Posts com a categoria ‘jornalismo’

09

Feb

09

Fotojornalismo

O melhor do fotojornalismo brasileiro em 2008. Dica do Adauri.

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04

Feb

09

A despedida de Mino Carta

Mino Carta, um ícone do jornalismo brasileiro, em texto no qual faz um balanço ácido desses seis anos de governo Lula e anuncia que vai pendurar as chuteiras:

“A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. …

A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos. E quanto ao poder político? O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal …

Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, exporta commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 5% ganham de 800 reais pra cima. E 2009 promete ser bem pior que pretendiam os economistas do governo …

…minha crença no jornalismo faliu.

… despeço-me deste blog e, por ora, de Cartacapital”.

Nos comentários há o coro dos que dizem “volta, Mino” e os que consideraram a atitude do jornalista “patética e melancólica”.

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03

Feb

09

Eu leio De Olho na Capital

Você é eleitor em Santa Catarina e ainda não conhece o blog De Olho na Capital, do jornalista Cesar Valente? Acompanhe em primeira mão as negociatas e maracutaias que estão sendo feitas com o dinheiro público, entre outros temas que revelam os escabrosos ou no mínimo curiosos bastidores da política local e estadual. Jornalismo de primeira qualidade, bem humorado, daquele tipo que é uma pedra no sapato dos governantes da vez.

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28

Jan

09

UFSC vai ao Pará com o Projeto Rondon

Estudantes de jornalismo, medicina e serviço social da UFSC começaram esta semana a Operação Centro-Norte – nome com o qual foi batizada a missão do Projeto Rondon no município de Monte Alegre, no Pará. O projeto, coordenado pelos professores Sérgio Mattos e Clóvis Geyer, prevê uma série de ações sociais envolvendo crianças, adolescentes, idosos, mulheres em amamentação, educadores, agentes comunitários e a população em geral. É a primeira vez que uma turma do jornalismo da UFSC participa dessa experiência transformadora de conhecer e informar sobre um Brasil que a maioria dos brasileiros desconhece. Tiro o chapéu pro Projeto Rondon, uma das raras iniciativas em que a universidade pública é colocada a serviço do povão. Dá pra acompanhar de perto o trabalho da moçada pela internet, em textos, fotos e, em breve, também em vídeo. Monte Alegre fica perto de Santarém, a 623 km em linha reta de Belém. O Projeto Rondon é promovido pelo Ministério da Defesa com apoio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

p.s.: O professor @clovisgeyer é tuiteiro. Se tiver tempo, vai enviar alguns dropes de viagem em 140 caracteres.

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16

Dec

08

De enxurrada, guerra, jornalismo e odores

No domingo concluí uma reportagem pro Valor Econômico sobre a pós-tragédia no Vale do Itajaí. Eu já tinha enviado o texto pro jornal e precisei atualizar o número de mortos – agora são 128, acharam o corpo de um homem em Ilhota. As cenas e o cheiro de destruição no Morro do Baú continuam voltando à memória sem pedir licença. Efeito colateral da atividade do repórter que vai a campo: o envolvimento emocional é inevitável porque a gente cria vínculos, mesmo que superficiais. De perto, o olhar e a respiração das pessoas deixam marcas.

A enxurrada em Santa Catarina tem sido comparada com freqüência a uma guerra. Minhas referências bélicas são só de livros, reportagens (lidas/vistas), filmes e relatos de colegas, mas imagino que não seja de todo descabido o paralelo. No estado de suspensão momentânea ou duradoura da vida normal, as pessoas passam a depender muito mais dos instintos. Surgem os atos de bravura e os abjetos casos de ruindade. Tudo demasiadamente humano, sem verniz. No meio disso tudo, os repórteres colocam sua subjetividade a serviço do desafio narrativo. De certa forma pode ser excitante, mas qualquer glamour que se enxergue nesse tipo de trabalho é pura ilusão.

Amigos repórteres que cobriram conflitos armados (Marcelo Spina, Fernando Evangelista) comentaram comigo sobre como é difícil conciliar a emoção com a obrigação de apurar e contar. Os profissionais reagem de diferentes maneiras às situações-limite. Existem os que se abrigam na proteção do humor ou do cinismo. Outros se fecham. Alguns se tornam viciados em perigo e desenvolvem a sensação de ter o corpo fechado, como contou uma vez o José Arbex, que nos 80 era correspondente da Folha de São Paulo na União Soviética e cobriu a guerra do Afeganistão.

Medo: quem tem, tem. Quem não tem, é porque falta um parafuso. Marques Casara me contou que sentiu o cheiro fedido do medo no próprio suor enquanto entrevistava, usando um microfone escondido, um chefe de esquadrão da morte no sertão nordestino. No Afeganistão, Yan Boechat se empolgou ao ver um tanque russo abandonado na margem da estrada. Foi até lá e percebeu, pelos gritos dos nativos, que tinha caminhado por um campo minado. Voltou pisando nos próprios passos e sabe-se lá que cheiro sentiu. Em Ramallah, na Palestina, Fernando Evangelista viu uma senhora ser abatida por um franco-atirador a poucos metros dele, e nada pôde fazer pra ajudá-la. Na Somália, a câmera filmadora de Marcelo Spina foi atingida na lente por um tiro de fuzil. Depois, a janela de seu quarto no hotel foi metralhada e ele, em choque, decidiu sair do país.

Jornalista, bombeiro, policial ou médico na emergência de hospital público, o profissional que lida com situações de tensão e risco precisa ter estabilidade emocional pra realizar o trabalho – e estômago pra suportar cheiros bem desagradáveis -, senão termina atrapalhando mais que ajudando. Cada um emprega os artifícios mentais de sua preferência pra manter a sanidade e seguir em frente. A correta avaliação do tamanho do próprio ego é uma garantia a mais de avançar sem muitos arranhões – embora, na vida, qualquer garantia deva ser vista com ceticismo. Coloco tudo na balança e acho que encarar o tédio dos trabalhos sem sentido é um desafio bem mais penoso.

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15

Dec

08

Troféu Olívio Lamas

Amanhã a partir das 20h, na Assembléia Legislativa, tem entrega do II Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo. O Lamas foi um cara muito legal, talentoso e íntegro. Sua memória é guardada com carinho pelos colegas. A promoção é do Sindicato dos Jornalistas de SC e da Associação Catarinense de Imprensa.

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15

Dec

08

Livro sobre a origem das radionovelas

Ricardo Medeiros vai lançar nesta quarta 17, em Floripa, um livro sobre a origem das radionovelas até a sua chegada no meio radiofônico. O que é Radioteatro sai com o selo da Editora Insular e o apoio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, Acaert. O lançamento é às 19h no Espaço Cultural Jerônimo Coelho, na Assembléia Legislativa. Segue o minicurrículo formal do jornalista e o da minha memória afetiva:

Ricardo é doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans – França). Já publicou Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60, História do Rádio em Santa Catarina, Caros Ouvintes-os 60 anos do rádio em Florianópolis e CBN Diário: uma luz no apagão. É professor do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá e assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Educação.

Ricardo foi a primeira pessoa que conheci no curso de Jornalismo da UFSC quando cheguei a Floripa em 1986, e meu primeiro guia de boêmia catarina. Desde estudante ele já tinha paixão pela expressão oral – tanto que os colegas o chamavam de “coordenador do telefone”. :) Junto com Cacau Lino e Maneca Mendes, fazia um esquete humorístico que animou muitas festanças, a Rádio Fofinha. Como se vê, continuou a carreira fazendo o que gosta. Hoje ele é meu vizinho de bairro.

O quê: lançamento do livro O Que é Radioteatro
Quando
: Quarta-feira, dia 17
Horário: 19h
Local: Assembléia Legislativa de Santa Catarina, espaço Jerônimo Coelho
Preço do livro: R$ 25,00
Número de páginas: 112

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12

Dec

08

Uma visita à área vermelha no Morro do Baú

Cheguei ontem de uma viagem de trabalho a Ilhota e Blumenau, onde fui levantar informações pra uma reportagem sobre a reconstrução depois da enxurrada. Foram dois dias impactantes, não só pelas cenas de destruição que pude presenciar, como pelo trauma emocional das pessoas com quem tive contato. Ouvi histórias de perdas terríveis que ainda estão sendo assimiladas com dificuldade (atenção psicólogos, Santa Catarina precisa de voluntários!). Também pude observar belos exemplos de força de caráter, solidariedade e coragem diante das adversidades.

Fui acompanhado da repórter fotográfica Juliana Kroeger, da professora de jornalismo Raquel Wandelli (Unisul) e do estudante de jornalismo Vicente Figueiredo (faculdade Estácio de Sá). Depois de passarmos por duas barreiras policiais, entramos na "área vermelha" da região do Morro do Baú, no município de Ilhota, onde o acesso ainda está parcialmente interditado pela Defesa Civil por causa do risco de novos deslizamentos de terra. Eu já esperava encontrar uma situação feia, mas a realidade conseguiu se mostrar pior que as cenas mostradas na tevê. Três semanas depois da enxurrada, o quadro ainda é de devastação.

Braço do Baú é uma comunidade agrícola de 1.300 habitantes onde morreram 13 pessoas soterradas na tragédia. Entramos na "área vermelha" acompanhados de Nelson Richarts, dono de um posto de gasolina e de uma pequena facção de toalhas que se ofereceu para nos guiar. Richarts perdeu oito parentes e dois funcionários. Toda a área permanece sem energia elétrica e com acesso precário. Seguimos até o mercadinho Richarts, de um primo dele, o último ponto onde dá pra ir de carro – a partir dali as estradas foram varridas do mapa, isolando as comunidades do Alto do Baú e do Baú Seco.

Marrom é a cor predominante. A estrada barrenta margeia um riacho turvo que teve o curso desviado. Pelo caminho, árvores e postes tombados, detritos de todo tipo. Cheiro de matéria orgânica em decomposição. Residências, pequenos negócios e galpões destruídos. Muitas casas abandonadas com portas e janelas abertas, indicando que seus moradores deixaram tudo pra trás às pressas. No jardim de uma delas, estátuas de Branca de Neve, do Príncipe, dos Sete Anões e da Bruxa estavam cobertas de lama até a cintura. Reproduções de estátuas greco-romanas jaziam como que abatidas por um pelotão de fuzilamento. Na sala e nos quartos, fotos dos familiares na estante, um crucifixo, poltronas, papéis, roupa de cama. E muita lama.

Gentil Pedro Reichert, dono da Marcenaria São Pedro, mostrou como as máquinas de sua empresa foram soterradas pela lama vinda do morro. Estava revoltado com alguns jornalistas, que atribuíram o desastre ao desmatamento para extração de madeira ("aqui nós sempre trabalhamos com madeira de reflorestamento vinda do Paraná") e para plantações de banana – os deslizamentos, pelo que pudemos observar, ocorreram em lugares de mata fechada. Havia também uma tensão visível dos locais em relação aos policiais militares – que restringem o acesso – e aos especialistas, que vão e vêm e não lhes dão retorno sobre as avaliações técnicas.

Uns poucos moradores estão visitando pela primeira vez a área interditada e ensaiam um tímido início de limpeza dos estragos nas casas liberadas pela Defesa Civil (as marcadas com a letra C permanecem com acesso proibido). Vi uma tristeza imensa nos olhos dessas pessoas, não só pela perda do que conseguiram juntar com anos e anos de trabalho, mas também pela maneira súbita como tantos parentes, amigos e vizinhos desapareceram. Lembrei de um conto de Guimarães Rosa em Sagarana sobre uma vila mineira atacada pela malária. Minha impressão é que aquele lugar tende a definhar. Muitos já foram embora, ou por não terem mais onde morar, ou porque querem esquecer o que viveram ali. Na volta, paramos no posto de Nelson Richarts para deixá-lo e ele nos fez uma gentileza que mostra a hospitalidade da gente local: pegou nossas galochas enlameadas e as lavou ele mesmo, uma por uma, com jatos de água sob pressão.

O Braço do Baú ficou pra trás e seguimos pela estradinha entre arrozais soterrados e uma linda paisagem de morros verdes até Baú Baixo. Lá, próximo à BR-470, em torno de 70 pessoas estão morando em um ginásio de esportes e 150 fazem as refeições. Um surto de diarréia entre os desabrigados havia sido recentemente debelado pela Vigilância Sanitária e os técnicos faziam uma palestra sobre como cuidar da água.

Aos poucos vou contando mais e publicando algumas fotos.

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09

Dec

08

DVeras Awards 2008: serviços na web

Menções honrosas:

  • Blip.fm. Pra muita gente que ama descobrir, (re)ouvir e comentar de música, foi o achado do ano. Rendeu até algumas experiências sinestésicas, aleatórias e coletivas bacanas. Usei muito por um tempo (um grande barato dele é a integração ao twitter), depois enjoei, mas de vez em quando volto. Agora, por exemplo, tou ouvindo Buddy Guy, (You Give Me) Fever.
  • Gengibre. Esse “twitter de voz” pra compartilhar na web as mensagens enviadas por celular é uma idéia matadora. Ainda não testei porque, assim como o Inagaki (que testou), acho estranho ouvir minha voz gravada. Mas só de pensar nas possibilidades pro jornalismo e educação, entre outras, já viajo. Qualquer hora dessas crio coragem e vou “aliviar a garganta” (grande slogan).
  • Gmail. O webmail do Google continua imbatível e é o que melhor atende minhas necessidades. Uso o serviço há uns dois anos e ele sempre me surpreende com novidades, algumas úteis, outras irrelevantes, que posso optar por incluir ou não. Tou testando agora o novo módulo experimental Tasks, pra inclusão de listas de tarefas.

E o escolhido é…

Twitter. Tudo era apenas uma brincadeira, e foi crescendo, crescendo e, pra minha sorte, continuou brincadeira :) Comecei a usar o twitter a convite do Nando, a princípio com a intenção de ver qual era a onda e sartar fora. Mas essa coisa de microblogar em 140 caracteres vicia. Como isso converge com minha busca da síntese no texto, passei a publicar uns microcontos e poemitos – às vezes do ônibus, via celular. Conheci gente legal e terminei incorporando a ferramenta na coluna à direita deste blog (seção Rapidinha). O recente uso pra divulgação instantânea de avisos de utilidade pública na enchente de SC reforçou o que eu já observava: o twitter e similares ainda vão dar muito o que falar. Não vão substituir nada, e sim se somar aos meios que já existem pra dar uma experiência mais significativa de expressão social.

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07

Dec

08

Patápio Silva

Raridade: no blog Bossa Brasileira, escrito em Floripa por Thiago Mello, esbarrei nesta compilação de melodias de Patápio Silva, considerado um dos maiores músicos brasileiros, morto em 1907 durante uma turnê em Floripa, aos 27 anos. A vida e obra do flautista foram objeto de dissertação de mestrado do amigo Maurício Oliveira (Vida de Frila) no Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina. Uma combinação feliz de jornalismo aplicado à história, ou vice-versa.

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