Posts com a categoria ‘viagem’

05

Nov

07

Diários da América Latina

Silvia Pavesi e Eumano Silva, que estão mochilando há vários meses pela América Latina, chegaram ao Panamá. Segue trecho (sem edição) do relato que recebi dela sobre os últimos dias na Colômbia. Estavam num lugar sem estradas nem carne, mas com internet.
(…) Depois de uma semana em Puerto Obaldia, um pueblito de 600 pessoas na fronteira com a Colombia, tomamos, finalmente, o barco. Puerto Obaldia foi um pouco chato. É zona de fronteira e de segurança, entao, tinhamos que pedir licença pra policia até pra ir caminhar na praia, que nem é tao bonita assim. Nossa pousada era a unica da vila, bem fraquinha, mas pelo menos, tínhamos um teto. O banho era de cuia. Comemos apenas arroz com peixe frito todos os dias. Nao tem frutas, nao tem verduras, nao tem leite, nao tem carne no povoado. Ah, rolou um frango, um dia. E bananas verdes fritas, que è prato típico na colombia, venezuela, equador e panamá tb. Nao é saboroso, mas pelo menos alimenta e tem vitaminas. Mas no final, foi legal, curtimos.

Muitas histórias rolaram. Na pousada acabamos conhecendo outros ” naufragos” como a gente. Um mariner americano que esta na reserva e se chama Rodrigo. Apesar de mariner, super gente boa. U/m colombiano que està pedindo asilo polìtico no Panamà e nao pode sair de Obaldia de jeito nenhum, outro colombiano novinho que tb està tentado sair da colombia e foi mandado embora no primeiro dia, antes de conseguir entrar em Obaldia ( nao ganhou visto), um nicaraguense-brasileiro que morou em itapema, um casal de artesaos franceses que esta viajando há mais de um ano e que dormiam na praia pq nao tinham dinheiro pra gastar com hospedagem, enfim…

Na ultima noite chegou carne no povoado, mandado pelo exército. compramos e fizemos um churrasco. Foi bem legal. Estava rolando uma festa da cidade em Obaldia que durou quatro dias. Foi por isso que o barco demorou a sair, pq a tripulaçao era de lá e nao queria zarpar antes da festa terminar. Por isso, todo dia a saìda era adiada atè que saìmos no sábado, exatamente uma semana depois de chegarmos neste lugar perdido, sem estradas, mas com internet. (…)

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19

Oct

07

Amante na China

A Zeca – Maria José Baldessar, professora de jornalismo da UFSC – me passa mais uma indicação legal de blog: Amante na China. É do Richard, ex-aluno dela que se formou em 2002 e agora está por aquelas bandas estudando mandarim, entre outras coisas que não tive tempo de descobrir. Texto bem-humorado e informativo, com muitas fotos bonitas, relatos do cotidiano em Beijing e de viagens – ele esteve na Mongólia há pouco. Gostei muito. É um grande incentivo pra um dia fazer essa aventura. Trecho:

(…) No meio de uma dessas conversas, uma chinesa parou e perguntou se eu entendo chinês. Eu disse que falo pouco, muito pouco, aí ela começou a conversar com a Lauren, que já entende e fala um pouco mais. Resumindo, ela era produtora de cinema e estava procurando dois estrangeiros para fazer uma gravação de última hora, ainda hoje, para um filme chinês. Seriam dois policiais, um bem magro e um gordinho, que teriam algumas falas em chinês, e receberiam, cada um, ¥300 – o equivalente a R$ 75,00. Acabou não rolando, por causa do meu chinês, e eu adiei a minha estréia no cinema asiático. Bom, até agora eu não sei qual seria o meu personagem, o magrinho ou o gordinho. Eu até perguntei, mas ela não respondeu, apenas riu.

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17

Oct

07

Em busca do próximo lugar quente

Esta reportagem de Candace Jackson, do Wall Street Journal, conta como um seleto grupo de profissionais testa praias paradisíacas e outros lugares lindos e anônimos pra transformá-los nos futuros points do turismo mundial. O infográfico mostra quais são os lugares que a indústria do turismo espera que entrem na moda nos próximos anos. Entre eles, Montenegro, Minneapolis, Honduras, Nicarágua, Abu Dhabi e Ruanda.
[dica de Emerson Gasperin]

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17

Oct

07

Viagem pela História: Colômbia

O Correio Braziliense e O Estado de Minas de hoje publicam a quarta reportagem da série “Viagem pela História”, escrita pelos jornalistas-mochileiros Silvia Pavesi e Eumano Silva. “Os mistérios dos sítios arqueológicos de Tierradentro e San Agustin e o charme de Popayan no sul da Colômbia são os temas da vez”, conta Silvia. “Também postamos algumas fotos de Machu Picchu e as reportagens anteriores no http://fotosefronteiras.blogspot.com E ainda tem mais fotos no http://silviapavesiphotos.blogspot.com“.

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08

Oct

07

As festas de outubro e uma encomenda do Ceará

Tia Cleide chegou hoje numa excursão de aposentados. Veio de Fortaleza, com escalas em Balneário Camboriú, Penha (Beto Carrero), Blumenau (Oktoberfest) e Itajaí (Marejada). Na bagagem uma encomenda especial: castanha de caju, rapadura e dois tijolos de polpa de tamarindo.

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02

Oct

07

Lonely Planet agora é da BBC

Aviso aos viajantes: a BBC comprou a Lonely Planet. Tony e Maureen Weeler, casal de australianos que há 34 anos criaram a série de guias de viagem, vão receber em torno de 120 milhões de dólares e ainda ficam com um quarto da empresa, que hoje tem no catálogo cerca de 500 guias de viagem escritos por mais de 360 autores. Nada mal pra quem começou com um único guia, vendido a granel em poucas livrarias pra pagar o aluguel da mãe da autora.

Sou grande fã dos guias LP. Alguns, como Central Europe in a Shoestring, e South America, já me foram bastante úteis na estrada. Trazem uma visão equilibrada e informal sobre praticamente todos os lugares do mundo onde é possível um ser humano chegar com uma mochila nas costas e pouca grana no bolso. Mas tenho uma ressalva: eles sofrem do “paradoxo do sucesso”. Quando um guia LP recomenda uma pousada ou restaurante, em pouco tempo o lugar fica lotado de viajantes atrás da barbada e o resultado inevitável é a queda da qualidade.

Uma boa alternativa a esse paradoxo é o fórum do saite deles, The Thorn Tree, onde os viajantes têm a oportunidade de trocar dicas e idéias em seções segmentadas pelos mais diversos interesses, tanto geográficos quanto temáticos – mulheres, gays, idosos, viagens com crianças, viagens experimentais, viajantes com deficiências… É uma mina de ouro, sempre com informações atualizadas. Já fiz bons amigos por lá.

A proposta da BBC é manter o espírito de aventura que norteia a coleção e ampliar os produtos para outras mídias. Já os autores pretendem investir o dinheiro na Fundação Lonely Planet, dedicada a projetos educacionais e de conservação em países em desenvolvimento. Mais aqui (in English).

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13

Sep

07

Uma viagem pela margem do Novo Chico

Caroline e Ticiani, duas estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, resolveram botar os pés na estrada pra fazer o trabalho de conclusão de curso. Elas estão percorrendo de carro, por um mês, a margem pernambucana do Rio São Francisco. Serão ao todo 500 quilômetros e dez municípios. Seu objetivo é contar sobre as pessoas que vão ter suas vidas afetadas pela obra. A aventura jornalística pode ser acompanhada no blog Às margens da transposição.

Fiquei encantado com a ousadia e a relevância da proposta. Esta pauta estava “caindo de madura”, como se diz entre os coleguinhas. O Brasil é um mundo de histórias a serem contadas, de gente simples e anônima que rala de sol a sol pra sobreviver e criar a família – neste caso, bote sol nisso! Quando essas pessoas vivem no entorno de um polêmico megaprojeto de engenharia, o registro de seus depoimentos ganha uma dimensão social e histórica importante.

Acho bacana a narrativa em primeira pessoa. Elas se colocam na história, com suas inseguranças, expectativas e o frescor de jornalistas em princípio de carreira – com os naturais escorregões que a falta de experiência possa trazer, mas com a vantagem de estarem livres dos vícios dos profissionais calejados pelo cinismo do dia-a-dia. As descrições do cotidiano da viagem, com seus estranhamentos e choques culturais, são saborosas. No dia 12, em Lagoa Grande, por exemplo:

(…) deparamos com uma espécie de mirante no Velho Chico. Não hesitei. Parei o carro e desci para ver aquela imensidão. A Carol me seguiu no primeiro instante, mas logo pediu para que saíssemos dali, se sentia ameaçada. Um bando de meninos, entre 13 e 15 anos chegavam no local. O que inibiu a Carol, me tranqüilizou. Eram apenas guris de ‘cueca’ indo tomar banho no rio. Eles usavam o mirante como trampolim. Numa tentativa de aproximação, não fomos bem recebidas. Tentamos puxar papo com duas meninas e elas não nos entendiam ou não sabiam lidar com a situação. Percebendo que não teríamos retorno, nos afastamos e ficamos só observando a movimentação. (…)

As impressões sobre a comida, o trânsito e o clima:

É difícil uma gaúcha e uma catarinense de São Joaquim admitirem, mas o vento também nos fez passar frio.

Sombra? Que sombra?

As bicicletas acham que são motos.

Farofa é onipresente.

Baião de dois não é uma refeição que dá pra dois. É uma mistura de arroz, feijão, calabresa, bacon e o que mais se quiser por dentro.

A cobertura é multimídia, com textos, fotos e vídeos – estes últimos, por enquanto, ainda não estão no blog. Gostei da apresentação de fotos com a ferramenta slide. Senti falta do RSS e de uma variedade maior da tags – acho que o critério de classificar os posts só em “editorias” subutiliza o recurso, que possibilita entradas mais intuitivas. Encontrei uma referência a “não-cultura” associada à miséria e à seca que vão encontrar pela frente. A redefinição do conceito trivial de cultura pode ser uma surpreendente descoberta das viajantes…

Uma coisa maravilhosa nesse mar de histórias é que ele oferece várias continuações possíveis, a serem feitas por elas mesmas ou por outros. Um próximo passo seria visitar locais que vão receber a água da transposição. Outra abordagem possível é fazer esses dois caminhos daqui a alguns anos, numa viagem comparativa – se possível, revisitando os personagens que apareceram na jornada anterior.

Boa viagem, meninas! Desejo que esta viagem abra portas pra muitas outras. Abraços de um pernambucano na Ilha de Santa Catarina.

p.s.: “Transposição do rio São Francisco” tem 187 mil referências no Google.

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01

Sep

07

Diários do Paquistão

Sakamoto (à esquerda) no PaquistãoEm 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.

Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá – estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema – e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião – são uma leitura que recomendo com ênfase.

p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.

p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil – me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.

p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.

p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: – Pai… Te amo.

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27

Aug

07

Meus sapatos gastam sempre
na parte interna do calcanhar
Às vezes tropeço à toa,
mas tenho andado longe
Antes de pensar, passo

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24

Aug

07

Água pura


Cachoeira em nascente que alimenta o Rio da Prata, em Anitápolis, SC.

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