Posts com a tag ‘tuyama’

07

Mar

08

Um momento especial em Pasárgada


Pousada Sítio Pasárgada, em Anitápolis, serra catarinense, 18 de agosto de 2007. Sopinha de legumes, vinho tinto e risadas. Meu pai, 82 anos de piadismo, diz: “Gosto muito de Santa Catarina; aqui as mulheres dão sopa!” Ali perto, o rio da Prata borbulha. Cheiro bom de comida caseira no fogão a lenha. Estou sentado ao lado dos dois homens com quem mais aprendi na vida. Na sala inteira, calor de gente amada. O tempo flui leve como uma pena de passarinho.

Da esquerda pra direita: Augusto, eu, Camillo, Laura, Bruno e Maria Rosa. Foto de Leonardo Camillo.

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03

Mar

08

Footprints In Your Heart

Enviado do Japão pelo amigo australiano Aidan Doyle.

Many people will walk in and out of your life,
But only true friends will leave footprints in your heart.

To handle yourself, use your head;
To handle others, use your heart.

Anger is only one letter short of danger.

If someone betrays you once, it is his fault;
If he betrays you twice, it is your fault.

Great minds discuss ideas,
Average minds discuss events,
Small minds discuss people.

He who loses money, loses much;
He who loses a friend, loses much more;
He who loses faith, loses all.

Beautiful young people are accidents of nature,
But beautiful old people are works of art.

Learn from the mistakes of others.
You can’t live long enough to make them all yourself.

Friends, you and me.
You brought another friend,
And then there were three.

We started our group,
Our circle of friends,
And like that circle -
There is no beginning or end.

Yesterday is history.
Tomorrow is mystery.
Today is a gift.

That’s why it’s called the present.

- Eleanor Roosevelt

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28

Feb

08

Nim, uma árvore multiuso

Em dois meses, a nim plantada em nosso quintal passou do meu tamanho [p.s.: antes ela chegava à altura do meu ombro]. Essa árvore de origem indiana foi presente do meu sogro Augusto, que adorava falar das suas propriedades. Em poucos anos ela atinge dez metros de altura. A nim (muitos dizem “o”, mas prefiro chamá-la no feminino, lembra Anaïs Nin) produz um extrato que é defensivo natural contra pragas em plantas e animais: combate carrapatos, fungos, bicheiras e outras tranqueiras. É repelente de 120 espécies de insetos. Seu óleo serve pra fabricar xampu, sabonete, pasta de dente, desinfetante e até tônico capilar. As folhas, maceradas em água, produzem um caldo amargo que alivia mal-estar de estômago e ressaca (testei pessoalmente e aprovei). Pesquisadores da Embrapa já identificaram mais de 150 substâncias de uso comercial que podem ser retiradas da Azadirachta indica A. Juss, também conhecida como amargosa. Engov, nunca mais.

p.s.: O Planeta Orgânico traz mais informações interessantes sobre o uso da nim em propriedades agroecológicas.

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27

Feb

08

Deve haver um lugar bem distante

Reproduzo mensagem que a família Tuyama recebeu de Hugo, amigo de Augusto há longa data.

Amigos,

Acompanhei a angústia de vocês, que também foi minha, pelo blog do Dauro, que ainda não tive a oportunidade de conhecer, mas a quem passei a admirar pelo que li, pelo conteúdo das suas palavras, pela sua cultura…

Vi na lista das 67 lembranças que a música que ele lembrava ” Deve haver um lugar bem distante…” me trouxe à luz o dia em que ele deixou Mauá para ir para Rolim de Moura. Não o dia da mudança mas um dia em que ele havia retornado para cá e em seguida retornaria para ficar em definitivo. Ele retornou de ônibus.

Gravamos uma fita com várias mensagens dos amigos que ficaram e gravamos essa música ( o Cláudio no violão e nós dois cantando). Entregamos a fita com a condição de que ele deveria ouvir já na viagem de retorno a Rolim de Moura.

Nesse dia ele assistiu conosco, na minha casa, ao filme Gritos do Silêncio. Esse filme termina com a música Imagine, de Lenon ( que o Dauro disse ser uma das suas preferidas – minha também!). Mas a mensagem maior do filme era e a ligação de amizade profunda e irrestrita do repórter americano, com o vietnamita, seu amigo, por quem ele tanto fez para resgatar do Vietnã. Ele chorou junto com a gente porque entendeu a mensagem. Ele estava deixando amigos de verdade por aqui… e nós nos distanciando de um amigo irmão.

A música se chama BALADA DE UM HOMEM SEM DESTINO – cantor: Sérgio Murilo.

Deve haver um lugar bem distante
Outro céu, outra terra, outro mar,
Onde possa viver sem sofrer, sem chorar
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar
Caminhando, sem rumo, eu vou sem destino
Procurando encontrar um mundo melhor.
Onde possa viver, sem sofrer, sem chorar.
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar.

Durante todos esses dias de angústia eu toquei essa música no teclado. Parecia que ele iria ouvir. Quem sabe…

Embora distantes, estou com vocês em meus pensamentos e sofrendo também com a nossa perda.

Hugo Antonio Suffredini

Mauá, SP

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26

Feb

08

A presença da ausência

Ontem, 25 de fevereiro, Augusto estaria completando 68 anos.

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24

Feb

08

Em casa

Depois de nove semanas, 9.497 km percorridos de um canto a outro do Brasil e um acidente fatal na família, voltamos pra casa. A vida segue.

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23

Feb

08

Quase em casa

Chuva forte por horas seguidas. Na descida da serra entre PR e SC, o trânsito ficou interrompido um tempão por causa de um acidente. Anoitecia e o aguaceiro não parava, então resolvemos passar a noite em Joinville. Jantamos num restaurante chinês na esquina do hotel.

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23

Feb

08

A caminho de casa

Dia 5 (22/fev): MS-SP-PR. Estradas razoáveis/boas e tranqüilas. Rodamos 740 km, parte em rodovia duplicada (a Rondon em SP). Miguel teve um pouco de febre, medicamos e melhorou.

Almoço em Birigüi, no oeste paulista; depois os meninos brincaram num parquinho da loja da Klin, fábrica de calçados infantis com sede no município. Passamos ao largo de Ourinhos, onde dormimos na ida – muitas lembranças recentes. Pernoite em Santo Antônio da Platina, PR.

Neste sábado vamos à reta final de uma longa viagem – ao outro canto do país e a regiões inesperadas das nossas almas. Sobre essa jornada interior de dor, perplexidade, saudade e busca da aceitação, ainda não tenho muito o que dizer. Por enquanto meus relatos só arranharam a superfície. Talvez as palavras venham com o tempo, mas vão ser sempre traduções imperfeitas do que vivi e vivemos.

A viagem continua.

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21

Feb

08

Diário de viagem: RO-SC

Dia 1 (18/fev): Rolim de Moura (RO)-Cáceres (MT). Uma provação pra cabeça. Escala em Pontes e Lacerda pra pegar documentos tristes. Dois meses depois do acidente (e dez dias da morte de Augusto), as lembranças nos apertam quando passamos por ali de novo. Eu choro ao volante; Bruninho, inocente, ri e canta. Algumas músicas foram ensinadas pelo avô. Em Cáceres pernoitamos na casa de dr. Jefferson e d. Gleide, a generosa família que adotou os Tuyama em Mato Grosso.

Dia 2 (19/fev): Ainda em Cáceres, troca de óleo, lavanderia, comprinhas e mais papelada burocrática. Saímos 15h. À noite, hotel na Serra de São Vicente, em Águas Quentes (MT). No meio da mata, com termas a céu aberto, riacho, banho de cachoeira. Lugar especial. Dormimos numa casa de pedra, ouvindo água corrente.

Dia 3 (20/fev): de manhã, termas e sossego. Vimos um macaco na floresta. À tarde muita chuva, buracos na estrada, caminhões. Hotel em Rondonópolis, a capital do agronegócio. Pregados de cansaço, ignoramos o eclipse da lua e a renúncia de Fidel.

Dia 4 (21/fev): neblina, depois sol forte, mais caminhões e buracos. Retões com soja dos dois lados. Avestruzes, silos, colheitadeiras. Nuvens enormes. Em MS o asfalto melhora muito. Chuva forte no fim de tarde, ficamos parados quase 1h num posto. Hotel em Ribas do Rio Pardo (MS). Pizza no quarto.

Na seqüência: SP

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14

Feb

08

Mais lembranças de Augusto (82-95)

82. Ele usava boina portuguesa, presente dos amigos. Era muito interessante ver um japonês com uma boina portuguesa, que figura! (Sônia)
83. Augusto pergunta ao Estéfano: você é meu neto? Estéfano responde: Não, Neto é o meu pai. (Sônia)
84. Augusto vai procurar remédio para matar pulgas do Fanto, a atendente informa que há dois tipos de remédio e ele responde: “Pode ser daqueles que mata a pulga uma vez só…” (Sônia)
85. Ele benzia a bebida dizendo umas palavras em latim, terminava com saravá… e estalava os dedos… você lembra da frase, Dauro, será que a mãe lembra? (Sônia)
86. A Laura lembra que era mais ou menos assim: “Saúde, implórivus, anticolórivus”
87. “Como vão os movimentos parados da nação?” (Sônia, Ana, Laura)
88. “Fique com os anjos, arcanjos, querubins, serafins e …. não me amole!”. (Sônia, Ana, Laura, Nilza)
89. Dica para não enjoar em alto mar: amarrar um saco plástico em volta de toda barriga. (Sônia)
90. Uma piadinha de mineiro que ele gostava de contar: “- Cumpadi, o que ocê acha de nudez? – Mió nu deis que no nosso…” (Ana)
91. Uma história do tempo da floricultura: o homem encomendou um buquê de flores pra amante, mas por engano deu o endereço da própria casa. Augusto foi entregar as flores e quando chegou, viu o homem desesperado fazendo sinais de não pela janela. (Laura)
92. Ele tinha costume de trazer animais doentes e feridos pra tratar em casa. (Nilza)
93. Abrigava em casa, às vezes por meses, pessoas que não tinham pra onde ir. (Nilza, Ana, Laura)
94. Assinou uma autorização pra Ana, então menor de dezoito, viajar pra assistir ao primeiro Rock in Rio. (Nilza)
95. Quando a Laura se mudou de Rondônia pra São Paulo, fez um discurso na festa de despedida no Banco do Brasil em que todos choraram. (Carlota)

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