28
Nov09
A cobertura jornalística da Novembrada
Na próxima segunda-feira, 30, o site www.cotidiano.ufsc.br trará um especial multimídia sobre a cobertura jornalística realizada durante a Novembrada, revolta popular ocorrida em Florianópolis em novembro de 1979. Produzido pelos bolsistas e coordenadores do site, o especial relata o episódio e a apuração dos fatos a partir do ponto de vista de doze jornalistas que estiveram diretamente envolvidos na cobertura da manifestação.Os EntrevistadosImpresso:Carlos DamiãoLaudelino SardáMoacir LothNelson RolimOsmar TeixeiraSérgio RubimTV:Aderbal MachadoAldo GrangeiroRoberto AlvesValter SouzaRádio:Antunes SeveroValter SouzaFotoOrestes AraújoDario de Almeida PradoJones Jõao BastosAcesse e confira.Um abraço, Maria José Baldessar e equipe Cotidiano
23
Oct09
Devastação S/A é finalista do Prêmio Esso
A reportagem Quem se beneficia com a devastação da Amazônia, que fiz junto com os colegas Marques Casara, André Campos, Carlos Juliano Barros, Leonardo Sakamoto, Paola Bello e Sérgio Vignes, é finalista do Prêmio Esso de Jornalismo 2009! Para apontar os 38 trabalhos finalistas, as comissões examinaram 520 reportagens, séries de reportagens ou artigos. Estamos entre os três selecionados na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica. A reportagem investigativa, publicada na revista do Instituto Observatório Social, mostrou como funciona o esquema de “esquentamento” de madeira extraída ilegalmente da floresta amazônica. Também revelou os nomes de várias empresas brasileiras e estrangeiras que ganham com o negócio da madeira ilegal. O Esso é o mais importante e tradicional prêmio de reconhecimento do mérito jornalístico no Brasil, com 54 anos de existência. Os resultados vão ser anunciados pela comissão julgadora no dia 8 de dezembro no Rio de Janeiro.
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Em 2003, a reportagem Mineração predatória na Amazônia Brasileira, de autoria de Marques Casara, que editei para a revista do Observatório Social, ganhou o Esso na mesma categoria em que concorremos agora.
22
Oct09
Existe vida fora da grande mídia
Pela primeira vez um site de notícias ganha o conceituado Prêmio Esso de Jornalismo. O Congresso em Foco foi o ganhador deste ano na categoria Contribuição à Imprensa. Pela primeira vez, também, os jurados decidiram com base em reportagens – neste caso, a série sobre a farra das passagens, de autoria do amigo Lúcio Lambranho (ex-estudante de jornalismo na UFSC), junto com Edson Sardinha e Eduardo Militão. O reconhecimento ao Congresso em Foco é mais uma evidência de que há um espaço importante de jornalismo investigativo a ser ocupado fora da área de influência da grande imprensa. Parabéns ao editor Eumano Silva e a toda a equipe.
19
Oct09
Castelo dos Sonhos: entrevista com Marques Casara
Meus amigos Marques Casara e Tatiana Cardeal ganharam menção honrosa na trigésima-primeira edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais conceituados do Brasil. A reportagem deles, Castelo dos Sonhos [pdf], publicada na revista da ong Childhood Brasil, desvenda uma rede criminosa de exploração sexual de crianças de adolescentes na BR 163. Nos últimos anos, Marques tem faturado vários prêmios “correndo por fora” da grande mídia. Suas reportagens investigativas bancadas por organizações do terceiro setor são um grande incentivo para quem acredita que é possível fazer jornalismo independente com qualidade. Fiz esta entrevista com ele por e-mail.
DVeras – Sobre o que é a reportagem Castelo dos Sonhos e o que ela traz de novo?
Marques Casara – A pauta foi proposta para a revista da organização não governamental Childhood Brasil, que desenvolve projetos ligados ao enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. O objetivo seria percorrer a BR 163 e identificar locais de exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas, em postos de combustível e prostíbulos. O projeto foi aceito e financiado pela ONG.
Ao chegar na região Norte do Mato Grosso, a reportagem tomou outra proporção, pois identificou uma rede criminosa organizada de aliciamento de crianças e adolescentes nas cidades de Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto Azevedo, todas localizadas próximas à divisa com o Pará. Os aliciadores levavam as adolescentes para a cidade de Castelo de Sonhos, um distrito de Altamira localizado a 1.200 km da sede do município. O lugar é de difícil acesso, o que facilita o trabalho das redes de exploração. Tem apenas 3 policiais militares e um delegado que anda a pé por falta de viatura. Uma região sem lei e onde a exploração sexual de crianças e adolescentes acontece a céu aberto. O único jornalista da cidade passou 10 dias escondido no forro de uma casa para não ser morto e hoje recebe proteção especial do governo. A reportagem serviu para alertar as autoridades e mobilizar o governo do estado a tomar providências em relação ao problema das adolescentes. Uma reportagem como essa sempre muda o cenário, alerta as autoridades e outros jornalistas.
Conte um pouco sobre como foi a apuração. Durou quanto tempo? Quais foram as principais dificuldades e surpresas?
Casara – O assunto veio à tona em conversa com uma fonte na região. A apuração durou duas semanas. Foi trabalhoso localizar as famílias das adolescentes e mais trabalhoso ainda convencer mães e avós a contar o problema. Além do medo de represálias, sempre há um certo constrangimento em admitir que uma ou mais filhas foram aliciadas por redes que lucram com a exploração sexual. As famílias moram em cidades na divisa do Mato Grosso com o Pará. Chegar a Castelo de Sonhos também foi muito trabalhoso. São 200 km de uma estrada praticamente intransponível a partir da divisa. Cerca de 40 quilômetros após a partida, estourou o amortecedor dianteiro direito. A opção era desistir ou seguir em frente. Fomos em frente, arriscamos.
Castelo de Sonhos é um lugar sem Lei, sem Poder Público, sem força policial. O lugar é muito violento. Chegamos disfarçados e passamos uma noite. Na manhã seguinte, tivemos a sorte de encontrar uma amortecedor da mesma marca e modelo do carro. Só então revelamos nossa condição de jornalistas. A partir dai, foi uma corrida contra o tempo. Em três horas visitamos os locais onde ocorrem a exploração e fizemos as entrevistas e as fotos. Precisávamos sair da cidade antes de qualquer reação. No caminho de volta fomos seguidos por cerca de 80 quilômetros por uma caminhonete ocupada por três homens. A perseguição parou quando entramos em um canteiro de obras de uma barragem que está sendo erguida na região da Serra do Navio. Paramos em frente a um restaurante. A caminhonete nos seguiu e parou a menos de 30 metros. Após alguns minutos, deu meia volta e retornou a Castelo de Sonhos. Sem sair do carro, comemos duas latas de atum com pão e guaraná. Pegamos a estrada e chegamos a Guarantã do Norte sem maiores problemas. Se não tivessemos encontrado o amortecedor certo, teríamos um pouco mais de trabalho.
Como é a logística de fazer uma reportagem investigativa na Amazônia, lidando com um tema delicado e potencialmente arriscado tanto para vítimas quanto para repórteres?
Casara – A logística é imitada pelos recursos. A apuração é limitada pelos riscos. Estávamos com um carro de passeio quando deveríamos estar em um 4×4. Isso aumenta os riscos de quebrar o carro. Também dificulta uma saída rápida em caso de necessidade. A reportagem também é limitada pelas distâncias e pelas condições das estradas, o que torna tudo mais caro e trabalhoso. O assunto é complexo, as famílias não gostam de falar sobre isso. A corrupção também dificulta a apuração e aumenta os riscos, pois autoridades ganham dinheiro acobertando criminosos.
É preciso jogar com todos esses fatores. É preciso também antever os riscos, estar sempre um passo à frente. É necessário jogar com o fator surpresa, com a rapidez e com toda a experiência acumulada. Os principais erros acontecem por causa da afobação e do medo. Os três segredos da reportagem de risco são os seguintes: 1) Mantenha a calma; 2) Mantenha a calma; 3) Mantenha a calma.
Você acredita que a reportagem de vocês pode transformar a realidade dessas adolescentes? Já transformou desde que foi publicada?
Casara - Reportagens como essa sempre mudam o cenário. Servem de alerta, inspiram novas matérias. Uma violência como essa, quando vem a tona, atrapalha a vida dos criminosos e estimula as autoridades. Algumas autoridades são estimuladas a aumentar o valor da propina, outras, honestas, são estimuladas a resolver o problema.
Este é o seu segundo prêmio Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos. O que isso representa para você como jornalista que atua com entidades do terceiro setor, sem o apoio da grande mídia?
Casara – Não me interesso mais pela grande mídia. Desde o ano 2001 atuo exclusivamente para organizações que não estão vinculadas ao jornalismo industrial. Posso fazer um jornalismo mais libertário e revolucionário. Não estou limitado pelos interesses comerciais das empresas de comunicação. Hoje, o que dá lucro para essas empresas é o jornalismo de entretenimento, mesmo quando disfarçado de “investigativo”. Desde que sai desse circuito ganhei um Prêmio Esso e dois Herzog. É um bom referencial. Estou construíndo um caminho próprio, sem holofotes mas com muita realização pessoal. Uma dica pra quem tá começando na profissão: todo jornalismo é investigativo. Se não é investigativo, não é jornalismo.
Leia também a entrevista com Tatiana Cardeal.
05
Oct09
No escuro
Maíra Spanghero, ex-colega do jornalismo da UFSC que tá morando em Londres, criou um blog que promete: dança, reportagem afetiva, literatura barata. O primeiro texto que li já me fisgou. É sobre a inesquecível experiência sensorial que ela e um amigo tiveram de comer num restaurante totalmente escuro, o Dans Le Noir, servidos por um garçom cego.
23
Sep09
Observatório de Ética Jornalística
Eu e o professor Francisco José Karam convidamos a conhecerem o Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), novo grupo de pesquisa do Departamento de Jornalismo da UFSC. A partir de agora, o objETHOS é a nossa base operacional para reunir conteúdos sobre deontologia jornalística, para desenvolver pesquisas na área, promover eventos e incentivar a reflexão e o debate em torno da ética no jornalismo.Em nosso blog, reunimos referências bibliográficas e cinematográficas, artigos e outros conteúdos relacionados. Por lá, também compartilharemos os resultados de nossas pesquisas.Acessem: http://objethos.wordpress.com Um abraço
22
Sep09
Direto de Honduras
A Rádio Globo Honduras está transmitindo ao vivo o cerco dos militares golpistas à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Há conflito com o povo que apoia Manuel Zelaya e a polícia e exército estão baixando o pau. Eletricidade, água e telefone da Embaixada foram cortados. Acabo de ouvir disparos ao fundo da transmissão dos repórteres, que estão no meio do povo acompanhando a repressão. Jornalismo de primeira!
Cheguei a este link via artigo da jornalista Elaine Tavares. Trecho:
Hoje, dia 22 de setembro, eram cinco horas da manhã quando o exército hondurenho chegou diante da embaixada brasileira e ali estavam os repórteres da Rádio Globo, relatando tudo. E mais, chamando o povo a sair de casa, a vir para a rua e se manifestar em apoio da legalidade constitucional, que é o retorno de Zelaya ao governo. Para quem vive num país onde a maioria dos jornalistas é cortesã do poder, este é um momento de pura emoção. Os jornalistas hondurenhos, pelo menos os da rádio Globo, estão do lado da maioria das gentes. Eles não ficam protegidos pelo exército golpista. Eles ficam no meio do povo, correndo os mesmos riscos.
Naquelas primeiras horas da manhã, as gentes que vivem longe da capital, congestionavam as linhas da rádio para passar informação. O país inteiro se expressa pelas ondas livres desta emissora que, apesar de privada e pertencer a um liberal, encontrou no seu corpo jornalístico o esteio onde amparar a realidade vista pelos olhos do povo.
Para nós, que somos informados pelo jornalismo entreguista e amorfo das grandes redes do Brasil, ouvir a Rádio Globo de Honduras é quase como sorver o néctar daquilo que devia ser o jornalismo em todos os lugares. Um fazer absolutamente encarnado na vida real, das maiorias, do povo. Um espaço de expressão de todas as vozes e não só de algumas. A equipe de jornalistas da Rádio Globo me enche de orgulho de ser o que sou: jornalista. Alguém comprometido e parcial. Porque não dá para ser neutro diante de um golpe ou diante da destruição da vida das gentes. Que vivam os jornalistas de Honduras, uma categoria que tem o amor e a confiança do povo. Coisa rara e por isso digna de nota.
11
Sep09
Repórter Brasil, 8 anos
A ong Repórter Brasil, especializada em reportagens sobre direitos humanos (com foco em trabalho escravo), está completando oito anos de serviços preciosos ao jornalismo e ao país. Recebi convite de seu coordenador, Leonardo Sakamoto, pra festa de comemoração e passo adiante a quem estiver em São Paulo no dia 21.
Festa Repórter Brasil, 8 anos
Quando: 21 de setembro (segunda-feira), a partir das 21h.
Local: Fun House (uma das melhores baladas de São Paulo) – Rua Bela Cintra, 567.
Há dois convites: um de R$ 10 e outro de R$ 20. O de R$ 20 dá direito ao sorteio a uma passagem de ida e volta para qualquer lugar do país (exceto Fernando de Noronha – não perguntem o porquê). Podem ser comprados com antecedência ou na porta.Os recursos arrecadados ajudarão a bancar o 1º Encontro Nacional do “Escravo, Nem Pensar!”, que será realizado durante o feriado de 12 de outubro. Trata-se de um evento, organizado pela Repórter Brasil, que reunirá centenas de professores e lideranças populares de diversas regiões do país em Açailândia, no Maranhão.
14
Jul09
Usos criativos e inovadores do vídeo online
Os dois vídeos abaixo são exemplos de inovações que vêm sendo experimentadas na linguagem audiovisual na internet. O primeiro é uma demonstração de uma câmera que grava imagens de alta resolução em velocidade lentíssima. O outro, uma forma simples e criativa de explicar o que é “energia vampira”, aquela que os aparelhos eletrodomésticos consomem em modo standby. Pesquei-os no 10000 words, site sobre as conexões entre jornalismo e tecnologia. Há outros muito interessantes, como o mashup duma imagem com um mapa: num canto do quadro, vemos um carro rodando por uma cidade europeia (visão do motorista) e no lado esquerdo, um mapa indicando simultaneamente o percurso. Há também outro que ajuda a aprender a tabela periódica de elementos de um jeito bem lúdico. Dá pra pensar em aplicações interessantes no jornalismo, na educação e em outras áreas.
SprintCam v3 NAB 2009 showreel from David Coiffier on Vimeo.
15
Jun09
Webleituras
A World of Risk for a New Brand of Journalist
“As the journalists Laura Ling and Euna Lee complete their third month of detainment in North Korea, it remains rather astonishing that they were there in the first place to report for a fledgling cable channel. But their path there may explain in part why they remain in custody”.
Brian Stelter, NY Times, sobre os perigos do jornalismo freelance.
Every news organisation should have a data store
“Is this a natural extension of the blogging culture of linking to your sources? I think it is. And the more journalists get used to publishing their work on the likes of Google Spreadsheets, the better journalism we will get”.
Paul Bradshaw, no Online Journalism Blog, sobre o uso de bancos de dados para contar histórias.
Banco Mundial rescinde contrato com a Bertin e exige dinheiro de volta: Amigos da Terra pede que o BNDES faça o mesmo
“Amigos da Terra – Amazônia Brasileira anuncia que, após três anos de acompanhamento, conseguiu confirmar, na noite de ontem [12.6], um importante objetivo de campanha: fazer com que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial, voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin…”
Essa decisão deve ter muitas repercussões.
Exclusif : nous avons retrouvé le tome 4 de “Millénium”
“Cette fois, c’est certain : il existe bien un tome 4 de « Millénium ». Trois Suédois, fans du polar posthume de Stieg Larsson, sont parvenus à s’introduire dans l’ordinateur de l’auteur, alors entre les mains de sa compagne, Eva Gabrielsson”.
Reportagem de Rue 89 sobre a invasão, por hackers, do computador da viúva de Larsson e o vazamento do quarto volume que dá sequência à trilogia noir.







