pensa em tomar um pilequinho por lá, melhor preparar o bolso. Um hábito comum dos noruegueses é servir água com limão aos visitantes. Isso se explica pelas severas restrições culturais/legais ao alcoolismo, que tem origens históricas no puritanismo e em questões de saúde pública. O preço da birita é proibitivo – um caneco de cerveja custa o equivalente a 7 dólares num bar, e a venda de bebidas fortes, incluindo vinho, é monopólio do Estado. Curiosamente, muita gente fabrica bebidas em casa, em alambiques clandestinos. E é possível comprar nos supermercados essências de bebidas como uísque e gim pra misturar no álcool de cereais.
A Noruega é um país de belezas naturais estonteantes e um grande choque cultural pra nós tupiniquins ( aliás encontramos lá dois índios tupiniquins de verdade, protestando contra a Aracruz Celulose). É uma sociedade materialmente resolvida. Lá os problemas são de outro tipo, mais existenciais e menos “sobrevivenciais”. Tudo isso me dava uma certa tontura, uma sensação de irrealidade, que talvez eles também sintam quando vêm às latitudes tropicais. Lá tive também uma forte experiência de vertigem mística, no Preikestolen (“Pedra do Púlpito”), um paredão natural de 604 metros de altura no alto de um fiorde de Stavanger. Outra hora conto essa.
31
Jan06
Do fundo do baú

Frank remexeu nos guardados
dele e encontrou esta foto. Nós
dois magrinhos em 1986 ou 87.
Num carnaval em Laguna, acho.
16
Jan06
Reveillon na Praia da Solidão
Frank, papai (Camillo) e eu em momento alto astral. 31 de dezembro de 2005, Floripa. Foto de Ana Paula Lückmann.
12
Jan06
Vinte anos de Floripa
Escrevo de um ciber em Brasília. Mas não é sobre o planalto central que quero comentar hoje, e sim sobre uma efeméride pessoal. Há exatos vinte anos, mais ou menos a esta hora da manhã, começou meu caso de amor com Floripa. Eu tinha dezenove anos, onze meses e dezenove dias. Desembarquei na rodoviária Rita Maria, de um ônibus que vinha do Rio de Janeiro – uma das escalas na longa viagem que começou em Natal.
Como tantos acontecimentos em minha vida, o acaso e o improviso contaram muito. O plano original era ir pro Caribe e pra França, de carona num veleiro francês, mas terminei indo de caminhão na direção oposta. Meus amigos velejadores – dois irmãos e a mulher de um deles – fizeram o convite pra rachar trabalho e despesas, mas os planos mudaram quando os reencontrei na Marina da Glória, no Rio. O casal tinha se separado, a moça voltara pra Paris e os irmãos decidiram continuar descendo até Buenos Aires. Abandonei o barco (aliás, até hoje enjôo no mar) e o sonho adolescente de aventurar o subemprego na Europa.
Resolvi passar férias em Floripa, pra onde minha família tinha acabado de se mudar – minha mãe ia fazer mestrado em enfermagem. Eu pouco sabia da cidade, a não ser que era uma ilha oceânica, bonita, pequena, conhecida pela qualidade de vida. Foi um alumbramento! Me apaixonei à primeira vista e, como já tinha botado na cabeça nômade a decisão de ir embora de Natal, pensei: por que não? A decisão foi rápida. Em pouco tempo eu já tinha trancado a faculdade de jornalismo na Federal do Rio Grande do Norte e estava frequentando o curso de jornalismo da UFSC como aluno ouvinte, enquanto tentava uma transferência.
Da janela do apartamento que dava vista pra Baía Norte, chorei de saudade dos amigos maravilhosos que ficaram em Natal, pelo que foi bom e não ia mais ser. E – pressentia – pela transformação radical que a minha nordestinidade ia passar dali pra frente. Dores do amadurecimento, frio na barriga com as conseqüências da escolha. Aos vinte anos de idade eu abria um novo capítulo na vida, que iria transformar meu sotaque – de onde ele é hoje? -, ampliar meus horizontes profissionais e definir a existência de pessoas ainda por nascer.
Seis meses depois eu conseguia a matrícula em definitivo e começava a trabalhar em jornalismo como revisor do jornal O Estado, a convite do amigo-irmão Frank Maia. Mais outros seis meses e minha família retornava a Natal – a mãe desistiu do curso -, ficando em Floripa eu e mano André, que estudava Direito. Daí experimentei a solidão, depois conheci um montão de gente, virei repórter de polícia e de geral, estive em festas malucas, sofri com o inverno, curti altos verões, peguei caronas pelo interior catarinense e muita, muita coisa aconteceu.
Quase todo ano eu retorno ao Nordeste, de férias, mas não mais voltei a morar lá – com exceção de oito meses entre 1990 e 91, por ocasião da morte da minha mãe, quando ancorei em Ponta Negra pra apoiar a família e escrever meu projeto de conclusão de curso. Floripa virou minha casa, o ninho acolhedor e porto seguro. Na Ilha fiz descobertas maravilhosas no amor, na literatura, no cinema e nos bares. Peguei estradas, cruzei fronteiras, ri muito, passei apertos e cresci. Saí e voltei – Natal, Manaus, Rio -, sempre recebendo acolhida generosa. Encontrei minha amada, gerei dois meninos barrigas-verdes. E fui ficando, por decisão explícita.
Nunca me arrependi da migração voluntária. Eu não seria o que sou hoje sem aquele passo. Vinte anos depois, as lembranças me voltam como uma força da natureza, caóticas e belas. Na manhã daquele 12 de janeiro de 1986, intuí que os novos tempos podiam ser tudo, menos tediosos. Assim é.











