Posts com a categoria ‘sociedade’

10

Feb

09

Anotação de leitura: contradição do ateísmo

“A descrença é uma jogada num jogo cujas regras são estabelecidas pelos que crêem. Negar a existência de Deus é aceitar as categorias do monoteísmo. Quando essas categorias caem em desuso, a descrença torna-se desinteressante e, em pouco tempo, sem sentido. … O ateísmo é um fruto tardio da paixão cristã pela verdade. Nenhum pagão está pronto para sacrificar o prazer da vida em troca da mera verdade. Prezam a ilusão artificial, não a realidade despida de enfeites. Entre os gregos, a meta da filosofia era a felicidade ou a salvação, não a verdade. A adoração da verdade é um culto cristão”. …

John Gray, citado por Carlos Magalhães em Imaginação Sociológica.

Eu tava justamente pensando nisso outro dia, em outros termos: pra ser ateu é preciso ter muita fé.

Bookmark and Share


06

Feb

09

O fim das revistas também?

Parece que não são só os jornais que vão acabar… Olha só esse baita infográfico interativo do NYTimes sobre a queda de circulação das revistas americanas.

[via Felipe Lenhart]

Bookmark and Share


05

Feb

09

Google Latitude e a invasão da privacidade

Mais uma inovação do Google: Latitude, uma ferramenta para que você, por meio de GPS e triangulações de sinal de celular, “veja onde estão seus amigos em tempo real!”. E, é claro, seja visto no mapa por seus “amigos”. Embora a gente possa pensar em várias aplicações práticas interessantes, o potencial intrusivo é preocupante, como bem escreve o Doni no blog Hedonismos.

Bookmark and Share


17

Dec

08

Aventuras da Família Brasil

O menino: – Vô, papai noel existe?
O avô, lendo o jornal: – Este ano não.

Luis Fernando Verissimo, sempre atual.

Bookmark and Share


05

Dec

08

Jornalismo, mangaba e direitos humanos

Dia de comemoração! Acabo de saber que a reportagem Tradição Dizimada, escrita por Paola Bello e fotografada por Tatiana Cardeal, ganhou o Prêmio Especial de Direitos Humanos da OAB/RS e do Movimento Justiça e Direitos Humanos. O texto, sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres catadoras de mangaba de Sergipe, foi publicado em novembro na edição 14 de Observatório Social Em Revista [pdf, 4,3 MB], que tive a honra de editar.

Começa assim a matéria:

Quando as primeiras flores da mangabeira começam a desabrochar na restinga sergipana, não é somente uma nova estação que se aproxima. A cada safra, a incerteza e a angústia de três mil famílias se multiplicam. Liderada por mulheres de pele negra e causas nobres, a catação ou colheita da mangaba é a razão pela qual toda uma comunidade tradicional nordestina está com a existência ameaçada.

A árvore símbolo de Sergipe já foi eliminada em 90% dos territórios nativos no Estado. Nos 10% que restam, a coleta da mangaba é um cabo de guerra onde estão, de um lado, o poder público e grandes investidores, e do outro, comunidades de baixa escolaridade, sem terras ou reservas econômicas, cuja maior riqueza é a tradição que carregam há gerações.

Há anos, os governos estadual e federal constroem discursos sobre os investimentos feitos na região. São milhões aplicados na construção de pontes e rodovias, na monocultura e no incentivo à vinda de grupos estrangeiros de turismo e criação de camarão. Ao mesmo tempo, a modernidade ameaça de extinção atividades que ajudaram a construir a identidade brasileira. (…)

Fico contente que o Observatório Social tenha acreditado no talento da Paola, minha substituta quando encerrei o vínculo formal com a organização em outubro de 2007. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela é daquelas profissionais em início de carreira que considero uma jóia rara, pelo talento em farejar boas histórias e contá-las com sensibilidade. Paola tem outros atributos preciosos: humildade, generosidade e coragem. Seu trabalho de conclusão de curso, realizado no ano passado aos 23 anos de idade, foi uma grande reportagem independente sobre refugiados de guerra em Uganda e no Sudão – países pra onde viajou sozinha. Aliás, A lei do mais fraco, publicada na revista Galileu em fevereiro, também ganhou prêmio neste concurso gaúcho (terceiro lugar na categoria Reportagem).

Tou duplamente feliz. Minha amiga Tatiana Cardeal é uma fotógrafa independente com um trabalho admirável na área de direitos humanos, em especial retratando comunidades indígenas, quilombolas e sem-teto. A química entre Tati e Paola, pelo que vejo, funcionou muito bem, e espero que renda mais histórias bonitas no futuro.

Observatório Social Em Revista é um caso singular entre as publicações jornalísticas de organizações do terceiro setor. Em apenas 14 edições, conquistou um Prêmio Esso de Jornalismo Ambiental, dois Prêmios Herzog de Anistia e Direitos Humanos e agora mais este. Tudo isso com recursos limitados e equipe enxuta, mas afiada. E com respaldo (= coragem, um dos atributos a que eu me referi acima) do IOS para mexer em temas polêmicos que envolvem interesses de empresas multinacionais, como foi o caso das reportagens-denúncia sobre trabalho escravo, trabalho infantil, contaminação ambiental e tantas outras. Fui um privilegiado por ter participado desse projeto por cinco anos, e agora, mesmo que a distância, por ter a chance de continuar editando a publicação. Valeu, Paola e Tati, vocês merecem!

Bookmark and Share


28

Nov

08

Mulheres no ar

Ontem à noite um amigo pegou avião de Brasília pra Floripa. Certa hora, ouviu "A" comandante fulana se apresentar pelo interfone e informar que ao lado dela estava "A" co-piloto sicrana. Depois de uma pausa, a comandante acrescentou, causando risada geral:
– Agora não dá mais pra descer, já estamos no ar.
Depois informou as condições do tempo em Floripa e disse esperar que faça sol no fim de semana, pois ela é daqui e vai estar de folga.

Bookmark and Share


27

Nov

08

Fotos da enchente em Santa Catarina

Alguns usuários do Flickr criaram o grupo Solidariedade – Santa Catarina pede Socorro. Clique no link pra ver outras imagens, contribuir com as suas e se informar sobre como ajudar os desabrigados. Nesta foto, Rosane Calegari mostra como ficou a rua onde ela mora em Timbó.

Bookmark and Share


19

Nov

08

Três links sobre cibercultura

Este livro de Ronaldo Lemos (FGV, 2005) se propõe a investigar os desafios propostos ao direito em decorrência da internet e da tecnologia digital. Está licenciado em Creative Commons, é só clicar e baixar.

“O Overmundo é um site colaborativo. Um coletivo virtual. Seu objetivo é servir de canal de expressão para a produção cultural do Brasil e de comunidades de brasileiros espalhadas pelo mundo afora tornar-se visível em toda sua diversidade. Para funcionar, ele precisa da comunidade de usuários sempre gerando conteúdos, votando, disponibilizando músicas, filmes, textos, comentando tudo e trocando informações de modo permanente.”

Criado em 2008 como resultado do saite Overmundo, visa estimular iniciativas para a criação de “novos canais de difusão e oportunidades para a produção cultural de todo o Brasil; a exploração das novas possibilidades de criação, compartilhamento e circulação de cultura e conhecimento geradas pela internet e pelas tecnologias digitais; e o incentivo a modelos inovadores de gestão da propriedade intelectual e de negócios nas áreas da cultura e da comunicação que confiram sustentação legal e econômica às duas vias anteriores”.

[tks Felipe Obrer]

Bookmark and Share


19

Nov

08

Acesso a medicamentos

Saiu hoje no Valor Econômico uma matéria minha sobre acesso a medicamentos que é uma boa notícia pra quem sofre de doenças como câncer, hemofilia e aids. A partir de 2011 o Brasil conquista a autosuficiência em cinco hemoderivados, que vão ser fornecidos de graça ao Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria também aborda os genéricos, que desde o lançamento em fevereiro de 2000, já representaram uma economia de R$ 9,6 bilhões no bolso dos brasileiros; e o avanço dos medicamentos fitoterápicos no país – aqueles fabricados a partir de plantas medicinais.

Bookmark and Share


05

Nov

08

Os olhos do mundo em Obama

Já disseram à exaustão e faço eco: a eleição do negro Barack Obama pra Presidência dos Estados Unidos é um daqueles instantes que podemos, sem medo de erro, classificar de marco histórico. Dia de festa merecida em escala global. É muito bom viver esse momento, depois de tantos anos engolindo a arrogância e os crimes de… como é mesmo o nome daquele imbecil em fim de mandato? Agora o homem vai ter uma lista enorme de problemas a enfrentar na sua trajetória de estadista. Como disse no twitter a @analucia, “que preguiça de ser o Obama! Quanto trabalho esse cara tem pela frente”.

Vai ter que lidar com a desocupação do Iraque e do Afeganistão. Espera-se que suspenda o bloqueio a Cuba, promova os direitos dos imigrantes e das minorias, defenda os direitos humanos e a retomada da economia. Vai ter que tentar a conciliação de interesses antagônicos (como lidará na prática com o conflito Israel x Palestina?, por exemplo). Claro que não existe mágica e seu poder tem limite: muita coisa não depende do presidente, e sim do Congresso. Por isso o otimismo deve ser moderado. O tempo vai dizer se o legado desse homem eleito em 4 de novembro de 2008 representou de fato uma mudança real pro planeta. Quero crer que sim. Vamos ter dias interessantes.

p.s.: o chargista pediu e taí, em sintonia perfeita com meu pitaco. Frank, eu também lembrei da vitória do Lula.

Bookmark and Share