12
Dec06
Obituario con hurras
Mario Benedetti (poeta uruguaio)
Vamos a festejarlo
vengan todos
los inocentes
los damnificados
los que gritan de noche
los que sueñan de dia
los que sufren el cuerpo
los que alojan fantasmas
los que pisan descalzos
los que blasfeman y arden
los pobres congelados
los que quieren a alguien
los que nunca se olvidanvamos a festejarlo
vengan todos
el crápula se ha muerto
se acabó el alma negra
el ládron
el cochino
se acabó para siempre
hurraque vengan todos
vamos a festejarlo
a no decir
la muerte
siempre lo borra todo
todo lo purifica
cualquier díala muerte
no borra nada
quedan
siempre las cicatriceshurra
murió el cretino
vamos a festejarlo
a no llorar de vicio
que lloren sus iguales
y se traguen sus lágrimasse acabó el monstruo prócer
se acabó para siempre
vamos a festejarlo
a no ponermos tibios
a no creer que éste
es un muerto cualquieravamos a festerjarlo
a no volvermos flojos
a no olvidar que éste
es un muerto de mierda
12
Dec06
‘No lo miraria en los ojos’
Em 11 de de setembro de 2001, Adriane Canan trabalhava na Rádio FM Cultura, de Porto Alegre, e se preparava pra colocar no ar uma entrevista com Patrícia Verdugo, jornalista que escreveu o livro A caravana da morte. Esse livro foi um dos principais fundamentos usados pelo juiz espanhol Baltazar Garzón para abrir processo contra Pinochet. Patrícia teve o pai morto pela ditatura. Ela diz que não olharia Pinochet nos olhos, pois tem a sensação de que o terror das vítimas sempre fica preso nos olhos do assassino.
A matéria entraria ao meio-dia, como parte de uma programação pra marcar o aniversário do golpe militar no Chile. Com o choque dos aviões nas torres gêmeas e no Pentágono, toda a pauta foi derrubada e os jornalistas se concentraram na cobertura do atentado terrorista que mudou o século (a entrevista entrou mais tarde, no mesmo dia).
Adri tem uma ligação especial com o Chile, pois foi casada e tem uma filha com um chileno. Com a morte de Pinochet, ela resolveu compartilhar a entrevista na internet. Pra isso contou com a ajuda técnica de Alexandre Gonçalves. Você pode conferir no blog dela, Gato-e-Passarinho.
11
Dec06
A Perfect Mess: The Hidden Benefits of Disorder
Vou gostar de ler este livro…
Flying utterly in the face of conventional wisdom, the authors turn the world of organization on its head to examine how messy systems can be more effective than highly organized ones. Neatness for its own sake, they say, not only has hidden costs in terms of man-hours that could be spent doing other work but it turns out that the highly touted advantages may not even exist. More loosely defined, moderately disorganized people and businesses seem to be more efficient, more robust, and more creative than the obsessively neat. (…)
[David Siegfried, Amazon]
11
Dec06
Manifesto pela retirada do Iraque
No dia 27 de novembro o cineasta Michael Moore publicou uma carta ao Congresso e ao povo dos Estados Unidos. Nela, defende a imediata retirada das tropas do Iraque. Ele lembra que o tempo de ocupação já supera o que os americanos levaram para vencer a Segunda Guerra Mundial. E que esta é uma guerra perdida, “porque jamais teve o direito de ser vencida”. A tradução está no blog de Emir Sader na Carta Maior.
11
Dec06
Não há mal que nunca acabe
Ontem – suprema ironia, dia Internacional dos Direitos Humanos – morreu Augusto Pinochet. Infelizmente, sem ser julgado por seus crimes monstruosos. Festa e pancadaria nas ruas de Santiago. Lembro de um dia no verão de 1989, quando comprei um jornal em Cuzco e a manchete anunciava a queda de Stroessner: “Não há mal que nunca acabe”.
A sombra do general tinhoso continuava de certa forma aterrorizando o Chile, anos depois de sua aposentadoria do poder. Espero que agora o povo chileno possa se reencontrar mirando pra frente. Acho que essas feridas não vão sarar nunca, mas o tempo vai torná-las mais suportáveis.
Vale ecoar o comentário da Anistia Internacional: a morte do ex-ditador deve ser encarada como um “chamado” aos governos pra necessidade de uma justiça rápida, de forma a evitar que os culpados por violações de direitos humanos escapem da punição.
Em 1989, algumas semanas depois de ler a manchete sobre Stroessner, eu entrava no Chile pela fronteira peruana. Bestamente me identifiquei como “estudante de periodismo” e fui detido pra interrogatório. Foi uma experiência assustadora e ríspida, mas sem violência física e durou só meia hora. A ditadura já estava agonizante – no ano seguinte Pinochet entregaria o poder a um presidente civil eleito.
Nem ouso comparar minha prosaica experiência com os traumas que tantos milhares sofreram. Em mim o resultado foi só um frio na barriga misturado com a sensação de humilhação e raiva impotente. Dezoito anos depois, somo meu desabafo ao da gente decente desse país encantador:
- Pinochet, filho da puta, já vai tarde!
E viva o Chile.
Arte: Frank
08
Dec06
No DVD: ‘O mesmo amor, a mesma chuva’
Cá estou com mais uma mini-resenha “ligeiramente atrasada” de um filme lançado em 1999 que vi ontem: O mesmo amor, a mesma chuva. É o primeiro dos três que o cineasta argentino Juan José Campanella dirigiu tendo como protagonista o ator Ricardo Darín – os outros dois, que vi antes, são O filho da noiva (2001) e Clube da Lua (2004). Todos muito bons.
É uma história despretensiosa sobre os encontros e desencontros de um casal desde 1980 até o presente. Ele, jornalista que publica contos na revista Coisas, é uma promessa da literatura argentina; ela, garçonete, é aspirante a atriz e pintora. Em paralelo acompanhamos um pouco da história recente do país: ditadura militar, euforia e depois decepção com as Malvinas, frustrações com Alfonsín, neoliberalismo de Menem, crise econômica. Esse pano de fundo não chega a competir com a narrativa principal, centrada no cotidiano de pessoas comuns.
Jorge, o personagem interpretado por Darín, nos conquista por sua personalidade humanamente contraditória e complexa. Ele está apaixonado e tenta ser feliz enquanto luta contra os próprios fantasmas: egoísmo, acomodação, remorso por não corresponder à lealdade dos amigos, medo de arriscar pra viver seus sonhos. O pequeno épico caminha suave e agridoce, sem medo da emoção mas sem pieguismo. Está recheado de bons diálogos – marca registrada de Campanella – e comedidas doses de humor. Mais uma jóia fina do cinema argentino.
08
Dec06
O rei do elogio
Tou rindo sozinho aqui. Essa vem duma rádio de Quixeramobim:
“Quero cumprimentar o meu amigo Carlinho Elói por ser uma pessoa cabriocárica…uma pessa estrogonoficamente sensível…uma pessoa inoxidável…uma pessoa que merece o respeito tecnológico…”
[via Kibeloco]
07
Dec06
Reflexões na sala de embarque
O jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, que coordena a ong Repórter Brasil – parceira do Observatório Social -, ia receber na quinta-feira em Brasília um prêmio da OIT, por sua atuação brilhante no combate ao trabalho escravo. Com a bagunça aérea instalada no país, tomou um chá de cadeira no aeroporto. A solenidade foi adiada, já que ele e outros premiados não conseguiram chegar. Li isso agora no blog dele, que acabo de descobrir. Saka comenta o movimento dos controladores de vôo:
(…) As classes média e alta estão dando piti agora. Bem feito. Experimentam, de leve, o que a massa de trabalhadores pobres sente todo o ano com as greves de ônibus em São Paulo, que deixam milhões a pé. Que faz moradores de bairros afastados caminharem 20 km para chegar no trabalho.
Que tal, independente de classe social, descermos ao nível da realidade e discutir a melhoria na qualidade de vida do trabalhador? Tenho fé que ou esse país dá certo para todo mundo, ou alguns poucos não vão conseguir desfrutar o seu butim.
Apóio os controladores de vôo. Apóio os cobradores e motoristas de ônibus. Apóio os bancários e metalúrgicos. Apóio os garis. Apóio os residentes médicos. Apóio o santo direito de se conscientizarem, reconhecerem-se nos problemas, dizer não à exploração e entrar em greve até que a sociedade pressione e os patrões escutem.
Mesmo que isso torne minha vida um absurdo. (…)
~
UPDATE 8.12: Leio agora sobre o atestado de incompetência gerencial do governo Lula pra cuidar desse setor, que se iguala à inépcia do governo FHC no caso do apagão:
O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou que os recursos destinados à manutenção do sistema aéreo brasileiro não foram destinados de forma correta e que o comando da Aeronáutica já sabia dos problemas no espaço aereo.
07
Dec06
Saúde pública gratuita de qualidade
Hoje levamos Bruno ao posto de saúde da Fazenda do Rio Tavares pra tomar duas vacinas. Como a da pólio tava em falta, fomos encaminhados ao posto do Campeche. Nos dois o atendimento foi de primeira, por funcionárias muito simpáticas. Dava pra sentir que elas amam o que fazem, mesmo tendo que trabalhar com recursos escassos. O tempo de espera foi mínimo – cinco minutos no primeiro, dez no segundo. E ainda ganhamos uma folha A4 com várias figuras do Zé Gotinha carimbadas pro Miguel colorir. Tive a mesma sensação boa de quando Miguel e depois Bruno nasceram no Hospital Universitário. Gratidão pela eficiência, cortesia, respeito e resultados. Tudo de graça. Bem que podia ser assim no Brasil inteiro.
07
Dec06
Indenização por atraso em vôos
Passou a noite em chão de aeroporto? Perdeu um negócio importante? Chegou atrasada ao altar? Seus problemas não acabaram, mas o estrago pode ser ressarcido em parte. O Idec – Instituto de Defesa do Consumidor – colocou à disposição do público um modelo de ação que pode ser usada junto ao Juizado Especial Cível (pequenas causas, até 20 salários mínimos) para pleitear das empresas aéreas indenização pelos prejuízos sofridos com os atrasos dos vôos.







