20

Dec

09

DVeras Awards 2009: cinema

Tudo que não conheço é novidade. Então, talvez minha lista de destaques cinematográficos de 2009 seja irrelevante pra quem se liga nos lançamentos. Dos três nominados, há só um novo. Assim como minha lista de livros, estes não são necessariamente os “melhores” que vi no ano, e sim os mais marcantes.

3. A zori zdes tikhie [O amanhecer aqui é quieto] (Stanislav Rostotsky, 1972)
Este filme soviético pouco conhecido retrata um grupo de mulheres-soldados durante a Segunda Guerra Mundial, na Finlândia. A narrativa alterna o preto-e-branco do presente com as cores fortes das lembranças delas. O passado ultracolorido do pré-guerra é representado como num palco de teatro, apenas com elementos básicos (semelhante a Dogville de Lars von Trier); cenas curtas, mas suficientes pra delinear as características das personagens, seus traumas, desejos e carências. Comandadas por um sargento, as protagonistas enfrentam um grupo de paraquedistas alemães, mais numerosos e bem armados, numa guerrilha de emboscadas na floresta.

2. A Streetcar Named Desire [Um bonde chamado desejo] (Elia Kazan, 1951)
Adaptação da peça de Tennessee Williams com impecável atuação de Marlon Brando, o filme mergulha fundo nas contradições, tabus, desejos reprimidos e conflitos familiares. Magistral, um must-see movie.

E o DVeras Awards de Cinema 2009 vai para…

1. Inglorious Basterds (Quentin Tarantino, 2009)
O novo filme do diretor de Pulp Fiction é uma engenhosa trama ambientada na França durante a 2a. Guerra Mundial. Tem roteiro primoroso, com diálogos afiados, referências pop, trilha surpreendente e releitura de clássicos, como observou a Jade Martins nesta ótima resenha. Jade destaca – e concordo: “Os primeiros 20 minutos do filme já compõem o rol das melhores aberturas da história do cinema”. Outra cena que eu pretendo rever é a do porão, construída com uma coreografia impecável de violência “tarantinesca”, digna dos grandes mestres do suspense.

Hors concours:

Espírito de Porco (Chico Faganello e Dauro Veras, 2009)
Minha primeira experiência de direção resultou neste documentário de 52 minutos sobre os impactos da suinocultura industrial em Santa Catarina, narrado por um porco. Levamos três anos pra concluir o filme, com orçamento apertado e dolorosas perdas familiares pelo caminho. Gostei do resultado, embora, a cada vez que assista, pense que podíamos ter feito diferente aqui ou ali (mas chega uma hora em que é preciso entregar o “filho” ao mundo). Espírito de Porco recebeu dois prêmios internacionais, um em Curitiba e outro em Portugal. Mais que um aprendizado técnico, foi uma rica experiência que envolveu vinte profissionais, dezenas de entrevistados e centenas de animais. Ver o porco pronto foi ótimo, mas melhor ainda foi o fazer. O DVD pode ser encomendado aqui.

Bookmark and Share


Não há comentários.


Comentar: