26
Jan03
Sindicatos buscam ações comuns na defesa do trabalho
André Moraes de Oliveira
A principal expectativa do movimento sindical mundial reunido em Porto Alegre será de estabelecer estratégias integradas de ação conjunta frente às problemáticas de rápido debilitamento que a globalização neoliberal promove no mundo do trabalho. A arrancada nas discussões das alternativas ocorreu no dia 22 durante a primeira mesa de trabalho do II Fórum Sindical Mundial – evento paralelo ao III FSM que acontece entre os dia 22 e 23 de janeiro, no Auditório Chico Mendes, do complexo Portal da CUT.
Envolvendo uma expressão política significativa de entidades laborais e organizações multilaterais, com representações de todos os continentes, o painel “O Movimento Sindical no Coração da Sociedade Civil” acabou servindo como palanque aos sindicalistas dispostos em apresentar suas proposições e análises de conjuntura. O contexto histórico brasileiro, com a chegada ao poder político de um ex-sindicalista, foi tema de todos os discursos. A esperança de reconstrução de um projeto popular de desenvolvimento, com ampla participação dos trabalhadores nas decisões estratégicas de transformação das relações capital-trabalho, afirmaram os sindicalistas, anima e fortalece a auto-estima das entidades laborais em todo o mundo, principalmente na América Latina. (…)
26
Jan03
ForumZINHO inclui crianças no mutirão por um novo mundo
José Alberto Gonçalves – Agência Carta Maior
Dentro da visão de um planeta sustentável ambientalmente e socialmente justo, as crianças sempre aparecem nos documentos oficiais como atores imprescindíveis no processo transformador. Contudo, a criança acaba sendo tratada como objeto de discussão dos adultos, sem espaço para mostrar sua própria concepção de um novo mundo, baseado em princípios de solidariedade e proteção ambiental. O grupo de voluntários que organiza o 2º ForumZINHO Social Mundial, entre 23 e 28 de janeiro deste mês, em Porto Alegre, porém, ousou mostrar que é possível e necessário incluir crianças e adolescentes no mutirão transformador.
A partir da primeira edição do ForumZINHO, que reuniu perto de 2.000 crianças de várias partes do mundo, os organizadores do evento ganharam apoio do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), visitaram projeto parecido nas Ilhas Baleares, na Catalunha, Espanha, criaram a ONG Naia (Núcleo dos Amigos da Infância e da Adoelescência), ajudou a organizar um ForumZINHO no Rio de Janeiro e promoveram vários encontros preparatórios ao evento que começa hoje no Colégio Júlio de Castilhos, na capital gaúcha. (…)
(Ciranda.net)
26
Jan03
Brasil de Fato ativa imprensa nacional de esquerda
Daniel Azevedo Duarte
O jornal popular Brasil de Fato foi lançado ontem, dia 25, no auditório Araújo Viana, em um evento paralelo ao III FSM, com a presença de pelo menos 5 mil pessoas emociadas e a missão de trazer a “verdade que precisa ser dita” ao uso do verbo da imprensa nacional. O Brasil de Fato é uma atitude de organizações sociais, jornalistas e intelectuais que, segundo as personalidades presentes no evento, pretende resgatar a dívida que a imprensa de esquerda tem com a população, desde os alternativos solapados pela ditadura militar.
No palco do Araújo Viana, por mais de três horas, permaneram personalidades políticas e intelectuais do Brasil e América Latina que, ao se revezar com músicas, clamores e aplausos, expressaram suas opiniões sobre o lançamento do jornal. Entre as personalidades, Plínio de Arruda Sampaio confessou o sofrimento dos últimos 15 anos e a percepção de estar “sentindo os ares” de uma nova conjuntura. O ministro das cidades, Olívio Dutra, afirmou que o Brasil de Fato nos fará “respirar o oxigênio da mudança para enfrentar a manipulação no Brasil e no Globo” enquanto Hebe Bonafini, do movimento “Madres del la Plaza de Mayo” da Argentina, classificou o impresso como “um filho que nasce em liberdade”.
Todo uso do verbo, em seu sentido mais amplo, foi citado pelo escritor Eduardo Galeano que rotulou o sistema neoliberal de ladrão “não só da terra, do trabalho, da água e da vida dos explorados como, também, das palavras”. Ele disse que o veículo pode recuperar as palavras roubadas “de quem tem algo a dizer por necessidade e, não, pela obrigação de mentir”. Aleida Guevara defendeu que só um povo culto pode ser livre e convocou os responsáveis e os simpatizantes pelo jornal a lutar pela “vitória sempre”. Augusto Boal, do teatro do oprimido, ensaiou com todo o público um juramento de apoio à publicação, em um texto repetido por ele e por todo auditório. (…)
(Ciranda.net)
26
Jan03
Próxima parada: Cancún
Movimentos, sindicatos e organizações querem tomar a cidade turística mexicana este ano, quando ocorre a secreta e decisiva reunião da OMC.
(Daniel Merli. A íntegra está na Ciranda.net)
25
Jan03
Palestinos e Israelenses se desentendem no FSM
Simpatizantes de palestinos e israelenses interromperam por um momento o clima de confraternização no Fórum Social. Os dois grupos se encontraram no prédio da PUC-RS e ficaram frente a frente, trocando acusações. O grupo a favor dos palestinos reunia cerca de 30 pessoas, contra cerca de 20 do lado de Israel. Os gritos de “Viva a Palestina” foram logo trocados por “Viva a Intifada” e acusações de “racistas” e “assassinos”. Um manifestante judeu estendeu a mão para os adversários, mas ninguém apertou sua mão. “Justiça, paz e amor”, repetia o embaixador da Palestina no Brasil, Musa Amer Odeh. Nos auditórios, algumas atividades foram temporariamente interrompidas em função do barulho.
(Thiago Guimarães, Ciranda.net)
25
Jan03
É hora de ferir o capitalismo, afirma feminista indiana
“É preciso lutar também contra a exploração da mulher pela mulher, e encontrar formas de ferir de uma vez por todas o capitalismo.” A frase, da ativista indiana Srilata Swaminathan, surpreendeu a todos os presentes, na grande maioria mulheres, suscitando até manifestações contrárias, durante o Painel. Presidente do All India Progressive Women’s Association (AIPWA) e membro do comitê central do Partido Comunista da Índia, Srilata afirma ser a hora de começar a agir fortemente contra a exploração capitalista.
Leia a entrevista na Ciranda.net (por Julián Fuks)
25
Jan03
CIOSL forma grupo de amigos sindicais para a Venezuela
A Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL) decidiu criar um grupo sindical para promover uma saída negociada, democrática, pacífica e eleitoral para a crise que afeta a Venezuela. A entidade e suas afiliadas dos países membros do Grupo de Amigos da Venezuela – Brasil, Chile, México, Estados Unidos, Espanha e Portugal – pensam em utilizar sua relação solidária com a Confederação dos Trabalhadores da Venezuela (CTV) para exortar os companheiros venezuelanos a examinar com atenção as propostas que busquem um acordo. A CTV é um dos líderes da “Coordinadora Democratica”, eixo da oposição ao presidente da Venezuela, Hugo Chavez.
Preservar a democracia deve ser uma meta fundamental, destaca a entidade. Diz um trecho da nota oficial divulgada no dia 24/1: “A CIOSL e sua regional para as Américas, ORIT, rechaçam de maneira contundente qualquer saída violenta para a crise, especialmente via um golpe de Estado, ao mesmo tempo em que respalda plenamente a iniciativa de intermediação da OEA e do Grupo de Países Amigos da Venezuela”.
25
Jan03
Trabalhadores em transporte aéreo lançam manifesto
Os trabalhadores da indústria de transporte aéreo lançaram um manifesto durante o FSM, protestando contra o modelo de gestão da Varig e defendendo transparência na aplicação de recursos públicos para sanear o setor. Diz a nota: “Entendemos que a discussão de uma política para o setor é necessária e vital para a sobrevivência das empresas aéreas a médio e longo prazo”.
25
Jan03
Para barrar a OMC, Via Campesina quer repetir Seattle
A luta pela organização dos movimentos sociais do campo deu um grande passo à frente. A Via Campesina, articulação internacional de camponeses, organizou a Primeira Assembléia Mundial Campesina, entre os dias 21 e 23 de janeiro, em Porto Alegre. Estiveram presentes 350 delegados de 40 países que discutiram, junto com suas delegações, questões sobre as políticas da OMC, FMI e Banco Mundial , o perigo dos transgênicos e um calendário de futuras ações. A assembléia deu continuidade às discussões já iniciadas desde o I Fórum Social Mundial.
A quinta reunião ministerial da OMC marcada para Cancún, México, entre os dias 10 e 14 de setembro deste ano, discutirá a liberalização mundial da política agrícola e de serviços. Para a ocasião, está prevista uma manifestação articulada mundialmente. A idéia é repetir as mobilizações de Seattle (ocasião em que aconteceu a terceira reunião ministerial da OMC). Para que este protesto tenha o maior alcance possível e consiga reunir ativistas de todo o mundo, foram acertadas datas de manifestações locais nos países que estiveram representados. Estas datas, acompanhadas da relação dos encaminhamentos – fruto das discussões – farão parte de uma carta final que será enviada aos chefes de governo latino-americanos.
(Laura Cassano – Ciranda.net)
25
Jan03
Ato do WWF-Brasil no Fórum Social Mundial pede água para todos
Para despertar a atenção dos presentes ao Fórum Social Mundial em relação ao tema da água, 20 atores do grupo gaúcho Depósito de Teatro representaram a situação da população mundial no que diz respeito ao acesso à água: quase metade dos 6 bilhões de habitantes do planeta sem água potável. Na manifestação, 12 atores entraram no trecho do rio Arroio Dilúvio, localizado em frente à PUC, e retiraram amostras da água do local. O Arroio apresenta nesta área sinais evidentes de poluição, além do mau cheiro.
Há muitas garrafas plásticas no local, que se misturam a restos de animais e esgoto. Vestidos de roupas escuras e sacos de lixo, os atores levaram a água poluída ao encontro de outro grupo – este vestido de azul e carregando água de boa qualidade. Dentro da PUC, os dois grupos encenaram a inclusão hídrica daqueles que saíram das águas sujas. As vestimentas azuis tornaram-se comuns a todos, simbolizando o direito pelo acesso universal à água de boa qualidade. O ato terminou com a entrega de um documento ao secretário Nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, que deve encaminhá-lo à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
(Rebeca Kritsch – Ciranda Internacional da Informação Independente)







