Posts com a tag ‘livros’

27

Mar

06

Trainspotting, dez anos depois

Terminei de ler Pornô, de Irvine Welsh, mesmo autor de Trainspotting (que não li, mas vi o filme e curti). Muito bom! Dez anos depois, os protagonistas escoceses de Trainspotting se reencontram, fazem parcerias escusas, aplicam golpes em terceiros, traem uns aos outros, reatam velhas amizades. Sick Boy – que agora rejeita o apelido – vira dono de um pub decadente e quer se transformar em um empresário de filmes pornô. Frank Begbie sai da prisão e tenta se vingar de quem o roubou. Spud pretende largar as drogas e escrever um livro. Renton gerencia uma boate em Amsterdã, mas resolve retornar à Escócia e devolver a grana aos ex-parceiros. E por aí vai. A narrativa é armada com maestria: cada capítulo vem em primeira pessoa, contado por um personagem diferente, com linguagem própria e humor afiado. Vai render um belo filme também, pode apostar.

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20

Feb

06

Cinema e vida

Tou lendo Os filmes de minha vida, do chileno Alberto Fuguet, uma das grandes revelações da literatura chilena – pelo menos pra este semi-analfa em teorias literárias. É uma história meio autobiográfica em que o protagonista, um sismólogo, se recorda da infância e juventude por meio de 50 filmes que assistiu. Minha identificação com o personagem é imediata, por ele também ser migrante: passou a infância em Los Angeles e depois retornou ao Chile, mas se sente meio outsider em ambos os lugares.

Descobri Fuguet numa livraria no Chile, com Mala onda e Sobredosis, que lembram um pouco o espírito adolescente de O apanhador no campo de centeio (Salinger). As histórias revelam muito das contradições desse país encantador e fraturado – no sentido geológico e social – pelo ponto de vista de um jovem da classe média alta, às voltas com crises existenciais e a descoberta da vida.

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08

Feb

06

Anotações de leitura: anotações de leitura

Até conhecer o Leminski eu tinha ciúmes dos livros, não os emprestava com medo de não serem devolvidos. Ele, ao contrário, dizia que os livros eram para ser lidos e não guardados em prateleiras como objetos decorativos. Escrevia poemas em papel higiênico, nas revistas, nos meus livros, em qualquer superfície… Eu aprendi com ele que o importante não é o papel, mas o que está impresso nele.

José Louzeiro, em “Paulo Leminski: o bandido que sabia latim”, de Toninho Vaz. Louzeiro abrigou Leminski, a mulher e uns amigos por dois meses na sua casa no Rio de Janeiro, em épocas de dureza.

~

Sou um tiquinho reverencioso com os livros – não a ponto de me apegar a eles como objetos de decoração, pois adoro vê-los circular, conversar sobre eles com os amigos e ler o que anotaram. Mas tenho certo bloqueio quanto a eu mesmo canetear o que penso enquanto vou lendo. Talvez porque boa parte do que li até hoje foi em livros que não me pertenciam. É mais pelo respeito aos donos das obras que propriamente por algum senso de “idolatria às sagradas páginas”. Admiro pessoas como o meu pai, que cagam pra isso – e aos 80 anos, mais ainda. Ele trava animados diálogos com a obra, às vezes espirituosos e engraçados, outras vezes irados ou simples comentários de revisão ortográfica. Ler um livro depois dele é um grande prazer. E, ao me deparar com o depoimento de José Louzeiro, me dou conta com satisfação desse ponto em comum entre dois seres que admiro muito, irreverentes no mundo da leitura.

Você anota nas páginas dos livros? Tem essa vontade reprimida? O que sente quando anotam nos seus livros?

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06

Feb

06

Lendo (também)

Paulo Leminski, o bandido que sabia latim, biografia por Toninho Vaz. Compramos num sebo na feirinha de artesanato do Parque da Luz, que há duas semanas funciona todo domingo defronte à cabeceira insular da ponte Hercílio Luz.

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02

Feb

06

Lendo

O Bom Soldado, de Ford Madox Ford. Publicado na primeira década do século 20, o livro é, segundo um crítico bem-humorado, “o melhor romance francês já escrito em língua inglesa”. Ford foi contemporâneo e parceiro literário de Joseph Conrad. A história, diz a resenha do Submarino, “envolve triângulos amorosos, o suicídio de duas de suas quatro personagens principais, a morte súbita de uma outra e a insanidade de uma jovem”. Mas o que me interessa mais são os recursos de estilo: “O autor emprega as técnicas da fragmentação do tempo e da progressão do efeito”.
~
Encontrei este comentário de Paulo Francis sobre o livro (FSP, 30.06.90):

Ford tem uma obra-prima. Se chamava The saddest story, A história mais triste. Levou a um editor em 1915. 0 editor disse: “Nesta guerra horrível ninguém vai ler um livro com esse título”. Ford deu licença para que o cara mudasse o título e o livro passou a se chamar The good soldier, O bom soldado. Um absurdo. É uma grande história de amor, loucura e morte, como todos os romances que ficaram. Li dois dos quatro volumes de Parade’s end e The good soldier. São excelentes, mas pode-se passar a vida sem lê-los.

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16

Jan

06

As histórias de Zuenir

Acabo de ler Minhas histórias dos outros, de Zuenir Ventura. Com texto fluente e coloquial, ele passeia por alguns acontecimentos marcantes do século 20 que testemunhou como jornalista. Também conta anedotas curiosas de bastidores e pequenos grandes dramas do cotidiano. Eu já gostava muito do trabalho dele. Depois de ler a última história do livro – um relato corajoso e íntimo que envolve sua vida familiar -, minha admiração vai além do profissional: Zuenir é um homem de generosidade ímpar. Ele conta como rompeu com um dos princípios do jornalismo – o de não interferir nas histórias que cobre – ao adotar um menino acreano que foi testemunha-chave de acusação no caso Chico Mendes. O ato de amor que salvou a vida do menino provocou conseqüências inesperadas. Mais não conto pra deixar você com vontade de ler. As crônicas do autor de Cidade Partida e de 1968, o ano que não terminou podem ser lidas em No Mínimo.

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13

Dec

02

Anarquismo
E por falar em livro, no dia 16 a partir das 20h30, no Café Matisse, Fábio Brüggemann vai lançar Para que serve o Estado? e outras questões sobre Direito e Cidadania. “Trata-se de um diálogo que mantive por e-mail durante dois anos com o promotor público de Itaiópolis, SC, Pedro Roberto Decomain, sobre diversas questões relativas ao direito e, como diz o título, à existência do Estado”, conta o amigo autor. “Claro que não chegamos a nenhuma conclusão e por isso o título é interrogativo, mas o fato de duas pessoas de áreas distintas publicarem um diálogo sobre o tema, ao mesmo tempo tão presente e pouco debatido, torna o livro, apesar de eu ser suspeito pra tal comentário, interessante. Mantivemos a coloquialidade de uma conversa eletrônica, o que torna o livro também palatável, sem o discurso empolado dos juristas”.

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06

Dec

02

Argumento de um conto
Inverno rigoroso, escala de vôo numa capital do Leste Europeu. O avião não pode decolar por causa da neve. A contragosto, os passageiros precisam esperar e são levados a um hotel, pago pela companhia aérea. O homem aproveita para lembrar da família, mulher e filho pequeno que estão em Montevidéu. No dia seguinte, vai ao aeroporto e tenta embarcar, mas a tempestade de neve continua forte. Retorna ao hotel. A noite transcorre parecida com a anterior: banho, jantar e cama. De manhã cedo ele tenta mais uma vez. Novo adiamento. A rotina se repete, como num limbo. Na manhã seguinte ele retorna ao aeroporto e finalmente o informam que seu vôo vai partir. No saguão, fica próximo de um casal de adolescentes de seus 17 anos e escuta a conversa deles. Aparentemente, conheceram-se na viagem e se sentem atraídos um pelo outro. Contam suas vidas. O rapaz diz que é uruguaio e comenta: “Neste mesmo aeroporto, há muitos anos, meu pai morreu de acidente aéreo durante uma tempestade de neve”. O homem olha bem para o rosto do rapaz e toma um susto: é seu próprio filho!

O autor do conto (que é bem melhor que meu resumo) é Mário Benedetti, grande poeta e dramaturgo uruguaio. Li há seis anos, durante uma longa viagem de ônibus à Patagônia, e fiquei bastante impressionado.

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09

Aug

02

Lendo: Bao chi, bao chi, de Luís Edgar de Andrade. O jornalista cobriu a guerra do Vietnã e conta como foi a experiência nesse ótimo romance – meio ficção, meio autobiográfico.
Ouvindo: Rádio DVeras, na Usina do Som. Botei um link aí na coluna da esquerda.

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21

Jul

02

Viagem

Drica me dá o toque sobre o Guia Criativo para O Viajante Independente na América do Sul. O livro mostra que não é preciso ser rico pra viajar, basta planejar. Editora Trilhos & Montanhas, 880 páginas, R$ 54,00.

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