25
Jun11
Quando se vê, já são seis horas…
Um poema de Quintana, publicado no Diário Catarinense em crônica de Mário Pereira – tive o prazer de conhecê-lo há poucas semanas – e enviado pelo Fernando Evangelista.
“A vida são uns deveres que trouxemos para fazer em casa./ Quando se vê, já são seis horas…/ Quando se vê, já é sexta-feira…/ Quando se vê, já é Natal…/ Quando se vê, já terminou o ano…/ Quando se vê, não sabemos mais por onde andam nossos amigos…/ Quando se vê, perdemos o amor de nossa vida…/ Quando se vê, passaram-se cinquenta anos./ Agora é tarde demais para ser reprovado./ Se me fosse dada, um dia, uma oportunidade, eu nem olhava o relógio./ Seguiria sempre em frente, e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas./ Seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde estão, e diria;/ Vocês são extremamente importantes para mim.”
Mário Quintana
24
Jun11
Camarão com gengibre ao vinho e limão
Hoje no almoço o Bruno fez o melhor elogio que já recebi na cozinha:
- Quero provar todas as comidas do mundo e ver qual é a melhor. Por enquanto é esse camarão.
A receita (pra três porções razoáveis ou duas generosas): descascar meio quilo de camarão grado. Espremer um limão rosa num copo e misturar com uma talagada de vinho tinto, gengibre picado em pedacinhos, pimenta do reino, um pouco de molho shoyu e sal (sem exagero, pois o shoyu já é salgado). Despejar o conteúdo do copo na vasilha do camarão e deixar marinando, enquanto prepara arroz (fiz branco, mas prefiro integral), descongela o feijão, frita alho pra temperar os dois e adianta a louça suja na pia. Numa panela com pouca água e uma pitada de sal, cozinhar cenoura e batatinhas, o suficiente pra ficarem al dente (cozinhar no vapor é ainda melhor). Numa outra panela, esquentar azeite de oliva e fritar a cebola até deixar dourada. Adicionar a cenoura e as batatinhas. Escorrer o molho do camarão numa vasilha à parte e reservar. Fritar o camarão no azeite por uns três minutos. Em seguida, adicionar o molho e deixar refogar mais uns dois ou três minutos. Voilà.
24
Jun11
CurtaDoc ganha portal na internet
Mais uma novidade deste movimentado período de ebulição cinematográfica em Floripa. Nesta sexta, 24 de junho, a Contraponto se prepara pra lançar o novo portal do CurtaDoc no FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul. O site vai ser o primeiro acervo brasileiro de curta-metragem focado no gênero documentário.
O CurtaDoc é também um programa de televisão, exibido desde 2009 pelo SESCTV. No ar toda terça-feira às 21h, com reprises na semana, vai na segunda temporada com mais 50 programas. Bela iniciativa dos amigos Kátia Klock, Maurício Venturi, Lícia Brancher e equipe.
23
Jun11
Mostra de Cinema Infantil, ano 10
Hoje às 19h, no Teatro Álvaro de Carvalho, vai ser aberta a 10a. edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um evento do qual sou fã incondicional e tenho o maior orgulho de já ter participado na divulgação. Na programação, a primeira exibição pública de Tainá 3 – ainda não completamente finalizado -, uma homenagem a Ziraldo e dezenas de produções. Uma parceria com cineclubes e pontos de cultura vai possibilitar ampla difusão dos produtos audiovisuais brasileiros pra crianças. A Mostra comemora dez anos com o lançamento de um canal na internet pra download gratuito de filmes para a infância, Filmes que Voam.
Entrevista da diretora da Mostra, Luiza Lins, ao canal Futura:
23
Jun11
Revelando os Brasis
De 24/6 a 1/7, realiza-se a 15a. edição do Florianópolis Audiovisual Mercosul, um espaço privilegiado pra quem curte cinema e quer conhecer o que está sendo produzido no Brasil e países hermanos. Um dos pontos interessantes da programação é Revelando os Brasis, que vai ser apresentado no dia 27. O projeto, que já está no quarto ano, promove a formação e inclusão de audiovisuais produzidos por moradores de municípios com até 20 mil habitantes. Olha só que bacana:
Os autores das 40 histórias selecionadas participam de oficinas preparatórias de Roteiro, Direção, Produção, Fotografia, Som, Edição, Direção de Arte, Direitos Autorais, Mobilização e Comunicação Colaborativa com o objetivo de transformar suas histórias em vídeos digitais com duração de até 15 minutos.
Depois, eles retornam às cidades para colocar em prática o que aprenderam, a fim de realizar o filme. Lá, membros da comunidade assumem funções dentro da equipe de produção, contribuindo para execução da obra. Após a edição e a finalização, as obras integram um circuito de exibição aberto e gratuito pelos municípios participantes e pelas capitais dos estados integrantes da edição.
O circuito nacional do Revelandos teve início na semana passada, na cidade de Itambé, no Paraná, passou por três cidades paranaenses e agora está em Santa Catarina. Este ano a edição é composta por 22 documentários e 18 ficções. Desses, três produções são catarinenses: Tamanca de Madeira, de Irineópolis, Doce Amargo, de Dionísio Cerqueira e Vida em Trocos, de Treze Tílias.
22
Jun11
Queria escrever
Recebi e-mail do Fernando Evangelista e compartilho com a satisfação de ler um bom texto de Vanessa Barbara:
O Instituto Moreira Salles acaba de lançar uma nova edição dos seus Cadernos de Literatura Brasileira. O número 26 da série, iniciada em 1996, é dedicado a Rubem Braga, o maior criador da moderna crônica brasileira. Em meio às homenagens prestadas pelo IMS ao cronista, o blog do ims convidou os escritores Vanessa Barbara, Antonio Prata, Chico Mattoso e Cecília Giannetti para criar um texto à maneira de Rubem Braga. Abaixo, segue a colaboração de Vanessa Barbara.
Queria escreverQueria escrever um texto bonito, algo que a moça das verduras pudesse levar consigo no ônibus após um dia sem couves, e que ela fosse reler de mansinho e recortar para as amigas. Um texto sereno, bonito pra burro, que fizesse marejar os olhos de um velho coronel, por um momento arrependido de nunca ter sido jovem e nem trapezista – e de ter dispensado sua primeira namorada, só porque era hippie e não tinha todos os dentes.
Que seja tão inesperado e forte quanto um soluço, que faça despertar as tartarugas e sorrir os banguelas. Que o porteiro, quando ler, pense no seu jardim esquecido, em seus netos adultos e em uma vida só de reprises do Pica-Pau.
Um texto bonito para um determinado pombo, que, atrapalhado, se enroscou num fio de eletricidade e não saiu mais de lá. Isso foi num cruzamento de avenida; o pombo fez que ia conseguir escapar e não escapou, atraindo em minutos uma turba de curiosos, guardas de trânsito, senhoras palpiteiras, vendedores de mata-moscas. Quando fecharam o trânsito para socorrer a ave, um jovem policial militar ergueu a escada do caminhão de bombeiros, repassou o plano e foi cumprir o seu dever cívico; uma senhora ao meu lado exclamou, plena de gravidade histórica: “Olha só, fiquei toda arrepiada”.
Um texto para esse pombo, resgatado do fio de luz sob os aplausos do povo, ainda trêmulo e um pouco tímido, um pombo que possivelmente não terá maior momento de glória nessa sua vida emplumada. Um texto para os que estavam assistindo a tudo e entenderam, na hora, que havia quem passasse a vida inteira em busca de um momento como este, em que um pombo nervoso sai carregado pelos braços do povo, tendo mobilizado dois batalhões da PM e um destacamento especial do Corpo de Bombeiros. E havia gente nos beirais das lojas e nos meios-fios, e os funcionários do metrô dando uma pausa no trabalho, e alguém rezando em voz baixa.
Um texto bonito para a minha rua, para os meus amigos, para o cobrador do 1744 e para todos aqueles que dormem cedo demais. Algo bem tolo, desnecessário, que lembre poemas rimados, que agrade o vizinho cansado, o professor de astronomia, as verdureiras, os militares e os pombos que se enroscam em fios de luz.
Um texto bonito, mas tão bonito que você não possa deixar de lê-lo, ainda que, numa noite fria, ele precise se revelar misticamente numa sopa de letrinhas, todo arranjado em estrofes e ervilhas de pontuação, e você pense nele como pensa em gorrinhos. Um texto tão bonito que o faça botar uma roupa estranha, vestir o chapéu e se sentir instantaneamente aquecido, saindo à rua com a determinação trêmula de um pombo.
Um texto tão bonito que o faça voltar pra casa, meu amor, sob o triste cochilo da lua.
* Vanessa Barbara nasceu em 1982, em São Paulo. É jornalista, tradutora e editora do blog A Hortaliça. É autora deO livro amarelo do terminal (Prêmio Jabuti 2009 na categoria Reportagem), O verão do Chibo, em parceria com Emilio Fraia.
21
Jun11
André Soares sobre merda
Mais uma ótima palestra do TEDxAmazônia 2010 (recebi do Luhk Zeller): André Soares fala sobre a dificuldade da nossa sociedade para lidar com o medo da merda e nos desafia a enfrentar esse medo. Diz o texto de apresentação do vídeo:
André Soares, quando novo, viajou por 50 países sem nenhum dinheiro no bolso. A peregrinação levou-a à Austrália, onde conheceu o conceito de “permacultura”, a cultura da permanência. Depois de morar numa favela de Brasília, comprou um terreno degradado em Pirenópolis, Goiás, e transformou-o num centro de pesquisas para encontrar um novo jeito de viver no mundo.
20
Jun11
Um rio em cima de nós
Nesta palestra realizada em novembro de 2010 durante o TEDxAmazônia, o cientista Antonio Donato Nobre mostra como descobertas recentes comprovam que a Amazônia é fundamental para o equilíbrio do planeta. E que é um universo maravilhoso sobre o qual a ciência ainda conhece muito pouco. Uma grande aula (via Luhk Zeller).
20
Jun11
Uma empresa nada sadia pra trabalhar
Leio no Globo deste sábado sobre a incerteza da anunciada fusão entre as duas maiores produtoras nacionais de aves e suínos, Perdigão e Sadia. A criação do novo gigante da agroindústria, BRF – Brasil Foods, depende de uma decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Outras empresas do setor temem concorrência predatória. Até aí, notícia trivial de economia e negócios.
Mas o que chama a atenção na matéria são estes números: segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Derivados de Chapecó (SC), mutilações e doenças causadas pelo frenético ritmo de produção levaram ao afastamento de 2.158 trabalhadores dos 6.900 da fábrica da Sadia nessa cidade nos últimos três anos. As péssimas condições levaram até o Ministério Público do Trabalho a intervir.
“A empresa, para manter a produção, tem buscado mão de obra em cidades distantes até 200 quilômetros da fábrica”, diz O Globo. “Ela vem recrutando até índios na região”. Trocando em miúdos de frango, a Sadia é um moedor de carne humana, e nada garante que a BRF vai se tornar boazinha do dia pra noite. Como diria o espírito de porco, tem gente fazendo festa às custas do nosso lombo.
20
Jun11
O aço da devastação: entrevista à CBN
Hoje cedo o jornalista Marques Casara deu entrevista a Milton Young, da rádio CBN, sobre a pesquisa O Aço da Devastação, coordenada por ele e realizada pelo Instituto Observatório Social. A pesquisa, que vai ser lançada no dia 22, mostra que siderúrgicas do Pará usam carvão produzido com desmatamento ilegal e trabalho escravo.
O carvão, utilizado para fabricar aços especiais, é “esquentado” em esquemas fraudulentos que envolvem grandes empresas e a estrutura da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. E não é de hoje. Essa fraude dura anos e é “apartidária”, diz Casara: “No governo do PT, ela cresceu muito no governo da Ana Júlia. E permanece no governo do PSDB. Ela transcende agremiações políticas. Ela sobrevive a partidos, a governos, a gestões”.
O colega jornalista faz importante menção ao papel que a Vale deverá adotar diante da denúncia. Como principal fornecedora de minério de ferro às siderúrgicas, a empresa tem a possibilidade real de contribuir com o enfrentamento do trabalho escravo e do desmatamento da Amazônia. Pode também fechar os olhos ao problema, o que seria lamentável, e nesse caso o Brasil vai continuar exportando aço contaminado por violações aos direitos humanos e agressões ambientais. Caso típico em que o termo “responsabilidade social” precisa ultrapassar a retórica vazia com que é tratado por muitas corporações.
Esse levantamento vem sendo realizado desde 2004, com a reportagem Escravos do Aço, que tive a satisfação de realizar junto com ele e o repórter fotográfico Sérgio Vignes. Pressionadas pela repercussão, um mês depois de publicada a reportagem as principais siderúrgicas brasileiras firmaram uma carta-compromisso pelo fim do trabalho escravo. Houve avanços nesses anos, mas a tecnologia de fraudes também evoluiu e o problema retorna novamente, na forma de empresas legalizadas que servem de fachada para as mutretas.
Clique aqui para ouvir a entrevista







