25
Nov07
Pesquisa e Ação Sindical
De terça 27 a quinta 29 realiza-se em São Paulo a 7ª Conferência Internacional Pesquisa e Ação Sindical. Este ano o tema é “Perspectivas do mundo do trabalho e os 10 anos do Observatório Social”. Constam da programação as seguintes mesas de debate:
- Os direitos fundamentais do trabalho: 10 anos de Ação e Pesquisa – 10 anos do Observatório Social
- Multinacionais e Meio Ambiente;
- Ascensão da China e os impactos sobre a América Latina: uma perspectiva dos movimentos sociais;
- A cadeia produtiva do alumínio no Norte do Brasil;
- Responsabilidade Social Empresarial na cadeia produtiva do alumínio;
- Trabalho decente em tempos de globalização: Antigas questões, novas respostas;
- Ainda existe trabalho escravo no Brasil? Por quê?
23
Nov07
Cheiros e cores do Caribe
A jornalista Ana Cláudia Menezes, ex-colega de faculdade na UFSC, está morando na Costa Rica, onde faz mestrado na Universidad para a Paz, um projeto autônomo criado em 1980 pela Assembléia Geral das Nações Unidas. As pesquisas de Ana estão relacionadas a migrações e refugiados, o que tem levado ao contato com muita gente e histórias interessantes. No blog Estrangeira, escrito em inglês, ela conta um pouco das suas impressões sobre o cotidiano. Este post é de 31 de outubro:
There are also the smells and colors of the Caribean. Oh, yes, they are different. The colors, for example, I would compare with “chitão”, a hard fabric from Brazil that mix strong colors such as blue, yellow, green, and red. It is almost composed of flowers, huge flowers. So, that is the Caribean. Chitão, considered a popular fabric, worn by countryside ladies, became now fashionable and it is a must in the wardrobe of famous clothing designers and home decorators. The smell comes from the sea and from the pots in the kitchens, cooking fish with coconut milk, the traditional Caribean sauce.
p.s.: Daqui a pouco a Ana Cláudia vai encontrar a Silvia e o Eumano, que estão mochilando pela América Latina há vários meses. Mundo pequeno!
31
Oct07
Mestre Arildo e um discurso sobre a abolição
Diógenes Botelho, colega jornalista que trabalha no Congresso, dá mais uma palhinha sobre o cotidiano na “casa do povo”:
Arildo Dória, o jovem sábio de 73 anos que trabalha ao meu lado, acabou de receber a encomenda de um discurso sobre os 120 anos da abolição da escravatura. Quem requisitou, pediu especial destaque e elogios à “visionária” Princesa Isabel e às leis do ventre livre e do sexagenário.Ele começou o discurso assim:
Senhoras e senhores deputados,
Há 120 anos, a escravidão foi abolida no Brasil. Antes, criaram a lei do sexagenário, que dava liberdade para o negro com mais de 60 anos quando a expectativa de vida no país era de 47. Depois criaram a lei do ventre livre como s,e ao nascer, a criança fosse jogada pela janela como filho de pato, que já nasce nadando…Que pena que na minha época de escola não havia um professor como Arildo.
26
Oct07
A entrega do Prêmio Herzog
Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:
Três momentos de uma quinta feira chuvosa:. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.
Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.
Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.
- Não precisei falar nada – proferiu.
Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.
. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.
. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.
Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.
19
Oct07
Menção honrosa no Prêmio Herzog
A notícia me pegou ontem tão de surpresa que fiquei sem saber o que dizer além de eebaa!!!!!! Uma reportagem que publiquei em outubro de 2006 na revista do Observatório Social ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro. É o terceiro reconhecimento público de destaque que nossa revista ganha em apenas 12 edições de existência: em 2003 levamos um Esso na categoria meio ambiente e em 2006, coincidentemente, também menção honrosa no Herzog.
A reportagem é sobre mutilações de trabalhadores na indústria moveleira de Santa Catarina. Fico feliz com a premiação porque ela dá visibilidade ao descaso de muitas empresas com as condições de saúde e segurança dos empregados. Se a repercussão desse prêmio ajudar a salvar dedos em fábricas Brasil afora, missão cumprida.
Procurei enfatizar que a responsabilidade pelos acidentes não é só das empresas, embora elas tenham, sim, culpa no cartório – omissão também mutila e mata. Uma mudança real nessa tragédia brasileira passa pela educação. Pelo amor ao próprio corpo e à mente. Quem trabalha não pode deixar sua saúde e segurança nas mãos dos outros. Isso vale pras atividades consideradas “perigosas” e também pras que parecem até inofensivas – há quanto tempo não limpam o ar-condicionado de sua sala e ninguém reclama?
Esse princípio da Não-Delegação foi sintetizado nos anos 60 pelo movimento sindical italiano e incorporado pelo movimento sindical cutista: o convencimento de que os trabalhadores não podem mais entregar a ninguém o controle sobre as suas condições de trabalho. Outro princípio herdado dos italianos é o da Validação Consensual: o julgamento sobre o nível de bem-estar ou de intolerabilidade de determinada situação de trabalho deve ser expresso pelos trabalhadores. Sei que estamos a anos-luz de uma epifania desse nível no Brasil, mas existem avanços.
Com o perdão pelo clichê – verdade pura -, jornalismo é trabalho de equipe. Compartilho essa menção honrosa com algumas pessoas em especial:
minha família, pela paciência em enfrentar o transtorno que as viagens de trabalho provocam no cotidiano de casa; Maria José H. Coelho, “mãe” da revista; Sandra Werle, a “madrinha”, que a diagramou por tantos anos; Zé Álvaro Cardoso, do Dieese/SC, que fez a ponte com o sindicato; Marques Casara, parceirão, um dos melhores repórteres que conheço; Sérgio Vignes, repórter fotográfico que me acompanha há tempo em aventuras e roubadas; Frank Maia, autor da arte e infografias desta e outras reportagens; Jeanine Will, suporte logístico nota dez; Kjeld Jakobsen, apoio fundamental ao jornalismo investigativo na organização; todos os demais colegas e ex-colegas do Observatório Social, que este mês apaga dez velinhas de aniversário; e aos trabalhadores e trabalhadoras de São Bento do Sul.
18
Oct07
Leite amigo do trabalhador
O leite Batavo em caixinha está circulando com esta frase:
“Denuncie trabalho em condições análogas à de escravo ao Ministério Público do Trabalho – endereço na internet e telefone”.
04
Oct07
03
Oct07
Escravocratas financiam políticos (2)
Na suíte da reportagem publicada ontem no Congresso em Foco, Lúcio Lambranho entrevista Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista social que coordena a ong Repórter Brasil, focada no combate ao trabalho escravo. Sakamoto comenta a recente polêmica dos senadores que estão pressionando o grupo móvel de fiscalização do governo. Fala também da PEC 438 (Proposta de Emenda Constitucional) que prevê desapropriação de terras dos escravagistas, há 12 anos (!) em tramitação no Senado. Vale conferir.
02
Oct07
Escravocratas financiam políticos
Meu amigo Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco, é co-autor de uma boa reportagem investigativa, dessas que me dão esperança de que o jornalismo não vai só pela lógica “detergente”. A matéria surge num momento bastante oportuno, em que senadores fazem pressão para desmoralizar o Grupo Móvel de fiscalização do governo federal, que liberta trabalhadores.
Política financiada pela lista sujaEmpresas autuadas por explorar trabalhadores em condição análoga à de escravo doaram R$ 897 mil para 25 candidatos em 2006
Lúcio Lambranho e Edson Sardinha – Congresso em Foco
Empresas autuadas por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo doaram R$ 897 mil para a campanha eleitoral de 25 candidatos em 2006. Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que dois governadores, três senadores, nove deputados federais e cinco estaduais receberam dinheiro de empresas incluídas na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). (…)
30
Sep07
Remixtures
Uma descoberta bacana em minhas webdivagações. Vou deixar ele mesmo se apresentar. Salvo engano, o gajo é português.
Remixtures.com é um blog assinado por Miguel Caetano sobre a cultura da remistura. Com este espaço, pretendemos criar um posto avançado de observação e reflexão sobre o que de mais recente e interessante ocorre no domínio da cultura livre emergente – netlabels, net-art, P2P, copyleft, Creative Commons, Mash-Ups, remixes – e dos entraves que se colocam ao seu pleno desenvolvimento, no sentido da partilha e reapropriação generalizada do conhecimento. Porque todo o criador não é senão um (re)apropriador das criações de muitos outros.
A cultura da remistura tem as suas raízes numa ecologia musical com vastas ramificações. Só para nos ficarmos pelo último século, podemos apontar uma genealogia que vai desde os blues que emanavam das plantações de algodão ao longo do Delta do Rio Mississippi passando pelos primeiros samples electrónicos da música concreta de Pierre Henry e Pierre Schaeffer no final dos anos 40 e início de 50 ou pelo Hip-Hop que brotou das ruas de Nova Iorque e o Dub dos raggamuffins e sistemas de som da Jamaica, chegando ao techno e house de Detroit e Chicago e culminando nos Mash-Ups da geração MySpace e YouTube.
Estas evoluções culturais colocaram em causa, cada uma à sua maneira, o sistema vigente da propriedade intelectual, em especial, os direitos de autor. (…)








