21
Mar10
Top 25 fotos históricas mais antigas
Recebi do Aidan Doyle, nosso correspondente australiano para assuntos aleatórios e importação de coalas, um link que vale o clique: a seleção de 25 fotografias históricas entre as primeiras conhecidas. Acima, Boulevard du Temple, tirada por Louis Daguerre em 1838, foi a primeira foto de uma pessoa.
21
Mar10
19
Mar10
14
Mar10
Cartografia da memória: igarapés
A foto é de 1970. Este é meu pai, João Camillo, aos 45 anos, fazendo pose em um igarapé nos arredores de Manaus. Os “banhos” – equivalentes às praias – são uma deliciosa lembrança do período amazônico de minha infância. Íamos bastante nos fins de semana. Às vezes em balneários com piscinas de água corrente e estrutura pra churrascos. Outras – minhas favoritas -, em igarapés na floresta, em acampamentos improvisados onde a comida era preparada em fogo de chão. Momentos de boêmia florestal cheios de risadas, pelo que me lembro. De vez em quando caíam uns pés d’água fortes e rápidos. Logo eram sucedidos pelo sol ardido que evaporava toda a chuva, deixando um intenso cheiro de mato. Hoje estou quase com a idade de papai nesta foto. E ele, com quase 85 – um sobrevivente, como costuma dizer. As lembranças de embaralham, algumas se esvaem, como as cores desse slide. Mas a essência delas permanece em algum lugar. Porque o vivido, mesmo que esquecido, não se apaga nunca.
p.s. 1: Foto de Sara Veras (ela se foi em 1990, mas deixou um rico legado de imagens que aos poucos estou tirando do baú e recuperando no fotoxop)
p.s. Neste post correlato que escrevi em agosto de 2006 – Os igarapés da memória -, comento um belo texto de Milton Hatoum sobre sua iniciação sexual nos igarapés de Manaus. Minha iniciação nesses riachos foi de outra natureza: a percepção da coisa antes da palavra, a sinestesia atordoante dos sentidos, o riso infantil de liberdade.
07
Mar10
Cartografia da memória: Stavanger
Stavanger, no sudoeste da Noruega, é a terceira maior cidade do país, com 190 mil habitantes. Limpa e sossegada, com arquitetura quase frugal, nem parece fazer jus à sua fama de capital do petróleo desse país nórdico. Suas casas são quase todas de madeira, pintadas de branco ou de cores claras. A comunidade vive com conforto, mas sem sinais evidentes de ostentação.
Stavanger foi nosso ponto de partida pra uma excursão que Laura e eu fizemos na primavera de 1997 – acompanhados dos amigos Eirik e Hélène – à Preikestolen, “pedra do púlpito”. Pra chegar até lá é preciso primeiro pegar um ferry-boat, depois rodar um pouco de carro e caminhar por uma trilha de duas horas e meia, sempre subindo. Preikestolen é uma “torre” natural de granito no alto de um paredão vertical de 604 metros que bordeia o fiorde Lyse. Lugar de beleza extraordinária, onde tive um epifania que conto outra hora.
Ficamos hospedados no apartamento do simpático Kai Hennig, arquiteto amigo de Eirik e Hélène (eu o reencontrei faz pouco tempo, com a ajuda do Facebook). Fizemos muitas caminhadas pelas ruas e pelo porto. Lembro que quebrei uma taça de cristal num restaurante. De Stavanger seguimos de barco costeando os fiordes rumo a Bergen, mais ao norte.
Fotos: Laura Tuyama
21
Feb10
Escultura em movimento
Mais um recuerdo dos álbuns de viagem. Cliquei essa estátua em Oslo. É uma homenagem à atriz e patinadora norueguesa Sonja Henie (1912-1969), três vezes campeã olímpica, dez vezes campeã mundial e seis vezes campeã europeia, me diz a Wikipedia. Bem mais bonita que as estátuas de milicos montados a cavalo, né não?
11
Feb10
Recife, 1968
Mais uma foto de família que recuperei no photoshop e ajuda a reavivar lembranças. Esta deve ter sido clicada no segundo semestre de 1968 – não faço ideia da autoria. Eu no colo do pai e meu irmão André no colo da mãe, no jardim da nossa casa na rua Major Codeceira, na Boa Vista, Recife. Eu tinha quase três anos de idade e André, quase um. Papai, 43 – um ano mais novo que a minha idade atual – e mamãe, 28. Na minha imaginação, eram poderosos e infalíveis, eu me sentia completamente seguro e vivia um dia de cada vez.
Como diz Zuenir Ventura, 1968 não terminou. Daquele ano conturbado pro país, não tenho como recordar de nenhum evento histórico, mas algumas das minhas primeiras lembranças nítidas são dessa época (há fragmentos anteriores). Subir na grade da janela da frente e olhar a chuva caindo na rua; abrir a geladeira durante uma festa de carnaval, comer um pacote inteiro de azeitonas e vomitar; cair de cabeça num paralelepípedo e ganhar um galo na testa; brincar com uma cachorrinha… Lembro de muitas visitas e risadas, casa sempre cheia.
Há uma história engraçada sobre um ladrão atrapalhado que tentou levar um bujão de gás dessa casa, que já contei aqui, mas só soube depois. Outra coisa que só me contaram mais adiante foi sobre a mangueira que meus pais plantaram. Anos depois, eles passaram pela casa e viram que tinha se tornado uma árvore frondosa, como tantas outras no bairro da Boa Vista. Marchinhas carnavalescas também me trazem um eco desse tempo. Passei anos sem comer azeitonas, sem saber por quê, até que a lembrança chegou de repente. E voltei a gostar delas.
03
Feb10
Navegações da infância
1972. Meu irmão André (à direita) e eu brincando sobre um bote salva-vidas no navio Leopoldo Peres, que descia o rio Amazonas de Manaus a Belém. Retornávamos a Recife, depois de um período de dois anos em que nossa família morou na capital amazonense. Um tempo intenso que nós, na inocência de seis e quatro anos, não conseguimos captar na totalidade (e quem consegue?). Mas intuímos nos fragmentos de conversas dos adultos, passeios de barco, cheiros de chuva, mato e frutas estranhas, reflexos de luz naquele mundo de mistérios, naufrágios e águas grandes. Arrisco dizer que muito do que sou hoje se deve às experiências vividas na infância amazônica. Manaus, na época, tinha em torno de cem mil almas – uma provinciazinha em comparação com a atual metrópole inchada de 1,7 milhão de habitantes. Os “banhos” – passeios a igarapés que nos encantavam nos fins de semana – foram engolidos pela onda urbana e estão cada vez mais distantes. Mas, na essência, a cidade continua uma ilha humana rodeada de floresta úmida e água por todos os lados. A sensação de pequenez diante do universo, de deslumbre com a enormidade da natureza, foi tão marcante que me acompanha sempre.
Uma cena que se repetiu algumas vezes na viagem me impressionava. Quando ancorávamos em algum porto, caboclinhos com a minha idade ou menos remavam em canoas até o casco do navio e pediam coisas. Os passageiros amarravam roupas, comida e dinheiro em sacos plásticos e os jogavam na água. Os meninos iam nadando como peixes e recolhiam as doações. Outra lembrança: em cima desse bote salva-vidas, ou de outro parecido, esqueci um cavalinho de borracha natural que havíamos comprado no porto de Santarém. Quando dei por mim, o bicho tinha derretido no sol forte e se transformado no que hoje me pareceria uma obra de arte conceitual. Enquanto eu enxugava as lágrimas, o navio descia a correnteza em direção ao mar, me dando as primeiras lições de transformação e impermanência. Desde então, só retornei ao Amazonas uma vez, em 1990, por alguns meses. Já tá quase na hora de ir de novo.
p.s.: Foto de Sara Veras, minha mãe, digitalizada pelo amigo Michel. O slide tinha perdido as cores originais e estava arranhado, então dei uma fotoxopada restauradora e converti pra preto e branco.
p.s.2: O navio Leopoldo Peres naufragou na década de 80, depois de uma colisão com uma fragata da Marinha.
p.s.3: Já leu Milton Hatoum? Recomendo. Literatura amazônica e universal.
p.s.4: Já contei essa história do cavalinho aqui antes, mas só por alto, sem foto. E se tem uma coisa com que não me preocupo é me repetir.
15
Jan10
Ausências
Recebi do Fernando Evangelista e passo adiante a dica sobre Ausências, emocionante exposição do fotógrafo Gustavo Germano. É uma homenagem aos desaparecidos da ditadura argentina, a partir da reconstituição de fotos de álbuns de família com os parentes e amigos sobreviventes.
17
Dec09
















