20
Jun07
Não fui com a sua cara, vou recusar seu visto
Pior que depender de um imbecil é depender de um imbecil arrogante que detém poder – por mínimo que seja. Quem já teve problemas pra cruzar fronteiras sabe bem o que estou dizendo. Esse pessoal é mestre em fazer os inocentes se sentirem culpados, especialmente se tiverem outra cor de pele, sotaque diferente ou bigode suspeito. Uma simples e burocrática carimbada no passaporte pode encerrar lindos planos de viagem.
Um pequeno consolo é que há algumas autoridades preocupadas com isso. Um relatório de Linda Costelloe Baker, monitora independente nomeada pelo governo britânico, aponta que muitos vistos de turista para o Reino Unido são negados com justificativas ridículas. Ela analisou os primeiros nove meses de 2006. Veja alguns exemplos de razões alegadas para negar o visto:
- Quando o visitante “viaja de férias ao exterior pela primeira vez”.
- Quando planeja as férias sem nenhuma razão particular a não ser “ver paisagens”.
- Por “não ter suficiente domínio da língua inglesa para propósito de turismo”.
- Quando tem “pouca ou nenhuma idéia do que ver ou fazer”.
- Quando se hospeda em hotel longe da casa dos amigos.
Ela ressalva que, em comparação com 2005, houve avanços significativos.
[via Aidan Doyle, que leu na BBC]
~
p.s.: Já contei aqui uma pequena experiência desagradável desse tipo que tive no Chile. E uma de Kerouac ao entrar no Reino Unido.
11
Jun07
Fotos e fronteiras
Silvia Pavesi e Eumano Silva estão dando uma banda pela América Latina e compartilham suas fotos neste blog. A primeira leva é de imagens da Bolívia, um dos países que acho mais bonitos e bacanas de mochilar.
28
May07
Caminhos das Américas: Panamá
Serginho já está no Panamá. No mapa acima, o traçado azul é a indicação do caminho percorrido por ele. O GPS tá marcando tudinho. Quem quiser o mapa completo é só pedir pra ele no blog. Dá pra visualizar todo o roteiro passo a passo em uma animação no Google Earth, desde a saída dele de São Paulo, rua por rua. Já não se faz mais aventuras como antigamente…
Trecho de um post bacana dele com um balanço da primeira etapa da viagem:
(…) A America do sul é uma região incrível com uma diversidade geográfica, cultural e social incrível. Talvez por isso muita gente que eu conheço viajando pelo mundo diz ser um dos melhores lugares no mundo pra conhecer. (…)
Concordo 100%, Serginho. Viajar pra outros lugares e deixar de lado a América do Sul é como conhecer o outro lado da rua e nunca ter entrado no próprio quarto. A riqueza humana e natural deste continente é imensa.
Mais aqui
24
May07
Brincadeiras na neve
Primeira neve do ano na serra. E o frio continua:
Os catarinenses podem ficar certos de uma coisa: vão sentir muito frio, pelo menos, durante os próximos 10 dias. A massa de ar polar que entra pelo Oeste e pelo Sul do Estado derruba drasticamente as temperaturas, e frio abaixo de zero deve ser registrado de hoje até domingo.
Por incrível que pareça, moro em Santa Catarina há 21 anos e nunca vi neve aqui, embora ela venha quase todo ano. Ou derrete quando chego à Serra, ou por algum motivo não posso ir lá conferir. O pessoal que vive nos países gelados deve achar graça do fascínio que os fiapos de neve provocam nos brasileiros. Culpa dos desenhos animados que passam no nosso Natal escaldante, mostrando a meninada que espera Papai Noel na maior friaca.
A primeira vez que vi neve foi na Bolívia, no topo das montanhas. De longe, pela janela do ônibus. Depois vi nevar em Praga, numa primavera gelada sobre a ponte Karluv – aquela famosa das estátuas de santos, cartão postal checo, talvez a ponte mais charmosa do mundo. Chovia fino, daí vieram uns floquinhos de nada e logo viraram chuva de novo. Mesmo assim deu tempo de abrir a boca e provar o gosto – a gente vira criança mesmo. Hmm, picolé de chuva ácida.
Na clareira de um bosque suíço fiz um piquenique romântico com a Laura. Ao redor de nós o chão tava coberto de neve misturada com lama. Preferi provar só pão e vinho.
Também vi nevar no topo da Zugspitze, maior montanha da Alemanha (2.962 m, diz a Wikipedia). Tinha uma grande quantidade acumulada e realizei uma antiga fantasia besta: me joguei no chão de braços abertos, de costas, que nem os Beatles num dos filmes deles. Me senti o Ringo, o mais narigudo e palhaço dos Fab Four.
Tinha uma fantasia de infância: brincar de batalha com bolas de neve. Realizei na Noruega, numa minúscula estação de trem chamada Flam, onde fizemos uma baldeação. Ao redor dos trilhos havia um labirinto de paredes de neve acumulada, com mais de três metros de altura. Meu adversário era o amigo Eirik Eng, exímio atirador de bolotas desde a infância. Acertei algumas na cachola dele, mas por melhor que fosse minha pontaria, não dava pra vencer um nativo.
Nunca me entusiasmei com esqui ou trenó. Mas tenho outra fantasia ainda não realizada que compartilho com o Miguel: fazer um boneco de neve. Quem sabe neste inverno. Nem que seja um pokemon de neve, pela quantidade que costuma cair em São Joaquim.
21
May07
Vulcões na cozinha, na internet e na memória
Hoje de manhã Miguel e eu falamos sobre vulcões. Ativos, extintos, adormecidos… A curiosidade surgiu porque ele viu um vulcão submarino num desenho animado. Estávamos na cozinha e a panela de pressão serviu pra demonstrar por que essas forças da natureza cospem fogo e lava. À noite mostrei a ele no youtube um vídeo impressionante sobre a mais recente erupção do Etna, em 13 de dezembro de 2006. Em seguida, no Google Earth, localizei todos os vulcões ativos no mundo – mas ele já tinha perdido o interesse e fazia outra coisa.
Aí aproveitei pra aprender um pouquinho também, e revisitar um lugar. “Voei” pra Termas de Chillán, a 400 km ao sul de Santiago do Chile. Em 1998, numa viagem de trabalho, percorri a cavalo com Rogério Magrão Mosimann uma trilha aos Nevados de Chillán, um grupo de três vulcões ativos que ficam próximos a uma estação de esqui – subimos a montanha até umas piscinas naturais com água fervente cheirando a enxofre. Na imagem de satélite cliquei no link pro verbete da Wikipedia e de lá pro programa de vulcanismo global do Instituto Smithsonian, uma fonte riquíssima de informação. Vi que a mais recente erupção conhecida dos Nevados foi em 2003.
Acho fascinante essas oportunidades que as crianças e adultos de hoje têm pra aprender brincando. A combinação de histórias interessantes, exemplos práticos do dia-a-dia e os fantásticos recursos da internet podem transformar radicalmente a educação. Será que os professores estão atentos a isso? Se em vez de encararem a hipermídia como uma concorrente a usarem como aliada, podem transformar suas aulas em experiências inesquecíveis.
15
May07
Caminhos das Américas: Colômbia
Depois de um tempinho sem atualizar o blog, Serginho Severino volta a dar sinal de vida. Está na Colômbia, se preparando pra botar o carro num navio até o Panamá. Ele relata como foram os dias recentes também no Equador. Já são mais de 50 dias na estrada a bordo dum Land Rover.
10
May07
Os sons do planeta
Uma novidade bacana que acabo de ler no Plantão Info Exame: Google Earth terá sons do mundo. A notícia me trouxe a lembrança de um momento que vivi – e gravei – em 2005 numa comunidade quilombola de Alcântara, Maranhão: uma dança afro no meio do terreiro. Na noite iluminada só por fogueiras, mulheres e meninas com saia rodada em movimentos parangoléicos, homens e meninos tocando tambores numa cadência hipnótica. Magia pura do Brasil profundo. Dia desses digitalizo e compartilho aqui.
02
May07
No velho Oeste
Entre 27 e 30 estive no Oeste de SC trabalhando em um documentário. Frio e calor, neblina densa e dias ensolarados, jornadas cansativas em sintonia fina com uma equipe divertida e competente, muita comida italiana e hospitalidade calorosa. O vídeo vai falar por si próprio no momento certo.
18
Apr07
Caminhos das Américas: um mês de viagem
Serginho tá em Arica, Chile, e amanhã entra no Peru. Destino: Alaska.
~
Conheci o Norte Grande chileno em 89, no retorno de uma aventura de mochila por Bolívia e Peru. Tive uma experiência pouco agradável com os carabineros da fronteira, que já relatei aqui. Depois foi tudo beleza pura. De Arica, encravada no deserto do Atacama, recordo a paisagem árida, as praias de areia grossa e água gelada, nada especiais em comparação com as praias brasileiras, uma cerveja gostosa (Cristal) e uma galera legal na escola pública onde fiquei hospedado. Ah, lembro que pra cruzar a fronteira pegamos em Tacna, no lado peruano, um táxi que era um enorme Chevrolet sem capota, como o do filme Hair. Naquele retão do deserto, com o vento batendo no rosto, tocava na radiola da cachola uma música da trilha: “Good morning, sunshine…”
03
Apr07
Anotação de leitura: as dimensões da viagem
“Em geral, concebemos as viagens como um deslocamento no espaço. É pouco. Uma viagem inscreve-se simultaneamente no espaço, no tempo e na hierarquia social. Cada impressão só é definível se a relacionarmos de modo solidário com esses três eixos e, como o espaço possui sozinho três dimensões, precisaríamos de pelo menos cinco para fazermos da viagem uma representação adequada”.
Lévi-Strauss, em Tristes Trópicos, citado por Joca Wolff em Julio Cortázar – A viagem como metáfora produtiva.









