Posts com a tag ‘vida’

14

Apr

07

Partidas: Shaba

Shaba, o cão rotweiller do Joca e da Val, morreu há algumas semanas. Com quase 13 anos, já muito doente e sem andar, recebeu uma injeção letal e se foi dormindo, sereno como em toda a sua existência. Foi um dos cachorros mais dóceis e amorosos que já conheci. Sempre que eu ia visitá-los, o “bezerrão” preto encostava na cerca pra que eu fizesse carinho em sua barriga. Deixa boas lembranças.

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02

Mar

07

Chegadas: Xavier

No dia 28 nasceu Xavier, filho do Carlito e da Cléia. Bem-vindo, vida longa e felicidade pros três.

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12

Feb

07

Descobertas cotidianas

Chamamos um jardineiro pra dar um trato no nosso quintal, que tá cheio de mato. Mal ele começou o serviço, encontrou quatro pés de maracujá e um de goiaba! Nada como deixar a natureza agir…

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06

Feb

07

Chegadas: Faith

Aos amigos do Philo Roxburg. Semana passada nasceu em NY a primeira sobrinha dele, Faith Scapino, filha de Arlette e do marido italiano. Lindona e com saúde, viva! Mamãe Arlette vai descansar a voz e tirar folga dos palcos por um tempo.

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01

Feb

07

Meu 31 de janeiro de 2007

Amigos queridos que me deram os parabéns pessoalmente, por fone, e-mail, blog, MSN e mensagens no Orkut, um grande abraço a cada um de vocês! O aniversário foi tão legal quanto podia ter sido numa quarta-feira. Diferente da festa dos 40 no ano passado, quando reuni uma galera num quiosque de praia, desta vez deixei fluir sem planos. Laura me acordou com carinho e presentinhos – entre eles um perfume chamado “Humor”. Trabalhei de manhã, almocei em casa com ela, peguei Miguel e os sobrinhos Amanda, Pedro e João na casa dos avós e trouxe pra nossa casa, devolvi DVDs na locadora, visitei o Caco – conheci o cara que afina seu piano, falamos do documentário de Herzog sobre ursos etc. etc., imprimi um boleto na impressora dele -, dirigi devagar pra Lagoa (no som, “Here comes the sun” de George Harrison em ritmo de reggae por Peter Tosh), passei num caixa eletrônico, paguei o boleto numa lotérica – a caixa que me atendeu era Lidiane, uma ex-colega de trabalho, e botamos o papo em dia. Fiz reunião de trabalho com Frank num café na Lagoa, tomamos várias Heinekens e falamos um pouco de tudo – não necessariamente nesta ordem. Fim de tarde fomos ao Canto dos Araçás encontrar a Ana Paula e a Giki. Tomamos mais umas geladas no boteco que fica diante do atracadouro – quando a Giki saiu comentamos sobre como é bonita e parece uma fada da floresta. Na boca da noite voltei pra casa, fiz jantar pros meninos, botei o Bruno pra dormir no meu colo, tomei banho com Miguel – que me falou sobre a existência de outros mundos onde vivem super-heróis -, conversei com a Laura, que tava um pouco indisposta do estômago e dormiu mais cedo. Chequei os e-mails e apaguei à meia-noite, lembrando que preciso molhar as plantas hoje.
~
p.s.: Parabéns à rainha Beatriz da Holanda, que faz anos no mesmo dia que eu. E ao Gian Martini.

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25

Jan

07

Madrugadas insones, molares e caninas

Miguel teve febre por três dias, mas já tá bom. Uma daquelas viroses de verão que chegam e vão embora sem que a gente possa fazer muito além de levar ao pediatra e dar antitérmico. Bruno está resfriado e com os dentes nascendo – ao que parece, todos ao mesmo tempo. Ele reclama bastante à noite e fica repetindo uma das poucas palavras que sabe: “Água, água, água, água…” Quem escuta pensa que é alguém perdido no deserto. Passamos um remédio nas gengivas e esperamos a natureza seguir seu curso. Miguel, interessado no assunto dentição, andou fazendo umas perguntas. Dia desses chegou pra mim e falou, se referindo aos caninos: “Pai, eu tenho dente de cachorro”.

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23

Jan

07

Entrevista com o autor do blog

Li esse questionariozinho no blog da Giorgia, que leu no da Nalu, que leu no Cherrysoda. Aí vão minhas respostas.

O que você fez em 2006 que nunca tinha feito antes?
Quarenta anos.

Você manteve as resoluções de ano novo de 2006 e fará novas para 2007?
Resoluções?! Fiz não. Pra 2007 fiz dez modestas intenções gerais e cinco intenções culinárias.

Que lugares você visitou?
Trilhas e lugarzinhos na Ilha; interior de Santa Catarina; São Paulo e Brasília. Visitas freqüentes à obra da casa. Já em sonhos e na imaginação estive numa imensidão de lugares fantásticos.

O que você gostaria de ter em 2007 que faltou em 2006?
Mais tempo livre.

Que data de 2006 vai ficar marcada em sua lembrança?
A noite de 3 de abril, quando nasceu Bruno. Marcada pra sempre.

Qual sua maior realização no ano?
Ser pai pela segunda vez.

Qual foi o seu maior fracasso?
Não ter previsto o futuro num momento crucial.

Você teve alguma doença?
Nada que exigisse médico, antibiótico ou canja de galinha.

Qual foi a melhor coisa que você comprou?
Livros. Novos e usados. Grossos e finos. Bons e baratos.

Que comportamento mereceu comemoração?
Todos os sorrisos lindos de Bruno e Miguel.

Que comportamento foi deprimente?
A cabeçada de Zidane. A negociata do dossiê.

Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
Material de construção.

O que te deixou realmente excitado?
Sexo.

Que canções sempre vão te lembrar de 2006?
Música do Agreste de Pernambuco; as do CD “Lunático”, de Gotan Project.

Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. mais feliz ou mais triste?
II. mais magro ou mais gordo?
III. mais rico ou mais pobre?
Mais ou menos na mesma pra todas. Posso emagrecer uns 2 kg este ano, mas não prometo.

O que você queria ter feito mais?
Ir ao cinema.

O que você queria ter feito menos?
Pegar fila pra resolver burocracia.

Você se apaixonou em 2006?
Tou sempre apaixonado.

Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Ninguém que eu conheça ou possa acertar um canhota.

Qual foi o melhor livro que você leu?
Em 2006, “Dois Irmãos”, do amazonense Milton Hatoum. Tocante, muito bem escrito!

Qual foi a sua maior descoberta musical?
Gotan Project. Um jorro de força criativa e inovação no tango.

O que você quis e conseguiu?
Construir a casinha.

O que você quis e não conseguiu?
Dedicar mais tempo à fotografia. Estudar espanhol.

O que você fez no seu aniversário?
Festei com amigos num quiosque na praia. Banho de mar à noite.

O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
A felicidade de todas as pessoas que amo.

Como descreveria seu modo de se vestir em 2006?
Casual relax. Escolhas aleatórias no guarda-roupa.

O que manteve a sua sanidade?
O amor da família e dos amigos.

Qual episódio da política que te deixou mais puto?
O caso do dossiê. Puta que pariu!

De quem sentiu falta?
De muita gente, vivos e mortos.

Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Eu mesmo, no dia em que meu eu de 39 encontrou o eu quarentão.

Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2006:
Com tijolo sobre tijolo se faz um desenho mágico.

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19

Jan

07

De tolerância, loucura e vício

Li no Coisas Bobas.

“Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois elas são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos. Assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento.”

Arthur Schopenhauer

Concordo. E também com a observação aguda da Giorgia: “Ser tolerante não é ser complacente”. Há certas coisas intoleráveis. O limite entre uma coisa e outra é tênue.

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18

Jan

07

Crônicas da violência cotidiana (2)

Em janeiro de 2000, fazia duas semanas que eu me mudara pro Rio. Tinha terminado de jantar no restaurante Bella Blue, em Botafogo, e estava saindo quando me empurraram porta adentro. Três rapazes de uns 18 anos – um branco e dois negros, todos de calção, camiseta e tênis -, armados de revólveres, invadiram o restaurante:

- Perdeu, perdeu!

Foi tudo muito rápido, três ou quatro minutos. Que ninguém reagisse, senão ia ter morte. Fui confundido com o gerente porque estava na entrada. Um ficou na porta, o segundo saiu recolhendo os celulares nas mesas. O terceiro me apontou a arma e mandou abrir o cofre.

Expliquei que eu era só um cliente. Devagar, tirei vinte reais do bolso e botei na mesa. Imitando o garçom, levantei as mãos. Irritado, ele nos disse pra baixar os braços, chutou minhas costelas e mandou deitar no chão. Vi de perto seu Nike novinho e esperei o tiro.

Fugiram rápido, levando 4 mil reais e os celulares – eu tinha esquecido o meu no hotel. Desprezaram meus vinte paus. Um garçom me ofereceu gelo (depois tirei radiografia, tudo inteiro). Ainda tremendo, peguei um táxi e fui pro hotel no Catete. Lá vi que tinha esquecido a agenda. Peguei outro táxi e voltei. No caminho contei a história e o taxista comentou:

- Isso é comum aqui. Eu mesmo tenho uma bala alojada no pescoço faz cinco anos.

No restaurante o movimento tinha voltado ao normal, com novos clientes e comida quentinha. Meia hora depois do assalto, era como se nada grave tivesse acontecido. Peguei minha agenda e fui embora, pensando na banalização da violência e em como as pessoas se adaptam a tudo pra continuar vivendo.

Pensei, tenho duas opções: voltar ou insistir. Teimoso, fiquei. E vivi quase dois anos na cidade maravilhosa, sem presenciar nenhum outro incidente como esse – uma vez, na noite da Lapa, acompanhava um casal de amigos franceses e fomos seguidos, mas percebi a tempo e entramos num bar. Foram tempos divertidos, com muito cinema, samba de raiz e novos amigos. Aí voltei pra cidade-ilha em busca de sossego pra criar filho.

Nunca vou esquecer os olhos daquele rapaz que não tinha nada a perder, me apontando com raiva um 38 que podia ter interrompido toda minha história num segundo. Mas o que mais me chocou mesmo foi a atitude conformada com que as pessoas se submetem a viver um cotidiano desses. Ainda hoje penso nisso e não encontro respostas satisfatórias.

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18

Jan

07

Anotação de leitura: o império do consumo


Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. (…)

“Gente infeliz, essa que vive se comparando”, lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires.

De O império do consumo, artigo de Eduardo Galeano.

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