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May07
O progresso segundo Luiz Henrique
Em entrevista à tevê Barriga Verde, o governador de Santa Catarina vocifera contra as normas de proteção ambiental e defende os mega-empreendimentos turísticos na Ilha de SC. Mais uma evidência cabal de despreparo e visão limitada do conceito de desenvolvimento. Veja e tire suas conclusões.








Ph, a rigidez da lei ambiental não justifica as safadezas cometidas por corruptos e corruptores pra burlá-la. Aliás os corruptores sempre agem como se tudo fosse normal, já reparou? Como se cumprir a lei é que fosse pirotecnia, excentricidade. Não se trata aqui de “ecochatos” defendendo a manutenção da natureza intocada, e sim de um choque de conceitos sobre desenvolvimento. Os ecocriminosos de colarinho branco tomam o atalho das ilegalidades pra superar esses “detalhes irrelevantes”, como a necessidade de preservar o equilíbrio do frágil ecossistema de uma ilha. Que desenvolvimento é esse? Pra pagar salários de 400 paus pra ex-pescadores trabalharem de garçons em hotéis de milionários? Acho perfeitamente viável conciliar turismo de alto nível e preservação da natureza. Mas aí é preciso largar mão da ganância e da miopia seletiva. Abraços e volte sempre.
Dauro, você não acha que também há muita rigidez na legislação ambiental? Pra mim, parece que é feita pra não se mexer em nada – com a melhor das intenções. Mas isso acaba estimulando a picaretagem. Quem estudou um pouquinho de economia e comportamento do consumidor (das pessoas em geral) sabe que isso vai açular a ganância dos poderosos. Aquela história de vender facilidades. Você não vai concordar comigo – mas isso é grande graça da democracia -, mas acho que há muito de uma visão anticapitalista. A natureza é sagrada e não se mexe em nada. Daí, a corrupção dá um jeito de mexer em tudo! Um investidor estrangeiro sério não vai investir em Floripa, porque, pra driblar a lei, é preciso pagar propina. Na minha opinião, é preciso “flexibilizar” (ih, aí vem o ph com essa historinha de defender os capitalistas exploradores) as exigências. A indústria do papel conseguiu fazer isso. Todo mundo é contra as fabricantes de papel, mas ninguém quer ficar sem ele. Elas preservam 30% da área nativa e explora o resto com pinus e eucalipto. Deserto verde? Há controvérsias.
abraço
Impeachement já!