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Feb

10

Recife, 1968

Rua Major Codeceira, 1966. Álbum de família.

Mais uma foto de família que recuperei no photoshop e ajuda a reavivar lembranças. Esta deve ter sido clicada no segundo semestre de 1968 – não faço ideia da autoria. Eu no colo do pai e meu irmão André no colo da mãe, no jardim da nossa casa na rua Major Codeceira, na Boa Vista, Recife. Eu tinha quase três anos de idade e André, quase um. Papai, 43 – um ano mais novo que a minha idade atual – e mamãe, 28. Na minha imaginação, eram poderosos e infalíveis, eu me sentia completamente seguro e vivia um dia de cada vez.

Como diz Zuenir Ventura, 1968 não terminou. Daquele ano conturbado pro país, não tenho como recordar de nenhum evento histórico, mas algumas das minhas primeiras lembranças nítidas são dessa época (há fragmentos anteriores). Subir na grade da janela da frente e olhar a chuva caindo na rua; abrir a geladeira durante uma festa de carnaval, comer um pacote inteiro de azeitonas e vomitar; cair de cabeça num paralelepípedo e ganhar um galo na testa; brincar com uma cachorrinha… Lembro de muitas visitas e risadas, casa sempre cheia.

Há uma história engraçada sobre um ladrão atrapalhado que tentou levar um bujão de gás dessa casa, que já contei aqui, mas só soube depois. Outra coisa que só me contaram mais adiante foi sobre a mangueira que meus pais plantaram. Anos depois, eles passaram pela casa e viram que tinha se tornado uma árvore frondosa, como tantas outras no bairro da Boa Vista. Marchinhas carnavalescas também me trazem um eco desse tempo. Passei anos sem comer azeitonas, sem saber por quê, até que a lembrança chegou de repente. E voltei a gostar delas.

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