Posts com a tag ‘entrevista’

21

May

07

O progresso segundo Luiz Henrique

Em entrevista à tevê Barriga Verde, o governador de Santa Catarina vocifera contra as normas de proteção ambiental e defende os mega-empreendimentos turísticos na Ilha de SC. Mais uma evidência cabal de despreparo e visão limitada do conceito de desenvolvimento. Veja e tire suas conclusões.

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17

Apr

07

O grande golpe do Plano Real

Já tomou sua dose de indignação hoje? Recomendo a entrevista de Paulo Henrique Amorim com Luís Nassif, que acaba de lançar pela Ediouro o livro “Os cabeças-de-planilha”. Nassif conta que André Lara Resende, então membro da equipe econômica de FHC, era o “economista com dupla militância, ajudando a definir as regras do Real e, depois, operando no mercado em cima dessas margens”. Lucrou uma fortuna com isso – no mercado financeiro se dizia que, nessa tacada, embolsou em torno de R$ 500 milhões.

“Esta é provavelmente a denúncia mais grave já feita sobre as maracutaias na política econômica brasileira”, escreve Paulo Henrique Amorim. Uma face nada lisonjeira de Fernando Henrique Cardoso é revelada no livro, diz o jornalista:

“A entrevista que FHC deu a Nassif, em fevereiro deste ano, é patética. Por três vezes ele diz que não sabia do que acontecia – e não sabia o que acontecia sobre o Plano Real, que mudou a economia, a moeda e o país (para o bem e para o mal…). E por cinco vezes ele diz que não foi consultado. Não foi consultado sobre questões centrais da reforma do Plano Real. É espantoso !!!

A entrevista de PHA com Nassif sobre o golpe do Real pode ser lida aqui e ouvida aqui.

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06

Mar

07

O dissidente da verdade

Morreu hoje aos 77 anos Jean Baudrillard, sociólogo e fotógrafo francês, polêmico crítico da mídia e do consumismo. Suas obras inspiraram a trilogia de filmes Matrix, que ele achou divertida, mas uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade:

“Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente.”

Em 2003 ele concedeu esta entrevista a Luís Antônio Giron, da Época, com um bom resumo de suas idéias. Trecho:

“Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.”

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15

Feb

07

Segurança pública em debate

Recomendo a leitura da entrevista de Luiz Eduardo Soares, um dos maiores especialistas em segurança pública do país, no portal do PPS. Ele desqualifica o comportamento”demagógico e populista” do Congresso Nacional diante de tragédias como a morte bárbara do menino João Hélio, de seis anos. Defende uma reforma profunda na instituições para que as leis já existentes possam ser cumpridas, explica por que é contra a redução da maioridade penal e denuncia o genocídio de jovens brasileiros negros do sexo masculino. Abaixo, um trecho:

(…)
O problema da segurança pública é muito mais grave. Não pode ser tratado com enrijecimento de penas e outras medidas desse tipo, que já se comprovaram ineficazes, inteiramente distantes das reais necessidade. Nós precisamos de uma reforma profunda nas instituições da segurança pública, de mudanças constitucionais, de políticas preventivas articuladas num sistema único de segurança pública, que envolva compromissos de investimentos reais por parte do Estado em todas as esferas, desde o município até a União. Conceber um plano amplo e sistêmico exige um outro tipo de postura, muito diferente dessa que tem caracterizado a reatividade do Congresso Nacional. (…)

No Brasil, há cerca de 45 mil crimes letais por ano e aproximadamente 40 mil homicídios dolosos anualmente. São números extraordinariamente elevados, que correspondem a 27 vítimas por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos são oito; na Europa, menos de três; no Japão menos de um. Quando observamos os dados desses crimes mais de perto, compreendemos que há uma forte concentração nesse processo de vitimização. Apesar de os problemas dizerem respeito à sociedade brasileira em seu conjunto, há uma concentração numa determinada faixa social quando se trata do processo de vitimização letal. Quem está morrendo são sobretudo jovens entre 15 e 24 anos, pobres, moradores das periferias, das favelas, das comunidades e, em geral, negros e do sexo masculino. Isso é tão grave e tem atingido patamares tão elevados que já há um reflexo desse processo na estrutura demográfica brasileira. Há um déficit de jovens do sexo masculino nessa faixa etária, de 15 a 24 anos, que já caracteriza esse processo como genocídio. Quando um demógrafo observa essa configuração populacional sem saber a que sociedade se reportam esses dados, tende a deduzir que se trata de guerra porque só uma sociedade em guerra tende a produz esse tipo de conseqüência no perfil demográfico. Estamos diante de um quadro muito peculiar, extremamente grave; de um processo de genocídio dos nossos jovens; num processo autofágico, fratricida, do qual tem sido co-responsável, cúmplice, o próprio Estado, na medida em que, por omissão ou por ações ilegais, tem contribuído para esses resultados. (…)

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07

Feb

07

Filosofia e felicidade


(…)
ÉPOCA – O senhor associa a felicidade à sabedoria. Os ingênuos e os ignorantes seriam então condenados a ser infelizes? Há quem diga que saber demais pode nos levar à angústia ou a um sentimento de impotência.

Comte-Sponville - Existem imbecis felizes e gênios infelizes. Mas a sabedoria é algo distinto da genialidade. Tampouco tem a ver com desatino ou tolice. A sabedoria é, sim, um certo tipo de felicidade. Mas nada tem a ver com a felicidade ilusória, conseguida por drogas ou pela ignorância. A sabedoria é a felicidade dentro da verdade. É o máximo de felicidade associado ao máximo de lucidez. Essa é a meta da filosofia. Nesse caminho, há muitas ilusões a perder e algumas verdades desagradáveis a confrontar. É por isso que a filosofia passa inevitavelmente pela angústia, pela dúvida, pela desilusão. Continua sendo apenas um caminho. Porque o destino
é uma felicidade autêntica. É isso que chamamos de sabedoria.
(…)
ÉPOCA – Devemos deixar de lado o desejo para viver melhor o presente?
Comte-Sponville – Não, de jeito nenhum! Recusar o desejo é morrer. Deve-se, isso sim, desejar o presente com todas as forças. Quando você faz amor, o que deseja: o orgasmo que está por vir, ou o ato de fazer amor, aqui e agora? Se é orgasmo o que você deseja, a masturbação é o meio mais rápido. Mas, quando se faz amor, o bom é fazer, aqui e agora, e não desejar nada além do tempo presente que nos absorve por completo.
(…)
ÉPOCA – O senhor tem algo a dizer a quem quer desesperadamente ser feliz em 2007?
Comte-Sponville – Preocupe-se menos com a própria felicidade e um pouco mais com a dos outros. Espere um pouco menos. Ame e aja um pouco mais.

Revista Época, 1/1/2007. A íntegra está aqui

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30

Jan

07

Modelos e trabalho infantil

Entrevistas com modelos no SP Fashion Week.

– Você desfilaria para uma grife que explora o trabalho infantil?
- Nossa, com certeza. Com criança, até de graça.
(Marcelle Bittar, 23)

- Você desfilaria para uma marca que usa crianças para fabricar as roupas?
- Ah, se fosse uma marca boa, acho que tudo bem.
(Aline Weber,17)

- Você desfilaria para uma marca que usa crianças para fabricar as roupas?
- Olha, esse é meu sexto Fashion Week e só agora comecei a ter mais visibilidade. Então, se fosse uma marca legal, eu faria, sim. Mas se usasse trabalho escravo, eu não faria, não. Trabalho escravo é meio punk.
(Stefânia,16)

Luisa Alcantara e Silva, Folha de S. Paulo, 26.01.2007.

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23

Jan

07

Entrevista com o autor do blog

Li esse questionariozinho no blog da Giorgia, que leu no da Nalu, que leu no Cherrysoda. Aí vão minhas respostas.

O que você fez em 2006 que nunca tinha feito antes?
Quarenta anos.

Você manteve as resoluções de ano novo de 2006 e fará novas para 2007?
Resoluções?! Fiz não. Pra 2007 fiz dez modestas intenções gerais e cinco intenções culinárias.

Que lugares você visitou?
Trilhas e lugarzinhos na Ilha; interior de Santa Catarina; São Paulo e Brasília. Visitas freqüentes à obra da casa. Já em sonhos e na imaginação estive numa imensidão de lugares fantásticos.

O que você gostaria de ter em 2007 que faltou em 2006?
Mais tempo livre.

Que data de 2006 vai ficar marcada em sua lembrança?
A noite de 3 de abril, quando nasceu Bruno. Marcada pra sempre.

Qual sua maior realização no ano?
Ser pai pela segunda vez.

Qual foi o seu maior fracasso?
Não ter previsto o futuro num momento crucial.

Você teve alguma doença?
Nada que exigisse médico, antibiótico ou canja de galinha.

Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Livros. Novos e usados. Grossos e finos. Bons e baratos.

Que comportamento mereceu comemoração?
Todos os sorrisos lindos de Bruno e Miguel.

Que comportamento foi deprimente?
A cabeçada de Zidane. A negociata do dossiê.

Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
Material de construção.

O que te deixou realmente excitado?
Sexo.

Que canções sempre vão te lembrar de 2006?
Música do Agreste de Pernambuco; as do CD “Lunático”, de Gotan Project.

Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. mais feliz ou mais triste?
II. mais magro ou mais gordo?
III. mais rico ou mais pobre?
Mais ou menos na mesma pra todas. Posso emagrecer uns 2 kg este ano, mas não prometo.

O que você queria ter feito mais?
Ir ao cinema.

O que você queria ter feito menos?
Pegar fila pra resolver burocracia.

Você se apaixonou em 2006?
Tou sempre apaixonado.

Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Ninguém que eu conheça ou possa acertar um canhota.

Qual foi o melhor livro que você leu?
Em 2006, “Dois Irmãos”, do amazonense Milton Hatoum. Tocante, muito bem escrito!

Qual foi a sua maior descoberta musical?
Gotan Project. Um jorro de força criativa e inovação no tango.

O que você quis e conseguiu?
Construir a casinha.

O que você quis e não conseguiu?
Dedicar mais tempo à fotografia. Estudar espanhol.

O que você fez no seu aniversário?
Festei com amigos num quiosque na praia. Banho de mar à noite.

O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
A felicidade de todas as pessoas que amo.

Como descreveria seu modo de se vestir em 2006?
Casual relax. Escolhas aleatórias no guarda-roupa.

O que manteve a sua sanidade?
O amor da família e dos amigos.

Qual episódio da política que te deixou mais puto?
O caso do dossiê. Puta que pariu!

De quem sentiu falta?
De muita gente, vivos e mortos.

Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Eu mesmo, no dia em que meu eu de 39 encontrou o eu quarentão.

Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2006:
Com tijolo sobre tijolo se faz um desenho mágico.

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05

Jan

07

Fotografia: entrevista com Tatiana Cardeal



“Sometimes I call my photography “social photography,” not only because of the social documentation issues, but because of the consequences and possible social changes that evolve from this use of communication. It happens on different levels; my photos can be interpreted as a denunciation, a call for action, a protest, a petition, a campaign, or just as educational information. But the intention of my projects, and probably the most important aspect of what I seek, is focused on social development by opening minds, hearts and eyes and sensitize them to social inequalities and human spirituality”.

Sou fã da Tatiana Cardeal e me sinto honrado em ser seu amigo. Gente boníssima, de grande sensibilidade, ela coloca a alma em tudo o que faz. E assim tem feito com a fotografia social, à qual se dedica desde 2003, em especial documentando os indígenas brasileiros – já mostrei várias fotos dela aqui. Nesta ótima entrevista (em inglês) ao site Living in Peru, Tati conta sobre seus projetos, motivações e experiências.
~
I´m a fan of Tatiana Cardeal, and honoured to be her friend. Excellent person, gifted with great sensibility, she puts her soul in everything she does. So she´s been doing with social photography, her métier since 2003, with enphasis in documenting Brazilian indigenous people – I´ve shown some of her pictures here. In this nice interview (in English) to the site Living in Peru, Tati tells about her projects, motivations and experiences.

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20

Nov

06

Lista de cinema 2

16) Spielberg preferido?
A lista de Schindler. Também gostei muito de E.T. e Munique.

17) Argentino preferido?
Diretor: Fernando Solanas. Ator: Ricardo Darín, de O filho da noiva, Nove rainhas e O Clube da lua. Três excelentes filmes, aliás.

18) Ator morto favorito?
Marcello Mastroiani. Genial em todos os filmes. Gosto especialmente da atuação dele nas obras-primas fellinianas La dolce vita e Oito e meio.

19) Ator vivo favorito?
Leonardo Camillo. Meu irmão.

20) “Character Actor” preferido de todos os tempos?
Doutor Smith, de Perdidos no Espaço.

21) Atriz morta favorita?
Dina Sfat.

22) Atriz viva favorita?
Fernanda Montenegro.

23) “Character Actress” preferida de todos os tempos?
A que fazia o seriado Jeannie é um Gênio. Na época ela povoava as fantasias sexuais da garotada.

24) Personagem cinematográfico animado favorito?
Papaléguas. Nos tempos mais recentes, a menina japonesa Chihiro (A viagem de Chihiro).

25) Trilha sonora favorita?
Pergunta difícil. Hmmm… O poderoso chefão é marcante. Outras que ficaram na minha cabeça um tempão foram as de Betty Blue, Amélie Poulain, Assédio, Noites de Cabíria.

26) Tema musical preferido de uma trilha sonora?
A música-tema de O poderoso chefão.

27) Canção favorita?
Bye-Bye Brasil, de Chico Buarque, no filme de mesmo nome. A Hard Day´s Night, em Os reis do iê-iê-iê. Que será será, daquele filme de Hitchcock (Intriga internacional, acho). E outras tantas.

28) Filme de Natal favorito?
Não consigo entrar no clima dos filmes de Natal. Deve ser por causa do contraste da neve na tela com o calor do verão.

29) Gênero cinematográfico favorito?
Não importa o gênero – comédia, noir, bangue-bangue, drama, romance, histórico, guerra, ficção científica, documentário -, desde que seja uma boa história. Não curto filmes de violência gratuita e musicais, com honrosas exceções.

30) Filme da Disney favorito?
Fantasia.

31) Faroeste favorito?
Os imperdoáveis, de Clint Eastwood.

32) Musical favorito?
Hair. Dá vontade de virar hippie e se perder por aí.

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