15
Jan09
"Não há santos nessa guerra"
Recebi do Geraldo Hoffmann, da Suíça, um comentário sobre meu post em que reproduzi as regras da grande mídia internacional quando o assunto é Oriente Médio:
Trabalho num veículo de comunicação internacional e não acredito que as “regras” acima sejam regra geral na grande imprensa internacional. Acredito que, apesar das dificuldades impostas à imprensa nessa e em outras guerras, há colegas que fazem um trabalho na medida do possível honesto, equilibrado. Do contrário, provavelmente as atrocidades cometidas pelas partes conflitantes seriam ainda maiores.Um fato que pode parecer marginal, mas que me chamou a atenção: a Agência France Presse divulgou ontem uma nota informando que o governo dinamarquês estuda a possibilidade de pedir ressarcimento a Israel por danos causados pela ofensiva militar a projetos humanitários apoiados pela Dinamarca em Gaza. Numa busca rápida no Google, notei que essa informação não foi muito aproveitada pelas redações. Algumas exceções: o jornal dinamarquês Politike.dk (versão inglesa – http://politiken.dk/newsinenglis…icle628230.ece) , a revista Focus – versão alemã da Epoca (http://www.focus.de/politik/weitere-meldungen/ gaza-daenemark-prueft-schadensersatzansprueche-an- israel-wegen-gaza-offensive_aid_361821.html) e o DCI, no Brasil (http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=2& id_noticia=269165). Acredito que essa questão deve estar sendo levantada também em outros países que prestam ajuda aos palestinos, mas, como admite o próprio governo dinamarquês, pedir um ressarcimento desses é uma questão delicada e juridicamente complicada.
O triste disso tudo é que a população que deveria ser beneficiada com a ajuda humanitária, no fim, acaba ficando de mãos vazias – independentemente de quem seja a culpa pela destruição dos projetos. Hoje vi também na TV alemã uma mulher palestina, em Gaza, que criticou abertamente o Hamas. “Eles escondem as armas em nossas casas, mas não nos defendem. Os líderes do Hamas somem e nos deixam entregues ao caos”, reclamou. Segundo o repórter, essa foi uma das primeiras críticas em público ao Hamas. Na minha opinião, não há santos nessa guerra próxima à Terra Santa.
14
Jan09
De como uma boa trilha sonora dá vida a um filme
Semana passada vi Dan in Real Life (Peter Hedges, 2007), comédia romântica que aqui no Brasil foi traduzida com o abobado título Eu, meu irmão e nossa namorada. Um viúvo com três filhas (Steve Carell) fica caído por uma mulher (Juliette Binoche, linda e competente como sempre) que – ele descobre em seguida – é a namorada que seu irmão levou pra reunião na casa de praia da família. Filminho simpático com as trapalhadas e desencontros de praxe. Seria até descartável, se não fosse a belíssima trilha de Sondre Lerche, norueguês nascido em Bergen. Do pop ao jazz melódico, passando pelo rock, Lerche manda ver com canções que tenho ouvido e reouvido. A Rolling Stone fez uma boa crítica do segundo disco dele, de 2004, mas ressalvou que o ponto fraco do norueguês são as letras. Sabe que nem prestei atenção? Vale conferir Dan in Real Life, nem que seja só pela música e pela Binoche.
p.s.: Bergen é uma das cidades mais lindas do mundo. Mas isso fica pra outro post.
14
Jan09
Máscara Âmbar
Meu amigo Joca Wolff, junto com Ricardo Corona, acaba de traduzir o livro de poesia do escritor argentino Arturo Carrera, Máscara Âmbar – sua primeira obra publicada no Brasil. O livro sai pela Lumme, tem ensaio crítico de Raul Antelo e pode ser encontrado na Livraria Cultura. Trecho da biografia do autor:
Arturo Carrera nasceu em Pringles, província de Buenos Aires (Argentina) em 1948 e é uma das vozes máximas da poesia hispano-americana atual. Sua obra possui mais de vinte livros de poesia, ensaio e tradução; entre eles: Escrito con un nictógrafo (1972); Momento de simetría (1973); Oro (1975); La partera canta (1982); Ciudad del colibrí (1982); Arturo y yo (1984); Mi padre (1985); Animaciones suspendidas (1986); Ticket para Edgardo Russo (1986); Children’s corner (1989); Negritos (1993); Nacen los otros (1993); La banda oscura de Alejandro (1994); El vespertillo de las parcas (1997); Palacio de los aplausos (com Osvaldo Lamborghini, 2002); Tratado de las sensaciones (2002); Carpe diem (2003), Potlatch (2004), El coco (2004), Noche y Día (2005) e La inocencia (2005). Cursou na Universidade de Buenos Aires estudos de medicina e letras e psicanálise com Oscar Masotta. Traduziu textos de Agamben, Haroldo de Campos, Pasolini, Mallarmé, Bonnefoy, Michaux, entre outros. Realizou leituras e leituras críticas de seus poemas nas Universidades de Nova York e Princeton (USA), no Centro de Estudos Leopardianos de Recanati e na Universidade de Macerata (Itália); em Trois Rivières (Canadá), e em Santiago e Valparaíso (Chile), em Santa Catarina e São Paulo (Brasil), no Paraguai e no México. Como professor de Literatura e Poética, trabalhou no Abroad Program das Universidades de Illinois e Carolina do Norte e na Fundação Antorchas. [...] Editou na Internet, sob os auspícios do ICI, uma antologia de 37 poetas argentinos de menos de 37 anos: Monstruos, publicada pelo Fondo de Cultura Económica.
14
Jan09
Barômetro da Liberdade de Imprensa 2009
| 2 | 0 | 138 | 9 | 72 |
| Jornalistas mortos | Assistentes de mídia mortos | Jornalistas aprisionados | Assistentes de mídia aprisionados | Ciberdissidentes aprisionados |
Fonte: Repórteres sem Fronteiras
14
Jan09
Momento Serendipity: Klip
A Klip Collective, empresa baseada em Filadélfia, faz um trabalho sensacional de instalações de vídeo permanentes e temporárias, desde ambientes internos até fachadas de prédios. As projeções são usadas em instalações de arte, campanhas publicitárias e instalações interativas. Muito criativo o trabalho.
13
Jan09
Song around the world: Stand By Me
Recebi da Cristina Gallo e passo adiante este vídeo em que cantores de vários países interpretam a música de John Lennon. É de arrepiar.
12
Jan09
Vicky Cristina Barcelona, humor e charme
Primeiro cinema do ano: semana passada vi Vicky Cristina Barcelona (na sala de cinema do CIC, que já teve seus dias de glória e agora tá mofada e com o ar-condicionado quebrado). A partir de um argumento aparentemente banal, Woody Allen constroi um filme leve, sensual e engraçado sem ser hilário. Duas turistas americanas vão passar o verão em Barcelona e ficam caídas por um pintor catalão, recém-separado de uma artista passional. As aventuras e desventuras desse “quadrilátero amoroso” são contadas por um narrador em off – recurso que muitas vezes empobrece a dramaturgia, mas nesse caso, achei que deu um ar folhetinesco interessante.
Javier Bardem, no papel de “artista latino sexy-casual”, está perfeito. Os sentimentos contraditórios que ele provoca nas três mulheres – e a maneira como elas lidam com isso – são o motor da história (a versão brasileira podia se chamar “elas pintam como eu pinto”; ia fazer sucesso nas das locadoras de vídeo). As atrizes estão muito bem. Rebecca Hall faz Vicky, pra quem as emoções de Barcelona fazem questionar os planos de noivado e vida tranquila. Scarlett Johansson, a nova musa de Woody Allen, interpreta com competência, embora sem muito brilho, a mulher volúvel em busca do autoconhecimento como artista. Penélope Cruz está fantástica como Elena, a instável ex-mulher do pintor Juan Antonio. Ela acrescenta o toque de humor na pitada certa.
Retratada com a magia intensa das suas cores, sons e formas, Barcelona é uma personagem essencial à trama (não dá pra imaginar, por exemplo, Vicky e Cristina curtindo adoidado em Bruxelas). O governo da Catalunha fez um investimento rentável ao financiar o projeto. Saí do cinema louco de vontade de pegar um avião e conhecer a cidade tomando vinho tinto, coisa que os protagonistas fazem no filme inteiro (sou tão influenciável que cheguei em casa e entornei uma taça de Merlot). Enfim, Vicky Cristina Barcelona possivelmente não é o melhor de Woody Allen, mas está longe de ser dos piores e sem dúvida fica acima da média. O filme me conquistou pelo seu charme despretensioso.
p.s.: O jornalista Cláudio Versiani escreveu para Congresso em Foco suas impressões sobre Barcelona. Vale conferir.
12
Jan09
Mídia e pluralidade
Recomendo a leitura do post Viva a pluralidade, escrito pelo Maurício Oliveira em seu blog. Ele critica o lastimável oligopólio do grupo RBS que se formou na mídia catarinense e cita a ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra a aquisição do jornal A Notícia.
11
Jan09
A grande mídia internacional e o Oriente Médio
Recebi de um colega jornalista e passo adiante.
Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio
Regra Um – No Oriente Médio, são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.
Regra Dois - Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama “Terrorismo”.
Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama “Legítima Defesa”.
Regra Quatro - Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama “Reação da Comunidade Internacional”.
Regra Cinco - Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama “Sequestro de Pessoas Indefesas”.
Regra Seis - Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10.000, dos quais 300 são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama “Prisão de Terroristas”.
Regra Sete - Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatório a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.
Regra Oito – Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos Estados Unidos”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.
Regra Nove – Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões “Territórios Ocupados”, “Resoluções da ONU”, “Violações de Direitos Humanos” ou “Convenção de Genebra”.
Regra Dez – Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre “covardes” que se escondem entre a população civil, a qual “não os quer”. Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de “Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama “Ações Cirúrgica de Alta Precisão”.
Regra Onze - Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de “Neutralidade Jornalística”.
Regra Doze - Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade”.
11
Jan09
Quero ler: biografia de García Márquez
Do New York Times, via UOL: a biografia de García Márquez acaba de ser publicada na Inglaterra. Tem 664 páginas e mais de 300 entrevistas. Seu autor, Gerald Martin, é um acadêmico inglês, especialista em literatura latino-americana. Passou 15 anos escrevendo o livro. Na América Latina deve chegar só no segundo semestre.







