Posts com a tag ‘brasil’

22

Jun

09


E por falar em descaso com o patrimônio público…

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22

Jun

09

Falência d’O Estado: história de SC jogada no lixo


O jornal O Estado, que circulou em Florianópolis por quase 90 anos, faliu e seu prédio está sendo saqueado por vândalos. Os arquivos fotográficos do “mais antigo” estão abandonados no chão, prontos pra ir pro lixo. É o que mostra este vídeo do jornal Biguaçu em Foco, gravado pelo jornalista Ozias Alves Jr. no dia 19 de junho (há uma segunda parte que mostra o prédio por fora). No Estado trabalhei dois anos, primeiro como revisor e depois como repórter de polícia e de geral. Foi uma intensa e divertida escola pra mim e pra muitos colegas. É triste ver a memória do país se perder desse jeito. Como diz o entrevistado, “dá vontade de chorar”.

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07

Jun

09

Impressões do Ceará


Meninos brincando com camaleão no distrito de Flores, em Russas (CE). No centro do rio Jaguaribe, uma carnaúba está coberta quase até a copa. Imagem atípica pra quem tá acostumado com o chão rachado da caatinga. Clique na foto pra vê-la ampliada.

Trinta graus num dia (Ceará), dez graus no outro (Santa Catarina). Castanha acolá, pinhão aqui. Contrastes do Brasilzão continente.
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Criança é de uma espontaneidade comovedora. Bruno, no embarque de volta pra casa: “Pai, o avião vai cair?” Segurei a mão dele: “Vai não, filho”.
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Mesmo com todo o estrago provocado pelas chuvas e pelos políticos (esse é antigo), o Ceará ainda é um dos estados mais lindos do Brasil.
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Na sexta fomos ao belo e enorme Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza. É de fazer o acanhado CIC de Floripa corar de vergonha.
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No Dragão do Mar encontrei um livro que procurava há anos: uma reedição do hilário Glosa Glosarum, do poeta potiguar Celso da Silveira. Aguardem trechos.
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Amigos de Natal: não foi desta vez que matamos a saudade. A semana passou voando, não deu mesmo pra ir até aí.
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Na ida pro Castanhão – um açude monumental – cruzamos um rio de balsa no distrito de Flores, em Russas. Paisagem amazônica no sertão.
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Eu tinha um nojinho de Canoa Quebrada, a ex-meca dos hippies, hoje “disneylândia dos gringos”. Mas passei um dia lá e mudei de ideia.
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Russas tem uma pracinha deliciosa. Igreja, barzinhos, lan-houses, pipoqueiros, camas elásticas, casais paquerando…
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Impressões contraditórias sobre Fortaleza, que conheço desde a infância. Cultura exuberante, gente boa, caos urbano, cercas eletrificadas.
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Dizem que, em Fortaleza, o calçamento das ruas é feito com a parte lisa das pedras virada pra baixo. Que maldade! :)
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Amostra do humor cearense em dois nomes de restaurantes em Fortaleza: De frente para o futuro (diante de um cemitério) e Casa do Cará (peixaria).
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Seu Lunga estava na beira da estrada e um homem o cutucou: “A BR é aqui?”. E ele, com sua gentileza proverbial: “É não, aqui é o meu ombro!”
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O mais duro de voltar pro Sul não é nem encarar o frio, vou sentir falta mesmo é da sesta depois do almoço.

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02

Jun

09

Devastação S/A

Estou em “semiférias” de uma semana no Ceará, onde vim pro casamento da minha irmã. Antes de viajar, deixei uns posts pré-agendados pra distrair vocês e pretendia sumir do blog por uns dias, mas volto em edição extraordinária com este press-release:

Observatório Social revela esquema de exportação de madeira do desmatamento

Reportagem publicada pela revista do Observatório Social mostra como funciona a exportação de madeira oriunda de áreas desmatadas. Funcionários públicos corruptos e grandes empresas de exportação estão envolvidas no esquema. Gigantes do setor, sediadas nos Estados Unidos, Ásia e Europa, compram a madeira da devastação.

Gigantes internacionais dos ramos de beneficiamento e de comercialização de madeira estão ligados a um esquema milionário que transforma madeira retirada ilegalmente da Floresta Amazônica em produtos legalizados. Entre os envolvidos estão órgãos ambientais e grandes exportadoras. A madeira é vendida para as maiores cadeias de vendas de pisos e móveis nos Estados Unidos, Europa e Ásia, muitas delas detentoras de selos de certificação de madeira. A reportagem completa está na próxima edição da revista do Observatório Social, que será lançada no próximo dia 10, em São Paulo. A revista vai revelar quais são as empresas envolvidas, tanto no Brasil quanto no exterior.

Segundo a revista, de 70% de toda a madeira comercializada no estado do Pará, maior vendedor de madeira amazônica no Brasil, tem origem ilegal. Essa madeira passa por um processo de “esquentamento” que funciona dentro de órgãos do governo. Autoridades do Ministério Público Federal e do Ibama confirmam o esquema e apontam o envolvimento da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Ao lado de empresas fantasmas, de empresas que devem milhões em multas ambientais e de empresários que respondem por falsidade ideológica e escravidão de trabalhadores, grupos internacionais se beneficiam com o esquema. Entre os maiores, a dinamarquesa DLH Nordisk, o grupo europeu Kingfisher, das marcas Castorama e Brico Dépôt, e a norte-americana Lumber Liquidators, do milionário Tom Sullivan, patrocinador de programas como Dream Home, do canal Home and Garden Television, e Extreme Makeover: Home Edition, do canal People+Arts.

Serviço

Lançamento de Observatório Social em Revista, edição 15

Data: 10 de junho de 2009
Horário: 10h
Local: Auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Rua Libero Badaró, 158. Centro. São Paulo

Mais informações

Paola Bello
Editora-assistente
paola [arroba] os.org.br
(11) 8559 6758

Marques Casara
Editor
marques [arroba] os.org.br
(11) 9353 2311

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16

May

09

Há três anos

Há três anos São Paulo sofreu uma onda de ataques criminosos contra o Estado como nunca tinha sido registrado antes – seguida de uma retaliação brutal da polícia que provocou quase (ou mais de?) 200 mortes, a maioria não-esclarecidas até hoje. Alexandre Inagaki, do blog Pensar Enlouquece, tomou a iniciativa de escrever sobre o episódio traumático e convidar alguns amigos blogueiros pra compartilhar sua lembranças (veja no final do texto dele a relação atualizada dos que estão contribuindo).

A iniciativa é muito boa, pois preenche uma lacuna importante em algo que imprensa nunca conseguiu cumprir com competência: acompanhar os desdobramentos das notícias (fazer “suíte”, no jargão jornalístico). O blog de Marcelo Soares, por exemplo, traz informações novas ao calcular quanto os ataques do PCC custaram aos cofres públicos. Focados no factual, jornais, revistas e programas de tevê costumam deixar cair no esquecimento assuntos que continuam evoluindo e são de importância capital – como é o tema da falência da segurança pública no Brasil. A memória coletiva ajuda a refletir sobre o passado e dá instrumentos pra melhorar o presente e o futuro.

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14

May

09

Homem-Aranha de repouso

Ontem à noite Miguel fraturou o antebraço numa das suas frequentes escaladas nos vãos das portas. Susto e correria – somos pais de primeira viagem quanto a ossos quebrados -, mas tá tudo bem. Foi uma “fratura benigna”, disse o ortopedista. Nada que uma semana de tala mais três de gesso não deem jeito em nosso homem-aranha de seis anos. Natação e judô, naturalmente, ficam suspensos, mas as aulas continuam.

O atendimento na policlínica municipal 24 horas foi gentil e não muito demorado: em torno uma hora entre a espera, a consulta, a radiografia e o diagnóstico. O “pequeno”detalhe foi que, verificada a existência da fratura, não havia ortopedista de plantão pra resolver o caso! (talvez eles imaginem que as pessoas não quebram ossos durante a noite). Fomos encaminhados ao Hospital Infantil. Lá, às nove da noite, o movimento era intenso na emergência, com casos muito mais graves. Consultamos por telefone um amigo pediatra e ele nos indicou uma clínica particular de ortopedia no Santa Mônica. Do momento da queda até chegarmos em casa com Miguel medicado se passaram 3 horas e meia. Fico imaginando essa mesma peregrinação pra quem não tem carro nem plano de saúde e depende do transporte coletivo integrado da capital.

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03

May

09

Ditaduras, feminismos e relações de gênero

A amiga Juliana Kroeger faz parte da organização deste colóquio na UFSC que pode render boas pautas aos colegas antenados na história recente da América do Sul.

Evento na UFSC reúne pesquisadores do Cone Sul

Colóquio aborda ditaduras, feminismos e relações de gênero

Começa na segunda-feira, 4 de maio, o primeiro Colóquio Internacional Gênero, Feminismos e Ditaduras no Cone Sul. Durante quatro dias, serão discutidos temas como a trajetória de mulheres na luta contra as ditaduras no Cone Sul e o gênero da esquerda em tempos de ditadura.

As palestras e mesas redondas, abertas ao público, serão realizadas no auditório da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Além disso, há 138 comunicações de pesquisa que serão apresentados em diversos grupos de trabalho.

Segundo Joana Maria Pedro, professora do departamento de História da UFSC e uma das organizadoras do evento, o Colóquio “pretende constituir uma rede de pesquisadores envolvidos com pesquisa e recuperação da história recente no Cone Sul sobre a temática gênero, feminismos e ditaduras, produzindo, na troca e exposição dos trabalhos, um momento de debate e de produção original de conhecimentos sobre a temática”.

Entre os palestrantes convidados estão a pesquisadora argentina Elizabeth Jelin, o médico paraguaio Alfredo Boccia Paz, a historiadora chilena Margarita Iglesias, a professora uruguaia Graciela Sapriza e a professora da Universidade Federal Fluminense Rachel Soihet.

A programação completa do evento está disponível em www.coloquioconesul.ufsc.br

As conferências de abertura e encerramento serão transmitidas ao vivo pela internet.

Para marcar entrevistas: Juliana Kroeger (48) 9911-1177
julianakroeger [ at ] yahoo com br

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28

Apr

09

A farra continua

“Câmara paga passagens para ex-deputados”. Tá no Congresso em Foco, site noticioso online que primeiro levantou a treta e foi repercutido por toda a grande mídia. A série é de autoria do meu amigo Lúcio Lambranho (ex-aluno do curso de jornalismo da UFSC, onde nos conhecemos) junto com Edson Sardinha e Eduardo Militão. Na lista de ex-deputados que utilizaram a mamata, nomes como o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (PT-DF), o atual vice-governador de Mato Grosso do Sul, Murilo Zauith (DEM), e o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

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18

Apr

09

Dois jingles do tempo da República Velha

Florianópolis, cidade linda, de nome tão feio, como quem mora aqui já sabe (ou devia), foi batizada assim em 1894 como homenagem de um deputado puxa-saco ao presidente Floriano Peixoto – então ainda bem vivo -, depois que ele mandou abafar a Revolução Federalista ao custo de quase 200 fuzilamentos na Fortaleza de Anhatomirim. Li hoje uma historinha jocosa também ligada ao nome do marechal. A fonte é a biografia Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho. Braga a ouviu na infância, de um parente mais velho, e anos depois contou ao sobrinho Edson, que a revelou ao biógrafo:

Na campanha presidencial que colocou Floriano contra Custódio de Melo, em 1890, os partidários de Melo cantavam, nas ruas: “Floriano, Floriano, que nome horrendo/ começa cheirando, acaba fedendo”. Mas seus adversários respondiam no mesmo tom: “Custódio, Custódio, que nome tens tu! / Acaba com ódio, começa com cu!”

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14

Apr

09

Trabalhadores da cana (6)

Sexta parte da série de reportagens e entrevistas sobre os impactos socioambientais da atividade sucroalcooleira no Brasil.

ENTREVISTA: Licio da Costa Raimundo – Facamp

“Brasil precisa exigir benefícios
sociais dos investidores em etanol”


O Brasil comete um erro histórico ao não definir regras que canalizem recursos dos investidores em etanol para o desenvolvimento nacional, diz economista

Entrevista a Dauro Veras

A expansão dos investimentos externos no etanol brasileiro deveria ser acompanhada de contrapartidas sociais, estabelecidas pelo governo por meio de regulamentação ou mesmo tributação. Quem opina é o economista Licio da Costa Raimundo, professor da Facamp (Faculdades de Campinas, SP).

Para ele, o Brasil comete um erro histórico ao não definir regras que canalizem recursos dos investidores em etanol para o desenvolvimento nacional, como, por exemplo, na área de pesquisa tecnológica: “Sem essas regras, o país ficará apenas com os aspectos negativos do processo, como os problemas sociais e ambientais”. [entrevista realizada em junho de 2007]

Na sua opinião, o grande volume de investimentos estrangeiros para a indústria de etanol no Brasil vai se traduzir em avanços trabalhistas, sociais e ambientais?

Licio da Costa Raimundo –
Certamente não. Poucas são as atividades produtivas no Brasil que exploram tanto o trabalhador e que geram tantos malefícios sociais quanto a indústria da cana, em suas várias vertentes. A única mudança sensível a ser observada nos próximos anos, provavelmente, é uma redução na prática das queimadas como fruto da maior mecanização da colheita, o que pode trazer benefícios ambientais. Não obstante, as “práticas” do setor, como, por exemplo, o uso do “triângulo” para medir o volume de cana cortada e suas inconsistências, sempre em prejuízo do trabalhador; a explosão populacional em pequenas cidades que não têm infra-estrutura para tal e os vários problemas sociais que a seguem, como o crescimento da prostituição (infantil, inclusive) e das taxas de homicídio e, finalmente, os danos ambientais de grande envergadura resultantes da larga utilização de herbicidas que possibilitam a antecipação da colheita, por exemplo, vão continuar existindo e provavelmente sendo ampliados com a ampliação do volume de capitais investidos nesse setor.

Por que, na sua avaliação, o Brasil está cometendo um “erro clássico” nas políticas nacionais de desenvolvimento quanto ao etanol?

Licio da Costa Raimundo – Porque não nos organizamos socialmente para receber os efeitos de mudanças no capitalismo mundial que já estavam anunciadas há algum tempo. Aqui no Brasil, a partir dos anos 90, nós cedemos à dominância de uma parceria inusitada: a alta finança e os grupos sociais que melhor representam o atraso. Quem são os investidores que estão despejando milhões e milhões na produção do etanol, hoje? Fundos de investimento, nacionais e estrangeiros. Recebemos, como nação, o impacto deletério (para os interesses do trabalho e do meio ambiente) desses novos atores de braços abertos, sem resistência. Eles chegaram e tomaram conta. Em outros países há resistência, inclusive por parte do Estado. Aqui fomos fracos para resistir, o que é uma aparente contradição com um país potencialmente tão rico como o nosso. (…)

Continua

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5

Arte + foto: Dauro Veras

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