12
May09
Lido & Leno: Noites Tropicais e Single&Single
Com nove anos de atraso, li o ótimo Noites Tropicais, de Nelson Motta. Ele combina sua autobiografia com uma viagem deliciosa à história recente da música brasileira. E o leitor pega carona. Muitas músicas que ele cita foram trilhas sonoras de minha infância, adolescência e do início da vida adulta. Daqui a um tempo quero conhecer o audiobook. Esse livro é perfeito pra ser ouvido.
Comecei Single & Single, de John Le Carré, autor de O espião que saiu do frio e dO Jardineiro fiel, que virou filme nas mãos de Fernando Meirelles. Leitura leve e prazerosa pra balancear uma fase de outros textos pedreiras de trabalho. Também comecei O picapau amarelo, do mestre Monteiro Lobato, em que as personagens de ficção se mudam pro sítio de Dona Benta. Quase todas as noites leio um capítulo pros meninos antes de dormir. E pra mim mesmo, claro.
11
May09
Entrevista sobre ‘Espírito de Porco’ no Mídia Mais
A repórter Gina Pontes, do jornal Mídia Mais, de Concórdia (SC), publicou entrevista comigo e o Chico Faganello sobre o documentário Espírito de Porco, que finalizamos agora e devemos lançar em junho. Saiu dia 8 na edição impressa e hoje no site. Um trecho:
(…)
MM – O porco (seus dejetos) é visto como o grande causador da poluição dos rios na região. O filme quer mostrar que a culpa não é só dele e sim dos humanos?
Chico: Não existe uma idéia de culpa, mas de responsabilidade direta, uma vez que o homem controla o porco. O porco faz o que deve ser feito na suinocultura industrial.
Dauro: Existe uma cadeia de responsabilidades neste modelo de atividade produtiva, e ela gera consequências. O consumidor final também faz parte da história, mesmo que não tenha consciência clara de seu papel e da sua força.
MM – Afinal, o documentário quer fazer com que as pessoas reflitam sobre a causa porco-poluição-desastre ambiental? Ou quer apenas divertir e mostrar o outro lado?
Chico: Os dois. O porco do filme não pede que as pessoas vejam as coisas como ele vê, apenas quer que o seu ponto de vista seja respeitado. E às vezes tentamos um tom de comédia, porque tanto humanos como porcos são bichos engraçados.
Dauro: O protagonista sintetiza essa dupla abordagem quando se refere a um chiste popular: “Se não fosse o porco não haveria merda nenhuma na região”.
MM – O documentário foi selecionado entre 556 obras de 51 países para estar na mostra oficial do Festival Internacional de Cinema Ambiental, que acontecerá em Goiás entre 21 e 26 de junho. Como é já começar a ter o reconhecimento de um trabalho bem feito?
Chico: Ficamos felizes por acreditar que, finalmente, o porco será ouvido.
Dauro: É uma rica oportunidade de debater o tema por diversos ângulos, como o bem-estar animal e a proteção dos mananciais.
(…)
10
May09
10
May09
10
May09
09
May09
Praia do Campeche, rua dos Surfistas
Em 1998 e 1999 morei na rua dos Surfistas, numa pousadinha, bem perto desse ponto da praia do Campeche – tão perto que eu via, escutava e cheirava o mar pela janela enquanto trabalhava. Aí nessas areias lagarteei ao sol, caminhei de manhã na neblina, comemorei aniversário com amigos, fogueira e lua cheia. Nesse mar nadei sem pressa em águas mornas e transparentes, mergulhei rápido em águas arrepiantes e brabas, vi pinguins, visitei as inscrições pré-históricas da ilha do Campeche, prestei atenção nos ventos, nos trovões e estrelas, no tempo.
Nas dunas li Os Irmãos Karamazov e Grande Sertão – Veredas num longo inverno gelado, escrevi roteiros pra tevê, acompanhei navios e barcos de pesca de tainha, tive longos papos inspirados com a amada. O apartamento era pequeno e a vida, simplérrima, mas leve e doce, cheia de alegrias e tragos compartilhados com vizinhos gentes finas e com visitas ilustres, como a amiga dinamarquesa Nynne, que ficou conosco dois meses, e a animada turma de tchecos que adoravam cachaça e banho no mar gelado. Claro, morar tão perto do mar tem seus inconvenientes: em poucos meses a maresia corroeu nosso computador, fez vários rombos na lataria do carro, atacou a geladeira e o fogão da pousada. Mas não é a oxidação o que ficou mais presente na lembrança, e sim o oxigênio de momentos belos.
Em janeiro de 2000, Laura e eu deixamos nosso apezinho e fomos de mala e cuia pro Rio de Janeiro. Dois anos depois, voltamos pra Ilha de Santa Catarina, nos mudamos de casa várias vezes e finalmente construímos nosso cantinho no Campeche – a uma distância segura da maresia, mas perto o suficiente pra ir à praia de bicicleta. Este ainda é nosso point favorito na praia, e agora o exploramos com os dois meninos, que adoram brincar nas areias brancas fininhas. Não me canso de fotografar o lugar dos mais diversos ângulos e condições de luz. Essa temporada mágica não foi suficiente pra que eu me transformasse em um bronzeado cavalgador de ondas, mas com certeza reforçou meus vínculos com esta Ilha que escolhi pra viver.
Texto dedicado a seu Edson e dona Chiquinha, Mauro Martini e Gian, Cynara e Maurício, Marcelo Camelo e Liz, Dorva Rezende, Clarissa, Cleo e Joãozinho, Silvio Ligeirinho, Nynne Livbjerg, Fernando e Regina (que se apaixonaram ali, tempo depois), cachorrinhas Rebeca e Tinga (que estão no céu dos cachorros) e a todos os que não cito porque a memória me falta.
09
May09
Quarteto Rio Vermelho
Som intrumental do bom aqui da Ilha de Santa Catarina: Quarteto Rio Vermelho, que acaba de lançar o primeiro álbum.
07
May09
Espírito de Porco selecionado pro XI FICA
Espírito de Porco, documentário dirigido por mim e pelo Chico Faganello, acaba de ser selecionado pro XI Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, entre 556 obras de 51 países. Vamos lançar o filme em junho no Alto Uruguai, região do Oeste de Santa Catarina onde está uma das maiores concentrações de suínos do planeta. A ideia é fomentar um debate sobre meio ambiente que leve em conta o ponto de vista do porco.
O título do filme se refere a um “espírito” suíno que volta ao mundo dos vivos pra defender sua espécie das calúnias que sofre há milênios. O porco se irrita porque o acusam da poluição de rios, solo e ar. Com a participação de produtores, consumidores, pesquisadores e trabalhadores ligados à suinocultura industrial, o documentário mostra, nestes tempos de gripe suína, que a relação entre os humanos e os animais da criação industrial tem que mudar, para o bem da saúde do planeta.
Mais informações sobre o projeto, em português e inglês.
p.s.: A exibição do filme no XI FICA está marcada pro dia 18 de junho.
06
May09
06
May09
Folhas secas
Cá estou de volta em minha fase “texturas”. Gosto especialmente de publicar essas fotos quando tou com preguiça de blogar.












