19
Sep07
Nelson Rodrigues ia adorar
Casal descobre ser amante em sala de bate-papo na web
Um casal bósnio está se divorciando após descobrir que eram amantes um do outro na web, de acordo com a reportagem publicada no site britânico Metro.co.UK.
[Estado de SP, via Frank]
13
Sep07
Uma viagem pela margem do Novo Chico
Caroline e Ticiani, duas estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, resolveram botar os pés na estrada pra fazer o trabalho de conclusão de curso. Elas estão percorrendo de carro, por um mês, a margem pernambucana do Rio São Francisco. Serão ao todo 500 quilômetros e dez municípios. Seu objetivo é contar sobre as pessoas que vão ter suas vidas afetadas pela obra. A aventura jornalística pode ser acompanhada no blog Às margens da transposição.
Fiquei encantado com a ousadia e a relevância da proposta. Esta pauta estava “caindo de madura”, como se diz entre os coleguinhas. O Brasil é um mundo de histórias a serem contadas, de gente simples e anônima que rala de sol a sol pra sobreviver e criar a família – neste caso, bote sol nisso! Quando essas pessoas vivem no entorno de um polêmico megaprojeto de engenharia, o registro de seus depoimentos ganha uma dimensão social e histórica importante.
Acho bacana a narrativa em primeira pessoa. Elas se colocam na história, com suas inseguranças, expectativas e o frescor de jornalistas em princípio de carreira – com os naturais escorregões que a falta de experiência possa trazer, mas com a vantagem de estarem livres dos vícios dos profissionais calejados pelo cinismo do dia-a-dia. As descrições do cotidiano da viagem, com seus estranhamentos e choques culturais, são saborosas. No dia 12, em Lagoa Grande, por exemplo:
(…) deparamos com uma espécie de mirante no Velho Chico. Não hesitei. Parei o carro e desci para ver aquela imensidão. A Carol me seguiu no primeiro instante, mas logo pediu para que saíssemos dali, se sentia ameaçada. Um bando de meninos, entre 13 e 15 anos chegavam no local. O que inibiu a Carol, me tranqüilizou. Eram apenas guris de ‘cueca’ indo tomar banho no rio. Eles usavam o mirante como trampolim. Numa tentativa de aproximação, não fomos bem recebidas. Tentamos puxar papo com duas meninas e elas não nos entendiam ou não sabiam lidar com a situação. Percebendo que não teríamos retorno, nos afastamos e ficamos só observando a movimentação. (…)
As impressões sobre a comida, o trânsito e o clima:
É difícil uma gaúcha e uma catarinense de São Joaquim admitirem, mas o vento também nos fez passar frio.Sombra? Que sombra?
As bicicletas acham que são motos.
Farofa é onipresente.
Baião de dois não é uma refeição que dá pra dois. É uma mistura de arroz, feijão, calabresa, bacon e o que mais se quiser por dentro.
A cobertura é multimídia, com textos, fotos e vídeos – estes últimos, por enquanto, ainda não estão no blog. Gostei da apresentação de fotos com a ferramenta slide. Senti falta do RSS e de uma variedade maior da tags – acho que o critério de classificar os posts só em “editorias” subutiliza o recurso, que possibilita entradas mais intuitivas. Encontrei uma referência a “não-cultura” associada à miséria e à seca que vão encontrar pela frente. A redefinição do conceito trivial de cultura pode ser uma surpreendente descoberta das viajantes…
Uma coisa maravilhosa nesse mar de histórias é que ele oferece várias continuações possíveis, a serem feitas por elas mesmas ou por outros. Um próximo passo seria visitar locais que vão receber a água da transposição. Outra abordagem possível é fazer esses dois caminhos daqui a alguns anos, numa viagem comparativa – se possível, revisitando os personagens que apareceram na jornada anterior.
Boa viagem, meninas! Desejo que esta viagem abra portas pra muitas outras. Abraços de um pernambucano na Ilha de Santa Catarina.
p.s.: “Transposição do rio São Francisco” tem 187 mil referências no Google.
01
Sep07
Diários do Paquistão
Em 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.
Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá – estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema – e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião – são uma leitura que recomendo com ênfase.
p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.
p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil – me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.
p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.
p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: – Pai… Te amo.
03
Jul07
Mais uma história incrível de coma e despertar
Notícia da BBC [via Aidan]: o polonês Jan Grzbski, 65 anos, trabalhador de estradas de ferro, entrou em coma em 1988 depois de ser atropelado por um trem. Dezoito anos depois – contra todos os prognósticos médicos, que lhe davam só dois ou três anos de vida -, despertou. Para encontrar uma Polônia sem comunismo, com as lojas abastecidas e pessoas andando na rua com seus celulares.
Vi um filme parecido, uma comédia que se passava na Alemanha Oriental. O filho fazia de tudo pra que a mãe, comunista ortodoxa, não descobrisse que o Muro de Berlim já havia caído. Imagine uma história brasileira: o cara entrar em coma em 1989, logo depois da vitória de Collor sobre Lula, e acordar agora!
20
Jun07
Novos fragmentos sobre a conquista da América
Escavações arqueológicas no Peru descobriram a mais antiga vítima fatal de ferimento por arma de fogo. Possivelmente era um guerreiro inca envolvido no cerco a Lima em 1536. O esqueleto com fragmentos de metal foi encontrado entre 72 corpos nos arredores da capital peruana, muitos deles com marcas de terríveis mutilações – fato conhecido em vários relatos da conquista da América pelos espanhóis. O que as crônicas não contavam e os achados mostram agora é que muitos ferimentos foram feitos com armas nativas. Isso indica, segundo o arqueólogo Guillermo Cock, que houve apoio importante de indígenas na luta dos espanhóis contra os incas.
[recebi de Aidan Doyle; ele leu na BBC, que cita o Washington Post]
31
May07
Lua azul e Krakatoa
Hoje é dia de lua azul, a partir das 22h04min. Esse é o nome que dão à segunda lua cheia de um mesmo mês. Só acontece uma vez a cada dois anos – porque o ciclo da lua é de 29,5 dias, menor que o número de dias do mês no calendário gregoriano. Mas a cor dela permanece a mesma – o nome é referência a uma música romântica dos anos 30, Blue Moon. Os antigos egípcios costumavam aproveitar a data pra semear e gerar filhos. Diz uma história contada por um casal de ciganos a um motorista pernambucano (programa Ana Maria Braga também é cultura) que, se você estiver apaixonado/a por alguém que não lhe dá bola, basta ficar no mesmo ambiente que a pessoa numa noite de lua azul e olhar pra ela mentalizando o seu sentimento. Se o olhar for correspondido, a paixão também vai ser. Pros que já encontraram sua cara metade: beijem-se à meia-noite em ponto. É amor pra toda a vida.
Curiosidade: há alguns registros na história de momentos em que a lua ficou azul mesmo. Em 1883, quando houve uma erupção do vulcão Krakatoa, na Ilha de Java (vi isso no seriado Túnel do Tempo, mas nunca na escola), milhões de toneladas de partículas foram lançadas na atmosfera. E a lua ficou azulada durante uns dois anos, no momento em que estava próxima do horizonte. Em 1951, um grande incêndio em florestas do Canadá produziu o mesmo efeito, mas só na América do Norte. Informações do saite Apolo 11, sobre espaço e fenômenos naturais.
27
Mar07
Gabo e as letras
“Não sei a que horas tudo aconteceu (o começo da carreira). Só sei que desde que tinha 17 anos e até a manhã de hoje não fiz coisa diferente de me levantar cedo todos os dias, sentar na frente de um teclado para encher uma página em branco, ou uma tela vazia de computador, com a única missão de escrever uma história ainda não contada por ninguém.”
Gabriel García Márquez, 80 anos, durante homenagem à sua carreira de escritor no 4º Congresso Internacional de Língua Espanhola.
[recebi do Adauri, que leu a reportagem no Estadão]
20
Mar07
Escambos bizarros
Ouvido numa festa: “Um sujeito apaixonado por curiós trocou uma casa de praia por um passarinho”. Se pelo menos fosse pra soltar…
06
Mar07
Os postais de Cingapura
A Nessa comenta que isso de fazer conexões mentais com outras pessoas acontece seguidamente com ela. Vou contar outra: em 1993 eu estava em Cingapura a trabalho. Pensei num grande amigo carioca que vive nos Estados Unidos, o mímico Antonio Rocha, e em como ele gostaria de conhecer aquele lugar. Eu passava perto de uma agência de correios, aí aproveitei e mandei um postal pra ele. Quando a viagem terminou e cheguei em casa, em Floripa, encontrei um postal dele pra mim. Escrito em Cingapura! Exatamente no dia em que eu enviei o meu postal! Imagino a cara dele quando chegou em casa no Maine e abriu a caixa do correio. Dá pra acreditar? Fomos pra um lugar improvável no outro lado do mundo, sem avisar um ao outro – eu trabalhando, ele de lua-de-mel -, estivemos na mesma cidade-país e não nos encontramos fisicamente, mas a sincronicidade aconteceu! Você acha que dá pra chamar isso de telepatia ou foi só coincidência?
01
Feb07
Quem procura, acha
Historinha extraordinária no blog da InfoExame:
seqüestrada é achada no Orkut 72 anos depois







