Posts com a tag ‘comunicação’

25

Nov

07

Ano de mudanças

Informo aos parceiros e clientes que desde 1º de novembro não faço mais parte da equipe do Instituto Observatório Social. É uma “separação amigável”, em que tomei a iniciativa de sair da minha zona de conforto pra enxergar outros horizontes. Foram cinco anos e um mês de aprendizado intenso sobre os direitos fundamentais dos trabalhadores e sobre como funcionam as multinacionais. Por meio do IOS fiz grandes amigos e conheci ativistas extraordinários em direitos humanos. Também vivi situações especiais que me ajudaram a compreender melhor o Brasil.

Como vou esquecer daquela noite de lua e fogueiras numa comunidade quilombola em Alcântara, Maranhão, onde o ritmo ancestral do tambor de crioula me hipnotizou? Das complexas negociações de acordos coletivos com empresas multinacionais? Da comunidade do conjunto Palmeira, em Fortaleza, usando o dinheiro “palma” em um projeto inovador de economia solidária? Das conversas com plantadores de café no Espírito Santo, com cortadores de cana no interior de São Paulo, com crianças em uma escola de circo na periferia de Recife?

Em duas décadas na profissão, o IOS foi o lugar onde mais tive liberdade de exercer o jornalismo com plenitude (eu ia escrever “jornalismo investigativo”, mas é quase uma redundância). E o melhor, com uma equipe azeitada e bem-humorada – as gargalhadas eram nosso antídoto contra o estresse. Os frutos vieram: em apenas 11 números de existência, a revista do IOS foi reconhecida com um prêmio Esso e duas menções honrosas no prêmio Herzog de direitos humanos. É possível, sim, fazer bom jornalismo com pouca grana e fora da grande mídia.

Quando eu disse tchau pros colegas, comparei minha saída com o momento em que se deixa a casa da família. Por um lado fica aquele aperto no coração, a saudade e lembranças do bem vivido. Por outro, entro num estado de excitação criativa pelo que vem. Vou continuar prestando consultoria e serviços eventuais ao IOS. Mas também é hora de meter a mão em outras mídias, xeretar novos ambientes e temas, cavoucar na terra preta do quintal, pegar a estrada. Obrigado, amigos e amigas, pela convivência.

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25

Nov

07

Educação e cibercultura

Uma dica pra quem estiver em São Paulo nesta terça 27: às 17h, no auditório Caio Prado da PUC, o professor Marco Silva faz a palestra “Educação e cibercultura“. Ele fala da obsolescência da “pedagogia da transmissão” na escola e na universidade e de soluções para que os professores enfrentem o desafio comunicacional da cibercultura. Quem promove é o TIDD – Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital.

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08

Nov

07

HQ na Barca dos Livros

O escritor e roteirista francês Benoît Peeters, especialista em histórias em quadrinhos, é o convidado pra um bate-papo na sexta-feira 9 às 20h na Biblioteca Barca dos Livros.

Ele vai falar sobre a evolução da bande dessiné – como é chamada a HQ na França – e sobre a obra do belga Hergé, pai do personagem Tintim. Peeters escreveu três livros sobre Hergé. A Barca fica na rua Senador Ivo Aquino, 103, em frente aos trapiches da Lagoa da Conceição.

Um programa legal pro domingo 11, com saídas às 15h, 16h e 17h: a Barca dos Livros vai promover três passeios de barco na Lagoa, com livros, leitura, contadores de história e música. O projeto da Barca é coordenado pela professora Tânia Piacentini – professora da UFSC, moradora do Canto dos Araçás -, e amparado pela Sociedade Amantes da Leitura.

A foto é do saite Overmundo e ilustra matéria de Demétrio Panarotto. Essa que aparece com xale vermelho é a amiga Gilka Girardello – contadora de histórias, jornalista, educadora e fada da floresta.

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06

Nov

07

Fontes para conteúdo Creative Commons

Um link pra guardar na caixa de ferramentas (dica de Rogério Mosimann): 25+ Sources For Creative Commons Content

Saiba aqui (em português) o que é Creative Commons.

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05

Nov

07

Microchip na carteira de jornalista

Meu toque sobre a falta de usabilidade da carteira profissional de jornalista foi levado pelo Cesar Valente ao presidente da Fenaj, Sérgio Murillo, que respondeu o seguinte:

“Já mudou. O Dauro tá com modelo velho. Mas acho que temos que transformar a carteira em um cartão, com microchip e tudo. Estamos em estudos e aceito sugestões”.

Valeu, Sérgio! ótima idéia a do chip. Eu devia ter me informado melhor antes de fazer a crítica – mas pelos comentários que recebi, não era o único a desconhecer a novidade. As primeiras sugestões que me ocorrem são:

  • Versão duas em uma: fazer do novo documento também uma carteira internacional (com o verso em inglês/espanhol, talvez).
  • Aumentar o prazo de validade para cinco anos.

~
p.s.: Uma boa sugestão de Rodrigo Lóssio:

O tal microchip poderia contar com um certificado digital, que seria uma espécie de carteira de identidade digital. As eleições da FENAJ, por exemplo, poderiam ser online mediante sistema que permitisse a leitura do cartão.

E já há como aliar isso com o próprio CPF, usando o mesmo documento/cartão. É o e-CPF. Seria realmente vanguardista esta possibilidade.

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01

Nov

07

Tá difícil…

A dica é do Rafael Ziggy, meu comparsa no +D1: o blog Tá difícil… aborda problemas de usabilidade que os consumidores encontram no dia-a-dia com produtos e serviços que adquirem – ou tentam adquirir e desistem. É o caso das lojas de telefone celular, que NÃO atendem por telefone; de uma proposta de aplicação conservadora do Unibanco, em que as letrinhas miúdas advertem para o risco de perda de todo o investimento; do processo kafkiano de renovar o CPF; do furinho malfeito no suco Kapo, difícil de encontrar e que geralmente deixa derramar metade do conteúdo…

Acrescento uma pequena contribuição, entre tantas com que me deparo todo dia: na carteira de identidade da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas – o texto que explica o conteúdo do campo superior fica praticamente dentro do campo inferior. A indução a erro é inevitável. Dezenas de vezes já confundiram o número da identidade com o da carteira profissional, a data de nascimento com a de emissão da carteira etc. Sempre que a mostro, sou obrigado a dizer: “Esse aí não é meu nome, é o do meu pai”. Na mais recente confusão, a secretária de um consultório de oftalmologia chegou a fazer piadinha sobre a inteligência do designer do documento. Colegas da Fenaj, que tal uma renovada na capacidade de comunicação da nossa carteira?

(clique na imagem pra ver ampliada)

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29

Oct

07

O que viram em Tropa de Elite

Jeanne Callegari, autora de Meus biscoitos, dá seu pitaco sobre Tropa de Elite. Posso não concordar, mas que ela argumenta bem pra caramba, argumenta.

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26

Oct

07

A entrega do Prêmio Herzog

Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:

Três momentos de uma quinta feira chuvosa:

. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.

Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.

Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.

- Não precisei falar nada – proferiu.

Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.

. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.

. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.

Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.

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19

Oct

07

Menção honrosa no Prêmio Herzog

A notícia me pegou ontem tão de surpresa que fiquei sem saber o que dizer além de eebaa!!!!!! Uma reportagem que publiquei em outubro de 2006 na revista do Observatório Social ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro. É o terceiro reconhecimento público de destaque que nossa revista ganha em apenas 12 edições de existência: em 2003 levamos um Esso na categoria meio ambiente e em 2006, coincidentemente, também menção honrosa no Herzog.

A reportagem é sobre mutilações de trabalhadores na indústria moveleira de Santa Catarina. Fico feliz com a premiação porque ela dá visibilidade ao descaso de muitas empresas com as condições de saúde e segurança dos empregados. Se a repercussão desse prêmio ajudar a salvar dedos em fábricas Brasil afora, missão cumprida.

Procurei enfatizar que a responsabilidade pelos acidentes não é só das empresas, embora elas tenham, sim, culpa no cartório – omissão também mutila e mata. Uma mudança real nessa tragédia brasileira passa pela educação. Pelo amor ao próprio corpo e à mente. Quem trabalha não pode deixar sua saúde e segurança nas mãos dos outros. Isso vale pras atividades consideradas “perigosas” e também pras que parecem até inofensivas – há quanto tempo não limpam o ar-condicionado de sua sala e ninguém reclama?

Esse princípio da Não-Delegação foi sintetizado nos anos 60 pelo movimento sindical italiano e incorporado pelo movimento sindical cutista: o convencimento de que os trabalhadores não podem mais entregar a ninguém o controle sobre as suas condições de trabalho. Outro princípio herdado dos italianos é o da Validação Consensual: o julgamento sobre o nível de bem-estar ou de intolerabilidade de determinada situação de trabalho deve ser expresso pelos trabalhadores. Sei que estamos a anos-luz de uma epifania desse nível no Brasil, mas existem avanços.

Com o perdão pelo clichê – verdade pura -, jornalismo é trabalho de equipe. Compartilho essa menção honrosa com algumas pessoas em especial:

minha família, pela paciência em enfrentar o transtorno que as viagens de trabalho provocam no cotidiano de casa; Maria José H. Coelho, “mãe” da revista; Sandra Werle, a “madrinha”, que a diagramou por tantos anos; Zé Álvaro Cardoso, do Dieese/SC, que fez a ponte com o sindicato; Marques Casara, parceirão, um dos melhores repórteres que conheço; Sérgio Vignes, repórter fotográfico que me acompanha há tempo em aventuras e roubadas; Frank Maia, autor da arte e infografias desta e outras reportagens; Jeanine Will, suporte logístico nota dez; Kjeld Jakobsen, apoio fundamental ao jornalismo investigativo na organização; todos os demais colegas e ex-colegas do Observatório Social, que este mês apaga dez velinhas de aniversário; e aos trabalhadores e trabalhadoras de São Bento do Sul.

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18

Oct

07

Edição de aniversário


Mais uma saindo do forno. A 12ª edição da revista do Observatório Social comemora os dez anos de existência da organização – pra qual presto serviços há cinco anos. Outros assuntos: o que pensam os trabalhadores sobre trabalho decente, responsabilidade social das empresas e meio ambiente; o impacto negativo das negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) no setor de serviços no Brasil; a construção da ISO 26000, diretriz de responsabilidade social. A versão em pdf pode ser baixada aqui, em três partes (1, 2 e 3). A arte da capa é de Frank.

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