14
Nov07
Biojóias do cerrado
A amiga Adriane Adratt, catarina que mora em Brasília, acaba de inaugurar uma “loxinha” virtual pra vender suas biojóias. O maridão Botelho, assessor para assuntos aleatórios deste blog no planalto central, torce pro negócio decolar, pra ele passar o dia jogando conversa fora no circuito Coloninha-Senadinho-Bar do Arante:
Tu não sabe as histórias de cada peça. Vou escrever um livro. É pedra de Cristalina-GO, capim dourado do Jalapão-TO, açaí da Amazônia…
p.s.: yasai é açaí em tupi-guarani.
09
Nov07
05
Nov07
Diários da América Latina
(…) Depois de uma semana em Puerto Obaldia, um pueblito de 600 pessoas na fronteira com a Colombia, tomamos, finalmente, o barco. Puerto Obaldia foi um pouco chato. É zona de fronteira e de segurança, entao, tinhamos que pedir licença pra policia até pra ir caminhar na praia, que nem é tao bonita assim. Nossa pousada era a unica da vila, bem fraquinha, mas pelo menos, tínhamos um teto. O banho era de cuia. Comemos apenas arroz com peixe frito todos os dias. Nao tem frutas, nao tem verduras, nao tem leite, nao tem carne no povoado. Ah, rolou um frango, um dia. E bananas verdes fritas, que è prato típico na colombia, venezuela, equador e panamá tb. Nao é saboroso, mas pelo menos alimenta e tem vitaminas. Mas no final, foi legal, curtimos.Muitas histórias rolaram. Na pousada acabamos conhecendo outros ” naufragos” como a gente. Um mariner americano que esta na reserva e se chama Rodrigo. Apesar de mariner, super gente boa. U/m colombiano que està pedindo asilo polìtico no Panamà e nao pode sair de Obaldia de jeito nenhum, outro colombiano novinho que tb està tentado sair da colombia e foi mandado embora no primeiro dia, antes de conseguir entrar em Obaldia ( nao ganhou visto), um nicaraguense-brasileiro que morou em itapema, um casal de artesaos franceses que esta viajando há mais de um ano e que dormiam na praia pq nao tinham dinheiro pra gastar com hospedagem, enfim…Na ultima noite chegou carne no povoado, mandado pelo exército. compramos e fizemos um churrasco. Foi bem legal. Estava rolando uma festa da cidade em Obaldia que durou quatro dias. Foi por isso que o barco demorou a sair, pq a tripulaçao era de lá e nao queria zarpar antes da festa terminar. Por isso, todo dia a saìda era adiada atè que saìmos no sábado, exatamente uma semana depois de chegarmos neste lugar perdido, sem estradas, mas com internet. (…)
04
Nov07
Dois momentos felizes
1. Graças ao Orkut, um amigo que não vejo há 17 anos me reencontrou no feriado. Roberto Carneiro dividiu apê comigo no fim dos 80 aqui em Floripa. Desde 93 vive em Portugal. Artista gráfico de talento, Betto trocou o papel pela pele humana. Faz tatuagens em terras lusitanas e também na Espanha e Reino Unido. Botamos o papo em dia pelo GTalk e ficamos de nos visitar. Será que faço uma tatuagem?
2. Comecei a praticar hatha yoga no centro comunitário perto de casa. Não foi nada pensado, foi mais uma decisão de impulso, como se eu resolvesse de repente: “vou ali na padaria”. Meu sogro convidou pra uma aula de experiência, fui conferir e adorei. Depois de duas aulas, a reflexão que me ocorre é: como é que eu passei quarenta e um anos sem conhecer isso?!
30
Oct07
Um rubro-negro em Moscou
O amigo Yan Boechat manda alguns flagrantes de sua viagem pelas estepes russas.
29
Oct07
Mais um vídeo dos Camelos na Austrália
Rodrigo na maternidade de Mona Vale, em Sydney, com Marcelo e Liz.
29
Oct07
La vie en rose
Julie Philippe, filha do Vianney e da Márcia, nossos amigos e vizinhos de bairro, interpreta trecho de La vie em rose para a promoção de lançamento do filme Edith Piaf no Brasil. Gravação de vídeo por Jade Philippe.
P.S.: Se você gostou do vídeo, dê um pulo aqui e vote nele pro concurso que a Embaixada da França está promovendo aos intérpretes da Piaf. O prêmio é uma viagem a Paris.
26
Oct07
Do Curdistão
Fernando Evangelista – nosso correspondente especial para assuntos aleatórios em Malta – esteve este ano no Curdistão com sua mulher, a também jornalista Juliana Kroeger. Eles publicaram uma matéria na edição de maio da Caros Amigos, em que previram a invasão do Iraque pelas tropas turcas. A reportagem foi republicada no saite da revista.
26
Oct07
A entrega do Prêmio Herzog
Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:
Três momentos de uma quinta feira chuvosa:. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.
Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.
Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.
- Não precisei falar nada – proferiu.
Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.
. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.
. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.
Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.
22
Oct07
Batizado
Em Sampa. Este post é pro meu sobrinho Estéfano, de sete anos, ler um dia. No sábado tive a honra de me tornar seu padrinho de batismo. Agora você é meu afilhado. Sua mãe é minha cunhada-comadre e seu pai, meu concunhado-compadre. Essa é uma experiência inusitada pra mim, cheia de significado simbólico. Sei que não sou a pessoa mais indicada pra educá-lo como bom cristão, mas pode acreditar: em mim você vai ter sempre um amigo fiel e um guia. Este é um compromisso pra toda a vida, uma responsabilidade que me deixa muito feliz. Ainda mais porque você é amigão do meu filho, que agora, mais que primo-amigo, é algo mais – pode chamar de irmão se quiser.
O curso de padrinhos e a cerimônia foram muito legais, cheios de ensinamentos sobre os valores éticos que nos ajudam na busca pela felicidade – nossa e também dos outros, impossível separar isso. Ignorei o conteúdo carola de algumas palestras, assim como os dogmas religiosos que não me tocam – meu caminho é muito mais a espiritualidade que a religião institucionalizada, mas não quero fazer sua cabeça nem a de ninguém. Apreciei as explicações sobre o que quer dizer cada passo do ritual: os óleos, a água… E guardei no coração as mensagens de amor, o exemplo daquela comunidade em que as pessoas trabalham com alegria uns pelos outros. O padre, que figuraça! Muito engraçado, espirituoso, um verdadeiro amigo dos paroquianos. Este foi um fim de semana especial, me senti irmão daquelas pessoas todas.
Acho bacana que isso tudo tenha acontecido a poucos dias de receber a menção honrosa no Herzog. É um reforço a mais pra manter a cabeça no lugar, dar o devido peso a cada coisa e evitar a soberba. Mas não me furto de comentar sobre a alegria que me deu essa conquista. Se tem uma coisa que não suporto é a falsa modéstia. A reportagem foi bem feita e esse prêmio vai ajudar indiretamente a proteger pessoas que correm risco todos os dias no trabalho. Isso é o que importa, afinal. Quando, aos 15 ou 16 anos, decidi estudar jornalismo, era isso que me motivava: transformar a realidade, por menor que fosse essa contribuição. Felizmente – e apesar de muitas frustrações pelo caminho – tenho conseguido isso, o que me salvou do cinismo que tantas vezes vejo nessa profissão. Acredito que pequenas e boas marolas podem representar grandes ondas de coisas boas. Sim, ontem foi um domingo especial. Deus te abençoe, Estéfano.








