Posts com a tag ‘reportagem’

01

Dec

08

Chuvas e internet

O Bom Dia Brasil, da Globo, fala do uso da internet pelas pessoas que estão informando e se informando sobre a enchente em Santa Catarina. Na reportagem o amigo chargista Zé Dassilva, criciumense que mora no Rio.

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19

Nov

08

Acesso a medicamentos

Saiu hoje no Valor Econômico uma matéria minha sobre acesso a medicamentos que é uma boa notícia pra quem sofre de doenças como câncer, hemofilia e aids. A partir de 2011 o Brasil conquista a autosuficiência em cinco hemoderivados, que vão ser fornecidos de graça ao Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria também aborda os genéricos, que desde o lançamento em fevereiro de 2000, já representaram uma economia de R$ 9,6 bilhões no bolso dos brasileiros; e o avanço dos medicamentos fitoterápicos no país – aqueles fabricados a partir de plantas medicinais.

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16

Nov

08

Da série A vida é uma festa

Materinha interessante de Letícia Duarte, da Zero Hora, publicada no dia 14:


Idosa festeja seu centenário fumando, bebendo e comendo gorduras

Com um cigarro na mão direita e um copo de cerveja preta na outra, Olívia Franco da Silva desafia todos os protocolos de saúde. É sem abrir mão de hábitos politicamente incorretos que ela pretende festejar seus cem anos, hoje, em Alvorada.
(…)
Ainda hoje, come viradinho de feijão no café da manhã.

- Só falam de arrozinho, massinha, bolachinha. Essas comidas delicadas não dão força para a pessoa – insiste.
(…)
Pra quem quer viver muito, ela não recomenda seguir o seu exemplo.

- Tem que pedir ajuda a Deus, que ele é quem sabe – desconversa.

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14

Oct

08

A destruição da Amazônia: nome aos bois

Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.

O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro – por exemplo, através de empréstimos do BNDES.

Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):

Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.

Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.

Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.

Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.

Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.

Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.

ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.

Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.

Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.

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13

Oct

08

Quem se beneficia com a destruição da Amazônia

Um estudo inédito que será divulgado amanhã mostra como a cidade de
São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é
responsável pela destruição da Amazônia. A iniciativa é do Fórum
Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, realizadores do
seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”, que ocorre
nesta terça (14) e quarta-feira (15).

Realizada pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação, a
pesquisa constatou a existência de uma grande rede de “lavagem de
produtos” da Amazônia, que transforma produtos ilegais em legais para
serem comprados por grandes empresas, pelo poder público e financiados
pelo sistema financeiro. Os setores produtivos analisados são pecuária
bovina, plantio de soja e outros grãos, extrativismo vegetal e
políticas de financiamento para atividades produtivas.

Essas matérias-primas chegam a grandes redes varejistas, indústrias
automobilísticas e à construção civil. “O objetivo não é apontar
culpados, pois estes são muitos e incluem todos nós, consumidores”,
ressalta Marques Casara, da Papel Social Comunicação. “O objetivo é
relacionar exemplos que sirvam de referência para aprofundar o
conhecimento sobre o tema e a busca de soluções”.

A íntegra da pesquisa e os nomes das empresas serão divulgados amanhã
às 14h. Mais informações:
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/1487

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12

Oct

08

Uma tarde com Myltainho

Myltainho

Meu agradecimento público ao amigo Fernando Evangelista, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, por ter me convidado a participar de um atividade extra-classe especial na tarde de ontem. Fomos numa turma de vinte e tantas pessoas, a maioria estudantes da sexta fase, visitar o jornalista Mylton Severiano. Myltainho, como é mais conhecido, tem mais de quarenta anos de atividade profissional nos mais diversos meios, entre eles a revista Realidade, um marco na história da reportagem no Brasil (semana passada publiquei aqui uma historinha deliciosa que ele contou ao Luiz Maklouf Carvalho sobre os bastidores da revista).

Tarde chuvosa, tocamos em carreata pro Ribeirão da Ilha. Myltainho, 68 anos, mora em Floripa há cinco, numa simpática casinha verde e amarela no alto do morro, rodeada de mata e com uma vista espetacular pra Baía Sul. De segunda a sexta ele trabalha em São Paulo como editor-chefe da revista Caros Amigos – função em que substituiu o recém-falecido Sérgio de Souza. Nos fins de semana se refugia em seu cantinho com a mulher e três cachorros, um deles com três pernas. Num varandão em L nos aboletamos em cadeiras, sofás e no chão de madeira pra ouvir o mestre – e sabatiná-lo com perguntas, algumas incômodas. Afinal, como ele próprio enfatiza, a boa reportagem incomoda, é subversiva. Por isso há tão poucas hoje na grande mídia.

Por quatro horas ouvimos histórias saborosas sobre sua passagem pela Quatro Rodas, Realidade, Bondinho, Rede Globo, Folha, Estadão e vários outros. Os dribles que ele e seu grupo davam na censura da ditadura; as concessões que às vezes foi preciso fazer para conseguir publicar matérias; a aventura dos repórteres de Realide pelos rincões do país, fazendo história no jornalismo brasileiro sem se darem conta disso. Com voz baixa e pausada, sem qualquer sombra de empáfia “sabe-tudo”, Myltainho nos capturou com relatos envolventes. De vez em quando despertava gargalhadas ao contar alguma anedota pincelada por palavrões. Os temas saltavam de um pra outro sem lógica rígida, com as digressões próprias de uma conversa entre amigos.

Quando vimos já era noite. O papo estava tão bom que, entre despedidas e fotos, levamos uma meia hora pra ir embora. E mais não preciso contar porque a entrevista completa vai ser publicada pelos estudantes da Estácio, aguardem.

p.s.: Conheci duas blogueiras com quem eu já tinha esbarrado na web: a Bel (Quiet Things That No One Ever Knows), moça irônica de texto afiado de quem eu tinha comentado há poucos dias, e a Flora (EcoFlora), que tem o nome adequadíssimo ao que gosta de fazer, fotografar a natureza.

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09

Sep

08

Crianças "multitarefas"

Reblogando ótimo post do Rogério Christofoletti, que cita o jornal espanhol La Vanguardia:

O canal televisivo Cartoon Network realizou uma pesquisa com 7 mil usuários de seu site, entre 7 e 15 anos, e chegou a resultados impressionantes sobre os usos e apropriações desses meninos e meninas da tecnologia e de atividades cotidianas. A conclusão mais ruidosa é de que 73% dos sujeitos da pesquisa têm o hábito de combinar o uso de diversas tecnologias ao mesmo tempo, revelando um comportamento “multitarefa”. Realizada todos os anos, a pesquisa Kids Experts acompanha o comportamento infanto-juvenil. (…)

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08

Sep

08

Trabalho escravo e prêmio internacional

Dois grandes ícones da luta contra o trabalho escravo – a Comissão Pastoral da Terra , vinculada à Igreja Católica, e a ong Repórter Brasil – vão receber o prêmio internacional concedido pela Free The Slaves – The Heroes. Reconhecimento merecido pro trabalho do jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, que coordena a Repórter Brasil.

O Saka nos prestou apoio fundamental em 2004 quando Marques Casara e eu fizemos a reportagem Escravos do Aço, sobre siderúrgicas que se beneficiam com o trabalho escravo em carvoarias da Amazônia. A atuação da ong tem contribuído para a libertação de muitos trabalhadores que viviam confinados nos confins da floresta, e também pra prevenção do crime, reabilitação dessas pessoas e punição dos culpados – o que tem ocorrido mais na esfera civil que na criminal. Mais recentemente, uma série de reportagens dele denunciou o crime no Paquistão.

Outro papel importante da Repórter Brasil tem sido o de articulação política para pressionar pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo (proposta de emenda constitucional 438/2001), que prevê a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores escravizados. A PEC tramita há sete anos no Congresso e sofre forte oposição da bancada ruralista.

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27

Aug

08

Troféu Especial de Imprensa ONU

Há uns dias eu comentei aqui que o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro) vai conceder em 27 de outubro o Troféu Especial de Imprensa ONU, como parte das comemorações pelos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Todos os profissionais de comunicação que já ganharam o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos podem votar em até cinco jornalistas (e podem ser votados) pra concorrer ao troféu, que vai ser concedido uma única vez. Escolha difícil, pois a lista está cheia de feras. Meu voto foi para:

  • Ângela Bastos, do Diário Catarinense, por sua brilhante cobertura na área dos direitos da infância.
  • Fernando Evangelista, correspondente de guerra, atento observador de conflitos urbanos e fundiários, atualmente professor da Estácio/SC.
  • Marques Casara, grande repórter investigativo de pautas como exploração sexual de crianças e adolescentes, trabalho infantil e escravo.
  • Eliane Brum, da Época, autora de belas reportagens sobre conflitos de terra na Amazônia, o mundo do garimpo e outras.
  • Caco Barcellos, por sua contribuição contra a violência policial (com o clássico “Rota 66″) e na formação de “focas” – jornalistas em início de carreira.
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22

Aug

08

Da guerra à sala de aula

Recebi e passo adiante esta nota publicada no boletim do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de São José, SC. O coordenador do curso, meu amigo Paulinho Scarduelli, tem feito um trabalho bem interessante de aproximar o universo acadêmico da realidade cotidiana. A nota aqui é sobre outro amigo, profissional de rara cepa, que adora estar por perto de onde tem gente poderosa massacrando gente humilde. O que mais me impressiona no Fernando não é propriamente a coragem de arriscar a cabeça em lugares violentos, pois o mundo tá cheio de gente corajosa e estúpida. E sim o seu olhar sensível pro lado humano dos conflitos, sem maniqueísmo nem pretensa “neutralidade”. Isso faz toda a diferença na hora de dar o testemunho com boas histórias. Sortudos dos estudantes que puderem ter aula com ele.

Fernando Evangelista, ex-repórter da revista Caros Amigos, assumiu este semestre a disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística do curso. Mestre em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, tem-se especializado em reportagens de risco. Entre seus trabalhos, destacam-se a cobertura da operação Escudo Defensivo na Palestina em 2002, a Guerra do Iraque em 2003, a Guerra do Líbano em 2006 e o conflito entre turcos e curdos em 2007. O processo seletivo para a disciplina reuniu mais de 25 candidatos.

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