Posts de 2011

19

Jun

11

Sábias palavras, Galeano

Depoimento do escritor Eduardo Galeano durante as manifestações de jovens na praça Catalunya, em Barcelona.

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18

Jun

11

Sittin’ On The Dock Of The Bay

Peguei no blog da Ana Tuyama este vídeo com a linda música de Otis Redding, interpretada por artistas de rua em vários países. Ele faz parte do projeto Playing for Change, que começou há dez anos numa estação de metrô, com dois monges cantando e tocando violão. A ideia é mudar o mundo pra melhor e promover a paz através da música, conta o fundador da PFC, Mark Johnson, nesta entrevista à CNN. Outra canção fantástica gravada pelo projeto é Stand by Me, de Lennon. Alguns músicos estão em ambas. Nesta mais recente, o Brasil é representado por artistas de Salvador e do Rio de Janeiro.

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16

Jun

11

Comercial da Volkswagen em 1969

Recebi por e-mail e passo adiante. O anúncio machista parece anacrônico hoje, mas uma olhadinha nas revistas e na tevê mostra que a publicidade não evoluiu tanto nessas quatro décadas.

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16

Jun

11

OIT aprova convenção sobre trabalhadores domésticos

Recebi uma boa notícia da OIT e compartilho o release.

Conferência da OIT adota normas laborais para proteger entre 53 milhões e 100 milhões de trabalhadores domésticos no mundo

GENEBRA (Notícias da OIT) – Delegados de governos, empregadores e trabalhadores que participam da 100ª Conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotaram hoje (16/06), pela primeira vez na história, normas laborais internacionais destinadas a melhorar as condições de vida de dezenas de milhões de trabalhadoras e trabalhadores domésticos no mundo.

Pela primeira vez, nós temos o sistema de normas da OIT na economia informal e este é um acontecimento de grande importância”, disse o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia. “Fez-se história”, acrescentou.

Os delegados adotaram a Convenção sobre os trabalhadores domésticos por 396 votos a favor, 16 votos contra e 63 abstenções, e sua Recomendação de acompanhamento por 434 votos a favor, 8 contra e 42 abstenções.

As novas normas se converterão na Convenção 189 e Recomendação 201 da Organização desde que ela foi fundada em 1919. A Convenção é um tratado internacional vinculante para os Estados-Membros para que a ratifiquem, enquanto a Recomendação dá orientações mais detalhadas sobre como a Convenção pode ser implementada.
A OIT é a única organização tripartite das Nações Unidas e cada um dos seus 183 Estados-membros está representado por dois delegados do governo, um dos empregadores e um dos trabalhadores, que podem votar de forma independente.

As novas normas da OIT prevêem que os milhões de trabalhadores domésticos no mundo, que lidam com as famílias e os lares, podem ter os mesmos direitos básicos que os outros trabalhadores, incluindo os horários de trabalho, o descanso semanal de pelo menos 24 horas consecutivas, um limite para pagamentos em espécie, de informações claras sobre os termos e condições de emprego, bem como o respeito pelos princípios e direitos fundamentais no trabalho, incluindo a liberdade de associação e negociação coletiva .

De acordo com estimativas recentes da OIT com base em estudos ou pesquisas nacionais de 117 países, o número de trabalhadores domésticos no mundo é de pelo menos 53 milhões de pessoas. Mas os especialistas acreditam que, porque esse trabalho é feito de forma oculta e sem registros, o total pode ser de 100 milhões de pessoas. Nos países em desenvolvimento representam percentual entre 4% e 12% do trabalho assalariado. Cerca de 93 por cento são mulheres e meninas, e muitos são migrantes.

O artigo 1 º do novo instrumento da OIT diz que “a expressão ‘trabalho doméstico’ designa o trabalho realizado em casa ou casas”. Embora estes instrumentos abranjam todos os trabalhadores domésticos são consideradas medidas especiais para proteger os trabalhadores que podem estar expostos a riscos adicionais devido à sua tenra idade, sua nacionalidade, entre outros.

De acordo com os procedimentos da OIT, a nova Convenção da OIT estará em vigor após ratificação por dois países.

“É muito importante que nós tenhamos colocado os trabalhadores domésticos ao amparo de nossos valores, para eles e para todos que aspiram um trabalho decente. Isso também terá repercussões relacionadas com as migrações e a igualdade de gênero”, disse Somavia.

O texto introdutório da nova Convenção diz que “o trabalho doméstico continua sendo desvalorizado e invisível, feito principalmente por mulheres e meninas, muitas das quais são imigrantes ou pertencem a comunidades carentes e são particularmente vulneráveis ​​à discriminação relativa ao emprego e trabalho, bem como de outras violações dos direitos humanos “.

A diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, disse durante uma visita à Comissão, que concluiu dois anos de discussões sobre este assunto, que o déficit de trabalho decente dos trabalhadores domésticos “não pode mais ser tolerado” e recordou que estes trabalhadores “permitem manter em movimento o motor da economia e o funcionamento da sociedade”.

Bachelet disse que a ONU Mulheres apoiará a ratificação e a aplicação dos novos instrumentos da OIT que qualificou como uma “contribuição historicamente importante para a agenda de desenvolvimento”.

“Precisamos de regras que sejam eficazes e vinculantes para fornecer trabalho decente para os trabalhadores domésticos, oferecendo um guia efetivo para os governos, empregadores e trabalhadores”, disse a vice-presidente pelos trabalhadores, Halimah Yacob, Singapura. Ela observou que há uma responsabilidade coletiva, que implica dotar as trabalhadoras e trabalhadores domésticos de algo que agora não têm: o reconhecimento de que são trabalhadores e o respeito e a dignidade como seres humanos.

Por sua parte, o vice-presidente para os empregadores, Paul Mackay da Nova Zelândia, disse que “o grupo dos empregadores considera que é necessário abordar o tema do trabalho doméstico e dar resposta às preocupações relacionadas com os direitos humanos. Consideramos que existem opções para melhorar a situação das trabalhadoras e trabalhadores domésticos e beneficiar assim também as famílias e os lares para os quais trabalham”.

“O diálogo social tem-se refletido nos resultados que temos alcançado “, disse o presidente da Comissão que discutiu o conteúdo das novas regras, o delegado do Governo das Filipinas, H.L. Cacdac.

“Esta é uma conquista muito importante”, disse a diretora do Programa da OIT sobre Condições Trabalho, Manuela Tomei, que descreveu as novas regras como “robustas mas flexíveis.” Ela acrescentou que com estes instrumentos está claro que “os trabalhadores domésticos não são funcionários ou membros da família. São trabalhadores. Depois de hoje não podem ser considerados como trabalhadores de segunda classe. ”

A adoção das novas normas é resultado de um longo processo. Em março de 2008, o Conselho de Administração da OIT decidiu colocar o tema na agenda da Conferência. Em 2010 a Conferência realizou a primeira discussão sobre o tema e decidiu realizar uma segunda discussão em 2011 com a finalidade de adotar a Convenção e a Recomendação que a acompanha.

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13

Jun

11

Os epitáfios são eternos

Norberto por ele próprio no blog Os epitáfios são eternos:
órfão com muito orgulho, ex-agricultor, ex-engraxate, ex-vendedor de picolés, meias, pastéis, carnets, ex-garimpeiro, ex-jornalista, pai, marido, com soberba de ser poeta, com mania de ser escritor. A correr atrás do vento, através da vaidade, como todos os humanos. O sim é o sim, o não é não; quem não ajunta espalha, ying e yang é frescura, equilíbrio só existe no amor verdadeiro. Meio termo é o mal disfarçado e o Eterno, bendito seja o seu nome, é o bem e ponto final.
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13

Jun

11

Adeus, Norberto

Meu amigo Norberto Well era da turma de 86 do jornalismo da UFSC e uma das primeiras pessoas que conheci no curso. A gente o chamava de Ronnie Von, pela semelhança. Ele morreu este domingo às 20 horas no Hospital Santa Isabel de Blumenau, de complicações de saúde – era transplantado de fígado.

Eu o reencontrei há 3 semanas na festa dos “dinossauros” do jornal O Estado. Estava de chapéu e mancava. Conversamos num canto do salão, olhando o movimento e colocando os assuntos em dia. Ele me contou que queria se mudar de volta pra Floripa e perguntou sobre casas pra comprar. Ficamos de continuar a conversa pelo gtalk, mas não deu tempo.

Norberto vai ser velado e sepultado hoje às 16 horas, no Cemitério Municipal de Araquari, informa a viúva, Mari Lúcia Hoff. Era um homem generoso, sempre em busca da evolução espiritual. Guardo boas lembranças de nosso acampamento na Lagoinha do Leste há vinte e muitos anos, de nossas conversas sobre crônicas, poesia e a vida. Descanse em paz.

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11

Jun

11

O desafio do parquinho de Marabá

Um causo impressionante de dois amigos e colegas de profissão, narrado pelo Marques Casara:

História do Brasil caipira:

Estava outro dia com o fotógrafo Sérgio Vignes em Marabá, sul do Pará.
Depois do jantar, Sérgio disse:
_ Tem um parquinho ali na esquina, vamos lá.
No parquinho, tinha um estande de tiro ao alvo com espingarda de pressão.
No estante, tinha um cara se vangloriando que era o tal, que atirava melhor que todo mundo, coisa e tal.
O Sérgio disse pra ele:
_ Vamos fazer o seguinte: eu vou dar seis tiros. Se eu errar um tiro, você ganha, nem precisa atirar. Mas se eu acertar todos os seis tiros, ai você precisa ao menos empatar comigo.
_ Fechado!
Sergio atirou. Acertou os seis tiros.
O cara ficou passado. Pegou a espingarda.
Acertou o primeiro, o segundo. Mas errou o terceiro.
Sérgio deu uma risada na cara dele e disse:
_ Vambora Casara, esse cara não é de nada, o dia amanhã vai ser cheio.
O cara pediu revanche.
- Revanche nada, você não é de nada.
O cara ficou puto. Ficou roxo.
Voltamos pro hotel.
Isso aconteceu em março de 2011.
Hoje, Sérgio me liga e diz:
_ Sabe o cara do parquinho, do tiro ao alvo?
_ Sei….o cara que tu esculachou.
_ Tá preso em Rondônia. É o pistoleiro que matou o lider camponês que saiu nos jornais.
_ Caralho! Sérgio! Que é isso, meu? Você desafiou um pistoleiro pra uma disputa de tiro ao alvo?
_ Desafiei… E ganhei!!!
_ E deixou o cara puto da cara, soltando fogo pelas ventas.
_ Bom, isso é por conta dele…
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06

Jun

11

O fim do sem fim

Recebi da Marina Moros e compartilho:

O Núcleo de Antropologia Visual e Estudos da Imagem/Navi e o PPGICH/UFSC convidam para exibição do filme O FIM DO SEM FIM, de Cao Guimarães, Lucas Bambozzi e Beto Magalhães, dentro da programação da “Mostra de Documentários In (ter) disciplinados”.

dia 09 de junho, quinta-feira, 18h30min, no auditório do CFH

No documentário de Beto Magalhães, Cao Guimarães e Lucas Bambozzi, o foco central é o iminente desaparecimento de certos ofícios e profissões no Brasil. Rodado em 16mm, Super-8 e DV nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Ceará, o filme retrata a inventividade e resistência do brasileiro diante das mudanças tecnológicas e culturais. Partindo do debate entre a finalidade e o fim das coisas, as evoluções são discutidas pelos próprios indivíduos retratados.

Uma pergunta difícil insinua-se em cada plano, cada sequência de “O Fim do sem Fim”. Nos 93 minutos, ninguém precisa fazê-la explicitamente para que se imponha, silenciosa e perturbadora: o que acontece com as coisas quando não atendem mais às demandas do mercado? Que papel lhes resta quando perdem valor econômico num mundo em que tudo tem preço?

Coisas, aqui, são profissões -ofícios decadentes, quase extintos, que resistem (ou agonizam) à margem da modernidade. “O Fim do sem Fim” os elege como tema e sai pelo Brasil à procura de personagens que ainda os exercem.

Encontra uma porção deles: o tocador de sinos, o fotógrafo lambe-lambe, a parteira, o benzedor, o relojoeiro, o ascensorista, o lanterninha, o faroleiro, o engraxate, o amolador de facas, o recarregador de isqueiros, o amargo funcionário de uma ferrovia desativada e um improvável maestro de galos, que ensina aves tímidas a cantar.

Não satisfeito em redescobri-los, o filme de Beto Magalhães, Cao Guimarães e Lucas Bambozzi lhes dá generosa atenção. Deixa que falem longamente, que se entreguem às recordações, que esmiucem os segredos do ofício.

Enquanto se revelam, acabam desnudando também o real intento do documentário: tratar de profissões, sim, mas apenas como pretexto para mostrar homens e mulheres à deriva. Gente já sem viço ou força competitiva. Trabalhadores que o tempo e uma equivocada idéia de progresso tornaram tão desnecessários quanto as atividades que praticam.

Não à toa, a maioria dos depoimentos é de idosos. No entanto, em vez de lamúrias e rancores, os velhos profissionais preferem expressar o júbilo. À beira da inexistência, se afirmam felizes, gratificados, e ressaltam, orgulhosos, as complicações de afazeres que o senso comum considera fáceis demais. “Você pensa que minhas tarefas são simples? Não são.”

Há, sem dúvida, algo desconcertante nessa retórica cor-de-rosa, talvez porque os olhares melancólicos e os gestos cansados dos personagens pareçam desmentir o tom otimista das declarações. Um tom que em nada ameniza a gravidade da pergunta insistente: o que, afinal, acontece com as coisas -as pessoas, as iniciativas, os sonhos- que já não têm lugar?

Para respondê-la, o trio de cineastas dribla a tentação panfletária (que poderia resultar em pregações sociológicas, por exemplo) e encontra uma saída belíssima. Entre um depoimento e outro, introduz imagens religiosas, “takes” de crianças brincando e o tagarelar de um certo Mestre dos Mestres -sujeito amalucado que dispara frases repletas de termos científicos e acadêmicos, mas inteiramente desconexas.

Num primeiro momento, tais cenas soam descabidas. À medida que se sucedem, porém, estabelecem um diálogo sutil, delicado, com as profissões que permeiam o documentário.

É como se o filme dissesse: coisas que carecem de sentido mercantil passam a ocupar o mesmo espaço do sagrado, do lúdico e da loucura. Não estão, portanto, condenadas à morte. Devem permanecer sobre a Terra para nos lembrar de que existir não depende necessariamente de motivações racionais nem de utilidade comercial.

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01

Jun

11

Reencontro O Estado

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31

May

11

Os melhores anos

O ex-comparsa de jornal O Estado Paulo Clóvis Schmitz, PC para os amigos e colegas, publicou esta crônica no Notícias do Dia e reproduzo na íntegra. Ele comenta a Festa dos Dinossauros, realizada no sábado com uns 150 cúmplices da aventura inebriante que foi trabalhar no “mais antigo”. Bukowski dizia de Fante, e se aplica ao PC: eis um escritor que não tem medo da emoção. Pra completar meu deleite com esta leitura, adoro crônica de ônibus.

Os melhores anos

O coletivo seguia lento, ruidoso, carregando o peso da própria sucata, a fala ligeira e os sonhos de gente que tinha vindo ao Centro para resolver demandas bancárias, negócios miúdos, ninharias de todo gênero. No corredor, grandes trouxas de roupas para lavar, pertencentes a famílias que pagavam por isso, e também mudas de árvores, a ração para o boi, apetrechos e ferramentas de pedreiro.
Vencida a reta das Três Pontes, o ônibus cambava para a esquerda e tomava a estradinha do Saco Grande, nome original do bairro que é hoje conhecido por João Paulo. Ao cruzar de novo a rodovia, na lá frente, saltávamos nós, empregados d’O Estado, para mais uma jornada, sabendo que o nosso trabalho seria conferido no dia seguinte, na hora do café da manhã, por senhores bem comportados daqui e de Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste…
Entrar no corredor que dava para a redação era deixar para trás todos os dilemas, uma dor física, algum drama existencial – em suma, o mal-estar do mundo. A grande sala repleta de Remingtons, laudas e fungos no carpê sem lavação era o porto seguro, a tábua de salvação, a certeza do amor próprio conferido pelo ofício abraçado, sabe-se lá a partir de que circunstâncias.
Ali, os dias eram plenos, dias de uma afeição particular aqui, de anseios não manifestos ali, e também de cobranças e louvores, quando houvesse razão para isso. Foram amizades sinceras, um aprendizado permanente e a comunhão perfeita com aquele recanto aprazível, quase interiorano, de uma cidade já em franca transformação.
A volta, à noite, repetia o ritual, o ônibus levando os sonhos, angústias e falas em outra direção, talvez em tom mais confessional, como convinha ao horário. Com ele, iam alguma saudade e a satisfação com a própria obra, que seria retomada um dia depois. Ia também a certeza de que o corredor estaria ali, imutável, como quem espera a volta do filho pródigo. Queixas havia, e também pequenas tragédias à espreita, mas o saldo era positivo, sempre.
Reencontrar parte desse passado ajudou a rememorar passagens, recapitular episódios impagáveis, rever figuras de bondade infinda e perceber que o tempo passa para todos, inexorável, independente do bolso, do título, da índole irretocável de uns, da empáfia de outros. Foi salutar falar de gente que já se foi, de gente que não deu mais as caras, de gente que chutou o balde e mudou de ramo e de rumo. Todos foram protagonistas de uma saga e marcaram, à sua maneira, a mente de quem gastou ali alguns dos melhores anos de sua vida.

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