02
Apr08
De cronistas e passarinhos
Tou lendo 200 crônicas escolhidas – as melhores de Rubem Braga. Um encanto. Bonito e simples como um passarinho. Relatos cotidianos com toques de humor, lirismo, amor pelas pessoas e pela vida. Se alguém o descobrir depois de me ler aqui, vou considerar um presente.
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Braga e Quintana são os grandes cronistas de passarinhos. Coincidência ou não, gosto muito dos dois. Jamais em gaiolas.
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Vai um canto de sabiá-laranjeira aí? Cortesia do amigo Ayres Marques, que das lonjuras da Itália continua ligadão no Brasil.
22
Mar08
21
Mar08
Correção: o certo é equinócio de outono
Meu cunhado Antônio Neto e a Wikipedia me corrigem um erro. Solstício é quando o sol atinge o maior afastamento, em latitude, da linha do Equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em 21 de dezembro e em 21 de junho – entrada do verão e do inverno no hemisfério sul, o oposto no hemisfério norte. Portanto, o que tivemos no dia 20 de março foi o Equinócio de outono. Equinócio é um dos dois momentos do ano em que o sol, em sua órbita aparente (como vista da terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). O dia nos equinócios tem a mesma duração da noite (12 horas), tanto no hemisfério norte quanto no sul. Na banda sul do mundo o equinócio de outono é em 20 de março e o de primavera, em 23 de setembro.
20
Mar08
Solstício de outono
O outono começou hoje às 2h48min. É uma das minhas estações preferidas. As outras são inverno, primavera e verão.
p.s.: Doni escreveu um belo post sobre o outono e colocou os vídeos de três músicas bem adequadas pra estação. A de Serge Gainsbourg é maravilhosa.
09
Mar08
28
Feb08
Nim, uma árvore multiuso
Em dois meses, a nim plantada em nosso quintal passou do meu tamanho [p.s.: antes ela chegava à altura do meu ombro]. Essa árvore de origem indiana foi presente do meu sogro Augusto, que adorava falar das suas propriedades. Em poucos anos ela atinge dez metros de altura. A nim (muitos dizem “o”, mas prefiro chamá-la no feminino, lembra Anaïs Nin) produz um extrato que é defensivo natural contra pragas em plantas e animais: combate carrapatos, fungos, bicheiras e outras tranqueiras. É repelente de 120 espécies de insetos. Seu óleo serve pra fabricar xampu, sabonete, pasta de dente, desinfetante e até tônico capilar. As folhas, maceradas em água, produzem um caldo amargo que alivia mal-estar de estômago e ressaca (testei pessoalmente e aprovei). Pesquisadores da Embrapa já identificaram mais de 150 substâncias de uso comercial que podem ser retiradas da Azadirachta indica A. Juss, também conhecida como amargosa. Engov, nunca mais.
p.s.: O Planeta Orgânico traz mais informações interessantes sobre o uso da nim em propriedades agroecológicas.
13
Dec07
Menino olhando a chuva pela janela
Esta imagem do Bruno é um eco da minha infância. É uma das minhas primeiras lembranças. Fascínio total com a água que cai do céu.
20
Nov07
Floripa Adventure

Fim de tarde nas dunas da Joaquina e praias
do Leste de Floripa. Foto: Rogério Mosimann.
O amigo e parceiro Rogério Mosimann acaba de reativar um projeto antigo, que estava na gaveta por conta de compromissos acadêmicos: o Floripa Adventure, espaço virtual com informações sobre turismo, aventura e meio ambiente. Nesse blog ele alia a experiência de jornalista antenado com a adquirida no tempo em que trabalhou como operador de turismo de aventura. O resultado é um guia de qualidade, com informações sobre temas bem variados. A semente do Floripa Adventure surgiu em 2000 no Rio, quando Rogério e eu desenvolvemos um projeto chamado Guru de Viagem. Na época a idéia não decolou, mas sua semente ficou incubada por um tempo e agora está aí, um ixpetáculo. Tenho pequena participação com alguns textos da época do Guru e depois em parcerias com Rogério para publicações turísticas da editora Letras Brasileiras. Boa navegada! Se gostar, passe o link adiante pros amigos.
18
Sep07
Os dez lugares mais poluídos do mundo
O levantamento é do Blacksmith Institute. Rússia, China e Índia são os países mais presentes neste ranking de horrores. A América Latina também tem um representante.
- Sumqayit, Azerbaijão. Metais, petróleo e produtos químicos.
- Chernobyl, Ucrânia. Partículas radioativas.
- Dzerzinsk, Rússia. Resíduos químicos.
- Kabwe, Zâmbia. Chumbo.
- La Oroya, Peru. Chumbo, zinco e cobre.
- Linfen, China. Poeira de carvão, arsênico na água.
- Norilsk, Rússia. Metais pesados no ar.
- Sukinda, Índia. Cromo na água.
- Tianying, China. Chumbo no ar e no solo.
- Vapi, Índia. Pesticidas, farmacêuticos e outros químicos.
Mais informações na reportagem da revista Scientific American Brasil.
13
Sep07
Uma viagem pela margem do Novo Chico
Caroline e Ticiani, duas estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, resolveram botar os pés na estrada pra fazer o trabalho de conclusão de curso. Elas estão percorrendo de carro, por um mês, a margem pernambucana do Rio São Francisco. Serão ao todo 500 quilômetros e dez municípios. Seu objetivo é contar sobre as pessoas que vão ter suas vidas afetadas pela obra. A aventura jornalística pode ser acompanhada no blog Às margens da transposição.
Fiquei encantado com a ousadia e a relevância da proposta. Esta pauta estava “caindo de madura”, como se diz entre os coleguinhas. O Brasil é um mundo de histórias a serem contadas, de gente simples e anônima que rala de sol a sol pra sobreviver e criar a família – neste caso, bote sol nisso! Quando essas pessoas vivem no entorno de um polêmico megaprojeto de engenharia, o registro de seus depoimentos ganha uma dimensão social e histórica importante.
Acho bacana a narrativa em primeira pessoa. Elas se colocam na história, com suas inseguranças, expectativas e o frescor de jornalistas em princípio de carreira – com os naturais escorregões que a falta de experiência possa trazer, mas com a vantagem de estarem livres dos vícios dos profissionais calejados pelo cinismo do dia-a-dia. As descrições do cotidiano da viagem, com seus estranhamentos e choques culturais, são saborosas. No dia 12, em Lagoa Grande, por exemplo:
(…) deparamos com uma espécie de mirante no Velho Chico. Não hesitei. Parei o carro e desci para ver aquela imensidão. A Carol me seguiu no primeiro instante, mas logo pediu para que saíssemos dali, se sentia ameaçada. Um bando de meninos, entre 13 e 15 anos chegavam no local. O que inibiu a Carol, me tranqüilizou. Eram apenas guris de ‘cueca’ indo tomar banho no rio. Eles usavam o mirante como trampolim. Numa tentativa de aproximação, não fomos bem recebidas. Tentamos puxar papo com duas meninas e elas não nos entendiam ou não sabiam lidar com a situação. Percebendo que não teríamos retorno, nos afastamos e ficamos só observando a movimentação. (…)
As impressões sobre a comida, o trânsito e o clima:
É difícil uma gaúcha e uma catarinense de São Joaquim admitirem, mas o vento também nos fez passar frio.Sombra? Que sombra?
As bicicletas acham que são motos.
Farofa é onipresente.
Baião de dois não é uma refeição que dá pra dois. É uma mistura de arroz, feijão, calabresa, bacon e o que mais se quiser por dentro.
A cobertura é multimídia, com textos, fotos e vídeos – estes últimos, por enquanto, ainda não estão no blog. Gostei da apresentação de fotos com a ferramenta slide. Senti falta do RSS e de uma variedade maior da tags – acho que o critério de classificar os posts só em “editorias” subutiliza o recurso, que possibilita entradas mais intuitivas. Encontrei uma referência a “não-cultura” associada à miséria e à seca que vão encontrar pela frente. A redefinição do conceito trivial de cultura pode ser uma surpreendente descoberta das viajantes…
Uma coisa maravilhosa nesse mar de histórias é que ele oferece várias continuações possíveis, a serem feitas por elas mesmas ou por outros. Um próximo passo seria visitar locais que vão receber a água da transposição. Outra abordagem possível é fazer esses dois caminhos daqui a alguns anos, numa viagem comparativa – se possível, revisitando os personagens que apareceram na jornada anterior.
Boa viagem, meninas! Desejo que esta viagem abra portas pra muitas outras. Abraços de um pernambucano na Ilha de Santa Catarina.
p.s.: “Transposição do rio São Francisco” tem 187 mil referências no Google.








