01
Mar12
Matter
Vale prestar atenção na proposta dessa nova revista de grandes reportagens sobre ciência e tecnologia. Em uma semana, os autores do projeto conseguiram 85 mil dólares via crowdfunding.
“Matter vai se concentrar em fazer excepcionalmente bem uma única coisa. A cada semana, publicaremos uma reportagem de fôlego sobre grandes temas de ciência e tecnologia. Nada de resenhas baratas, artigos de opinião sarcásticos ou listas dos dez mais. Apenas uma matéria imperdível.”
(via revista piauí)
01
Dec11
Gay Talese fala ao Trindade Times
Trecho da entrevista concedida em 18 de outubro ao jornal-mural Trindade Times, atividade final da disciplina Edição do curso de Jornalismo da UFSC, por Marília Marasciulo, publicada no site Cotidiano:
TT: O que o senhor recomendaria a um estudante de Jornalismo?
GT: Ceticismo. Não acredite em nada a menos que você mesmo possa provar. Não acredite em fontes secundárias. Não acredite em ninguém, até que você vá até lá, observe e tenha certeza de que está certo. Faça você mesmo, não delegue. Se levar um pouco mais de tempo, e daí? Você não tem que fazer em quatro minutos, faça em cinco horas, mas faça direito. Leve o tempo que precisar, porque o quê você escreve hoje significa algo sobre amanhã. Eles [jornalistas] pensam que escrevem hoje, e que amanhã tem outra coisa, e depois de amanhã outra, mas eles têm que saber que devem demorar mais. Faça um trabalho melhor. Faça um trabalho melhor porque as pessoas precisam saber a verdade, e elas não têm recebido muita verdade ultimamente. Elas recebem muita especulação, e muita informação que vem de fontes pouco confiáveis.
28
Nov11
Petroleiras buscam executivos
Materinha minha no Valor Econômico de sexta-feira sobre as boas perspectivas para executivos na indústria de óleo e gás, por conta do cenário econômico favorável, da demanda aquecida e da baixa oferta de profissionais qualificados.
20
Nov11
28 filmes sobre jornalismo
Estou fazendo um delicioso curso de extensão na UFSC com o professor Francisco Karam: Jornalismo, Jornalistas e Cinema: representações. Durante seis encontros, vamos conversar sobre dezenas de filmes em que a profissão de jornalista é retratada, às vezes de maneira exagerada ou caricata – com seus dilemas éticos, aventuras e tragédias, glamour, decadência, bebedeiras, manipulações, idealismos. Só o tema já valeria o curso. E quando temos um professor do quilate do Karam pra mediar essa exploração, tudo fica ainda mais interessante.
Boa parte das obras que ele cita estão nesta lista do ObjEthos, com mais de cem filmes sobre jornalismo. A maioria é acompanhada de resenhas. Desses cento e tantos, vi 27 – a vida é curta pra tanto filme bom. Aproveito pra compartilhar esta minha lista, que tem um bonus track de Fellini. A ordem da lista é aleatória e irrelevante. Recomendo todos. Os que estiverem em negrito são recomendações especiais.
- A montanha dos sete abutres (Ace in the Hole, EUA, 1951, Billy Wilder). Um clássico do cinema, com a magistral interpretação de Kirk Douglas como jornalista inescrupuloso que prolonga uma tragédia pra vender mais jornal.
- Boa noite e boa sorte
- Capote
- Cidadão Kane (Citizen Kane, EUA, 1941, Orson Welles). Pra muitos, o melhor filme já feito. Não sei se chega a isso, mas vale conferir, sem dúvida.
- Diamantes de sangue
- Frost-Nixon
- Herói por acidente
- Intrigas de Estado
- Leões e cordeiros
- Medo e delírio
- O americano tranquilo (The Quiet American, EUA, 2002, de Philip Noyce, com Michael Caine). Belo filme ambientado no Vietnã durante a Guerra Fria, é a segunda adaptação do romance de Graham Greene.
- O diabo veste Prada
- O dossiê Pelicano
- O informante
- O povo vs. Larry Flint
- O show de Truman (The Truman Show, EUA, 1998, Peter Weir), sobre um homem que vive em um reality show sem saber. Com Jim Carrey, quase sem caretas.
- Os gritos do silêncio (The Killing Fields, Inglaterra, 1984, Roland Joffé). Amizade entre dois repórteres durante o conflito do Camboja.
- Profissão: repórter (The Passenger, 1975, Michelangelo Antonioni). Questionamento sobre o tédio existencial, a verdade e o papel da imprensa. O protagonista é o grande Jack Nicholson.
- Quase famosos
- Quizz Show
- Salvador, o martírio de um povo (1981, EUA, Oliver Stone). Filmaço sobre a cobertura do conflito de El Savador, com o grande ator James Woods.
- Sob fogo cerrado
- Talk Radio – Verdades que matam (Talk Radio, EUA, 1988, Oliver Stone). A polêmica levada ao extremo num programa de rádio. Muito bom. O curioso é que ele foi quase todo filmado em um estúdio e mesmo assim mantém o pique até o fim.
- Terra de ninguém
- Todos os homens do presidente (1976, EUA, Alan J. Pakula). Clássico sobre a investigação do escândalo de Watergate pelos dois repórteres do Washington Post, em excelente interpretação de Robert Redford e Dustin Hoffmann.
- Tropa de Elite 2
- Um grito de liberdade
- A doce vida (1960, Federico Fellini). Clássico, must-see. O repórter interpretado pelo genial Marcello Mastroianni ganha a vida cobrindo celebridades. O personagem do fotógrafo deu origem ao termo “papparazzi”.
20
Nov11
Verticais de negócios
A edição de novembro da revista Você S/A traz, com o título “Floripa high tech”, o texto condensado de uma reportagem que fiz sobre as verticais de negócios, um modelo inovador de associativismo adotado pelas empresas de T.I. de Florianópolis. Leia aqui no blog a íntegra do texto.
31
Oct11
Conversa Pública sobre o Haiti
Compartilhando:
CONVITE: CONVERSA PÚBLICA SOBRE O HAITI
COM KIM YVES E DAN COUGHLIN
A Agência Pública de reportagem e jornalismo investigativo vai receber dois grandes jornalistas que cobrem o Haiti para uma conversa aberta e franca com o público.
Os dois foram responsáveis pela publicação dos documentos do WikiLeaks no Haiti, que revelaram entre outras coisas o lobby dos Estados Unidos para frear o aumento do salário mínimo para 5 dólares por dia e a articulação para manter Aristide fora do país.
Na Conversa Pública eles vão falar também sobre o atual governo e os protestos contra a Minustah, a força de paz da ONU comandada pelo Brasil desde 2004. O papo será mediado por Natalia Viana.
Dan Coughlin faz reportagens sobre o Haiti desde 1992. Ele foi correspondente do Inter Press Service e director da radio independente Pacifica Network, nos EUA. Hoje em dia colabora com o The Nation, que foi parceiro do Haiti Liberte para a publicação dos documentos do WikiLeaks sobre oi Haiti.
Kim Ives é editor do jornal Haiti Liberté, que circula no Haiti e nas comunidades de imigrantes haitianos nos Estados Unidos. Ele comanda um programa semanal na radio publica WBAI-FM, nos EUA, e já dirigiu e produziu diversos documentários sobre o Haiti.
SERVIÇO:
CONVERSA PÚBLICA – HAITI
Dia 06 de novembro às 14 horas
Rua Vitorino Carmilo, 459 – Barra Funda – São Paulo – TEL: +55 (11) 3661 3887
Entrada Franca
13
Oct11
Perseguição a jornalista em Angola
Da ong Repórteres sem Fronteiras:
12.10.2011
ANGOLA
Condenado por “difamação”, o jornalista William Tonet sujeita-se a um ano de prisão
Repórteres sem Fronteiras denuncia a condenação por “difamação”, anunciada a 10 de Outubro de 2011, do jornalista William Tonet, e a decisão da justiça angolana de lhe impor o pagamento da soma de dez milhões de kwanzas (77 000 euros) aos queixosos num prazo de cinco dias. Se não desembolsar este montante, o jornalista terá de cumprir um ano de prisão.
Além disso, para que o recurso interposto pelo advogado de defesa seja aceite pelo Tribunal Supremo, o jornalista terá de pagar a multa de dez milhões de kwanzas.
“O juiz do Tribunal Provincial de Luanda decretou uma pena incompreensível. Embora o carácter difamatório do artigo em questão não tenha sido comprovado, o jornalista vê-se obrigado a indemnizar os queixosos. William Tonet, há muito alvo das autoridades, parece pagar o preço da sua independência. Denunciamos igualmente a conivência entre o juiz e os queixosos. A pena pronunciada contra este jornalista assemelha-se a um aviso e uma intimidação dirigida ao conjunto da profissão”, declarou Repórteres sem Fronteiras.
“Por outro lado, é anormal que o jornalista tenha de pagar o montante da multa de forma a obter a suspensão da pena. Em caso de recurso, o efeito suspensivo da pena deveria ser imediato”, acrescentou a organização, que salienta que os jornalistas que cobriam a audiência foram intimidados e impedidos de realizar o seu trabalho livremente.
William Tonet foi atacado em tribunal na sequência de um artigo publicado em 2008 no seu jornal Folha8, no qual acusava três generais do exército angolano e o director nacional das alfândegas de enriquecimento ilícito, corrupção e abuso de poder.
O seu advogado, David Mendes, arremeteu contra o valor exorbitante da multa. “Por homicídio, a multa é de 200 mil kwanzas, 700 mil se o juiz forçar a nota. Como explicar uma condenação a dez milhões de kwanzas por difamação, num caso em que demonstrámos a realidade dos factos evocados?”, inquiriu o advogado.
“Onde é que vamos arranjar tanto dinheiro para pagar aos queixosos? Prefiro ir para a cadeia”, afirmou por seu lado o jornalista.
A Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD), observadora oficial da União Africana em temas de direitos humanos, lançou uma campanha oficial de recolha de fundos para pagar a indemnização.
03
Oct11
24
Aug11
Ong quer Refúgio de Vida Silvestre no lugar de fosfateira
Está em análise pela autarquia federal ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) um pedido protocolado em julho pela Associação Montanha Viva para criação de uma Unidade de Conservação no município catarinense de Anitápolis, a 100 km de Florianópolis. Com a categoria de Refúgio da Vida Silvestre, a unidade seria demarcada exatamente na área do polêmico Projeto Anitápolis, da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), que prevê a construção de uma fosfateira em área de mata atlântica. Estudo realizado pelas consultorias Caruso Júnior e Prominer Projetos aponta a existência no local de pelo menos 32 espécies de mamíferos, 168 de aves e 94 de plantas protegidas pela legislação.
“A maior diversidade de mamíferos nativos foi encontrada justamente no local onde está sendo projetada a barragem de rejeitos de jusante”, conta o advogado da Montanha Viva, Eduardo Bastos Moreira Lima. “O estudo encontrou vestígios de espécie não identificada de Felidae, provavelmente o gato do mato pequeno ou jaguarundi”. Das 168 espécies de aves identificadas, 141 estão dentro da área do empreendimento e 70 no entorno. Entre as ameaçadas de extinção estão o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) e a águia cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus). Duas ações civis públicas tramitam na Justiça Federal contra o empreendimento – uma proposta em 2009 pela Montanha Viva e a outra pela Defensoria Pública da União/SC.
No dia 13 de julho, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar denúncia da Associação (feita em 2009) e do Ministério Público Federal (MPF) de suspostos delitos apontados no Parecer Técnico do Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio Tubarão: diversas irregularidades nos estudos ambientais e supressão não-autorizada de vegetação. Uma vistoria técnica realizada em 28 de agosto de 2009 constatou indícios de crime ambiental, o “anelamento” de araucárias. A prática consiste em descascar a base do tronco para obstruir a passagem de seiva e assim matar a árvore. “Pelo que se depreende das análises, o empreendimento causará grandes prejuízos à flora e à fauna local e, em muitos pontos, será de forma irreversível”, diz o relatório, que dá parecer contrário à construção da fosfateira. Existem outros três pareceres técnicos contrários ao empreendimento.
Outra representação junto ao MPF levou à abertura de inquérito civil para apurar a possível aquisição dos ativos da Bunge e Yara pela Companhia Vale e seus impactos face à concentração de mercado. O inquérito também pretende apurar a eventual caducidade do direito de lavra na área de propriedade da Bunge e Yara em Anitápolis.
13
Jul11
Gay Talese: “O jornalismo está se tornando preguiçoso”

Gay Talese. Reprodução NY Times
Interessante entrevista de Gay Talese aos jornalistas Fernando de Oliveira e Thiago Maurique, do Diário Regional (Santa Cruz do Sul-RS) sobre seu livro Honra teu pai. Publicado em 1971 e recém-lançado no Brasil, o livro conta a história de Joseph Bonanno, chefe mafioso de Nova York, e de seu filho Salvatore “Bill” Bonanno. Para escrevê-lo, o então repórter do New York Times precisou se tornar amigo de Bill Bonanno e esperar cinco anos para convencer o mafioso a lhe contar sua história. Trechos:
P. – O senhor acha que seria possível, hoje, escrever um livro como este?
Talese – Sim, claro que seria possível, do mesmo jeito que eu fiz. No entanto, tem que ser gasto um bom tempo e conservar um relacionamento. Tanto nos EUA quanto no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, existem histórias que você pode contar se você realmente se dedicar a isso. Nunca é fácil fazer alguma coisa boa, sempre é difícil. Mas você não vai conseguir isso utilizando o Google. Nunca vai conseguir fazer isso usando um telefone celular, ou um gravador. Você tem que sair na rua e cultivar uma relação, e gastar tempo com ela. É o que eu chamo, em minhas próprias palavras de ‘The art of hanging out’ (a arte de sair por aí).…
P. – A propósito, o senhor sempre defendeu que lugar de jornalista é na rua. O que o senhor pensa sobre o jornalismo que é praticado hoje, com a internet e as facilidades que esta tecnologia proporciona?
Talese - … Os jornalistas, hoje, não estão descobrindo nada por tentativa, ou por acidente. O que estão fazendo é muito imediatista. O jornalismo tem se tornado muito previsível. Nada é profundo, pensado ou divagado. Então o jornalismo está se tornando preguiçoso, porque os jornalistas não querem se mexer. A primeira coisa que fazem quando acordam é abrir um pequeno laptop e começar a apertar botões. Então eles leem jornais, olham fotografias, jogam games ou qualquer outra coisa e, talvez, até façam entrevistas com outras pessoas, mas são pessoas que são educadas, que sabem como usar um laptop, um smartphone ou o que quer que estejam usando. E estão perdendo todo o contexto da vida. É tudo baseado em cumprir o objetivo. Eles querem ir do ponto a para o ponto b, e querem fazer isso rápido, de maneira eficiente sem perder nenhum tempo. Bom, perder tempo é muito bom. O tempo é maravilhoso quando você o perde. Quando você perde tempo você pode pensar que é um desperdício, mas não é. Às vezes você aprende com o silêncio, ou com os momentos de indecisão. Você aprende coisas que você jamais pensou que saberia, e aprende coisas sobre as quais você nunca pensou, e que nunca iria perguntar sobre. São coisas muito valiosas para a mente intelectual, e para a curiosidade intelectual que algumas pessoas têm. A internet joga contra esta curiosidade. Ela proporciona todas as respostas de maneira fácil. Você coloca o nome de alguém no google e descobre muito sobre ela. Se é verdade ou não, você não vai saber a diferença.








