06
Dec08
A enchente e a publicidade oportunista
Um leitor do blog chama a atenção pro podcast que acompanha esta matéria da Folha de S. Paulo (“Homem que perdeu tudo ajuda a resgatar vítimas da enchente em Santa Catarina”). A primeira coisa que a gente ouve é a dica sobre uma incorporadora de imóveis de onde o desempregado Elson Ferreira da Conceição, com a água até o pescoço e pensando nas crianças e nos idosos ameaçados pelas águas, pode encontrar uma nova casa. “Cirela. Basta um clique”. Comenta o leitor: “Isso é que é jornalismo-cidadão! Põe sensibilidade nisso. ;-)”
05
Dec08
Jornalismo, mangaba e direitos humanos
Dia de comemoração! Acabo de saber que a reportagem Tradição Dizimada, escrita por Paola Bello e fotografada por Tatiana Cardeal, ganhou o Prêmio Especial de Direitos Humanos da OAB/RS e do Movimento Justiça e Direitos Humanos. O texto, sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres catadoras de mangaba de Sergipe, foi publicado em novembro na edição 14 de Observatório Social Em Revista [pdf, 4,3 MB], que tive a honra de editar.
Começa assim a matéria:
Quando as primeiras flores da mangabeira começam a desabrochar na restinga sergipana, não é somente uma nova estação que se aproxima. A cada safra, a incerteza e a angústia de três mil famílias se multiplicam. Liderada por mulheres de pele negra e causas nobres, a catação ou colheita da mangaba é a razão pela qual toda uma comunidade tradicional nordestina está com a existência ameaçada.A árvore símbolo de Sergipe já foi eliminada em 90% dos territórios nativos no Estado. Nos 10% que restam, a coleta da mangaba é um cabo de guerra onde estão, de um lado, o poder público e grandes investidores, e do outro, comunidades de baixa escolaridade, sem terras ou reservas econômicas, cuja maior riqueza é a tradição que carregam há gerações.
Há anos, os governos estadual e federal constroem discursos sobre os investimentos feitos na região. São milhões aplicados na construção de pontes e rodovias, na monocultura e no incentivo à vinda de grupos estrangeiros de turismo e criação de camarão. Ao mesmo tempo, a modernidade ameaça de extinção atividades que ajudaram a construir a identidade brasileira. (…)
Fico contente que o Observatório Social tenha acreditado no talento da Paola, minha substituta quando encerrei o vínculo formal com a organização em outubro de 2007. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela é daquelas profissionais em início de carreira que considero uma jóia rara, pelo talento em farejar boas histórias e contá-las com sensibilidade. Paola tem outros atributos preciosos: humildade, generosidade e coragem. Seu trabalho de conclusão de curso, realizado no ano passado aos 23 anos de idade, foi uma grande reportagem independente sobre refugiados de guerra em Uganda e no Sudão – países pra onde viajou sozinha. Aliás, A lei do mais fraco, publicada na revista Galileu em fevereiro, também ganhou prêmio neste concurso gaúcho (terceiro lugar na categoria Reportagem).
Tou duplamente feliz. Minha amiga Tatiana Cardeal é uma fotógrafa independente com um trabalho admirável na área de direitos humanos, em especial retratando comunidades indígenas, quilombolas e sem-teto. A química entre Tati e Paola, pelo que vejo, funcionou muito bem, e espero que renda mais histórias bonitas no futuro.
Observatório Social Em Revista é um caso singular entre as publicações jornalísticas de organizações do terceiro setor. Em apenas 14 edições, conquistou um Prêmio Esso de Jornalismo Ambiental, dois Prêmios Herzog de Anistia e Direitos Humanos e agora mais este. Tudo isso com recursos limitados e equipe enxuta, mas afiada. E com respaldo (= coragem, um dos atributos a que eu me referi acima) do IOS para mexer em temas polêmicos que envolvem interesses de empresas multinacionais, como foi o caso das reportagens-denúncia sobre trabalho escravo, trabalho infantil, contaminação ambiental e tantas outras. Fui um privilegiado por ter participado desse projeto por cinco anos, e agora, mesmo que a distância, por ter a chance de continuar editando a publicação. Valeu, Paola e Tati, vocês merecem!
02
Dec08
” Jornalismo é mais que 140 caracteres”
Reproduzo artigo de Luiz Weis que a Daniela Bertocchi colocou na lista Intermezzo. Rende boas provocações pra debate, mas por enquanto vou limitar meu comentário a 95 caracteres: cada meio tem função e características próprias; quando se complementam, tendem a ganhar força.
Jornalismo é mais que 140 caracteres
Postado por Luiz Weis em 1/12/2008 às 5:48:02 PMEm tempos de catástrofe – Santa Catarina, Mumbai – a utilização maciça da internet para alertar, informar e mobilizar, influindo no curso dos acontecimentos a ponto de salvar vidas, dá a impressão de que, comparada com os novos recursos da comunicação instantânea, sucinta, de livre acesso e infinitas mãos de direção, a chamada imprensa
convencional é uma anciã entrevada.O problema é que essa comparação peca pela base. Em papel ou na tela, o jornalismo de fato não dá para a saída em matéria dos atributos que fizeram do Twitter, por exemplo, a mais recente sensação das redes sociais virtuais, explorando a plataforma que já passou à frente do computador: o celular.
Nos atentados em Mumbai, mensagens via Twitter – de até 140 caracteres cada – seguiam à razão de uma por segundo [segundo uma reportagem do New York Times, que no entanto não esclarece como se chegou a esse número].
Mas o jornalismo não pode ser avaliado por sua capacidade de enviar mensagens urgentes de 140 caracteres. Se, nessas horas, diz ou não diz a que vem, será por ter estado, ou não, à altura do que dele é justo esperar.
Quando se fala em jornalismo, aqui, fala-se ainda, em primeiro lugar, do jornalismo escrito, alcance ele o público pelo meio que for.
Isso porque, embora a TV possa mostrar as coisas "como as coisas são", enquanto ocorrem – com todo o seu inseparável componente de espetáculo, quando não de espetáculo pelo espetáculo -, a imprensa escrita continua imbatível como sistema de produção e transmissão de informações articuladas, a partir das quais o leitor pode ter uma noção, caso a caso, de como funciona o mundo.
Não em 140 caracteres, naturalmente.
Dito de outro modo, trata-se de dois serviços distintos de utilidade pública. Um, prestado por legiões de pessoas agindo por iniciativa própria ou reagindo espontaneamente a iniciativas alheias. Outro, prestado por organizações criadas para vender notícias – e, infelizmente, cada vez mais, para vender essa lavagem chamada entretenimento de massa.
O Twitter, ou coisa do gênero, é uma forma escandalosamente superior de fazer circular aos quatro ventos, entre outras coisas, fatos que os emissores e receptores (cujos papéis são intercambiáveis) consideram essenciais em dada circunstância.
Por exemplo, no caso dos atentados terroristas em Mumbai, os endereços de hospitais para doação de sangue. É o que faz o bom e velho rádio, mas deixando o registro por escrito em alguns centímetros quadrados na palma da mão das pessoas.
Quanto mais esse tipo de recurso se propagar, levando a patamares inimagináveis há poucos anos o fluxo e a amplitude da informação tópica, pontual – de varejo, em suma, por importante que seja para os interessados – mais a imprensa terá de oferecer o que está além do alcance dos Twitters deste mundo: a informação no atacado.
Com isso se quer repetir, com sintonia ainda mais fina, o que se passou a cobrar do jornalismo impresso quando a televisão se instalou como o meio por excelência de difusão de notícias em escala global: perspectiva, ou, com perdão da má palavra, contextualização.
E com isso se quer dizer informações não apenas certificadas – o calcanhares de Aquiles do reportariado amador, também conhecido como jornalista-cidadão – mas articuladas entre si e, eventualmente, com as que digam respeito a situações, processos e protagonistas, presentes e passados, de esferas diferentes daquelas que são o objeto direto de cada cobertura.
Certa vez, Cláudio Abramo, um dos maiores jornalistas de sua geração, mesmo pelos padrões internacionais mais exigentes, dizia, brincando, que o jornal de seus sonhos seria aquele que traria uma única notícia. Ou seja, o produto de um jornalismo capaz de integrar todas as matérias de que se ocupasse a cada dia.
Quanto menos distante dessa fantasia ficar um jornal ou uma revista – aliás, os semanários nasceram com uma preocupação aparentada a essa: além de resumir a semana, articular os eventos que se prestassem a isso de forma a "separar aquilo que é notícia daquilo que só é barulho", como dizia um anúncio da Time [em inglês soa melhor: "what
makes news from what just makes noise"].Vai sem dizer que isso não pode se dar às custas ou à desconsideração de tudo mais que o periódico deve entregar ao leitor em troca do seu dinheiro: clareza, leveza (não confundir, pelo amor do que se queira, com ligeireza), brevidade, diversidade de focos e pontos de vista, atratividade – e "humanidade".
É secundário, a rigor, se a mídia convencional ficou ou não a reboque de uma legião de não-jornalistas com seus celulares, informando o mundo do que se passava ali onde os repórteres profissionais não conseguiam chegar, ou não chegaram a tempo, em Mumbai ou em Blumenau.
A pergunta é: as organizações jornalísticas foram ou não capazes, lá e cá, de dar uma visão dos fatos (ou mais de uma) que fizesse sentido, porque escorada em apurações exaustivas e não restrita ao imediatismo das situações?
Escreveu-se no parágrafo anterior "organizações" de propósito. Pois é esse sistema – o modo de produção da notícia, a partir de redações estruturadas e de procedimentos padronizados – que dá a um jornal ou revista as condições necessárias, ainda que não suficientes, para que faça o que se propõe.
E é o que os diferencia de tantas quantas redes informais de coletores de informação surjam quando algo motiva os seus membros – com os quais, diga-se desde logo, os jornalistas terão de interagir cada vez mais e sem preconceitos.
Quando o jornalismo organizado não funciona, a culpa não é de ser organizado, mas da mutilação das redações – que representam a encarnação desse conceito – perpetrado pelos mãos-de-tesoura das empresas jornalísticas.
E aí se cai no pior dos mundos possíveis – em que a imprensa perde em agilidade para os twitteiros e blogueiros, e ao mesmo tempo, por falta de estrutura, recursos e qualidade de suas equipes, perde em aptidão para fazer o que não está ao alcance daqueles: montar o quebra-cabeça dos acontecimentos do dia-a-dia.
03
Nov08
Ética no jornalismo
Novo livro de Rogério Christofoletti na praça: Ética no jornalismo. Trecho do release:
Deve o fotógrafo capturar a imagem de uma criança morrendo ou ajudá-la? Qual é a relação possível com a fonte? Até onde ir para conseguir uma manchete? O repórter pode omitir sua identidade para conseguir uma boa informação? Em Ética no jornalismo, Rogério Christofoletti convida o leitor jornalista a se questionar o tempo todo, para que sua atividade não perca a razão de ser.
12
Oct08
Uma tarde com Myltainho
Meu agradecimento público ao amigo Fernando Evangelista, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, por ter me convidado a participar de um atividade extra-classe especial na tarde de ontem. Fomos numa turma de vinte e tantas pessoas, a maioria estudantes da sexta fase, visitar o jornalista Mylton Severiano. Myltainho, como é mais conhecido, tem mais de quarenta anos de atividade profissional nos mais diversos meios, entre eles a revista Realidade, um marco na história da reportagem no Brasil (semana passada publiquei aqui uma historinha deliciosa que ele contou ao Luiz Maklouf Carvalho sobre os bastidores da revista).
Tarde chuvosa, tocamos em carreata pro Ribeirão da Ilha. Myltainho, 68 anos, mora em Floripa há cinco, numa simpática casinha verde e amarela no alto do morro, rodeada de mata e com uma vista espetacular pra Baía Sul. De segunda a sexta ele trabalha em São Paulo como editor-chefe da revista Caros Amigos – função em que substituiu o recém-falecido Sérgio de Souza. Nos fins de semana se refugia em seu cantinho com a mulher e três cachorros, um deles com três pernas. Num varandão em L nos aboletamos em cadeiras, sofás e no chão de madeira pra ouvir o mestre – e sabatiná-lo com perguntas, algumas incômodas. Afinal, como ele próprio enfatiza, a boa reportagem incomoda, é subversiva. Por isso há tão poucas hoje na grande mídia.
Por quatro horas ouvimos histórias saborosas sobre sua passagem pela Quatro Rodas, Realidade, Bondinho, Rede Globo, Folha, Estadão e vários outros. Os dribles que ele e seu grupo davam na censura da ditadura; as concessões que às vezes foi preciso fazer para conseguir publicar matérias; a aventura dos repórteres de Realide pelos rincões do país, fazendo história no jornalismo brasileiro sem se darem conta disso. Com voz baixa e pausada, sem qualquer sombra de empáfia “sabe-tudo”, Myltainho nos capturou com relatos envolventes. De vez em quando despertava gargalhadas ao contar alguma anedota pincelada por palavrões. Os temas saltavam de um pra outro sem lógica rígida, com as digressões próprias de uma conversa entre amigos.
Quando vimos já era noite. O papo estava tão bom que, entre despedidas e fotos, levamos uma meia hora pra ir embora. E mais não preciso contar porque a entrevista completa vai ser publicada pelos estudantes da Estácio, aguardem.
p.s.: Conheci duas blogueiras com quem eu já tinha esbarrado na web: a Bel (Quiet Things That No One Ever Knows), moça irônica de texto afiado de quem eu tinha comentado há poucos dias, e a Flora (EcoFlora), que tem o nome adequadíssimo ao que gosta de fazer, fotografar a natureza.
07
Oct08
Uma historinha de Realidade
Mylton Severiano (Myltainho), colunista da Caros Amigos, já integrou a redação de Realidade, revista que nos anos 60 fez história no jornalismo brasileiro. Pesquei de uma entrevista dele a Luiz Maklouf Carvalho (Profissão Repórter) esta historinha saborosa.
“O Narciso [Kalili] foi ao Nordeste fazer reportagem sobre uma vila de pescadores miserável. Chega lá, pega a verba de viagem, compra comida pra todo o mundo, distribui dinheiro. Manda pelo malote da Abril da capital daquele Estado, não sei se Salvador, Recife, bilhete mais ou menos nestes termos: ‘Paulinho, seu viado, me manda mais dinheiro que estourei a verba com os pescadores. Dá um jeito aí, pau no seu cu’, aquele jeito ‘delicado’ que o Narciso tinha de ser terno com os amigos, e o Paulo rasgou o bilhete, escreveu outro à máquina em nome do Narciso, dizendo que havia alugado um jipe para chegar à vila, o jipe atolou, tiveram de alugar trator para puxar, e tal, imitou a assinatura do Narciso, passou ao Roberto Civita, que autorizou mais verba.”
p.s.: Meus pais colecionavam Realidade. Rasguei algumas quando era bebê. Depois, aos oito, nove anos, “redescobri” suas reportagens maravilhosas, ao mesmo tempo em que curtia, fascinado, aqueles fotões lindos de página inteira. Ainda não sonhava em ser jornalista, mas a semente foi bem plantada.
15
Sep08
7a. Semana do Jornalismo
Começou hoje e vai até dia 19 a 7a. Semana do Jornalismo da UFSC. A programação tem filmes (Edifício Master de Eduardo Coutinho, O homem Urso de Werner Herzog, Janela da Alma de Walter Carvalho e João Jardim…), minicusrsos e palestras com vários profissionais, entre eles Marcelo Tas, Cremilda Medina, Arthur Dapieve… Programação completa aqui.
22
Aug08
Da guerra à sala de aula
Recebi e passo adiante esta nota publicada no boletim do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de São José, SC. O coordenador do curso, meu amigo Paulinho Scarduelli, tem feito um trabalho bem interessante de aproximar o universo acadêmico da realidade cotidiana. A nota aqui é sobre outro amigo, profissional de rara cepa, que adora estar por perto de onde tem gente poderosa massacrando gente humilde. O que mais me impressiona no Fernando não é propriamente a coragem de arriscar a cabeça em lugares violentos, pois o mundo tá cheio de gente corajosa e estúpida. E sim o seu olhar sensível pro lado humano dos conflitos, sem maniqueísmo nem pretensa “neutralidade”. Isso faz toda a diferença na hora de dar o testemunho com boas histórias. Sortudos dos estudantes que puderem ter aula com ele.
Fernando Evangelista, ex-repórter da revista Caros Amigos, assumiu este semestre a disciplina Técnicas de Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística do curso. Mestre em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, tem-se especializado em reportagens de risco. Entre seus trabalhos, destacam-se a cobertura da operação Escudo Defensivo na Palestina em 2002, a Guerra do Iraque em 2003, a Guerra do Líbano em 2006 e o conflito entre turcos e curdos em 2007. O processo seletivo para a disciplina reuniu mais de 25 candidatos.
14
Aug08
Mais dez livros sobre jornalismo investigativo
A lista de Rogério Christofoletti é bem interessante. Desses, li só Meninas da noite, bela reportagem de Gilberto Dimenstein sobre exploração sexual de crianças e adolescentes; e Fábrica de notícias, de Günter Wallraff, sobre como o jornal sensacionalista alemão Bild falsifica reportagens (quando será que um Wallraff brasileiro vai contar os bastidores da Veja?). Vi o filme baseado em um dos livros, Todos os homens do presidente, sobre o escândalo político que levou à queda de Nixon.
12
Aug08
Dez livros sobre jornalismo investigativo
Um estudante pediu minha opinião sobre meus livros preferidos de jornalismo investigativo, pruma matéria que vai fazer sobre a lista dos 10+. Acho que dizer “jornalismo investigativo” é quase uma redundância. A rigor, todo jornalista que se dispõe a ir além do trivial está sendo investigativo, mesmo que o objeto de sua história não seja um caso de crime ou corrupção. Mas ate entendo a expressão. É uma forma de qualificar uma prática profissional que, no cotidiano, anda desgastada pela mediocridade.
Investigativo ou não, o importante é ter sensibilidade pra ver, coragem pra tirar a bunda da cadeira e bom senso pra voltar vivo e contar uma boa história. A coragem a que me refiro pode ter várias formas. Física, moral. Oriana Falacci, por exemplo, no seu Um Homem, construiu um manifesto pela liberdade sem o pejo de assumir que teve um profundo envolvimento emocional com seu personagem. Bem, taí minha lista – nem todos os autores eram propriamente pessoas de bom senso, mas tiveram a sorte de viver pra contar. Vários conseguiram transcender o jornalismo e suas obras podem ser chamadas, sem nenhum favor, de literatura.
- Rota 66, de Caco Barcellos.
Investigação corajosa sobre um tema crucial pra sociedade brasileira, a violência policial.
- Abusado, idem.
Belo perfil de um personagem contraditório e interessantíssimo. Uma aula de jornalismo.
Reportagem ou romance semi-autobiográfico? A história do ativista grego que passou anos na prisão e não se curvou é encantadora. Um mergulho na complexidade do ser humano.
- Kaputt, de Curzio Malaparte
Um dos meus favoritos sobre guerra. Também pode ser lido como reportagem. O jornalista conseguiu salvar pra posteridade momentos trágicos e líricos da campanha alemã na Rússia.
Um clássico. A construção dos personagens e do clima é primorosa.
Grande livro sobre os bastidores da conquista espacial, um tema que sempre me interessou.
Crítica social aguda ao modo como a sociedade alemã trata os imigrantes. O recurso de se disfarçar foi eticamente justificável. A reportagem, tal como foi contada, não poderia ter sido feita de outro modo.
Livro intenso sobre a loucura da guerra do Vietnã. Talvez não se encaixe na definição tradicional de jornalismo investigativo, mas sem dúvida o autor precisou sair da zona de conforto pra compartilhar o que viu.
- México rebelde, de John Reed. Grande retrato da revolução mexicana. Uma cena que guardo desse livro é o autor correndo de uma frente a outra da batalha, sob o risco de levar um balaço, pra ouvir “o outro lado”.
- Dez dias que abalaram o mundo, idem. Um retrato da revolução comunista na Rússia. Tem trechos chatíssimos, mas conseguiu reproduzir muito bem o clima de agitação da época.








