18

Apr

10

“Roubem nossas histórias”

Por sugestão da @ladyrasta, leio reportagem no Estadão sobre como o Propublica – um site de conteúdo livre sob licença Creative Commons – e uma médica que gosta de escrever ganharam o Pulitzer, prêmio máximo de jornalismo nos Estados Unidos. História inspiradora pra quem acredita na importância do jornalismo investigativo. A médica e repórter Sheri Fink ganhou o Pulitzer com a reportagem As Escolhas Mortais no Memorial, sobre dilema de uma cirurgiã durante o Katrina em New Orleans: a doutora Anna Pou fazia a triagem dos pacientes que se salvariam ao embarcar no helicóptero, única maneira de sair do local na ocasião. O Propublica investe no jornalismo de qualidade, não tem fins lucrativos e libera a reprodução de suas reportagens para quem quiser, inclusive jornais e revistas da mídia impressa.

O difícil de reproduzir no Brasil esse novo modelo, que subverte o conceito tradicional de direito autoral e de produção jornalística, é achar banqueiros, fundações e empresas com visão larga o suficiente para investir em projetos de interesse público nessa área. Por mais fascinante que seja o fenômeno do chamado “jornalismo cidadão“, ele não vai, por si só, salvar a imprensa da queda na qualidade de sua cobertura. Reportagens investigativas custam caro, levam tempo e requerem conhecimento técnico, mas o retorno compensa muito pra sociedade. Como viabilizá-las aqui em pindorama, onde não faltam boas histórias pra contar e maracutaias a serem reveladas? Essa questão transcende o debate entre jornalistas. É de interesse vital pra fortalecer a liberdade e pluralidade de expressão.

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