30
Jan07
Modelos e trabalho infantil
Entrevistas com modelos no SP Fashion Week.
– Você desfilaria para uma grife que explora o trabalho infantil?
- Nossa, com certeza. Com criança, até de graça.
(Marcelle Bittar, 23)- Você desfilaria para uma marca que usa crianças para fabricar as roupas?
- Ah, se fosse uma marca boa, acho que tudo bem.
(Aline Weber,17)- Você desfilaria para uma marca que usa crianças para fabricar as roupas?
- Olha, esse é meu sexto Fashion Week e só agora comecei a ter mais visibilidade. Então, se fosse uma marca legal, eu faria, sim. Mas se usasse trabalho escravo, eu não faria, não. Trabalho escravo é meio punk.
(Stefânia,16)
Luisa Alcantara e Silva, Folha de S. Paulo, 26.01.2007.
10
Jan07
A Idade da Pedra, um ano depois
Anteontem o jornal O Globo repercutiu a denúncia feita há um ano pela revista do Observatório Social sobre trabalho infantil na cadeia produtiva de multinacionais. A reportagem, de autoria de Marques Casara, com fotos de Sérgio Vignes e editada por mim, ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2006.
O jornal informa que Basf, Tintas Coral e Faber-Castell, apontadas como compradoras da matéria-prima, serão intimadas pelo Ministério Público do Trabalho a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). Das três multinacionais envolvidas, só a Basf não reconhece o problema. Tintas Coral e Faber-Castell romperam relações com os fornecedores de talco, tomaram medidas para reforçar o controle dos fornecedores e repudiaram com veemência o uso de trabalho infantil. A Faber-Castell doou material didático para as escolas da região.
O Globo também mostra com exclusividade que a empresa Minas Talco, que pagava pelo minério empilhado pelas crianças, admite, pela primeira vez, não ter nenhum tipo de controle sobre a cadeia produtiva. Mais aqui
21
Dec06
A violência camuflada

Na revista do Observatório Social, uma reportagem de Sylvia Palma – com arte de Frank Maia – explica como se dá o assédio moral, uma violência camuflada à qual estão sujeitos milhares de trabalhadores em diversas profissões. As primeiras linhas do texto dão uma amostra dos casos estarrecedores que acontecem todos os dias:
Século 21. 2006. Brasil. Uma operária do setor fabril da região Sul é acorrentada a uma máquina têxtil. Ela só será libertada depois de cumprir sua meta de produção. Assim como todas as outras trabalhadoras que apresentaram baixa produtividade.Outra trabalhadora, de uma empresa do Nordeste do país, para usar o banheiro durante o serviço é obrigada a fazer a limpeza dos sanitários, pias e chão. Ela decide levar um urinol para o trabalho e fazer suas necessidades fisiológicas diante das colegas.
Numa terceira empresa, na Bahia, vários trabalhadores são colocados num auditório. Os homens que não atingiram as metas de vendas são obrigados a desfilar vestidos de mulher, ornamentados com um pênis de plástico preto – os negros têm que usar o artifício de plástico branco. E as mulheres são oferecidas de brinde para programas sexuais com os colegas que atingiram as metas. As que não aceitam são queimadas com cigarros nas nádegas. (…)
21
Dec06
Madeira e Sangue

Foi penoso, mas também gratificante fazer esta reportagem – com fotos de Sérgio Vignes – pra revista do Observatório Social. Pude conhecer de perto uma realidade de sofrimento que não é mostrada quando se divulga a pujança da indústria de Santa Catarina, líder na exportação de móveis. Apesar de o problema estar bem diagnosticado, as ações de prevenção vêm sendo adiadas sob alegação de prejuízos com a crise cambial. (!)
19
Nov06
Vida na floresta
Em janeiro vão se completar nove anos que viajei com Laura à reserva extrativista de seringueiros do Rio Cautário, em Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia. Foi uma experiência extraordinária. O Cautário é um dos lugares mais remotos onde já estive e uma das raras comunidades brasileiras que não têm luz elétrica nem tevê. Tão marcante quanto a presença poderosa da selva foi a hospitalidade dos ribeirinhos. Escrevi este relato com fotos de Laura e webdesign de Taíssa Abdala. O garoto da foto de chama Divino e tinha onze anos na época. Gostaria muito de saber como vive hoje.
09
Nov06
As feridas da floresta
Iberê Thenório, da ONG Repórter Brasil, mostra nesta reportagem – com imagens de satélite – os cinco pontos mais críticos de desmatamento na Amazônia brasileira: a Terra do Meio, no centro do Pará, a rodovia Cuiabá-Santarém, o extremo norte do Mato Grosso, a margem esquerda do rio Amazonas, próximo a Santarém (PA), e a Rodovia BR-319, no Sudoeste do estado do Amazonas.
11
Oct06
Reportagem premiada com Herzog
A reportagem A Idade da Pedra, que o Observatório Social publicou em fevereiro, vai receber Menção Honrosa do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos – categoria revista. De autoria de Marques Casara, com fotos de Sérgio Vignes e edição deste que vos tecla, a reportagem saiu na edição 9 da revista do Observatório Social. É sobre trabalho infantil de crianças na cadeia produtiva de multinacionais.
Em agosto a revista foi apreendida por liminar de uma juíza de Minas Gerais. Ela acatou versão de uma promotora de que a reportagem e as fotos teriam sido “forjadas” e mandou apreender os exemplares que ainda não tinham sido distribuídos. O Observatório recorreu da decisão, que consideramos um ato de censura.
O Herzog é a principal premiação do jornalismo brasileiro na área de direitos humanos. Foi criado três anos depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog por agentes da ditadura, em 1975. A entrega do prêmio vai ser dia 25 de outubro no Parlamento Latinoamericano, em São Paulo. Tem mais aqui.
01
Sep06
Nota da Abraji
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou ontem uma matéria sobre a censura à revista do Observatório Social. Ao final, recomenda a seus associados:
Solicitar à juíza Lucia de Fátima Magalhães Albuquerque Silva que revise a sua decisão, visto que a medida infringe o direito à liberdade de expressão por se tratar de um tema de interesse público.
Dirigir-se ao:
Fórum Bernardo Pereira de Vasconcelos
Endereço: Rua Padre José Marcos Pena, 64 – Ouro Preto – Minas Gerais
Fone: (31) 3551-2344 e 3551-3659
Fax: (31) 3551-1880
~
UPDATE:
Também manifestou apoio o Instituto Prensa y Sociedad (IPYS), organização com sede no Peru dedicada à defesa do jornalismo independente. O IPYS enviou um alerta para profissionais de comunicação de diversos países.
13
Jul06
A precarização da vida
Matéria muito boa da Nilva Bianco, com fotos de Marcello Vitorino, sobre a terceirização nas indústrias calçadistas de Franca. A personagem principal é uma mulher grávida de seis meses que precisa lidar com cola de sapateiro todos os dias em sua empresinha caseira.
A reportagem traz também uma interessante dica de leitura: Questionando um mito: custos do trabalho de homens e mulheres, organizado pela diretora da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil, Laís Abramo.
Em 2001 e 2002 ela coordenou um estudo em cinco países – Brasil, México, Argentina, Chile e Uruguai – pra estabelecer o custo real de direitos como o salário-maternidade, atenção médica na gravidez e parto, estabilidade, horário de lactância, creche e direito a licença em caso de doença da criança.
O levantamento mostrou que os custos diretos para o empregador no Brasil não passam de 1,2% da remuneração bruta mensal da trabalhadora, um percentual que não justifica a desvantagem na hora da contratação ou a política salarial diferenciada pra homens e mulheres.
21
Jun06
Haja cara de pau
No dia 19 o TRT do Maranhão decidiu manter a condenação do deputado federal Inocêncio de Oliveira, do PL de Pernambuco, por danos morais a 53 pessoas que foram submetidas a trabalho escravo em sua fazenda em 2002. O advogado de defesa do parlamentar alegou no primeiro julgamento que os desembargadores haviam considerarado apenas a existência de “trabalho degradante”, e não de “trabalho escravo”. O Tribunal considerou que isso foi mais uma firula técnica que um argumento de verdade. Inocêncio ainda pode recorrer ao TST em Brasília. A matéria é de Beatriz Camargo, da Repórter Brasil, ong que tá fazendo um trabalho magnífico de jornalismo social.







