24
Aug07
Mais horas em avião que urubu de vôo
Recebi esta mensagem de um amigo querido, o mímico Antonio Rocha, um dos caras com mais milhagens que conheço:
… Bom, estou naquele corre-corre pois vôo para Singapura neste domingo a trabalho, depois volto dia 7 (4 dias em casa) e dia 12 vôo para Áustria a trabalho e de lá para Suécia também a trabalho. Só chego mesmo em casa dia 26 de setembro. Espero saber ainda contar até 10. Hehehehehehe. …
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Aliás, ele e eu temos uma incrível história de sincronicidade que se passou no país asiático – já contei aqui.
22
Aug07
20
Aug07
O mapa do paraíso das águas
Passamos o fim de semana no Sítio Pasárgada, do paulista Fernando e da ilhoa Regina. É uma pousada de turismo rural no Rio da Prata, em Anitápolis, a uns 100 km de Floripa. Se eu tivesse que incluir o paraíso numa cena de filme, seria uma locação perfeita. Mata nativa, nascentes – muuitas nascentes! -, trilhas, bromélias. Casa centenária de colonos alemães, dois chalés, sauna artesanal. Comida ótima e farta, gente simples, hospitaleira e boa de papo, crianças lindas. E mais: não pega tevê nem internet nem celular. A gente tem vontade de ir ficando, ficando…
O mapa da mina: subir a serra pela BR-282, sentido Floripa-Lages. Pegar à esquerda no trevo de Rancho Queimado e seguir pela estrada de chão. A partir do trevo são uns 44 km até a cidade, os 13 últimos de asfalto. Depois dobrar na ponte e percorrer mais 6 km de estrada de chão, beirando o rio. Reservas: (48) 3256-0034 / 3256-0316. Aqui tem mais opções de hospedagem na região. É um projeto muito legal que envolve agricultores orgânicos, chamado Acolhida na Colônia.
17
Aug07
‘On the road’: banal e mal escrita?
Ana Paula fez um comentário interessante e respondo aqui. On the road é uma história banal? Talvez possa ser vista assim. Acho que nisso está boa parte da força do romance – os acontecimentos narrados são banais e o núcleo ocorre sob a superfície. Os protagonistas fogem da vida previsível e enfadonha da classe média conformista dos anos quarenta e se aventuram pelas estradas em busca do momento presente, em vez de sonhar com a ilusória estabilidade. Aos vinte anos eu faria isso (aliás, fiz); hoje a viagem é outra. Mas a magia simbólica da estrada está lá. Eu a reconheci inteira, porque já a tinha vivido sem palavras em minhas andanças, antes de ler o livro.
Texto pobre? Aqui há um detalhe importante: muito se perde na tradução. Rimas, aliterações, coisas assim. Nada entendo de teoria literária, mas minha impressão é que, mesmo tendo sido escrito em poucas semanas e sob inspiração do instinto (baixou o santo no homem), houve trabalho cerebral deliberado pra aproximar a prosa da poesia. O “fluxo da consciência” tenta reproduzir o fio dos pensamentos à medida que surgem, mas antes de ser colocado no papel, passou por um filtro de talento. Ele fez várias leituras públicas de trechos do livro ao som de jazz. Talvez esse ritmo seja a chave pra pegar carona no ritmo da narrativa, nas suas frases longas, elipses, digressões.
Trama fraca? Disconcordo. A história tem estrutura simples, mas focada na construção de um personagem com vida psicológica e afetiva riquíssima. Dean Moriarty é o miolo do romance, sua razão de ser. Um cara rebelde, irresponsável, hedonista, incoerente, amoroso, maluco, impulsivo, com pitadas de agressividade e sentimento autodestrutivo. Essa grande salada o torna uma espécie de mito aos olhos do narrador – e dos leitores que assim o enxergaram. O mito é construído e parcialmente demolido no desenrolar da narrativa. Mas é isso… Livros, pessoas, cervejas, impossível obter unanimidade, né?
Eu já tinha comentado sobre Vagabundos Iluminados (Dharma Bums), talvez seu melhor romance – On the road ofuscou todos os outros, para desencanto do autor. Lembrei de outro interessante que li há anos: Big Sur. É uma viagem de delirium tremens durante um isolamento voluntário do protagonista como guarda de um parque florestal na Califórnia. Nada muito brilhante, mas tem trechos bons. Vale conferir.
17
Aug07
Viajar a pé é uma virtude
A piauí deste mês traz um perfil muito bem escrito de FHC, por João Moreira Salles, que o acompanhou por dez dias e 19 compromissos nos States (“O andarilho”). Tem uma matéria interessante sobre o último preso político no Brasil, um italiano que militou nos “anos de chumbo” de lá. Um conto engraçado de André Sant’anna (“Meio ambiente é o caralho”). E uma entrevista curta com o louco do Werner Herzog (“O que aprendi”), em que somente as respostas são publicadas. Trechos desta:
Fatos não me interessam muito. Fatos são para os contadores. A verdade gera iluminação.
Eu estava fazendo um filme com um elenco só de anões e um deles pegou fogo e foi atropelado por um carro. Ele saiu completamente ileso e eu fiquei tão espantado que disse ao elenco que, se todos saíssem intactos da filmagem, eu pularia num cacto, para diverti-los. E eles saíram intactos, então eu pulei no cacto.
Por que os Estados Unidos? Porque me casei.
Los Angeles é a cidade americana que tem mais substância – substância cultural.
Não me tornarei cidadão de um país que tem pena capital. É uma questão de princípios.
Fiz um filme em que hipnotizei todo o elenco. Pessoas psicóticas não devem ser hipnotizadas.
É bobagem achar que a vida humana pode se sustentar neste planeta.
Respeite os indígenas.
Mais que em qualquer outro período histórico, nosso senso de realidade está gravemente ameaçado. É a Internet, o Photoshop, são os efeitos digitais do cinema, os videogames – ferramentas que surgiram com impacto imediato.
O turismo é um pecado. Viajar a pé é uma virtude. (…) Você ouve histórias que não foram contadas a mais ninguém.
Se eu abrisse uma escola de cinema, obrigaria todos a pagarem pelo ensino trabalhando. Não num escritório – lá fora, na vida real.
Levei um tiro no ano passado. Não me afetou porque eu já tinha sido baleado antes.
Não vou responder a isto. Uma revista não é o lugar para o significado da vida. Uma revista deve conhecer suas limitações.
16
Aug07
Um cinqüentão em boa forma
On the road, livro de Jack Kerouac que virou símbolo da geração beat, comemora 50 anos. O romance autobiográfico conta das andanças de Sal Paradise – personagem baseado no autor – e Dean Moriarty – inspirado em Neal Cassady, amigo de Kerouac – de carona pelos Estados Unidos e México, no ritmo de jazz. Foi escrito com a técnica do “fluxo de consciência” numa folha de papel com 36 metros e meio. Muitos especialistas o consideram mais uma curiosidade histórica e minimizam seu valor literário. Mas o livro ainda é bastante estudado nas escolas americanas e faz parte da bagagem de muitos mochileiros. Li pela primeira vez aos vinte anos e fiquei encantado com seu ritmo e prosa poética. Reli o ano passado, com olhar um pouco mais crítico. Mesmo assim a magia permanecia lá. Pra quem gostou ou quer conhecer mais de Kerouac, recomendo também Vagabundos Iluminados, uma viagem mais zen.
02
Aug07
Dia 131: o fim da estrada
No dia 27 de julho o amigo Serginho Severino chegou a Prudhoe Bay, no Alasca, ponto final de seu desafio Caminhos das Américas. Já está a caminho de casa, sempre que possível por novas estradas. Ele colocou várias fotos lindas da viagem em sua galeria no Picasa Web. A aventura continua.
02
Aug07
Os pássaros estão voltando
Viajei ao Oeste de SC pra continuar as gravações de um vídeo documentário. Dias trabalhosos e divertidos com uma equipe em sintonia fina. Frio de até 2 graus negativos, com a geada branquinha cobrindo os campos. Comida farta e boa, vinho no almoço e no jantar. Hospitalidade calorosa dos colonos de ascendência italiana. Papos agradáveis na beira de fogões a lenha e lareiras. Muito off-road, muita neblina, tangerinas colhidas direto das árvores. Notícias ruins e boas sobre aquele pedacinho do mundo. Uma que me alegrou: os pássaros, que andavam sumidos, estão voltando. O pessoal de hoje já não caça como seus pais e avós.
03
Jul07
Caminhos das Américas: a viagem continua
Depois de uma capotagem na Guatemala – da qual saiu ileso, mas não seu Land Rover – Serginho Severino se prepara pra prosseguir a viagem rumo ao Alasca.
27
Jun07
Caminhos das Américas: acidente de percurso
Acabo de ler no blog do Serginho Severino que ele capotou o Land Rover na Guatemala, num acidente envolvendo um caminhão. Mas ele está bem. O post foi escrito dia 18. Pelo que li nos comentários, Serginho tá procurando peças de reposição. Então a viagem ao Alasca continua.








