18
Oct09
Espírito de Porco esta semana em Floripa
Espírito de Porco, o doc sobre os impactos da suinocultura industrial que dirigi junto com Chico Faganello, estreia esta semana em Floripa, em três sessões gratuitas na Fundação Cultural Badesc. Reserve seu ingresso enviando um e-mail para espiritodeporcofilme [arroba] gmail.com , informando seu nome e a data escolhida. Você vai receber uma resposta confirmando a solicitação com o envio de um ingresso virtual. Não é preciso imprimir o ingresso – seu nome vai ficar numa lista na entrada. A gente se vê lá.
Quinta, 22/10 às 19h
Sexta, 23/10 às 19h
Sábado, 24/10 às 17h
No blog de lançamento você encontra mais informações sobre Espírito de Porco.
18
Oct09
Manual do Repórter de Polícia
Está disponível pra download no site Comunique-se a edição atualizada do Manual do Repórter de Polícia (arquivo pdf). O autor é Marco Zanfra, daqui de Floripa.
16
Oct09
Manifesto do naufrágio da Barca dos Livros
A Biblioteca Barca dos Livros anunciou que vai suspender algumas atividades e reduzir o horário de atendimento “por falta de recursos, devido ao não cumprimento, pelo poder público, dos prazos de liberação de verbas previamente planejadas e encaminhadas aos órgãos competentes do Município e do Estado”. É ou não é de causar indignação? A gente fica com vergonha de ter governantes como esses que deixam um projeto premiado, inovador e de alta relevância, ir minguando aos poucos. Leia o texto completo do manifesto aqui.
16
Oct09
O porco por Flávio José Cardozo
Estávamos na fase de conclusão do doc quando recebi um simpático e-mail de mestre Flávio José Cardozo, que honra as letras de Santa Catarina e do Brasil com seus contos, romances e crônicas. Ele disse estar curioso para ver o filme e enviou uma crônica publicada em setembro de 1991 no Diário Catarinense, reverenciando o porco. Aguardamos você lá, Flávio! Uma das cenas tem muito a ver com o seu texto.
O porco
Flávio José CardozoAlcebíades Santos, repórter de jornal, manda de Chapecó competente matéria sobre as não sei quantas utilidades que tem o porco. Relata dele tanta serventia que o leitor ponderado se constrange de já ter olhado o porco sem respeito e, pior, ter usado seu bom nome para definir um ou outro mau sujeito. Até um pensamento triste e torto cheguei a ter, confesso humildemente: da ponta do rabinho à pontinha da orelha, tintim por tintim desse vivente é 100% aproveitado – de mim que percentagem se aproveita, vivo ou morto?
Alcebíades Santos, com senso didático, retalha para nós um porco bem no ponto e faz este balanço matemático: itens industrializados são cerca de oitenta, do tipo mortadelas e salsichas; produtos congelados são uns quinze, como pernil, lombo e filé, e uns dez produtos salgados como pés, orelhas, rabo, que fazem da feijoada o encanto que ela é. E como se isso tudo não fosse já legal extraem-se ainda do dadivoso porco bondades com os quais nunca sonhou nossa vã porcologia.
Dos miolos e do reto, vejam só que chique, resultam uns peregrinos manjares que, atravessando a barreira dos mares, vão deliciar Hong-Kong. Quanto ao útero da porca, eis o seguinte: não dá só porquinhos, dá também um prato de oriental requinte. E o tesouro científico que é o porco?De seu pâncreas tiram a insulina; da mucosa intestinal, a heparina; do duodeno não ficou dito que remédio mas dele sai remédio. E nas válvulas cardíacas, ó que porco cordial! Elas dão certinho no coração humano, não há nada que melhor e por mais tempo funcione que as válvulas cardíacas do porco. Que tal, bípede mofino, saber o coração batendo aí no peito com um tique-taque suíno?
Do couro sem luxo de quem rolou na lama saem sapatos e roupas que dão gosto, e do pêlo sai pincel para ensaboar o rosto, e do casco sai cola, e dos ossos, fígado e pulmões saem rações que perpetuam o porco irmão no corpo de outros bichos.
Soubesse eu fazer orações boas, de contrição uma faria: perdão, porco, se usei mal o teu nome, perdoas?
(Diário Catarinense – 11.09.1991)
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Acompanhe o blog de lançamento do filme.
16
Oct09
Renato Turnes, a voz do porco
A “voz certa” para o nosso protagonista-porco foi muito debatida durante a gestação do filme. Da força dessa interpretação dependeria em grande parte uma narrativa verossímil. Apostávamos no recurso que, no meio dramatúrgico, se conhece como suspensão da descrença: o público se dispõe a aceitar a implausibilidade de uma situação (no caso, o espírito de um porco que conta uma história), em troca da premissa de entretenimento. E a escolha do ator Renato Turnes (à esquerda, junto comigo e com o Chico, na foto de Lucas Barros) revelou-se uma opção feliz. Pedi a ele que descrevesse a experiência.
Nunca imaginei que eu tivesse voz de porco. Mas um dia o Faganello pediu pra eu gravar um áudio, lendo um poema do Walt Whitman. Gravei um trecho das Folhas de Relva num tom meio Pereio e mandei. Achei canastrão. Mas acho que ele gostou porque depois de alguns dias eu tinha em mãos o texto de Espírito de Porco e um DVD demo do documentário. Depois do impacto inicial com a força visceral das imagens percebi a idéia: o texto na voz antropóide do porco deveria relacionar-se com o que se via, gerando uma tensão poética e irônica. Imaginei essa voz sem mimetismos suínos, uma voz inteligente e altiva. Um porco – rei da pocilga – orgulhoso de sua linhagem limpa, olha os humanos do alto de sua sabedoria animal e descreve seus vícios, aponta suas falhas. Denuncia a sujeira da civilização e clama por justiça para sua espécie. Porco morto, ele é espírito com voz, e seu discurso é uma espécie de metafísica da porcaria. Durante as leituras os diretores foram indicando passagens importantes, clareando intenções e descrevendo curvas e pontos de virada. No estúdio enfim, o porco falou. Acho que o resultado soa humano, ainda que porco. Quem assistir o filme deverá reparar no perturbador close up no olho de um porco. A imagem não me sai da cabeça. Esse plano revela a estranha ligação porco-homem. Parece que ele pensa. Certamente ele sente. Nesse olho está o personagem. Ou seu espírito.
Renato Turnes
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Acompanhe o blog de lançamento do filme.
16
Oct09
Samsara
Uma dica quente do Ulysses: Samsara Blog, com textos sobre budismo tibetano. Há um botão que leva a um post aleatório – gostei disso. O primeiro que me veio foi este:
“Saiba que se você não tiver contentamento com as coisas, irá se tornar um escravo do desejo!”
15
Oct09
Espírito de Porco em Floripa dias 22, 23 e 24
Dias 22, 23 e 24 no Centro Cultural Badesc, Chico Faganello e eu vamos mostrar em Floripa o doc que dirigimos, Espírito de Porco. Três sessões únicas, grátis. A estudante de cinema e publicidade Mariana Coelho, junto com o jornalista Fifo Lima – colega de longa data nas redações da vida -, estão dando uma forçona fazendo uma campanha especial de divulgação, com o mínimo de papel possível e reciclando materiais. Veja como receber o seu ingresso virtual e leia mais sobre os bastidores do filme neste blog.
15
Oct09
Histórias do Brasil Caipira
Em homenagem ao amigo Marques Casara, aniversariante do Dia da Criança, aí vai uma crônica dele de 2000. É o piloto de uma série que se chamaria Histórias do Brasil Caipira, a ser publicada na revista digital Guru de Viagem – projeto que terminou não saindo da prancheta, por conta do estouro da bolha da internet. Fica a esperança de que essas histórias ressurjam num blog do Casara ou em outro lugar qualquer. Com certeza ele tem muito o que contar.
p.s.: Esta crônica sai do fundo do baú pelas mãos do Rogério Mosimann, pai da ideia do Guru de Viagem e de outras tantas, meu companheiro de aventuras digitais e etílicas no Rio, no Chile e em Floripa.
Viagem sem fim
Coloquei na mochila duas calças, uns três shorts, camisas, um pacote de maços de cigarro, um canivete e fui pra rodoviária começar a viagem mais longa da minha vida. A idéia era sair de Chapecó, interior de Santa Catarina, passar por São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, conhecer a Amazônia, ver o encontro das águas no Rio Negro, visitar Belém, tomar umas cervejas em Goiás e estar de volta em 30 dias. Contornar o Brasil, encontrar pessoas, pegar muita carona e gastar o mínimo possível. Nunca mais parei de viajar desde então, 13 anos atrás. Conheci tanta gente que as agendas se perderam pelo caminho. Sobraram recordações, amores, medos e algumas alegrias.Viajar é percorrer a estrada da vida que risca o horizonte das incertezas. Pra onde vou? Sei lá… Outro dia eu estava sentado na beira de um rio no Vale do Curuçá, interiorzão da Amazônia. O barco que nos levava jazia emborcado no leito lamacento, abatido por um tronco que chegou sem anunciar-se. Eu esperava o resgate, carona que me levasse de volta pra casa. Pensava, olhando as lontras que reclamavam aos gritos da minha presença em seu mundo, que aquela viagem, iniciada há 13 anos, ainda não chegara ao fim. Nunca mais fui o mesmo depois que ajustei as cordas da mochila e dei adeus à namorada, que ficou com o coração na mão e a certeza de que eu nunca voltaria.
As estrelas de leite que iluminam a noite da floresta me tornaram contemplativo e questionador. Quando essas árvores forem devoradas pelos monstros de lata, derem lugar aos arranha-céus do apocalipse, o mundo vai virar de ponta cabeça e a dor do índio será soterrada pelo entulho concreto dos edifícios de areia. Triste sina de nosso povo, que cresceu em tecnologia mas não aprende a respeitar diferenças étnicas e culturais.
O dia clareava sobre a rodoviária quando embarcamos, eu e meu amigo, para essa viagem de um mês que ainda não acabou. O ronco do Scânia de 38 lugares ainda ressoa em algum ponto perdido da memória. Fica mais forte na medida em que puxo pela recordação, recomeço essa viagem pelo Brasil.Se quiser, venha comigo nessa boléia. Troque idéias sobre os temas que vamos encontrar pelo caminho. Uma viagem sem cinto de segurança, repleta de muita aventura e histórias curiosas. Vamos nessa! (05.12.2000)Marques Casara é jornalista e diretor de documentários. Acha que o Brasil é bem maior do que a gente pensa e por isso, sempre que pode, sai em busca de boas histórias para compartilhar com seus conterrâneos. Trabalhou para grandes revistas e emissoras de televisão. Atualmente, atua na área de projetos da Editora Abril.
13
Oct09
Jornais de papel e a China
Marques Casara, recém-chegado da China, comenta o fim dos jornais impressos – um dos seus temas preferidos – e a atuação dos jornalistas no país asiático:
Produtos jornalísticos impressos em papel estão fadados à extinção.
Teremos a oportunidade de assistir em vida.
Na China ainda se lê muito jornal de papel. A internet é restrita. Tiragens modestas imprimem 2 milhões de exemplares por dia. As redações estão abarrotadas, os repórteres viajam e vão a campo. Dificilmente fazem como aqui, tudo por telefone sem apurar porra nenhuma. Cinegrafistas e fotógrafos usam equipamentos novíssimos, super atualizados.
Lá só é proibido falar mal do regime e do Tibet, o resto ta liberado, inclusive reportagens investigativas com câmera oculta. O incrível é que a população não se sente oprimida, como nas ditaduras “normais”.
09
Oct09
Ciência para todos
A UFSC abriu inscrições para 280 minicursos gratuitos, conta matéria da Arley Reis e da Tifany Ródio. Tem um monte de temas bem legais.
Iniciaram na UFSC as inscrições para minicursos gratuitos que serão oferecidos durante a oitava edição Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão, de 21 a 24 de outubro. São 283 opções de cursos de curta duração (4 ou 8 horas), oferecidos por professores e pós-graduandos de diversas áreas. Para inscrição é necessário acessar o site www.sepex.ufsc.br.
A dança como recurso terapêutico na reabilitação; A economia solidária e práticas de feiras agroecológicas: Adolescência e aids; Aprender hidrologia para prevenção de desastres naturais; Assédio moral no trabalho e decorrências; Atualização Jurídica: adoção à luz da Lei 12.010/2009; Conservação de espécies ameaçadas de extinção; Como usar o cinema na sala de aula e Controlando o uso de gordura trans são apenas algumas das opções.
Há também capacitações com temas como Energia eólica para geração de eletricidade; Direitos indígenas; Gerenciamento do stress e relaxamento; Sexualidade e política: reflexões sobre o Movimento LGBT; Promoção de saúde bucal na infância; Primeiros socorros em acidentes domiciliares; Pais, filhos e a internet: mundo virtual, perigo real; Orquídeas – curso básico; Informação sobre propaganda e Uso racional de medicamentos. (…)







