Posts com a tag ‘reportagem’

05

Apr

08

Acolhida na Colônia

A catarinense Thaise Guzzatti, criadora da Associação Acolhida na Colônia, que promove o ecoturismo rural, é tema de reportagem da Época Negócios. Fiquei contente de ver o reconhecimento à autora desse projeto tão bacana que tive a oportunidade de conhecer (o projeto) quando visitamos o Sítio Passárgada em Anitápolis, a 100 km de Floripa. Em outubro de 2007, Thaise foi apontada pela revista World Business, da escola de negócios Insead, como “uma das 35 mulheres com menos de 35 anos com algo especial para oferecer ao planeta”. É a única brasileira da lista.

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27

Mar

08

De supermercado, espionagem e menstruação

Uma edificante história real do primeiro mundo: a cadeia alemã de supermercados Lidl está sendo denunciada por sindicatos e entidades de defesa dos direitos humanos por violar a intimidade de seus empregados, conta The Guardian. Microcâmeras e espionagem de ligações de celular faziam parte dos “métodos Stasi” – como alguns críticos se referiram, lembrando a antiga polícia secreta da Alemanha Oriental.

O enxerimento corporativo chegou ao ponto de investigar a vida amorosa das pessoas e limitar a ida ao sanitário. Na filial checa da Lidl, as mulheres só podiam se aliviar durante o expediente se estivessem menstruadas – mas pra isso, deviam usar uma faixa na cabeça que as identificasse. Os relatórios dos detetives da empresa chegam ao detalhamento de indicar em que parte do corpo ficam as tatuagens e o perfil dos relacionamentos pessoais:

“Seus círculo de amigos consiste principalmente em viciados em drogas”.

“Frau M queria fazer uma ligação com seu celular às 14h05… Ela recebeu uma mensagem gravada de que tinha somente 85 centavos no seu aparelho pré-pago”.

A Lidl tem mais de 7.500 lojas em 24 países. A empresa negou conhecimento do que ocorria na filial checa, mas admitiu que o controle era feito na Alemanha, não para monitorar a equipe, mas para “estabelecer possível comportamento anormal”.

Obrigar os outros a prender xixi e cocô é um bizarro conceito de normalidade.

[tks Pieter]

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25

Mar

08

100 histórias

Fernando Evangelista e Juliana Kroeger convidam para a mostra fotográfica 100 histórias, que reúne imagens da Europa, África e Oriente Médio, com destaque para fotos recentes das guerras no Iraque, Líbano e Palestina. São 50 fotos do italiano Matt Corner e 50 do espanhol Guillermo Valle.

Guerras, imigração, religião, ecologia, drogas e terrorismo são os principais temas clicados pelas lentes dos dois fotojornalistas. “A junção da informação com a arte, sem a pretensão do distanciamento ou da imparcialidade, demonstra que é possível uma abordagem jornalística mais sensível, mais contextualizada e mais humana”, diz Juliana. Ela organiza a exposição junto com Fernando (figura assídua aqui no blog como leitor e inspirador), que fez coberturas jornalísticas de conflitos internacionais junto com Matt e com Guillermo.

O lançamento é dia 31 de março, às 19h, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, e as fotos ficam expostas até 11 de abril, com patrocínio da Brasil Telecom e apoio da Universidade Estácio de Sá, da Associação Catarinense de Imprensa, do Sinergia, do Hotel Maria do Mar, do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, do projeto Se Essa Mídia Fosse Minha, do Instituto de Estudos Latino-Americanos e da revista Caros Amigos.

Créditos: Matt Corner (prédios) e Guillermo Valle (crianças), ambas no Líbano. Divulgação. Clique nas imagens pra vê-las ampliadas.

p.s.: No blog de Felipe Lenhart, 1 crônica por dia, tem um belo testemunho do Fernando Evangelista sobre seus dois colegas fotojornalistas.

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01

Mar

08

A fantástica história do índio do buraco

A edição de 13 de janeiro da Washington Post Magazine traz uma grande reportagem do jornalista Monte Reel sobre os índios isolados no Brasil. Em especial, conta sobre o último remanescente de uma etnia desconhecida: um índio nômade que vive numa área de selva rodeada de fazendas, no sul de Rondônia. Não é novidade, sabe-se disso há mais de dez anos, mas a cada vez que leio, me encanto com a síntese que esse caso representa de tantas outras histórias envolvendo os primeiros donos da terra Brasil. Seus ingredientes incluem desmatamento, violência, grilagem de terra, corrupção, pressões políticas. Há também aventura, trabalho duro e paciente, reviravoltas, investigação, ciência e tecnologia – imagens de satélite, por exemplo, foram algumas das evidências utilizadas para identificar clareiras feitas pelo índio.

O índio solitário constrói cabanas improvisadas de palha e cava um buraco dentro delas pra se abrigar. Está em permanente fuga e evita o convívio humano, talvez por um forte motivo: há evidências de que seus parentes foram mortos por jagunços. Arredio e hostil, já atacou a flechadas os que chegaram muito perto. Entre seus pertences foi achado um pequeno arco que provavelmente pertenceu a uma criança.

Há dez anos, em janeiro de 1998, tive o privilégio de ouvir o início da saga do “índio do buraco” narrada por um dos principais personagens, o sertanista Marcelo dos Santos. Laura e eu passamos uma tarde conversando com ele na sua casa em Vilhena, Rondônia. Apaixonado pelo modo de vida dos indígenas, conviveu com os Nhambiquara, Mamaindê e Negarotê durante a expansão da fronteira agrícola para o Norte na década de 70. Na época em que o encontramos, Marcelo era chefe do Departamento de Índios Isolados da Funai no estado. Seu cotidiano era enfrentar dias de caminhada na selva, na tentativa de minimizar os danos do eventual contato dos nativos isolados com madeireiros e fazendeiros.

Marcelo foi um dos reponsáveis por contactar pela primeira vez os Kanoê, com somente cinco sobreviventes, e os Akuntsu, com seis. No mato ou nos gabinetes, não tinha papas na língua pra cumprir a missão. Era inevitável que entrasse em rota de colisão com corruptos do serviço público, fazendeiros gananciosos e políticos escroques. Mas voltando àquela tarde em Vilhena. Ele nos contou que fazendeiros locais tinham todo o interesse em fazer o “índio do buraco” desaparecer para evitar que a área fosse protegida como terra indígena. Por isso era imporrante documentar a existência do homem, respeitando o seu direito de permanecer isolado.

As únicas imagens disponíveis do “índio do buraco” foram obtidas depois de um susto: Marcelo e um amigo francês, o cinegrafista Vincent Carelli, se aproximaram de uma cabana onde havia sinal de vida e ficaram algumas horas tentando contato. De repente, Vincent se aproximou demais e o homem lá de dentro disparou uma flecha que passou bem perto do cinegrafista. Decidiram se afastar, mas antes amarraram a câmera ligada a um galho de árvore. Alguns minutos depois, aparecia o índio: nu, cerca de trinta anos, moreno, de bigode, segurando um arco. Desconfiado, saiu da cabana com cautela e desapareceu no mato. Com base nas imagens de vídeo e em indícios antropológicos – entre eles o de que houve um massacre de outros índios que também tinham o costume de fazer buracos no chão -, Marcelo conseguiu que a Justiça Federal concedesse liminar interditando uma área de floresta.

Seu empenho lhe rendeu inimigos poderosos. Foi considerado persona non-grata pela Assembléia Legislativa de Rondônia – para a maioria dos parlamentares, a atuação do sertanista atrapalhava o progresso. As pressões políticas o fizeram deixar o estado e sair da Funai. Mas veja as voltas que o mundo dá: em abril de 1999 ele foi condecorado pelo governo federal com a Ordem de Rio Branco, uma das mais importantes honrarias do país. Atualmente de volta à Funai, Marcelo é responsável pela Coordenação Geral de Índios Isolados – existem 46 informações sobre a possível existência desses índios, a maioria na Amazônia Legal. Graças às evidências que sua equipe recolheu em uma década, no ano passado o governo brasileiro finalmente declarou uma área de floresta mais de 20 mil acres como território protegido para o índio solitário.

Em janeiro de 2007, conta a matéria da Washington Post Magazine, uma expedição liderada pelo sertanista Altair Algayer, parceiro de longa data de Marcelo, se embrenhou na mata e encontrou sinais de que o índio continua vivo: restos de coleta de mel e uma cabana recém-construída. Desfecho feliz, por enquanto, para um símbolo de resistência.

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19

Jan

08

O grande desafio do aqui e agora

(…) Descobri que não tinha nenhum controle sobre minha mente. Parece óbvio, mas achar que controlamos nossa vida é uma das grandes ilusões contemporâneas. E eu sempre a tive em alta conta. Manter a mente no exato momento presente é um desafio: em geral, estamos no passado (nostálgicos ou lamentosos) ou no futuro (antecipando catástrofes ou adiando possibilidades). Aqui, agora, pouco estamos. (…)

Eliane Brum, jornalista, na reportagem O inimigo sou eu, sobre uma experiência radical de meditação que ela viveu: dez dias sem falar, ler ou escrever; mais de cem horas na mesma posição (Época, 07.01.08). ótimo texto, recomendo.

p.s.: Eliane está ao meu lado nesta foto durante a entrega do Prêmio Herzog em novembro.

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10

Jan

08

Mais um pequeno avanço

Era pra eu ter escrevido ontem esta boa notícia, mas tivemos uma pane na internet. A neurologista responsável por Augusto informou que ele teve “discreta melhora” nos reflexos. Em resposta a alguns estímulos ele abre os olhos. É o chamado “coma vígil”. Sabemos que a médica é cautelosa com as palavras e avessa ao otimismo gratuito. Por isso, vindo dela, essa notícia é um grande alento.

Buscando coma vígil no Google, cheguei a esta reportagem da revista Marie Claire em que quatro pessoas contam suas experiências. Depois de um acidente automobilístico, o ator Flávio Silvino passou 18 dias em coma profundo e dois meses e meio em coma vígil, os estados mais graves do coma. Seu depoimento também reforça nossa crença de que meu sogro vai sair dessa e se recuperar. Se você precisa de uma dose de ânimo hoje, leia o texto.

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20

Nov

07

Floripa Adventure


Fim de tarde nas dunas da Joaquina e praias
do Leste de Floripa. Foto: Rogério Mosimann.

O amigo e parceiro Rogério Mosimann acaba de reativar um projeto antigo, que estava na gaveta por conta de compromissos acadêmicos: o Floripa Adventure, espaço virtual com informações sobre turismo, aventura e meio ambiente. Nesse blog ele alia a experiência de jornalista antenado com a adquirida no tempo em que trabalhou como operador de turismo de aventura. O resultado é um guia de qualidade, com informações sobre temas bem variados. A semente do Floripa Adventure surgiu em 2000 no Rio, quando Rogério e eu desenvolvemos um projeto chamado Guru de Viagem. Na época a idéia não decolou, mas sua semente ficou incubada por um tempo e agora está aí, um ixpetáculo. Tenho pequena participação com alguns textos da época do Guru e depois em parcerias com Rogério para publicações turísticas da editora Letras Brasileiras. Boa navegada! Se gostar, passe o link adiante pros amigos.

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08

Nov

07

Anotação de leitura: Kasparov e a infância perdida

“The loss of my childhood was the price for becoming the youngest world champion in history”, Kasparov once said. “When you have to fight everyday from a young age, your soul can be contamined. I lost my childhood. I never really had it. Today I have to be careful not to become cruel, because I became a soldier too early”.

The Tsar’s opponent. By David Remnick. The New Yorker, Oct. 1, 2007.

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29

Oct

07

Cenas do Curdistão

Fotos de Matt Corner, italiano que acompanhou Fernando Evangelista a reportagens no Iraque, Palestina e Líbano.

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26

Oct

07

Do Curdistão

Fernando Evangelista – nosso correspondente especial para assuntos aleatórios em Malta – esteve este ano no Curdistão com sua mulher, a também jornalista Juliana Kroeger. Eles publicaram uma matéria na edição de maio da Caros Amigos, em que previram a invasão do Iraque pelas tropas turcas. A reportagem foi republicada no saite da revista.

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