07
Mar09
05
Mar09
A degradação da cidade dos remendos (2)
O irmão do Fabrício – não sei o nome – enviou uma bela mensagem de resposta ao e-mail dele, que o Fabrício compartilha com a gente e tomo a liberdade de reproduzir aqui, já que nem todos clicam no link dos comentários:
(…) O que eu sei é que após viver por um tempo num lugar onde o HUMANO é a medida das coisas, fica difícil voltar para um lugar (qualquer que seja, Florianópolis, Rio de Janeiro, Cidade do México, Pequim, etc.) em que o HUMANO é a moeda de troca para outras coisas: corruptelas, estelionatos, sequestros, mais-valia abusiva, etc. E o pior de tudo é ver que a morte está banalizada não só pelos assassinos, mas pela imprensa, pelos leitores, pela polícia que, por exemplo, quando descobre que a vítima supostamente tinha envolvimento com o tráfico, acha que está tudo bem, que não merece a devida investigação, que foi uma limpeza. Isso é eugenia em pleno século XXI. A VÍTIMA FOI MORTA COM UM ANIMAL, EM PLENO CENTRO DE UMA CIDADE, COM DIVERSAS PESSOAS ASSISTINDO O SACRIFÍCIO E, NO OUTRO DIA, ACHANDO NORMAL TOCAR SUAS VIDAS COMO OUTRORA. Perdemos a dimensão do HUMANO. Isso eu não tenho dúvida. Agora o que eu não quero é assumir que somos todos BESTAS.
05
Mar09
A farra das passagens e o homem da mala
Mais um “homem da mala” na política brasileira. A reportagem do Congresso em Foco é do amigo Lúcio Lambranho, repórter dos bons, que está sempre farejando histórias quentes (no ano passado ganhou um Prêmio Herzog). Congresso em Foco agora tem como diretor de redação o brilhante jornalista Eumano Silva (coautor do livro-reportagem Operação Araguaia). É um oásis de jornalismo investigativo em meio à pasmaceira geral da mídia reprodutora de releases.
Câmara paga passagem de colaborador de Fernando SarneyPolícia Federal investiga um misterioso bilhete aéreo usado por ex-assessor do Senado para levar mala até São Paulo
Lúcio Lambranho
As investigações da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal (PF), chegaram a uma inesperada conexão no Congresso. Um ex-assessor do Senado vigiado pela PF levou uma mala de Brasília para São Paulo, no dia 19 de julho do ano passado, a pedido do empresário Fernando Sarney. A Câmara pagou a passagem, emitida nas cotas dos deputados Carlos Abicalil (PT-MS) e Valadares Filho (PSB-SE).
O homem seguido pela PF se chama Marco Antônio Bogéa. Além de colaborador de Fernando Sarney, Bogéa foi funcionário terceirizado na função de assistente de produção da TV Senado entre os dias 16 de junho de 2004 e 13 de junho de 2007. A descoberta da PF mostrou um pouco mais do complexo mundo do sistema de cotas das passagens aéreas disponível aos parlamentares. Os delegados responsáveis pelo caso acabaram revelando o uso indevido das cotas. (…)
24
Feb09
Recordações de Quarta-Feira de Cinzas
Já fui bastante ligado em Carnaval. Não em clubes ou em de escolas de samba, e sim na festa de rua. Tenho belas lembranças dos blocos de sujos de Recife e Olinda da minha infância. Meus pais eram carnavalescos ativos e aqueles dias eram de uma deliciosa alegria ingênua. Primeiro, o “esquenta” em casa, com amigos e agregados. Depois saíamos atrás da muvuca nos bairros e no centro histórico. À noite os adultos deixavam as crianças em casa e iam pros bailes a fantasia, então dessa parte não tenho o que contar. Uma brincadeira comum naquele tempo era jogar água nos motoristas que passavam, usando uma espécie de “seringa” feita com um cano de PVC, um cabo de vassoura como êmbolo e um pedaço de borracha (depois foi proibida porque começaram a usar água de sarjeta e mijo, o que às vezes resultava em facadas e tiros, mas isso foi bem depois). O ritmo das bandas de frevo percorrendo a pé as ladeiras de Olinda reverberava em cada célula do corpo. As fantasias impressionavam pela criatividade. Lembro que o número de brigas era mínimo, considerando a quantidade de gente circulando.
Depois, na adolescência, descobri outros carnavais e já preferia me divertir com os amigos. Em fevereiro de 1982, aos 16 anos, fui acampar com meu irmão André e os amigos Marcello, João Augusto e Atamir em Barra de Maxaranguape, uma vila de pescadores no litoral potiguar, a uma hora de Natal. O lugar tradicionalmente pacato virava uma ferveção, tinha até trio elétrico. Andávamos descalços nas ruas de areia branca da vila, tomávamos banho de mar e misturávamos bebidas, pulando de festa em festa, dia e noite. Pra dormir, nos dividíamos: uns numa barraca no acampamento que montamos na praia, outros dentro duma Variant velha e quem sobrasse deitava numa rede no chão fofo ou ia dançar mais um pouco. Ali pertinho, a foz de um rio ladeado de coqueiros. Todos éramos lisos e desajeitados nas artes da paquera, mas tínhamos fígados novinhos e tamanha fome de viver que aquela folia entrou pra nossa história. Rolou até um diário coletivo em que íamos registrando as loucuras e piadas. Até hoje sou amigo desses caras. A gente raramente se vê, mas quando se encontra, é quase como se aquele carnaval tivesse sido ontem.
Depois disso houve vários carnavais, nenhum tão lindo, mas tiveram seu valor (destaques pra Olinda, Floripa e Laguna, em que a alegria caótica das ruas me ajudou a lidar melhor com pequenas e grandes tristezas). Aí o tempo foi passando, vieram os filhos, a preguiça aumentou exponencialmente. O fato de viver no Sul, há mais de duas décadas longe das minhas raízes carnavalescas nordestinas, talvez tenha contribuído pra esse afastamento gradativo. Agora deixo a folia passar ao largo e aproveito pra descansar, pegar praia, botar as leituras em dia. Com uma pontinha de saudosismo pelos meus velhos carnavais, mas sem a ranzinice de achar que “antigamente era melhor”. Como diz mestre Paulinho da Viola, meu tempo é hoje. Sem esquecer que o tempo passado “foi um rio que passou em minha vida/e meu coração se deixou levar“.
18
Feb09
PMDB e lama

Genial a charge do Frank sobre a entrevista do senador peemedebista Jarbas Vasconcellos na Veja, associando seu partido a corrupção. Apesar de não ser novidade, tem o peso de vir de um conceituado membro do PMDB. Mesmo assim, foi olimpicamente ignorada pelos políticos.
p.s.: Mais sobre PMDB e lama no blog De Olho na Capital. O Cesar Valente tem pinçado cada coisa no Diário Oficial do Estado que vai dar trabalho danado ao Ministério Público.
12
Feb09
Pacata
O violonista americano Tony Clef interpreta o instrumentista, compositor e arranjador carioca Arthur Verocai.
04
Feb09
A despedida de Mino Carta
Mino Carta, um ícone do jornalismo brasileiro, em texto no qual faz um balanço ácido desses seis anos de governo Lula e anuncia que vai pendurar as chuteiras:
“A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. …A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos. E quanto ao poder político? O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal …
Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, exporta commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 5% ganham de 800 reais pra cima. E 2009 promete ser bem pior que pretendiam os economistas do governo …
…minha crença no jornalismo faliu.
… despeço-me deste blog e, por ora, de Cartacapital”.
Nos comentários há o coro dos que dizem “volta, Mino” e os que consideraram a atitude do jornalista “patética e melancólica”.
30
Jan09
Pílulas brasilienses
Na entrada do hotel onde tou hospedado tem uma Rural que pertenceu a JK. Conservadíssima, linda. Tenho vagas lembranças de infância de uma Rural na família, do pai ou de um tio.
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Hoje vi um cachorro preto passear de lancha e depois de jet-ski no lago Paranoá.
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Pitomba, nosso taxista cearense, contou que tem sucuri no lago. Gugleei “sucuri + paranoá” e encontrei uma matéria legal do Correio Braziliense, de 2003, sobre o que essas águas escondem.
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Semana passada o Botelho, catarinense radicado em Brasília, me contou uma história engraçada que presenciou em Salvador. Ontem ele botou no blog: Emplacamento baiano.
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Comida goiana é boa demais. Tem muita semelhança com a mineira. Mas não me arrisco no pequi, aquela armadilha espinhenta com jeitinho inocente.
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Lendo: Em águas profundas: criatividade e meditação, de David Lynch, o diretor de Veludo Azul e Mullholand Drive – Cidade dos Sonhos, dois dos filmes mais oníricos que já vi.
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O tuiteiro @tiagomx dá a dica: http://twtip.com, saite com dicas sobre Google, Photoshop, writing, life etc. In English.
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O designer João Zanatta dá esta outra: The 100 Most Popular Photoshop Tutorials 2008. Saiba como transformar uma mocréia numa sereia.
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Ei, Ana Paula, conheci uma cerveja nova hoje: Teresópolis, uma lager que vem numa garrafa gordinha. Boa. (curti o som da Amy Winehouse que você blogou; e fui atrás de outros).
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Contando as horas pra voltar pra Floripa.
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(pensando alto, depois de dois adiamentos: trilha da Lagoinha do Leste no carnaval?)
28
Jan09
UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon
Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte – nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.
p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.
25
Jan09









