18
Jan07
Chegadas: Nina
Chegou no dia 12 de dezembro às 2h08 da madrugada, no Rio de Janeiro, a menina Nina, filha dos meus amigos Marco Silva e Méa. Mais uma luz pra alumiar o mundão.
11
Jan07
Anotação de leitura: impermanência
Mesmo que ao meio-dia a rosa perca a beleza que teve na madrugada, sua beleza naquele momento foi real. Nada no mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa perdure, mas mais tolos ainda seríamos se não a apreciássemos enquanto a temos. Se a mutabilidade é da essência da existência, nada mais natural do que fazer dela a premissa da nossa filosofia.
Larry, protagonista de O Fio da Navalha, ao narrador-autor Somerset Maugham.
08
Jan07
Fato relevante do dia
Nasceu o primeiro dente do Bruno! Laura descobriu agora ao levar uma dentada enquanto amamentava. Comentário do Miguel, depois de colocar o dedo pro maninho morder:
- Mas ele ainda é um bebê.
08
Jan07
Túnel do tempo: 6 de dezembro de 2002
Argumento de um conto
Inverno rigoroso, escala de vôo numa capital do Leste Europeu. O avião não pode decolar por causa da neve. A contragosto, os passageiros precisam esperar e são levados a um hotel, pago pela companhia aérea. O homem aproveita para lembrar da família, mulher e filho pequeno que estão em Montevidéu. No dia seguinte, vai ao aeroporto e tenta embarcar, mas a tempestade de neve continua forte. Retorna ao hotel. A noite transcorre parecida com a anterior: banho, jantar e cama. De manhã cedo ele tenta mais uma vez. Novo adiamento. A rotina se repete, como num limbo. Na manhã seguinte ele retorna ao aeroporto e finalmente o informam que seu vôo vai partir. No saguão, fica próximo de um casal de adolescentes de seus 17 anos e escuta a conversa deles. Aparentemente, conheceram-se na viagem e se sentem atraídos um pelo outro. Contam suas vidas. O rapaz diz que é uruguaio e comenta: “Neste mesmo aeroporto, há muitos anos, meu pai morreu de acidente aéreo durante uma tempestade de neve”. O homem olha bem para o rosto do rapaz e toma um susto: é seu próprio filho!
O autor do conto (que é bem melhor que meu resumo) é Mário Benedetti, grande poeta e dramaturgo uruguaio. Li há seis anos, durante uma longa viagem de ônibus à Patagônia, e fiquei bastante impressionado.
06
Jan07
05
Jan07
Fotografia: entrevista com Tatiana Cardeal

“Sometimes I call my photography “social photography,” not only because of the social documentation issues, but because of the consequences and possible social changes that evolve from this use of communication. It happens on different levels; my photos can be interpreted as a denunciation, a call for action, a protest, a petition, a campaign, or just as educational information. But the intention of my projects, and probably the most important aspect of what I seek, is focused on social development by opening minds, hearts and eyes and sensitize them to social inequalities and human spirituality”.
Sou fã da Tatiana Cardeal e me sinto honrado em ser seu amigo. Gente boníssima, de grande sensibilidade, ela coloca a alma em tudo o que faz. E assim tem feito com a fotografia social, à qual se dedica desde 2003, em especial documentando os indígenas brasileiros – já mostrei várias fotos dela aqui. Nesta ótima entrevista (em inglês) ao site Living in Peru, Tati conta sobre seus projetos, motivações e experiências.
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I´m a fan of Tatiana Cardeal, and honoured to be her friend. Excellent person, gifted with great sensibility, she puts her soul in everything she does. So she´s been doing with social photography, her métier since 2003, with enphasis in documenting Brazilian indigenous people – I´ve shown some of her pictures here. In this nice interview (in English) to the site Living in Peru, Tati tells about her projects, motivations and experiences.
03
Jan07
Adeus 2006
2006 é página virada. Assim como cada dia de ontem, bem ou mal vivido. Bem vivido é melhor, procuro lembrar disso todas as manhãs. Tive grandes alegrias no ano que passou – a maior delas, ver meu segundo filho nascer. Houve pequenas decepções e uma grande dor familiar, mas o tempo continuou fluindo pra colocar tudo em perspectiva e ensinar sobre aceitação do que não pode ser mudado. Amei, fui amado e sempre que pude, dei boas risadas. A roda da vida prossegue. E este despretensioso blog vai registrando algumas impressões da superfície, em gostosa conexão com a gente boníssima que passa por aqui de vez em quando. Bola pra frente!
05
Dec06
Lendo: Hemingway e Kaiser
Tou alternando: de manhã leio Do outro lado do rio entre as árvores, uma das obras mais intimistas de Hemingway. De noite e madrugada, ataco o dionisíaco Tempos Heróicos, de Jakzam Kaiser.
O curioso é a diferença radical de ritmos entre os dois romances. No primeiro só aconteceu basicamente isso até a metade do livro: o protagonista, coronel americano cinqüentão com doença terminal, chegou de carro em Veneza – pelo caminho veio apreciando a paisagem e recordando os tempos de guerra -, se instalou no hotel, foi a um bar, tomou martínis secos com a amada italiana de 19 anos, filosofaram sobre o amor e a vida, saíram caminhando de volta ao hotel, olharam jóias numa vitrina, ela lhe deu um brinco de esmeralda de presente, subiram pro quarto dele, se beijaram diante da janela e ela retocou a maquiagem. Agora se preparam pra jantar.
No segundo livro, também já pela metade, o protagonista, jovem estudante de Porto Alegre, já comeu várias gatas, se envolveu em brigas de rua, saiu de casa e foi morar sozinho, fez as pazes com o pai, pegou caronas, entrou de penetra em festas, acampou no litoral catarinense, fumou um monte de baseados, comeu cogumelos, virou a noite em bares, leu Bukowski e Henry Miller, participou do congresso da UNE em Salvador, apanhou da brigada militar em passeatas, pichou muros, foi preso, fez panfletagem em porta de fábrica, se apaixonou, passou no vestibular em duas faculdades, abandonou engenharia e escolheu jornalismo…
Fecho as páginas de um e retorno ao outro. Sopra um vento frio em Veneza. O jantar vai ter como entrada lagosta fria com maionese.
02
Oct06
Aviões e eu
O site planecrashinfo.com tem um banco de dados com informações de acidentes aéreos desde 1920. Em março de 1970, eu e minha família tínhamos passagens reservadas pra este vôo entre Fortaleza e Manaus. Cancelamos e fomos de navio. Dos 40 passageiros e tripulantes, morreram 38. Desde esse dia eu sempre durmo tranquilo em aviões.
13
Jul06
Viagem na viagem

No trem entre Itália e Áustria. É uma das minhas fotos favoritas. Parece posada, mas não é. Só a vi quando revelamos o filme. Clique pra ver ampliada.
Laura Tuyama, 1997.







