Posts com a tag ‘entrevista’

01

Aug

08

Desde Cuba, Yoani Sánchez

Muito boa esta entrevista da jornalista Estela Caparelli na revista Criativa com a filóloga cubana Yoani Sánchez, autora do blog Generación Y. Em pouco mais de um ano de existência do blog, ela tornou-se celebridade internacional ao relatar, em primeira pessoa e com críticas bem-humoradas, o cotidiano em Havana: frustrações com a burocracia, falta de liberdade de expressão, queda na qualidade de ensino, proibição de sair do país…

Yoani foi considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time e recebeu o prêmio Ortega Y Gasset 2008 de Jornalismo Digital. Em março deste ano, segundo ela, o blog recebeu 4 milhões de visitas. No entanto, é praticamente desconhecida no próprio país. “Em Havana, disseram que Evo Morales estava na lista [da Time], mas nem mencionaram que havia uma cubana entre os eleitos”, diz.

Ela é colaboradora do portal de jornalismo cidadão Desde Cuba, criado como alternativa para driblar o rígido – e anacrônico – controle estatal sobre a informação: “Se em Cuba uma pessoa faz, imprime e distribui um pequeno jornal, é um delito que se chama propaganda inimiga, de acordo com o Código Penal. Não há leis que impeçam um cubano de colocar opiniões na internet”. Com a ajuda de voluntários, o blog de Yoani tem versões em inglês, polonês, francês, alemão e italiano.

Um trecho:

Há pessoas afirmando que seu discurso ajuda a reforçar interesses políticos como os do governo norte-americano…
Todos os fenômenos novos são passíveis de ser manipulados de um lado ou de outro. Não quero me proteger contra a manipulação. Podem usar meu discurso como quiserem, isso não vai mudar o que digo. Não escrevo para satisfazer os de Miami ou o Partido Comunista. Muitas pessoas dizem: você apenas escreve críticas. Mas a televisão, a rádio e os jornais já falam do que é positivo. Para que vou gastar meu tempo quando a imprensa oficial já se dedica a isso?

Qual é a sua Cuba ideal, então?
O mundo ideal em Cuba não vai chegar tão cedo. Primeiro, porque a política tem gerado um preço social, político e antropológico. Perdemos muitas das tradições e valores. Leva tempo para construir uma nação fragmentada. A ilha ideal que chegará em 40 ou 50 anos precisa ser uma Cuba inclusiva, onde não existam linhas divisórias que separem um cubano do outro. Você não pode ser menos cubano porque vive fora do país ou menos cubano porque é turista. Uma Cuba ideal precisa ser plural, onde o que faço não constitua um delito ou uma traição. Onde ninguém seja acusado de ser agente do imperialismo por dizer o que pensa. E uma Cuba ideal precisa ser civil: Cuba está excessivamente militarizada.

Leia a íntegra aqui

Foto: reprodução do blog Generación Y

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07

Jul

08

A cor da voz

O Diário Catarinense de hoje traz entrevista da repórter Alícia Alão com meu irmão Leonardo Camillo sobre dublagem. Neste fim de semana ele fez uma oficina pra 15 crianças e pré-adolescentes durante a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Se você já viu filmes dublados com Nicolas Cage, John Travolta, Kevin Costner, Pierce Brosnan (007), o Jesus de Zefirelli, o Ikki de Fênix da série de animação Cavaleiros do Zodíaco e o dinossauro Barney, entre tantos outros, com certeza já ouviu a voz dele. Trecho:

DC – E o mercado, como está?

Camillo – É um mercado restrito em termos de elenco. Porque formar um elenco de dublagem não é da noite pro dia. É diferente de qualquer outro meio de interpretação, do teatro, da TV, do cinema. É uma coisa muito específica e não trabalha só com interpretação, mas também com uma parte técnica que muita gente não consegue se adaptar. Muitos entram na dublagem e não têm paciência pra crescer na área, porque no começo não compensa financeiramente. Você acaba se afastando. Fica quem realmente gosta. Transformar um dublador para fazer grandes papéis, papéis centrais, demora no mínimo uns cinco anos. O elenco acaba sendo umas 300 pessoas, mais ou menos, e só em RJ e SP. Mas trabalho tem bastante!

DC – O dublador não tem tanto reconhecimento do público quanto um ator de TV ou teatro. O que você acha disso?

Camillo – Nunca fui um carreirista, que faz para aparecer. Meu objetivo sempre foi interpretar. Eu me sinto com sucesso. Acontece que a dublagem sempre foi muito presa ao estúdio, anônima mesmo. Eu costumo dizer que dublagem tem um divisor de águas, há uns 12 anos, antes e depois de Cavaleiros do Zodíaco. Depois do Cavaleiros, começou um movimento nacional de fãs de anime. Tem eventos de anime em todas as regiões do país, todos os anos. E eles veneram o trabalho dos dubladores. Sabem tudo o que a gente faz, respeitam, reconhecem, querem saber, pedem autógrafos. Semana que vem estarei em Fortaleza, na outra em Recife, sempre nesses eventos, dando palestras, fazendo oficinas. Depois de Cavaleiros do Zodíaco, a coisa saiu do estúdio, os fãs sabem muito mais que eu das coisas que eu faço. Então saiu do anonimato.

p.s.: Alícia é uma repórter de texto sensível e afiado, com grande senso de observação pros detalhes, como o que ela captou pra abrir a matéria e virou título. Uma das melhores coberturas da Mostra tem sido a dela. Feliz do editor que pode contar contar com alguém assim na equipe.

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17

Jun

08

Saite da vez: Memória Roda Viva

Tive paixão à primeira vista por este projeto: o Memória Roda Viva se propõe a digitalizar a transcrição de todas as entrevistas do famoso programa da TV Cultura que vai ao ar semanalmente desde 1986. Já colocaram 206 nomes, como Grande Otelo, Millôr Fernandes, Davi Yanomami, Niède Guidon, Darcy Ribeiro, Dráuzio Varella, Jesus Martín-Barbero, Manuel Castells… (já tou selecionando alguns que quero conferir). Junto com os textos vêm vídeos de uns dois minutos com trechos das entrevistas. Acabo de ver os de Bioy Casares e Paulo Francis. As entrevistas também podem ser acessadas por assuntos: ciência, cultura, economia, esporte e política. É a história contemporânea ao alcance do clique. Pra quem não gosta, é só procurar mulher melancia em outro canto – isso é a beleza da internet.

[dica da sempre antenada Tati Cardeal]

p.s. Seria lindo se os usuários pudessem copiar o código dos vídeos e embuti-los nos blogs – como se faz no youtube – dando link pra transcrição das entrevistas.

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05

May

08

Artesanato e entrevista

A cunhada Ana Tuyama, artesã de mão cheia, é a entrevistada da vez no Banana Craft.

Você pode conferir as fotos do trabalho dela no flickr e encomendar produtos na loja virtual.

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11

Mar

08

Da série entrevistas aleatórias: botecos no Rio

Perguntei ao amigo Zé Dassilva, que entre outras coisas de sua vidinha, é torcedor do Criciúma, chargista do Diário Catarinense, roteirista da TV Globo e morador de Botafogo, quais são os botecos preferidos dele no Rio e por quê. Segue a síntese de suas impressões após exaustivas mas prazerosas pesquisas de campo.

Pra mim, o melhor é o Informal. Trata-se de uma rede de bares estilo “pé-limpo”, com banheirinho ok pras mulheres e mais enfeitadinho na aparência.
Gosto também do Cervantes, perto da Rua Prado Júnior em Copacabana, foco de prostituição mas que tem o melhor sanduba da cidade.
Também não perdi a mania de ir na Cobal do Humaitá. Lá, prefiro o Rota 66 com sua comida mexicana e o recém-inaugurado Joaquina, mistura de restaurante com bar pé-limpo.
E, claro, o Risoto, pé-sujo aqui embaixo de casa, na esquina da Casa da Matriz e freqüentado pela juventude que se prepara para entrar na boate.

E você? Quais são os seus botecos favoritos?

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08

Nov

07

Anotação de leitura: Kasparov e a infância perdida

“The loss of my childhood was the price for becoming the youngest world champion in history”, Kasparov once said. “When you have to fight everyday from a young age, your soul can be contamined. I lost my childhood. I never really had it. Today I have to be careful not to become cruel, because I became a soldier too early”.

The Tsar’s opponent. By David Remnick. The New Yorker, Oct. 1, 2007.

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05

Nov

07

A procuradora e as marinas

Cesar Valente publica em sua coluna-blog De Olho na Capital uma excelente entrevista com a procuradora da República Analúcia Hartmann sobre o uso das áreas costeiras na Ilha de Santa Catarina. Saiu em maio de 2006 na revista Pesca, Navegação e Lazer, mas mesmo depois da Operação Moeda Verde, continua bem atual. Trecho:

De que modo se pode construir marinas em Florianópolis?

O mesmo modo que se tem para construir marinas em qualquer lugar do mundo, que é o licenciamento ambiental e a autorização dos órgãos competentes. Na verdade, em Florianópolis, além do problema físico da ilha, de ter poucos locais abrigados, existe uma maneira de atuar pouco profissional por parte dos empreendedores do turismo. Normalmente, as marinas que são projetadas aqui, são projetadas prevendo graves danos ambientais. Ou então, quando os emprendedores descobrem que têm que fazer um estudo de impacto ambiental já desistem. Aí eles desistem e botam a culpa no ministério público, nos ecologistas, na chuva, no sol, em qualquer coisa. Mas é uma atitude muito pouco profissional.

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03

Oct

07

Escravocratas financiam políticos (2)

Na suíte da reportagem publicada ontem no Congresso em Foco, Lúcio Lambranho entrevista Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista social que coordena a ong Repórter Brasil, focada no combate ao trabalho escravo. Sakamoto comenta a recente polêmica dos senadores que estão pressionando o grupo móvel de fiscalização do governo. Fala também da PEC 438 (Proposta de Emenda Constitucional) que prevê desapropriação de terras dos escravagistas, há 12 anos (!) em tramitação no Senado. Vale conferir.

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17

Aug

07

Viajar a pé é uma virtude

A piauí deste mês traz um perfil muito bem escrito de FHC, por João Moreira Salles, que o acompanhou por dez dias e 19 compromissos nos States (“O andarilho”). Tem uma matéria interessante sobre o último preso político no Brasil, um italiano que militou nos “anos de chumbo” de lá. Um conto engraçado de André Sant’anna (“Meio ambiente é o caralho”). E uma entrevista curta com o louco do Werner Herzog (“O que aprendi”), em que somente as respostas são publicadas. Trechos desta:

Fatos não me interessam muito. Fatos são para os contadores. A verdade gera iluminação.

Eu estava fazendo um filme com um elenco só de anões e um deles pegou fogo e foi atropelado por um carro. Ele saiu completamente ileso e eu fiquei tão espantado que disse ao elenco que, se todos saíssem intactos da filmagem, eu pularia num cacto, para diverti-los. E eles saíram intactos, então eu pulei no cacto.

Por que os Estados Unidos? Porque me casei.

Los Angeles é a cidade americana que tem mais substância – substância cultural.

Não me tornarei cidadão de um país que tem pena capital. É uma questão de princípios.

Fiz um filme em que hipnotizei todo o elenco. Pessoas psicóticas não devem ser hipnotizadas.

É bobagem achar que a vida humana pode se sustentar neste planeta.

Respeite os indígenas.

Mais que em qualquer outro período histórico, nosso senso de realidade está gravemente ameaçado. É a Internet, o Photoshop, são os efeitos digitais do cinema, os videogames – ferramentas que surgiram com impacto imediato.

O turismo é um pecado. Viajar a pé é uma virtude. (…) Você ouve histórias que não foram contadas a mais ninguém.

Se eu abrisse uma escola de cinema, obrigaria todos a pagarem pelo ensino trabalhando. Não num escritório – lá fora, na vida real.

Levei um tiro no ano passado. Não me afetou porque eu já tinha sido baleado antes.

Não vou responder a isto. Uma revista não é o lugar para o significado da vida. Uma revista deve conhecer suas limitações.

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04

Aug

07

Miguelices: filho entrevista pai

- Pai, você tem medo de lula gigante?
- Não.
- Por quê?
- Porque ela vive no fundo do mar.
- E se você estivesse no fundo do mar e fosse atacado?
- Eu disparava nela um jato de tinta do meu submarino.
- E se ela fosse muuito grande?
- Eu disparava dois jatos de tinta.
- E se ela não se importasse?
- Eu fugia pra superfície.
- E se ela fosse atrás?
- Eu chamava um super-herói. O homem aranha, pra amarrar os tentáculos dela.
- E se ela quebrasse a teia?
- Eu chamava o surfista prateado.
- E se ela quebrasse?
- A prancha?
- Não, o surfista.
- Eu chamava todos os heróis da Liga da Justiça.
- E se ela fosse uma lula espacial e derrotasse todos?
- Eu chamava o Jimmy Neutron.
- E se ela destruísse a nave do Jimmy Neutron?
- Eu chamava o homem de ferro com uma motosserra pra cortar os tentáculos dela e botar numa panela pra fritar.
- E se crescessem mais tentáculos?
- Eu… hmmm… Chamava o presidente Lula.
- O presidente também é lula?
- É.
- E se ela ganhasse?
- Ganhava não. Ele enrolava ela toda. Vamos brincar de outra coisa?

Miguel, 4 anos e 9 meses. Dauro, 41 anos e 7 meses.

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