Posts com a tag ‘crônicas’

31

Jan

08

Aniversário

Faço 42 hoje. Depois dos 40 – idade em que, quando eu era pequeno, achava que as pessoas ficavam velhas – passei a comemorar todo dia, então é só mais um dia extraordinário. Bem bacana, claro. Agradinhos e gentilezas dos filhos, da mulher, da família e dos amigos. Passei o dia recebendo telefonemas, e-mails, mensagens pelo orkut, twitter, msn. Ligações de Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Argentina (valeu broders, sistas, hermanitos! Amo vocês). Almoço especial preparado pela cunhada Cristina – carne seca na moranga.

Dois presentinhos maneiros: a Laura me deu Vale Tudo, livro de Nelson Motta sobre a vida de Tim Maia – faz tempo que tou louco pra ler. Do Carlos ganhei um esperto-fone. Como sou meio lerdo pras tecnologias móveis (e também pra torneiras pingando, curtos-circuitos e origamis), ele tem dado uma força pra configurar o bicho. Já consigo telefonar, jogar sinuca e mandar e-mail. :) O grande presente ainda não chegou: uma notícia do despertar de Augusto no hospital regional de Cáceres. Mas vai chegar. Estamos a cada dia mais perto, tenho certeza.

p.s.: Um link de presente pra você. A ilustração deste post é do cartunista Marcelo de Andrade, que publica no blog É triste viver de humor. Recomendo.

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29

Jan

08

Fancaria

Fancaria: trabalho grosseiro, ordinário, mal-acabado, diz o Houaiss. Com este nome e o subtítulo “Conhecimento de araque”, o amigo e parceiro de profissão Emerson Gasperin lança seu blog. É uma espécie de retomada do Fiambres Gasperin, onde ele republicava uma coluna de jornal. Agora retorna sem o compromisso profissional e sem as amarras da crônica. Cauteloso, avisa que é um blog em permanente versão beta. Em seu primeiro texto, diz por que se rendeu à gratuidade da coisa:

… vejo que quase todos os meus amigos são blogueiros. Eles me instigam, me divertem e me confortam. Também quero viajar nesse balão. No mínimo, para retribuir em primeira pessoa o bem que me fazem.

Era isso ou ficar assistindo ao paredão inaugural do oitavo Big Brother Brasil.

Tomate, como é mais conhecido pelos amigos (ou Tommy Tomaccio no circuito DJ) é arguto observador participante da cultura pop. Devora livros e música. Tem humor sulfúrico e língua sem travas, o que às vezes provoca falsa impressão em quem o encontra pela primeira vez. Na vida real, é extremado marido e pai de família; passeia com o cachorro duas vezes por dia e, enquanto recolhe num saco plástico os comentários que o bichinho faz à administração municipal, inspira-se para escrever sobre os fatos da vida.

Há outro importante atributo a citar sobre este blogueiro recém-chegado: ele tem um dos melhores textos que conheço – se você acompanha este blog desde 2001, sabe que não desperdiço elogio, especialmente esse tipo de elogio. Portanto, não se deixe enganar pela ironia autodepreciativa no nome do blog. Gasperin é um homem que tem algo a dizer. Excepcionalmente, em Fancaria ele não cobra nada por isso. E de brinde ainda compartilha música boa com os leitores.

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21

Jan

08

Carta pra Augusto

Caro sogro,

Escrevo hoje pra sua leitura futura. Soubemos que você não precisa mais usar a ventilação mecânica e já pode respirar sem ajuda a maior parte do tempo.

Ontem à noite levei a Laura a Pimenta Bueno, onde pegou o ônibus pra Cáceres. Ela vai ficar com a Cristina e substituir o Carlos, que chega hoje a Rolim de Moura. Por enquanto são só duas visitas diárias de meia hora, mas a gente espera pra breve uma transferência da UTI pra uma enfermaria, aí dá pra manter um acompanhante o tempo inteiro.

O Fanto passou uns dias na veterinária pra curar de vez aquele ferimento na bunda [foi atacado por dois cachorros no fim de 2007] e já retornou pra casa. Está sendo muito bem tratado. Um senhor aqui de Rolim nos procurou pra pagar uma prestação da moto. Ele entregou o dinheiro a dona Nilza. Edilson telefonou de Floripa dizendo que andaram lhe procurando pra encomendar umas placas de cimento. Olha só, nem dormindo os negócios param.

Os netinhos estão todos bem. Um ou outro vão alternando uma dorzinha de ouvido ou de garganta, nada sério. Todos já vacinados contra a febre amarela, a grande preocupação deste princípio de ano na saúde pública. Ontem passamos a tarde divertindo a meninada com um campeonato de sinuca e um de pingue-pongue. Na sinuca, a final foi da dupla Irmãs Cajazeiras (Laura e Sônia) contra a dupla Tico e Teco (eu e Pedro). Ganharam as Cajazeiras, sorte de principiante. Todos – pelo menos os que já sabem escrever – lhe mandaram mensagens numa folha de papel que a Laura levou na bagagem. Quando a Ana foi aí há algumas semanas, levou também uma gravação em que a criançada cantou junta uma das suas músicas favoritas. Ela tocou várias vezes ao seu lado, acho que você vai lembrar disso quando acordar. No meio da gravação aparece a voz do Bruno dizendo “quero o vô”, ele queria ver sua imagem no celular. A percussão é do Estéfano, que não quis cantar e preferiu tocar bateria numa caixa.

Outra novidade são os tsurus. O pessoal em casa tá todo mobilizado pra dobrar mil, conforme a tradição japonesa, e fazer um pedido. A mesa da cozinha parece uma fábrica da Toyota, é produção em série de origami. Joãozinho perguntou o que acontece se a gente fizer dois mil – “dá pra fazer dois pedidos?”. Carlos disse que a gente tá distorcendo a tradição, são mil por pessoa. E deu uma idéia: fazer tsurus bem grandes, assim cada um vale por cem e fica mais fácil atingir a meta. Esse seu filho nunca perde a piada… Depois conto mais e mostro umas fotos.

Suas plantas estão bem cuidadas por dona Ana. Tem chovido na Ilha, não faltou água pra elas. A casa de vocês serviu de hospedagem por uma semana à família do doutor Jefferson, um psicólogo que vem nos dando grande apoio desde o acidente. É incrível como surgem essas afinidades instantâneas, parece até que as duas famílias são amigas há anos. São pessoas excelentes. A casa deles em Cáceres tem servido de base pra todos os nossos que estão lhe acompanhando no hospital. Foi ótima essa oportunidade de retribuir a hospitalidade nas férias deles pelo Sul. Doutor Jefferson lhe visitou muitas vezes na UTI e lhe falou sobre um dia vocês pescarem juntos no Pantanal. Uma vez por ano, pelo menos, ele faz uma longa pescaria de barco. Mais um bom motivo pra acordar logo, né?

Hoje cedo recebi uma ligação do seu irmão Paulo. Ele tem telefonado várias vezes pra dona Nilza ou pra nós pra saber das novidades. Disse que contem com ele pro que precisar. Seus outros irmãos também ligam sempre. Nem imagina como os nossos telefones tocaram essas quatro semanas. Muita gente atrás de notícias. Este blog também tem servido pra informar as pessoas e guardar as mensagens da família e amigos. Como eu não tenho novidades pra contar todo dia, vou tocando adiante com umas histórias suas, recordações de bons momentos, fotos…

Vamos em frente. O despertar está próximo. Grande abraço!

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08

Jan

08

Epifania na lama amazônica

Essa historinha é do início dos anos oitenta, tempo em que meu sogro Hideharu (Augusto) Tuyama fazia fretes na sua Toyota entre Rondônia, Amazonas e Acre. Na época das águas, muitas estradas da região ficam intransitáveis. As pessoas se sentem pequenas diante da força bruta da natureza e tendem a se irmanar no aperto. Nem todas. Algumas continuam se achando o máximo. Havia um caminhoneiro antipático, daqueles tipos que ignoram os outros e só querem levar vantagem. Ninguém gostava dele. Um dia o sujeito entrou num atoleiro fundo, achando que conseguia passar sozinho, mas ficou preso com lama até o eixo.

Os outros profissionais da estrada foram chegando e o comentário geral era mais ou menos nesses termos: – Deixa esse filhadaputa se lascar pra aprender. Augusto retrucou: – Vamos ajudar! Logo convenceu outras pessoas, arrumaram umas cordas e com esforço conseguiram rebocar o caminhão pra fora. O homem ficou tão agradecido e envergonhado que passou por uma transformação radical. A partir daquele dia ele se tornou um dos viajantes mais solidários, um dos que mais ajudavam os outros. Às vezes é preciso afundar na lama pra se limpar.

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Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. (…)
Wikipedia

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16

Dec

07

Dia 2: Ourinhos (SP)-Campo Grande

Já não se fazem mais hotéis de beira de estrada como antigamente. Este aqui, na rótula que fica na saída de Campo Grande pro norte, também tem wireless nos quartos. Sou obrigado a continuar meu diário :)
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Almoço em Lins. Bacalhau num restaurante a quilo. Cidade bonitinha, com ar de prosperidade, cercada de um mar de cana-de-açúcar.
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Como tem penitenciária no oeste de São Paulo! Dar carona aqui deve ser atividade de alto risco.
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Estradas muito boas em SP, muitas duplicadas. Mas os pedágios são frequentes e salgados.
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Placa depois da divisa: “Bem-vindo a Mato Grosso do Sul. Aqui não cobramos pedágio”.
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Uma hora a menos aqui. O MS também tá com horário de verão e já tem normalmente o fuso GMT -4. Em Rondônia serão duas horas a menos. Vou aproveitar pra dormir mais.
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Bruno não vomitou hoje, mas continua com o intestino solto. Pra compensar, Miguel tá co intestino preso. Mas os dois estão adorando a viagem. Fora o estresse normal de ficarem tempo demais dentro do carro, estão de parabéns essas quiança.
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Já são 1.640 km percorridos. Pela última média que calculei, o Clio tá fazendo 16,5 km/l de gasolina. Com o ar-condicionado ligado quase o tempo todo. Calor africano esses dias. Carrinho nota dez, o motor 1.6 de 16 válvulas dá confiança total nas ultrapassagens.
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Já vimos um caminhão tombado na estrada e um carro capotado, ambos no interior de SP. No mais, tudo tranquilo. Alguns imbecis dirigindo, mas nada que tire a nossa alegria. Estar na estrada é bom demais!
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Miguel hoje no hotel, depois de mais de 800km na estrada:
- Pai, hoje nós vamos dormir dentro do carro?
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Vida de navegador não é moleza, Tem que olhar o mapa pro piloto e ainda servir de comissário de bordo, tipo essas da Gol, que servem o copinho pela metade pra não derramar.
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Trilha de hoje foi bem variada: Bob Marley, Gregory Isaacs, Odair José, Uatki (bom pra acalmar na hora da estressada dos minino), Jimi Hendrix, The Doors, Franz Ferdinand… No DVD, um filme de Jimmy Neutron já rolou mais de dez vezes (desde a semana anterior à viagem). E Alice no País das Maravilhas estreou hoje.
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O melhor do Guia 4 Rodas 2008 é o mapa atualizado indicando as estradas ruins a evitar. Mas o guia em si não foi muito prático até agora. Em Ourinhos descolamos hotel perguntando num posto de gasolina. Bom e barato, 70 paus a diária pra casal, os dois minino grátis. Aqui em Campo Grande o preço também é esse. Limpinho, honesto e com wireless. Acho que o Guia não foi feito pra viajantes ultra-econômicos e sem frescuras feito a gente.
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É lindo o ocaso no MS. A gente estranha um pouco a planura sem fim, a falta de montanhas. E os bois que não acabam mais. Uma das apostas de viagem é encontrar um boi que não seja branco. Quem vir um primeiro, ganha.
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Cansadaço. Eu nem precisava da caipirinha de vodca pra dormir feito uma pedra. Amanhã vamos ver uma cachoeira aí pela frente, depois conto mais. Fui!

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08

Dec

07

Nelson Motta na Folha de sexta

Metamorfose ou ouro de tolo?

SALVADOR – Quem diria, o anárquico fanfarrão Raulzito virou lição de filosofia política na boca do presidente da República, que sempre tem opinião formada e categórica sobre tudo. Seria um grande desgosto para ele ouvir a sua libertária “Metamorfose ambulante” a serviço da CPMF e das mudanças de opinião de quem, na luta pelo poder, fez de tudo para passar de pedra a vidraça.
Raul cantava a liberdade da dúvida e da contradição, da inteligência em movimento, em plena ditadura militar, quando a opinião só podia ser radical e estática: contra ou a favor. A ditadura proibia as opiniões contrárias; a oposição proibia mudar de opinião, sob a suspeita de estar servindo à direita ou para levar vantagem pessoal, como sempre.
A esquerda nacionalista sempre desprezou o “americanizado” Raul Seixas: ele era incontrolável, individualista e anárquico, detestava partidos, igrejas, instituições, torcidas, escolas e blocos. E certezas. Mas driblava a censura e ridicularizava os sonhos de felicidade da classe média governista, no “milagre brasileiro” dos anos de chumbo, com “Ouro de tolo”, aquela que diz: “eu devia estar contente /porque tenho um emprego, /sou um dito cidadão respeitável/…
O baiano Raul, auto-intitulado “um magro abusado”, desempenhou com grande coragem, independência e custo pessoal o papel de mosca na sopa dos que têm opinião formada sobre tudo, de esquerda, de direita e de centro, e debochava dos que pensam por slogans e palavras de ordem e mudam de opinião de acordo com os interesses de suas causas, chefes e bolsos.
Quem diria que as palavras de Raul serviriam para legitimar algumas das coisas que ele mais abominava. Coitado, virou camiseta de Che Guevara. O magro abusado não merecia esse abuso.

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05

Dec

07

Livros, filmes e amnésia controlada

Do Inagaki, inspirado:

(…) Gostaria de sofrer de uma amnésia controlada, que me fizesse esquecer de certos livros e filmes. Algum artifício prodigioso, que me permitisse assistir a Casablanca sem saber o que vai acontecer no final. Ou ler Cem Anos de Solidão e me deslumbrar da mesma maneira que da primeira vez. Ou gargalhar com uma gag dos Irmãos Marx ou de Woody Allen com prazer sempre renovado. Ou ser surpreendido, punch no estômago, com o assassinato no chuveiro de Psicose, a revelação da identidade de Keyser Soze em Os Suspeitos, o turning point em Um Corpo que Cai. Que me permitisse sentir novamente o orgasmo literário de quando li pela primeira vez O Jogo da Amarelinha de Cortázar, romance que me obrigou a soltar um impropério escandaloso no meio da biblioteca do Bandeirantes: “- Porra, quero escrever que nem esse filho da puta!”.

O que escrevi aqui sobre/inspirado por Cortázar.

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23

Nov

07

Coisas de Regininha

O povão pediu e ela atendeu. Regininha Carvalho acaba de lançar seu blog. Que venham letrinhas em abundância, para felicidade dos leitores.

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22

Nov

07

Quinta-feira, dia de ler crônicas nos jornais de SC

Sou um ex-leitor assíduo de jornal. Pode parecer estranho ouvir isso de um jornalista, mas o fato é que hoje me informo basicamente via internet. Não só pela facilidade de acesso (o leitor de RSS é uma mão na roda) e variedade de fontes, como pra fugir da banalidade dos impressos – com todo o respeito aos colegas que labutam no jornalismo diário, o que fiz por longos dez anos.

Meu hábito se transformou depois que comecei a ter repetidas experiências de frustração ao comprar jornais impressos. Em geral, lia notícias requentadas do dia anterior. E ficava com a sensação de ter sido logrado, embora permanecesse o prazer inimitável de folhear aquelas árvores mortas cobertas de tinta. Também pela superficialidade da maioria das pautas, executadas às pressas e com base na reprodução de declarações de fontes com suposta autoridade. A exceção são os jornais de domingo, que têm qualidade melhor por serem feitos com matérias especiais, trabalhadas com mais tempo e espírito crítico. Passei a dedicar mais tempo aos livros e à internet, acho que foi um bom negócio.

Pois bem, todo esse “nariz-de-cera” foi pra dizer que estou considerando abrir uma outra exceção e comprar jornais nas quintas-feiras. É que agora vamos ter as crônicas de Regina Carvalho – minha ex-professora na UFSC – e de Felipe Lenhart, comparsa no coletivo de blogs +D1. Regininha estreou coluna no caderno Anexo, de A Notícia, e Felipe vai cobrir as férias do colunista Maicon Tenfen no caderno Variedades do Diário Catarinense. Quem já conhece os textos deles sabe que não exagero: é qualidade garantida e muita inspiração em um gênero que, por ser “ligeiro”, é às erroneamente confundido com fácil. Boa leitura!

p.s.: Essa é do frasista Zé Dassilva, num papo sobre o fim dos jornais:

Numa coisa acho que iremos concordar: antes de embrulhar peixe, todo jornal serve pra embrulhar leitor.

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31

Oct

07

Mestre Arildo e um discurso sobre a abolição

Diógenes Botelho, colega jornalista que trabalha no Congresso, dá mais uma palhinha sobre o cotidiano na “casa do povo”:

Arildo Dória, o jovem sábio de 73 anos que trabalha ao meu lado, acabou de receber a encomenda de um discurso sobre os 120 anos da abolição da escravatura. Quem requisitou, pediu especial destaque e elogios à “visionária” Princesa Isabel e às leis do ventre livre e do sexagenário.

Ele começou o discurso assim:

Senhoras e senhores deputados,

Há 120 anos, a escravidão foi abolida no Brasil. Antes, criaram a lei do sexagenário, que dava liberdade para o negro com mais de 60 anos quando a expectativa de vida no país era de 47. Depois criaram a lei do ventre livre como s,e ao nascer, a criança fosse jogada pela janela como filho de pato, que já nasce nadando…

Que pena que na minha época de escola não havia um professor como Arildo.

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