Posts com a categoria ‘direitos’

20

Apr

08

Os paparazzi do espaço

Você gosta de pegar sol bem à vontade no quintal de casa? Alguém lá do alto pode estar bisbilhotando sua intimidade. Fotos captadas por satélite e exibidas pelo Google Earth mostram tudo, embora sem detalhes tão nítidos quanto o das revistas com fofocas de celebridades. Em Haia, na Holanda, onde o hábito de se bronzear em pêlo é bem difundido, fizeram até um ranking das dez melhores cenas. Esta imagem, também da Holanda, mostra duas pessoas nuas deitadas bem juntinhas num terraço. Ao que parece estão se divertindo bastante.

Matéria da Folha de SP diz que, segundo especialistas, o Google viola a privacidade das pessoas ao exibir esses flagras. Pode-se até entrar com ação na justiça exigindo a retirada das imagens. Ou pedir indenização por danos morais, com valores que ficariam entre R$ 70 mil e R$ 100 mil. Agora peço licença, vou ali no quintal ficar peladão e posar pros satélites (brincadeira; tá friozim e chove há horas aqui na Ilha :) )

p.s.: Curiosidade etimológica: a palavra paparazzo teve origem em 1960 com filme La Dolce Vita, de Federico Fellini (adoro). Um dos personagens, fotojornalista de celebridades, tinha esse nome. Consta que o termo quer dizer mosquito em um dialeto italiano. O diretor batizou o fotógrafo ao lembrar que, na infância, tinha um colega com esse apelido porque falava demais e se movia o tempo todo.

p.s. 2: Wim Wenders fez um filme interessante e perturbador – não lembro o nome agora, alguém ajuda? – que conta a história de uma arma terrível: um satélite que monitora as pessoas e pode matá-las disparando um tiro ou raio lá do espaço.

p.s.3: E por falar em Google Earth – um dos meus softwares favoritos -, saiu há poucos dias a versão 4.3. Agora, a exemplo do que já ocorria no Google Maps, dá pra ver imagens de vários centros urbanos no nível das ruas. O menu de navegação foi remodelado e eles adicionaram um recurso bem interessante que permite ver a iluminação do sol sobre o planeta em diferentes horários do dia.

Bookmark and Share


27

Mar

08

De supermercado, espionagem e menstruação

Uma edificante história real do primeiro mundo: a cadeia alemã de supermercados Lidl está sendo denunciada por sindicatos e entidades de defesa dos direitos humanos por violar a intimidade de seus empregados, conta The Guardian. Microcâmeras e espionagem de ligações de celular faziam parte dos “métodos Stasi” – como alguns críticos se referiram, lembrando a antiga polícia secreta da Alemanha Oriental.

O enxerimento corporativo chegou ao ponto de investigar a vida amorosa das pessoas e limitar a ida ao sanitário. Na filial checa da Lidl, as mulheres só podiam se aliviar durante o expediente se estivessem menstruadas – mas pra isso, deviam usar uma faixa na cabeça que as identificasse. Os relatórios dos detetives da empresa chegam ao detalhamento de indicar em que parte do corpo ficam as tatuagens e o perfil dos relacionamentos pessoais:

“Seus círculo de amigos consiste principalmente em viciados em drogas”.

“Frau M queria fazer uma ligação com seu celular às 14h05… Ela recebeu uma mensagem gravada de que tinha somente 85 centavos no seu aparelho pré-pago”.

A Lidl tem mais de 7.500 lojas em 24 países. A empresa negou conhecimento do que ocorria na filial checa, mas admitiu que o controle era feito na Alemanha, não para monitorar a equipe, mas para “estabelecer possível comportamento anormal”.

Obrigar os outros a prender xixi e cocô é um bizarro conceito de normalidade.

[tks Pieter]

Bookmark and Share


12

Mar

08

BrTurbo cobra indevidamente até dos mortos

Ricardo, leitor deste blog, lembra que a devolução em dobro de cobrança indevida está prevista no Código de Defesa do Consumidor. Tá aqui no artigo 42:

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

Engano justificável? No começo fiquei tentado a acreditar que podia ser isso. Depois que li a seção Caso Encerrado no blog do ombudsman do iG, Mario Vitor Santos, vi que a contumácia desse provedor de internet chega a absurdos como o que reproduzo abaixo: eles cobram indevidamente até de gente morta!

A dificuldade de cancelar o que não pedi

“Caro Sr., no mês de novembro, recebi uma ligação, atendida pela minha secretária Verônica que informava que meu e-mail do Brturbo havia mudado e que seria cadastrado um novo. Como não tenho nenhum vínculo com a empresa citada, desconsiderei a mensagem. No mês de dezembro, pela primeira vez, veio em minha fatura da Brasil Telecom, a cobrança de R$ 3,63 referente a Assinatura com a BRturbo, datada de 21/11/2007. O telefone está em nome de José Candelário Ferraz, meu sogro, falecido há 11 meses. Minha secretária telefonou na Brturbo em 21/12/2007, informando do equívoco. Foi-lhe solicitado o atestado de óbito do titular da linha (???). Eu estava em férias. Liguei na Brturbo, achando tal solicitação absurda, pois se a única pessoa que podia ter feito a solicitação está falecida, como foi solicitada a inclusão???? E mais, eu, como cliente-consumidora, tenho que provar que eu não solicitei o serviço??? Foi informado hoje que sim, eu necessito provar que o titular da linha é falecido para cancelar uma assinatura que jamais (grifo: jamais) foi solicitada. Detalhe: eu sou quem paga e administra a linha telefônica, e no mês de novembro, estava em viagem ao exterior. Assim como o atendente informou, o solicitante da assinatura foi o titular, e o titular está falecido, quem solicitou? Solicito o cancelamento da cobrança e estorno das próximas, se houverem [sic]. Aguardando o retorno prometido para 24/12 até hoje, atenciosamente,”
Clara Kaplan

O que foi feito:
“Conforme solicitado efetuamos em 11/1/08 o cancelamento da assinatura BRTURBO Lite Turbo em nome de José Candelario Ferraz. Enviamos email para cliente.”

Bookmark and Share


09

Mar

08

Cobrança indevida da BrTurbo (3)

A novela continua. Na conta de telefone que recebemos este mês aparece pela segunda vez a cobrança de 11 reais pela suposta assinatura dos serviços do provedor de internet BrTurbo. Nunca assinamos este serviço – e recomendo enfaticamente que você também não o faça. Apesar da minha reclamação formal protocolada na Brasil Telecom e da minha carta ao ombudsman do iG no final de fevereiro, nada foi resolvido. Agora já são 22 reais garfados do meu bolso. Que, conforme as normas da Anatel, terão que ser devolvidos em dobro.

Bookmark and Share


01

Mar

08

A fantástica história do índio do buraco

A edição de 13 de janeiro da Washington Post Magazine traz uma grande reportagem do jornalista Monte Reel sobre os índios isolados no Brasil. Em especial, conta sobre o último remanescente de uma etnia desconhecida: um índio nômade que vive numa área de selva rodeada de fazendas, no sul de Rondônia. Não é novidade, sabe-se disso há mais de dez anos, mas a cada vez que leio, me encanto com a síntese que esse caso representa de tantas outras histórias envolvendo os primeiros donos da terra Brasil. Seus ingredientes incluem desmatamento, violência, grilagem de terra, corrupção, pressões políticas. Há também aventura, trabalho duro e paciente, reviravoltas, investigação, ciência e tecnologia – imagens de satélite, por exemplo, foram algumas das evidências utilizadas para identificar clareiras feitas pelo índio.

O índio solitário constrói cabanas improvisadas de palha e cava um buraco dentro delas pra se abrigar. Está em permanente fuga e evita o convívio humano, talvez por um forte motivo: há evidências de que seus parentes foram mortos por jagunços. Arredio e hostil, já atacou a flechadas os que chegaram muito perto. Entre seus pertences foi achado um pequeno arco que provavelmente pertenceu a uma criança.

Há dez anos, em janeiro de 1998, tive o privilégio de ouvir o início da saga do “índio do buraco” narrada por um dos principais personagens, o sertanista Marcelo dos Santos. Laura e eu passamos uma tarde conversando com ele na sua casa em Vilhena, Rondônia. Apaixonado pelo modo de vida dos indígenas, conviveu com os Nhambiquara, Mamaindê e Negarotê durante a expansão da fronteira agrícola para o Norte na década de 70. Na época em que o encontramos, Marcelo era chefe do Departamento de Índios Isolados da Funai no estado. Seu cotidiano era enfrentar dias de caminhada na selva, na tentativa de minimizar os danos do eventual contato dos nativos isolados com madeireiros e fazendeiros.

Marcelo foi um dos reponsáveis por contactar pela primeira vez os Kanoê, com somente cinco sobreviventes, e os Akuntsu, com seis. No mato ou nos gabinetes, não tinha papas na língua pra cumprir a missão. Era inevitável que entrasse em rota de colisão com corruptos do serviço público, fazendeiros gananciosos e políticos escroques. Mas voltando àquela tarde em Vilhena. Ele nos contou que fazendeiros locais tinham todo o interesse em fazer o “índio do buraco” desaparecer para evitar que a área fosse protegida como terra indígena. Por isso era imporrante documentar a existência do homem, respeitando o seu direito de permanecer isolado.

As únicas imagens disponíveis do “índio do buraco” foram obtidas depois de um susto: Marcelo e um amigo francês, o cinegrafista Vincent Carelli, se aproximaram de uma cabana onde havia sinal de vida e ficaram algumas horas tentando contato. De repente, Vincent se aproximou demais e o homem lá de dentro disparou uma flecha que passou bem perto do cinegrafista. Decidiram se afastar, mas antes amarraram a câmera ligada a um galho de árvore. Alguns minutos depois, aparecia o índio: nu, cerca de trinta anos, moreno, de bigode, segurando um arco. Desconfiado, saiu da cabana com cautela e desapareceu no mato. Com base nas imagens de vídeo e em indícios antropológicos – entre eles o de que houve um massacre de outros índios que também tinham o costume de fazer buracos no chão -, Marcelo conseguiu que a Justiça Federal concedesse liminar interditando uma área de floresta.

Seu empenho lhe rendeu inimigos poderosos. Foi considerado persona non-grata pela Assembléia Legislativa de Rondônia – para a maioria dos parlamentares, a atuação do sertanista atrapalhava o progresso. As pressões políticas o fizeram deixar o estado e sair da Funai. Mas veja as voltas que o mundo dá: em abril de 1999 ele foi condecorado pelo governo federal com a Ordem de Rio Branco, uma das mais importantes honrarias do país. Atualmente de volta à Funai, Marcelo é responsável pela Coordenação Geral de Índios Isolados – existem 46 informações sobre a possível existência desses índios, a maioria na Amazônia Legal. Graças às evidências que sua equipe recolheu em uma década, no ano passado o governo brasileiro finalmente declarou uma área de floresta mais de 20 mil acres como território protegido para o índio solitário.

Em janeiro de 2007, conta a matéria da Washington Post Magazine, uma expedição liderada pelo sertanista Altair Algayer, parceiro de longa data de Marcelo, se embrenhou na mata e encontrou sinais de que o índio continua vivo: restos de coleta de mel e uma cabana recém-construída. Desfecho feliz, por enquanto, para um símbolo de resistência.

Bookmark and Share


01

Mar

08

Cobrança indevida da BrTurbo (2)

Lillys, Aloisio, Izabel, Daniele e amigos que comentaram seus problemas com a cobrança da BrTurbo, obrigado pelas dicas. Relatei o caso ao ombudsman do iG, Mario Vitor Santos e expliquei que não sou o único. Também citei o telemarketing abusivo. Falha de gestão ou má fé? Prefiro acreditar na primeira hipótese. Há muito dinheiro em jogo no negócio da telefonia pra que empresas desse porte se dêem ao luxo de arriscar a credibilidade a troco de merreca. Aguardemos os próximos capítulos.

Bookmark and Share


29

Feb

08

Cobrança indevida da BrTurbo

Há três dias escrevi sobre o incômodo que têm sido os telefonemas do telemarketing da BrTurbo. E sobre a minha surpresa quando o rapaz disse que “no sistema” constava meu nome como cliente. Ontem fui surpreendido de novo: há uma cobrança indevida de 11 reais na nossa conta telefônica, por uma suposta assinatura dos serviços desse provedor de internet no dia primeiro de janeiro. Quase colou, pois não percebi, mas a Laura descobriu. Como a conta está em débito automático, o valor já foi embolsado pela empresa.

Liguei pra Brasil Telecom – de quem somos assinantes de telefonia fixa e nos envia as faturas de várias operadoras numa única conta – pra formalizar a reclamação (protocolo 88736308). Disseram que a BrTurbo tem prazo até 6 de março pra me informar sobre a resolução do problema. Aguardo meus 22 reais, já que, conforme as regras da Anatel para telefonia fixa, os valores pagos indevidamente têm que ser devolvidos em dobro (as novas regras da Anatel para a telefonia celular também prevêem essa devolução em dobro).

Muito barulho por mixaria? Imagine quantas vezes esse tipo de ação passa despercebido. Lição da hora: desconfie do sistema.

p.s.: Leia aqui os direitos do usuário de celular (arquivo pdf).

p.s.2: Bem que podiam ter me cobrado indevidamente uns 10 mil dinheiros. :)

p.s.3: O telemarketing da Vivo me ligou três vezes nos últimos dois dias. Eles devem usar um sensor de inconveniência: me pegaram numa consulta médica, dirigindo e jantando com a família e amigos.

p.s.4: Quando é que vão implantar no Brasil um sistema anti-chatos do telemarketing como esse que a Megui conta dos Estados Unidos?

Bookmark and Share


18

Jan

08

Uma introdução à mídia cidadã

An Introduction to Citizen Media é o primeiro guia de uma série produzida pela Rising Voices, iniciativa da organização Global Voices para disseminar os fundamentos das tecnologias de comunicação entre ativistas de mídia. Traz informações básicas e estudos de caso que mostram como as pessoas estão usando cada vez mais os blogs, podcasts, vídeo online e fotografia digital pra se engajar em conversações não mediadas que vão além das fronteiras, culturas e barreiras de idiomas. Já existe muito material sobre isso na internet, mas quase sempre sobre Estados Unidos e Europa. O diferencial dessa série é o foco em iniciativas inovadoras que estão surgindo em outros cantos do mundo. Ao longo de 2008, outros fascículos vão abordar temas específicos. Este primeiro guia tem versões em inglês, espanhol e bengali [pdf]. Também vai ser editado em swahili, malagasi e aymara.

Bookmark and Share


05

Dec

07

Três chargistas censurados e demitidos no RS


A charge acima, feita esta semana por Santiago, foi censurada pela direção do Jornal do Commércio, de Porto Alegre, que em seguida demitiu o chargista e outros dois com quem alternava o espaço: Kayser – que também teve um trabalho censurado – e Moa. No caso de Santiago, a justificativa foi dada por telefone. “Você não pode fazer um desenho sobre o lucro, porque nós não somos contra o lucro”. O artista comenta: “O jornal é quase um órgão oficial da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul”. Mais informações no blog dos quadrinhos.

Bookmark and Share


25

Nov

07

Ano de mudanças

Informo aos parceiros e clientes que desde 1º de novembro não faço mais parte da equipe do Instituto Observatório Social. É uma “separação amigável”, em que tomei a iniciativa de sair da minha zona de conforto pra enxergar outros horizontes. Foram cinco anos e um mês de aprendizado intenso sobre os direitos fundamentais dos trabalhadores e sobre como funcionam as multinacionais. Por meio do IOS fiz grandes amigos e conheci ativistas extraordinários em direitos humanos. Também vivi situações especiais que me ajudaram a compreender melhor o Brasil.

Como vou esquecer daquela noite de lua e fogueiras numa comunidade quilombola em Alcântara, Maranhão, onde o ritmo ancestral do tambor de crioula me hipnotizou? Das complexas negociações de acordos coletivos com empresas multinacionais? Da comunidade do conjunto Palmeira, em Fortaleza, usando o dinheiro “palma” em um projeto inovador de economia solidária? Das conversas com plantadores de café no Espírito Santo, com cortadores de cana no interior de São Paulo, com crianças em uma escola de circo na periferia de Recife?

Em duas décadas na profissão, o IOS foi o lugar onde mais tive liberdade de exercer o jornalismo com plenitude (eu ia escrever “jornalismo investigativo”, mas é quase uma redundância). E o melhor, com uma equipe azeitada e bem-humorada – as gargalhadas eram nosso antídoto contra o estresse. Os frutos vieram: em apenas 11 números de existência, a revista do IOS foi reconhecida com um prêmio Esso e duas menções honrosas no prêmio Herzog de direitos humanos. É possível, sim, fazer bom jornalismo com pouca grana e fora da grande mídia.

Quando eu disse tchau pros colegas, comparei minha saída com o momento em que se deixa a casa da família. Por um lado fica aquele aperto no coração, a saudade e lembranças do bem vivido. Por outro, entro num estado de excitação criativa pelo que vem. Vou continuar prestando consultoria e serviços eventuais ao IOS. Mas também é hora de meter a mão em outras mídias, xeretar novos ambientes e temas, cavoucar na terra preta do quintal, pegar a estrada. Obrigado, amigos e amigas, pela convivência.

Bookmark and Share