22
Jul11
Chuva nas folhas
Sou solar por natureza, mas amo a chuva desde criança. Uma das minhas primeiras lembranças é de estar pendurado na grade de um janelão que dava frente pra rua Major Codeceira, no bairro da Boa Vista, em Recife, e ficar olhando a água correr pelo meio-fio. Depois, aos cinco e seis anos, em Manaus, nunca perdia a chance de tomar banho pelado naqueles temporais tropicais que vinham e sumiam de repente, com pingos grossos de encher copo d’água. Em Natal, a Cidade do Sol, chuva é tão rara que rende até desconto pra turista em hotel. Na adolescência eu fantasiava em um dia morar num lugar onde pudesse curtir isso mais vezes, ficar em casa olhando pela janela ou curtindo um livro debaixo do cobertor. Meu desejo foi atendido em Floripa, até demais. Aqui ela vem junto com o frio e às vezes dura por dias e dias. Fininha, insistente, deixa o ar tão úmido que quase dá pra cortar com uma faca. As frutas apodrecem rápido, o guarda-roupa fica com cheiro de mofo, o chão do quintal, encharcado. Mas não consigo reclamar. Sempre dá pra encontrar beleza nesse presente que cai do céu.
20
Jul11
Exposição SEMI óTICA – miopia e astigmatismo

SEMI óTICA
Miopia e Astigmatismo [de Felipe Obrer]
De 26 de julho a 12 de agosto de 2011
Ver. Visão. Saúde. Um olho é. Dois olhos são. Sãos.
Irregularidades do globo ocular. Nervo ótico. Nervosismo estético.
A volta a um consultório oftalmológico.
A lógica homogeneizadora do olhar humano.
Nitidez reencontrável pelo olho da câmera.
Uma década sem lentes.
Exposição longa e giro da câmera em estágios.
Desacolpamento da cápsula de navegação. Flutuar no vácuo pleno.
Cópula de fótons. Cúpula de bíons.
A transitoriedade da luz.
O encontro com o infinito dentro do finito.
A revelação da realidade fractal.
Corpo da câmera no plexo solar do corpo do fotógrafo.
Fotos de barriga.
Estômago mago. Entropia visual.
Informações:
Local: Aliança Francesa Florianópolis
Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 282.
Centro – Florianópolis – SC
ABERTURA: terça-feira, 26 de julho, às 19h30.
Às 20h, show de bossa nova e jazz com Joana Knobbe e Gustavo Messina.
Apoio (equipamento de som): Escola de Música Rafael Bastos
ENCERRAMENTO: sexta-feira, 12 de agosto
Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h; sábados, das 8h às 11h.
Entrada gratuita.
Realização (convite e acolhida): Aliança Francesa Florianópolis
Apoio (impressão das fotografias): Laboratório fotográfico Color Click
Agradecimento especial à minha amora e companheira de vida, Joana Knobbe, que, além de produzir o cartaz original da exposição, cantará na abertura.
19
Jul11
Como cão e gato
Tutu e Narceja brincando de viver perigosamente. Ao fundo, mais uma obra não realizada pela Prefeitura de Florianópolis.
15
Jul11
14
Jul11
05
Apr11
04
Apr11
30
Mar11
27
Mar11
Fim de tarde na rua dos Surfistas
Um texto de 9 de maio de 2009, publicado no antigo blog.
Em 1998 e 1999 morei na rua dos Surfistas, numa pousadinha, bem perto desse ponto da praia do Campeche – tão perto que eu via, escutava e cheirava o mar pela janela enquanto trabalhava. Aí nessas areias lagarteei ao sol, caminhei de manhã na neblina, comemorei aniversário com amigos, fogueira e lua cheia. Nesse mar nadei sem pressa em águas mornas e transparentes, mergulhei rápido em águas arrepiantes e brabas, vi pinguins, visitei as inscrições pré-históricas da ilha do Campeche, prestei atenção nos ventos, nos trovões e estrelas, no tempo.
Nas dunas li Os Irmãos Karamazov e Grande Sertão – Veredas num longo inverno gelado, escrevi roteiros pra tevê, acompanhei navios e barcos de pesca de tainha, tive longos papos inspirados com a amada. O apartamento era pequeno e a vida, simplérrima, mas leve e doce, cheia de alegrias e tragos compartilhados com vizinhos gentes finas e com visitas ilustres, como a amiga dinamarquesa Nynne, que ficou conosco dois meses, e a animada turma de tchecos que adoravam cachaça e banho no mar gelado. Claro, morar tão perto do mar tem seus inconvenientes: em poucos meses a maresia corroeu nosso computador, fez vários rombos na lataria do carro, atacou a geladeira e o fogão da pousada. Mas não é a oxidação o que ficou mais presente na lembrança, e sim o oxigênio de momentos belos.
Em janeiro de 2000, Laura e eu deixamos nosso apezinho e fomos de mala e cuia pro Rio de Janeiro. Dois anos depois, voltamos pra Ilha de Santa Catarina, nos mudamos de casa várias vezes e finalmente construímos nosso cantinho no Campeche – a uma distância segura da maresia, mas perto o suficiente pra ir à praia de bicicleta. Este ainda é nosso point favorito na praia, e agora o exploramos com os dois meninos, que adoram brincar nas areias brancas fininhas. Não me canso de fotografar o lugar dos mais diversos ângulos e condições de luz. Essa temporada mágica não foi suficiente pra que eu me transformasse em um bronzeado cavalgador de ondas, mas com certeza reforçou meus vínculos com esta Ilha que escolhi pra viver.
Texto dedicado a seu Edson e dona Chiquinha, Mauro Martini e Gian, Cynara e Maurício, Marcelo Camelo e Liz, Dorva Rezende, Clarissa, Cleo e Joãozinho, Silvio Ligeirinho, Nynne Livbjerg, Fernando e Regina (que se apaixonaram ali, tempo depois), cachorrinhas Rebeca e Tinga (que estão no céu dos cachorros) e a todos os que não cito porque a memória me falta.
25
Mar11
















