22
Jun09
Falência d’O Estado: história de SC jogada no lixo
O jornal O Estado, que circulou em Florianópolis por quase 90 anos, faliu e seu prédio está sendo saqueado por vândalos. Os arquivos fotográficos do “mais antigo” estão abandonados no chão, prontos pra ir pro lixo. É o que mostra este vídeo do jornal Biguaçu em Foco, gravado pelo jornalista Ozias Alves Jr. no dia 19 de junho (há uma segunda parte que mostra o prédio por fora). No Estado trabalhei dois anos, primeiro como revisor e depois como repórter de polícia e de geral. Foi uma intensa e divertida escola pra mim e pra muitos colegas. É triste ver a memória do país se perder desse jeito. Como diz o entrevistado, “dá vontade de chorar”.
14
Jun09
Die Bruck, El Puente
Uma experimento realizado por Lera Boroditsky, professora assistente de psicologia na Universidade de Stanford (Califórnia, EUA) mostrou que as pessoas, inconscientemente, associam coisas ou objetos com qualidades relacionadas ao gênero das palavras em seus idiomas nativos. Assim, os alemães vinculam “ponte” (feminina, die Bruck) aos adjetivos “bonita, elegante, pacífica”, enquanto os hispanohablantes (masculino, el puente) pensam logo em “forte, perigoso, grande”. Dá no que pensar, né?
[Fonte: NPR, via Aidan Doyle]
11
Jun09
Devastação S/A
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia?
A 15ª edição de Observatório Social Em Revista é resultado de nove meses de investigação jornalística que mostraram como funcionam redes de negócios implicadas em crimes ambientais e trabalhistas na Amazônia. As informações colhidas permitiram fechar os elos de uma corrente perversa, que começa no interior da floresta e termina na casa de consumidores em todos os continentes. Organizada em duas partes, a revista mostra as fraudes e os esquemas de desrespeito ao meio ambiente e aos trabalhadores dentro e fora do Brasil. Na primeira parte, é revelado um esquema milionário de exportação de madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica, envolvendo as maiores empresas mundiais dos setores de pisos e móveis. A segunda parte mostra como funciona o comércio interno da devastação florestal, detalhando as irregularidades relacionadas aos mercados de madeira, soja e pecuária no Brasil.
Por André Campos, Carlos Juliano Barros, Dauro Veras, Leonardo Sakamoto, Marques Casara, Paola Bello e Sérgio Vignes.
Para fazer o download da versão completa da revista, clique aqui. [pdf, 1,67 MB]
Para fazer o download da revista em resolução mais alta, ideal para impressões destinadas a jornais murais e demais exposições públicas, clique aqui. [pdf, 4,84 MB]
Para baixar partes específicas, clique no link correspondente, no sumário a seguir:
Quem se beneficia com a destruição da Amazônia
Soja avança sobre Amazônia Legal
Financiamento: investimento de risco
Para solicitar a revista impressa, clique aqui.
26
May09
O conteúdo das faculdades de jornalismo
O Christofoletti dá a dica, em seu blog, de um excelente artigo de Eugênio Bucci, As faculdades de jornalismo e seu conteúdo, publicado hoje no Observatório de Imprensa. Bucci aprofunda as sugestões que apresentou à comissão que estuda a reforma nas diretrizes curriculares pros cursos de jornalismo. Também aborda de passagem três dimensões da atual crise na profissão: a agonia dos jornais impressos, o vazio jurídico criado com a extinção da Lei de Imprensa e o debate sobre a extinção da exigência do diploma. Ele propõe a articulação do novo currículo em torno de sete eixos:
- Linguagens.
- Democracia e Liberdade.
- Estudos da Comunicação.
- Humanidades.
- Reportagem.
- Cultura e Crítica.
- Gestão e Negócio.
Trechos:
… Além das diretrizes propriamente ditas, ela [a comissão] se viu instada a lidar com outra variável, sugerida pelo próprio ministro da Educação: a de abrir a possibilidade para que pessoas já graduadas por outras faculdades se formem também em jornalismo por meio de um segundo bacharelado, abreviado, mais curto. Teríamos, assim, um curso rápido (de um ou dois anos) para que engenheiros, médicos, economistas, sociólogos, advogados e outros se tornassem também jornalistas. A idéia é boa – é mesmo o caso de dizer que ela é necessária para a melhoria geral da profissão no país. O problema da comissão, um problema espinhoso, é encontrar um modo de colocá-la de pé sem melindrar seriamente o corporativismo. …… Adolescentes que chegam aos bancos do ensino superior movidos por seus sonhos puros e grandiosos encontram verdadeiros paredões de pessimismo e acidez. A marteladas, são forçados a se convencer de que o jornalismo não melhora o mundo, não muda a vida, não traz realização pessoal: é meramente uma ferramenta nas mãos das “elites” perversas que se dedicam sem descanso a dominar corações e mentes. O jornalismo seria a arte de tecer mentiras a favor da “classe dominante”. Em pouco tempo, esses meninos são intimados a se envergonhar, a se arrepender de suas aspirações de criança e, sem perceber, passam a carregar a cruz ressentida das gerações que lhes deveriam servir de inspiração e encorajamento. Em alguns casos, as salas de aula se converteram em câmaras de triturar esperanças e utopias pessoais. Muitas vezes, ensinam a criticar (muito mal e precariamente) a imprensa, mas não estimulam (nem ensinam) a fazer imprensa. É uma pena. …
… Infelizmente, temos visto turmas e mais turmas feridas pelas “desilusões perdidas”, desilusões dos outros, em ambientes que não cultivam o orgulho próprio, que não cultivam a confiança na enorme diferença que uma história bem contada pode fazer no destino de uma pessoa, de uma comunidade, de um país. O jornalismo, muito mais do que o samba, é um privilégio. Por maiores que sejam as crises. É isso o que deveria ser ensinado nas escolas de jornalismo, nosso colégio. Mas não é. Olho em volta e, exceções à parte, não vejo altivez, não vejo convites ao talento, não vejo vibração. …
20
May09
Palavras…
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Uma representação visual do texto que escrevi sobre minhas lembranças da rua dos Surfistas, no Campeche. Clique aqui pra vê-la ampliada. Fiz a brincadeira no www.wordle.net
16
May09
Há três anos
Há três anos São Paulo sofreu uma onda de ataques criminosos contra o Estado como nunca tinha sido registrado antes – seguida de uma retaliação brutal da polícia que provocou quase (ou mais de?) 200 mortes, a maioria não-esclarecidas até hoje. Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece, tomou a iniciativa de escrever sobre o episódio traumático e convidar alguns amigos blogueiros pra compartilhar sua lembranças (veja no final do texto dele a relação atualizada dos que estão contribuindo).
A iniciativa é muito boa, pois preenche uma lacuna importante em algo que imprensa nunca conseguiu cumprir com competência: acompanhar os desdobramentos das notícias (fazer “suíte”, no jargão jornalístico). O blog de Marcelo Soares, por exemplo, traz informações novas ao calcular quanto os ataques do PCC custaram aos cofres públicos. Focados no factual, jornais, revistas e programas de tevê costumam deixar cair no esquecimento assuntos que continuam evoluindo e são de importância capital – como é o tema da falência da segurança pública no Brasil. A memória coletiva ajuda a refletir sobre o passado e dá instrumentos pra melhorar o presente e o futuro.
13
May09
Habilitação para novas rádios comunitárias
Recebi do jornalista Lúcio Haeser, pela lista de e-mails do Campeche, e passo adiante pela relevância. Dê um toque pras lideranças do conselho comunitário do seu bairro.
PessoalDepois de 10 anos, o Ministério das Comunicações abriu novamente a possibilidade para que associações de Florianópolis habilitem-se para obter autorização de rádios comunitárias.
Na primeira habilitação que contemplou Floripa, lançada em 1999, 10 entidades se lançaram na luta. Só duas chegaram ao fim da corrida de barreiras burocrática. A Rádio Campeche, em 2005, e a Associação Civil Floripa é Dez, recentemente.
Agora, o caminho está aberto novamente. Mas se a associação com a finalidade de executar serviço de rádio comunitária ainda não existe, é preciso correr, e muito. O prazo para envio da documentação vai até 25 de junho. Em outras ocasiões o prazo foi dilatado, mas não é bom ficar contando com essa possibilidade.
Nesse link tem mais informações e um link para saber o que precisa ser feito.
29
Apr09
Informações sobre gripe suína
Bem boa esta matéria do Bom Dia Brasil, da Globo, sobre a gripe suína, e também a série de perguntas e respostas sobre o risco e a prevenção, publicada no portal G1. Reportagens esclarecedoras e sem alarmismo.
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Cesar Valente citou no De Olho na Capital o saite que dois cientistas criaram voluntariamente no dia 27 com informações em português sobre prevenção, tratamento e contenção. É bem fundamentado e referenciado, mas aplicável somente SE a gripe chegar por aqui botando pra quebrar, como já ocorre no México.
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Nessas orientações do doutor em epidemiologia Wladimir J. Alonso e da doutora em zoologia e profissional de TI Cynthia Schuck-Paim, me chamou a atenção uma divergência quanto à recomendação de duas fontes com bastante credibilidade:
* Nota: nós respeitosamente discordamos da recomendação de alguns órgãos (como o Center of Diseases Control dos EUA e o Ministério de Saúde do Brasil) que pessoas com suspeita de gripe suína devam “Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima”. Dado o potencial pandêmico desta cepa viral, é fundamental que suspeitos de terem esta doença evitem circular por locais públicos. Casos suspeitos deveriam ser comunicados por telefone, através do qual instruções de contenção seriam repassados ao paciente e pessoas próximas, e imediatamente uma equipe com equipamentos adequados de biosegurança se deslocaria ao local. Este tipo de medida é fundamental principalmente no primeiro estágio de propagação.
O que eles dizem parece fazer sentido. Mas, sem qualquer condição de opinar sobre a polêmica (que não é detalhe bobo, pois pode envolver a diferença entre a vida e a morte de muita gente), cá fico em minha ignorância, agora ligeiramente reduzida com a leitura desse material todo.
24
Apr09
Liga, roda, clica
Da Laura, no blog Leiturama:
Fazia um tempinho que eu não lia nada muito acadêmico e em fevereiro peguei para ler o livro Liga, roda, clica, organizado pelas amigas Gilka Girardello e Monica Fantim.São 12 artigos que tratam das relações entre a criança e as novas tecnologias. O que me chamou atenção foi:
- Estação Memória: projeto interessante em SP, em que em entrevistas idosos contam a história do bairro e de sua infância, compartilhando com as novas gerações.
- Como todos nós, os educadores estão um pouco perplexos e não sabem direito o que fazer e como entender sobre a relação das crianças com o computador.
- Fiquei um pouco perturbada com a declaração da Bebel de que a escola, que antes era o espaço do saber, luta para manter um espaço de relevância.
- Gilka nos lembra: jogos violentos e muito realistas não ajudam a estimular a imaginação.
- Em um artigo sobre como as crianças retratam o corpo, Ingrid conta de uma menina que tinha fixação em se manter magra. Detalhe: a menina não era gorda e tinha apenas 5 anos.
O livro não se propõe a oferecer respostas prontas. Não é nada do tipo o que fazer, como fazer. Mas vez ou outra dá para pescar recados interessantes, do tipo: mediar a relação das crianças com a tecnologia é uma tarefa de todos – da escola, da família, de todos nós. Para isso, é preciso que a gente mesmo comece a usar e descobrir coisas legais. Outro recado: vale muito a pena procurar experiências off-line, que ampliem cada vez mais a diversidade cultural das crianças.
Para finalizar, aí vai um vídeo bem bacana do TED “Escolas matam a criatividade?”:
26
Mar09
A nova escola britânica em construção
Proposta de revisão no currículo das escolas primárias do Reino Unido dá mais liberdade aos professores para ensinar sobre Twitter, blogs, podcasts e Wikipedia, conta The Guardian. Até 11 anos as crianças devem adquirir fluência na escrita a mão e no uso do teclado; aprender a escrever corretamente e usar o corretor ortográfico. A proposta também prevê o reforço no ensino da cronologia dos fatos, mudanças e períodos históricos; e mais ênfase em saúde, dieta e atividade física. O período vitoriano e a Segunda Guerra Mundial não são mais obrigatórios, pois fazem parte do currículo curso médio. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Congresso discute a proibição de celulares nas escolas.
[ via @belcolucci e @garotasemfio ]








