22
Mar09
Crônica de uma Catástrofe Ambiental
Crônica de uma Catástrofe Ambiental é uma reportagem multimídia da revista Fórum sobre o derramamento, pela empresa Servatis, do perigoso agrotóxico endosulfan num afluente do rio Paraíba do Sul, que matou milhares de toneladas de peixes e pode ter contaminado milhões de pessoas. O caso aconteceu no dia 18 de novembro de 2008. Vale conferir, não só pela extrema relevância do assunto (pode ter afetado a água consumida por 80% da população do estado do Rio), como pela maneira como a reportagem foi construída pelos jornalistas André Deak e Paulo Fehlauer utilizando os recursos da internet. O site, baseado em WordPress, traz textos, fotos, áudios, vídeos e um mapa interativo.
“O conteúdo está disponível para download, remixagem e republicação, sob licença Creative Commons. Acreditamos trazer assim mais transparência ao processo de produção de conteúdo jornalístico. O making of da reportagem especial está sendo produzido pelo André e publicado em seu blog: http://www.andredeak.com.br/2009/03/21/making-of- A reportagem também está na edição impressa da revista Fórum, já nas bancas”.cronica-de-uma-catastrofe- ambiental/
02
Feb09
Novidades no Google Earth
A versão 5 do Google Earth – um dos meus softwares favoritos, empatado com o Photoshop – traz informações detalhadas sobre os oceanos: relevo, localização de naufrágios, temperatura da água, pontos de mergulho e de surfe, rotas de espécies monitoradas pelos cientistas… E mais: imagens históricas, que permitem acompanhar uma mesma região ao longo de anos. E mais: exportação de dados de GPS, que antes só era possível nas versões pagas. Pra quem se cansar de explorar a Terra, o novo Google Earth traz outra novidade matadora: navegação em Marte, com base em informações das sondas que estiveram por lá. O brinquedinho tá ficando cada vez melhor. É uma ferramenta fantástica pros professores de geografia, história, biologia, astronomia e outras áreas levarem a ciência aos estudantes de forma divertida.
[via InfoExame]
05
Dec08
Jornalismo, mangaba e direitos humanos
Dia de comemoração! Acabo de saber que a reportagem Tradição Dizimada, escrita por Paola Bello e fotografada por Tatiana Cardeal, ganhou o Prêmio Especial de Direitos Humanos da OAB/RS e do Movimento Justiça e Direitos Humanos. O texto, sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres catadoras de mangaba de Sergipe, foi publicado em novembro na edição 14 de Observatório Social Em Revista [pdf, 4,3 MB], que tive a honra de editar.
Começa assim a matéria:
Quando as primeiras flores da mangabeira começam a desabrochar na restinga sergipana, não é somente uma nova estação que se aproxima. A cada safra, a incerteza e a angústia de três mil famílias se multiplicam. Liderada por mulheres de pele negra e causas nobres, a catação ou colheita da mangaba é a razão pela qual toda uma comunidade tradicional nordestina está com a existência ameaçada.A árvore símbolo de Sergipe já foi eliminada em 90% dos territórios nativos no Estado. Nos 10% que restam, a coleta da mangaba é um cabo de guerra onde estão, de um lado, o poder público e grandes investidores, e do outro, comunidades de baixa escolaridade, sem terras ou reservas econômicas, cuja maior riqueza é a tradição que carregam há gerações.
Há anos, os governos estadual e federal constroem discursos sobre os investimentos feitos na região. São milhões aplicados na construção de pontes e rodovias, na monocultura e no incentivo à vinda de grupos estrangeiros de turismo e criação de camarão. Ao mesmo tempo, a modernidade ameaça de extinção atividades que ajudaram a construir a identidade brasileira. (…)
Fico contente que o Observatório Social tenha acreditado no talento da Paola, minha substituta quando encerrei o vínculo formal com a organização em outubro de 2007. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela é daquelas profissionais em início de carreira que considero uma jóia rara, pelo talento em farejar boas histórias e contá-las com sensibilidade. Paola tem outros atributos preciosos: humildade, generosidade e coragem. Seu trabalho de conclusão de curso, realizado no ano passado aos 23 anos de idade, foi uma grande reportagem independente sobre refugiados de guerra em Uganda e no Sudão – países pra onde viajou sozinha. Aliás, A lei do mais fraco, publicada na revista Galileu em fevereiro, também ganhou prêmio neste concurso gaúcho (terceiro lugar na categoria Reportagem).
Tou duplamente feliz. Minha amiga Tatiana Cardeal é uma fotógrafa independente com um trabalho admirável na área de direitos humanos, em especial retratando comunidades indígenas, quilombolas e sem-teto. A química entre Tati e Paola, pelo que vejo, funcionou muito bem, e espero que renda mais histórias bonitas no futuro.
Observatório Social Em Revista é um caso singular entre as publicações jornalísticas de organizações do terceiro setor. Em apenas 14 edições, conquistou um Prêmio Esso de Jornalismo Ambiental, dois Prêmios Herzog de Anistia e Direitos Humanos e agora mais este. Tudo isso com recursos limitados e equipe enxuta, mas afiada. E com respaldo (= coragem, um dos atributos a que eu me referi acima) do IOS para mexer em temas polêmicos que envolvem interesses de empresas multinacionais, como foi o caso das reportagens-denúncia sobre trabalho escravo, trabalho infantil, contaminação ambiental e tantas outras. Fui um privilegiado por ter participado desse projeto por cinco anos, e agora, mesmo que a distância, por ter a chance de continuar editando a publicação. Valeu, Paola e Tati, vocês merecem!
18
Oct08
A obsessão por crescimento
A revista britânica New Scientist desta semana traz reportagem de capa defendendo uma coisa que vem sendo martelada há tempo pelo movimento ambientalista, mas que os timoneiros globais fazem questão de ignorar: a obsessão por crescimento está matando o planeta e precisa ser revista. Li um resumo aqui. Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, de Londres, levanta uma questão instigante:
“Só foi preciso alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas econômicas para tentar resgatar o sistema financeiro de um colapso. Por que tem que demorar mais para introduzirem um plano para deter o colapso do planeta trazido por uma conduta irresponsável e ainda mais perigosa chamada obsessão pelo crescimento?”.
Arrisco dois palpites como resposta: ganância e acomodação. Movem-se fortunas para salvar o sistema financeiro do colapso porque a idéia é não deixar a zona de conforto. É para que os ricos continuem ricos e o sistema continue a se mover como tem sido até agora. Um esforço proporcional na direção de uma mudança para uma economia planetária sustentável exigiria desprendimento, altruísmo, revisão profunda de valores. Isso só vai acontecer quando a água começar a bater na bunda dos ricos. E aí talvez seja tarde.
p.s. Contraponto: pra quem ainda não viu, recomendo este vídeo do genial (e “politicamente incorreto”) humorista americano George Carlin (1937-2008), Save the Planet. Ele ironiza a obsessão dos ambientalistas em “salvar o planeta”. Reflete que o planeta vai relativamente bem, pois já resistiu a cataclismos bem maiores. Nós humanos é que estamos prestes a ir embora.







