Posts de 2011

15

Feb

11

Quem manda na devastação da Amazônia

Carvoaria em Açailândia, MA

Carvoaria em Açailândia, MA. Foto: Sérgio Vignes

Em junho de 2004, publiquei na revista do Observatório Social, junto com o colega Marques Casara e o repórter fotográfico Sérgio Vignes, a reportagem Escravos do Aço, sobre a vinculação entre trabalho escravo em carvoarias na Amazônia e a indústria siderúrgica. Uma das consequências imediatas foi a formalização, no mês seguinte, de um pacto de empresas siderúrgicas brasileiras contra o trabalho escravo.

Quase sete anos depois, Marques traz os resultados de novas investigações sobre o tema (como ele gosta de citar, todo jornalismo é investigativo, e se não for, não é jornalismo). Dá nome aos bois, apontando as mega-empresas que compram ferro-gusa obtido na ilegalidade. Cita também a problemática Secretaria do Meio Ambiente do estado do Pará, envolvida no esquema de corrupção para explorar madeira ilegalmente na Amazônia.

Por motivos vários, não pude dar continuidade a essa parceria específica (fizemos outras bem bacanas e vamos fazer mais). Fico contente que meus colegas não tenham “largado o osso”, pois se dependêssemos do acompanhamento desse assunto pelos jornalões e telejornais, o resultado seria nulo. Marques e Sérgio são daquele tipo raro de repórteres que, correndo à margem da imprensa industrial, acreditam que o bom jornalismo consegue fazer a diferença na vida das pessoas e do ambiente.

A revista vai ser lançada em São Paulo nesta quinta-feira, 17.

Um trecho do post do Marques no blog Contradições Tropicais no País do Futuro dá ideia do que vem por aí:

Segundo a revista Observatório Social que será lançada na próxima quinta 17, políticos e empresários do Pará montaram um consórcio para abastecer a indústria mundial do aço com carvão do desmatamento e do trabalho escravo. Fazem parte do consórcio funcionários da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Os principais beneficiários do esquema são as companhias siderúrgicas que operam no pólo de Carajás, dentre elas a Cosipar, que em breve receberá um aporte de US$ 5 bilhões de investidores russos. Com o carvão do desmatamento fornecido pelo consórcio – e o minério de ferro da Vale, as siderúrgicas produzem ferro-gusa. Depois, vendem o produto para gigantes globais do setor de aço. São as mega empresas de aço que financiam a devastação da floresta, pois compram 90% da produção de ferro-gusa. São elas: Gerdau, TyssenKrupp, Kohler, WhirlpoolCorp, Nucor Corporation e National Material Trading Co. A Vale também é responsabilizada, ao não cumprir acordo de 2008 com o Ministério do Meio Ambiente, de só vender minério de ferro para quem usasse carvão certificado. …

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11

Feb

11

É Daqui

Recebi e passo adiante. Parabéns ao colega Celso Martins e sucesso na iniciativa.

DAQUI Jornal e DAQUI Web farão cobertura do distrito de Santo Antônio de Lisboa e arredores

Dois veículos de comunicação do distrito de Santo Antônio de Lisboa serão lançados neste sábado (12.2) no Engenho e Casarão dos Andrade, com a presença da banda Gente da Terra, os músicos australianos Carl Cleves e Parrisa Bouas, e o artista Valdir Agostinho, além de projeção de fotografias e exposição de artes. Tudo isso será regado com caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d’água com lingüiça, incluídos no custo do convite (R$ 20,00).

O DAQUI Jornal começa com oito páginas em cores, tiragem de três mil exemplares e circulação no distrito de Santo Antônio de Lisboa (Sambaqui, Barra do Sambaqui, Santo Antônio, Barreira, Caminho dos Açores/Praia Comprida, Cacupé), chegando ao Saco Grande, Ratones, Daniela e Praia do Forte. O segundo veículo é o site DAQUI Web, noticioso, com atualização diária, apresentando uma extensa lista de serviços e links dos blogs e sites da região.

O projeto é de responsabilidade da empresa DAQUI Edições, criada para viabilizar a iniciativa pelo jornalista e historiador Celso Martins (coordenação editorial) e a cantora e acadêmica de jornalismo Joana Cabral (coordenação comercial). A artista visual Helena Rodrigues atua por enquanto como contato comercial, com o apoio direto de entidades comunitárias e lideranças locais.

Programa musical

20h – Gente da Terra.

21h – Ato de lançamento.

21h30 – Carl Cleves e Parrisa Bouas.

22h – Banda de músicos uruguaios.

22h30 – Valdir Agostinho

Local

Engenho e Casarão dos Andrade. Caminho dos Açores/Praia Comprida, 1180 (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis-SC.

Início

20 horas

Atividades

Projeção de fotos de paisagens da região e exposição de obras dos artistas Cláudio Andrade e Neri Andrade.

Alimentos e bebidas

Caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d´â€™agua com lingüiça (incluídos no convite), mais cerveja com venda à parte.

Mais informações

Celso Martins (3335 0200)

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11

Feb

11

Minhas idiossincrasias (après Brüggemann)

Tenho atração por certas assimetrias, como quadros tortos nas paredes e pessoas ligeiramente vesgas. Gosto de arrancar ervas daninhas quando estou sentado na grama (pensando na inutilidade disso). De rasgar rótulos de cerveja começando pelos cantos. De desenhar coqueiros. Sempre corto laranjas em quatro partes, descasco e depois corto em mais quatro. Jogo fora as canetas no ato quando elas falham mais de uma vez. Nunca deixo meus chinelos virados pra baixo. Tenho certa tendência incendiária – adoro fazer fogueira, pra assar peixe ou só pra ver o fogo. Telefono pra alguns amigos em horas impróprias. Visito uns poucos em horas mais impróprias ainda. Leio vários livros ao mesmo tempo e os deixo espalhados pela casa, numa bagunça ordenada. Raramente compro o que me oferecem sem ser solicitado. Não uso relógio, anéis, brincos ou colares – mas acho bonito quem sabe usar bem. Gosto de cheiro de cabeça de neném, de livro novo, de mato molhado e de café torrando. Tenho crises de espirros com poeira. Horror a cômodos sem janelas, gente arrogante, rotina burra. Gosto de quase todas as frutas, mas se melão fosse extinto, não me faria falta alguma. Detesto fazer compras, mas curto passear em livrarias, lojas de ferragens e de traquitanas tipo 1,99. Não tomo leite nem ponho açúcar no café. Fico alterado na lua cheia. Água corrente me acalma. E por hoje chega.

Inspirado no texto sobre as idiossincrasias do Fábio Brüggemann

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11

Feb

11

Festival de Cinema do Júri Popular

Recebi da Sofia Mafalda, do Cineclube Ieda Beck, e compartilho:

Festival do Júri Popular no Cineclube Ieda Beck: de 15 a 18 de fevereiro de 2011

O ano de 2011 começa este mês para o Cineclube Ieda Beck, que inicia seu terceiro ano e está mais popular do que nunca. Pelo segundo ano consecutivo, as portas estarão abertas de 15 a 18 de fevereiro para receber os 41 selecionados do Festival do Júri Popular 2011, em sua terceira edição.

Com duas sessões por noite, a primeira ás 19h30 e a segunda ás 21h, com exceção do dia da abertura, terça 15 de fevereiro que começará com a sessão Hours Concours, às 20h. Com isso, o Cineclube Ieda Beck continua a cumprir seu papel: formar público e dar visibilidade à produção independente que está à todo vapor no Brasil. O Cineclube Ieda Beck é uma realização da Cinemateca Catarinense, Prefeitura Municipal de Florianópolis, Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis (FUNCINE), Fundação Franklin Cascaes e Travessa Cultural.

Neste Festival não há jurados indicados. Quem irá dizer qual é o melhor filme será o próprio público. Ampliando seu raio de atuação, o mais abrangente festival de cinema do país acontecerá em 22 cidades brasileiras simultaneamente entre os dias 14 e 20 de fevereiro.

O Comitê de Seleção formado por Eduardo Ades (produtor e curador), Ines Aisengart Menezes (curadora), Maria Flor Brazil (produtora), Raphael Mesquita (diretor e produtor) e Angelo Defanti (coordenador do Festival) avaliou as mais de 400 inscrições e anunciou os seus 41 selecionados:

Programação:

15 / 02 TERÇA 20:00 Hors-Concours
A invenção da Infancia, de Liliana Sulzbach, 26’, RS, doc.
Eletrodoméstica, de Kleber Mendonça Filho, 22’, PE, fic.
Onde andará Petrúcio Felker, de Allan Sieber, 12’, RJ, anim.
O oitavo selo, de Tomás Creus, 15’, SP, fic.
Vida Maria, de Marcio Ramos, 8’, CE, anim.

16 / 02 QUARTA 19:30 Programa 1

Angeli 24h, de Beth Formaggini, 25’, RJ, doc.
A Dama do Peixoto, de D. Soares e Allan Ribeiro, 12’, RJ, doc.
Amigos Bizarros do Ricadinho, de Augusto Canani, 20’, Rs, fic.
Só mais um filme de amor, de Aurélio Aragão, 19’, RJ, Doc.
Contagem, de Gabriel Martins e Maurilio Martins, 18’, MG, fic.

16 / 02 QUARTA 21:00 Programa 2
Ela veio me ver, de Essi Rafael, 16’, MS, fic.
Geral, de Anna Azevedo, 15’, RJ, doc.
Izamara, de Diogo Hayashi, 9’, SP, anim.
O Som do Tempo, de Petrus Cariry, 10’, Ce, exp.
147, de Marcelo Tannure, 4’, MG, anim.
Tempestade, de Cesar Cabral, 10’, SP, anim.
A Noite por Testemunha, de Bruno Torres, 24’, DF, fic.

17 / 02 QUINTA 19:30 Programa 3
Garoto de Aluguel, de Tarcísio Lara Puiati, 22’, RJ, fic.
Como é bonito o Elefante, de L. Barbi e J. Mallon, 8’, RJ, fic.
Fantasmas, de André Novais Oliveira, 11’, MG, fic.
Haruo Ohara, de Rodrigo Grota, 16’, PR, doc.
Peixe Pequeno, de Vincent Carelli e Altair Paixão, 4’, Pe, doc.
A Inventariante, de Patricia Francisco, 07’, SP, exp.
Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, 23’, Pe, fic.

17 / 02 QUINTA 21:00 Programa 4
Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro, 17’, SP, fic.
Transcomunicação, de Arthur Tuoto, 3’, SP, exp.
Fábula das Três Avós, de Daniel Turini, 17’, SP, fic.
Nalu, de Stefano Capuzzi Lapietra, 6’, SP, fic.
Formigas, de Caroline Fioratti, 18’, SP, fic.
Mídia Obsoleta, de André Sicuro, 1’, RJ, exp.
Intervalo, de Alexandre Rafael Garcia, 9’, PR, fic.
Raz, de André Lavaquial, 19’, RJ, fic.

18 / 02 SEXTA 19:30 Programa 5
Ratão, de Santiago Dellape, 20’, DF, fic.
Instantâneos, de Andra Capella, 15’, RJ, doc.
O Solitário Ataque de Vorgon, de Caio D’Andrea, 6’, SP, fic.
Bailão, de Marcelo Caetano, 17’, SP, doc.
Caos, de Fábio Baldo, 15’, SP, fic.
As Aventuras de Paulo Bruscky, de G. Mascaro, 20’, PE, doc.

18 / 02 SEXTA 21:00 PROGRAMA 6
O Plantador de Quiabos, de Coletivo Sta. Madeira, 15’, SP, fic.
7 Voltas, de Rogerio Nunes, 19’, SP, doc.
O Diário da Terra, de Diogo Viegas, 1’, RJ, anim.
Ensolarado, de Ricardo Targino, 14’, RJ, fic.
Orquestra do som cego, de Lucas Gervilla, 13’, SP, doc.
Balanços e Milkshakes, de E. Ricco e F. Mendes, 10’, MG, anim.
Carreto, de Marília Hughes e Cláudio Marques, 12’, BA, fic.
Verão, de Thiago Pedroso e Hiro Ishikawa, 9’, SP, fic.

Os filmes da mostra competitiva concorrerão nas seguintes categorias sob o julgamento do público: Grande Prêmio, Melhor Ficção, Melhor Documentário, Melhor Animação, Melhor Experimental, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator e Melhor Atriz.

O Grande Prêmio receberá o Prêmio Porta Curtas Petrobras, Prêmio Estúdios Mega, Prêmio Distribuição Curta o Curta dentre outros prêmios em serviços. A Melhor Fotografia ainda receberá o Prêmio Kodak.

Maiores informações:

www.festivaldojuripopular.com.br

www.cinematecacatarinense.org
ENTRADA FRANCA
Sessões ocorrerão na nova sede da Cinemateca Catarinense
Travessa Ratclif, 56 – Centro – Florianópolis, SC / 48 3224.7239 / Funcine 3224.6591

Fonte:

Sofia Mafalda (produtora do Cineclube Ieda Beck)

sofiamafalda@gmail.com

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04

Feb

11

O porco vai a Toulouse

Espírito de Porco foi selecionado para exibição no Festival de Filmes Latino-Americanos de Toulouse, França. A participação vau ocorrer no Panorama Documental, uma seção não-competitiva com 16 documentários latino-americanos produzidos em 2009 e 2010. Haverá duas exibições, em datas a agendar entre os dias 18 e 27 de março.

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29

Jan

11

Carta ao pai na UTI

Pai, escrevo esta carta sem considerar a remota hipótese de que você possa compreendê-la. Há vários meses a doença de Alzheimer lhe tirou o prazer da leitura e está passando uma borracha no seu cérebro. Mas as epístolas são um recurso de estilo adequado no nosso caso, pois fluem espontâneas. Tratamo-nos por “você” (alguns filhos lhe chamam de “senhor”, mas nunca me habituei), sem perder a reverência entre filho e pai. Presto tributo às nossas décadas de troca de correspondência e ao milagre da palavra contada, que você sempre admirou. Aproveito para informar os amigos, parentes e agregados que gravitam de maneira amorosa em nosso entorno e estão ansiosos por novidades. É um texto público que fala de um assunto privado e nada agradável à maioria dos paladares: doença e risco de morte. Natural a aversão ao tema: as pessoas tendem a fugir da dor e fingir que ela só acontece com os outros. Só vão ler minhas palavras as três dúzias de pessoas que tiverem interesse genuíno no João Camillo da Silva Filho e esbarrarem neste blog por acaso ou boca-a-boca. Os amigos, os conhecidos e os desconhecidos com quem você brindou a alegria de viver.

Aliás, abre parêntesis, vou lhe fazer uma confissão tardia: quando eu era um adolescente tímido e íamos a restaurantes e botecos, eu ficava envergonhado quando você se levantava e ia puxar assunto com gente desconhecida nas mesas vizinhas; hoje tenho vergonha de ter tido vergonha. Só as pessoas de personalidade cativante conseguem fazer o que você fazia sem serem chatas. Então, que uma vergonha cancele a outra. Fecha parêntesis.

Chegamos ontem de Fortaleza, depois de dez dias difíceis. Encontrar você em uma UTI, com pneumonia e em estado grave, foi bastante penoso pra nós todos da família. Especialmente quando a gente sabe que você sempre abominou a ideia de vegetar numa cama de hospital. Cheguei num momento crítico, em que, depois de muitas horas de espera, meus irmãos tinham conseguido vaga na UTI da Uniclinic. Era o possível no momento. Mas, em pouco tempo, informando-nos com diversos profissionais de medicina e observando a rotina hospitalar, percebemos que o lugar estava muito aquém das exigências mínimas de tratamento humanitário. Somos gratos a alguns profissionais de lá, que fizeram o possível com as condições que tinham; quanto aos arrogantes e despreparados, a gente lamenta que insistam numa profissão tão nobre como a de saúde. Movemos mundos atrás de outra vaga e finalmente conseguimos duas vitórias: a sua transferência para o Hospital São Carlos – um lugar de excelência que respeita a dignidade das pessoas, como deviam ser todos os hospitais brasileiros – e a contratação de um ótimo médico pneumologista para acompanhá-lo.

Posso afirmar sem muita chance de erro que essas duas mudanças salvaram sua vida, pai. Quando você chegou lá no São Carlos, estava nas últimas, com a infecção quase tomando conta e a pressão muito baixa. O doutor Plínio e sua equipe atuaram de imediato, mudando a medicação, introduzindo alimentação venosa, pedindo exames, combatendo uma infecção nos rins… Enfim, atacaram o caso com uma abordagem holística. Nos vários boletins que ele fez oralmente para nós, pudemos perceber seu extremo profissionalismo e respeito humano. Voz pausada, olhos nos olhos, descrição honesta e sem firulas sobre o seu estado. A possibilidade de sua morte estava ali delineada, palpável. Começamos a nos preparar para a aceitação do que fosse melhor e representasse menos sofrimento, com o consolo de que, até agora, foram 85 anos muito bem vividos (no vídeo que gravei aos seus 83 anos, você me respondeu como era ficar velho: – A vantagem é que a gente morre bem sabidinho).

Os dias se passaram e seu estado, que era “gravíssimo”, passou para “grave”. E, no momento em que escrevo, é inspirador de cuidados. A infecção nos pulmões e nos rins está cedendo. Nas palavras do médico, houve “importante melhora” (opinião de leigo: atribuo isso não só aos cuidados profissionais, como também ao seu proverbial vigor físico de ex-paraquedista e à vontade de viver). Mas ele lembra que a falência total dos órgãos ainda é uma possibilidade a rondar, pois a pressão arterial está instável e a pré-existência da doença de Alzheimer (degenerativa e irreversível) não pode ser esquecida. É importante a gente ter isso em mente pra evitar o auto-engano. Lembro que você brincava com as mentiras piedosas que as visitas costumam contar às pessoas desenganadas pela medicina: “Você está com uma ótima aparência! Vai logo ficar bom!”, enquanto o sujeito estrebuchava. Fique tranquilo. O que eu lhe disse na visita de ontem é a verdade do momento. A batalha está sendo ganha, por ora. O futuro? Quem sabe?

Miguel e Bruno passaram esses dez dias em Fortaleza sem poder lhe visitar, pois não é permitida a entrada de crianças na UTI. Fizemos o possível para entretê-los nos intervalos das duas visitas diárias e em meio à chuva que castigou a cidade por vários dias. Eles adoraram a Sorveteria 50 Sabores. Encontramos também um restaurante legal perto do apartamento da prima Abélia: tem uma área pra crianças com labirinto e cama elástica. Nos poucos dias em que o sol deu as caras, fomos duas vezes à Praia do Futuro (na segunda vez, Miguel comentou que estávamos indo “de volta para o futuro”, referência a um filme dos anos 80 que você nunca viu, pois detesta cinema). Bruno se divertiu com objetos de papelão que ele pedia pra gente recortar e depois desenhava: celular, pen-drive, cartão de memória, carteira de cédulas, carteira de identidade, volante de carro. Perguntei se ele não era muito novo pra dirigir com quatro anos. Ele respondeu: “Eu tenho 19 anos, é que sou anão”.

Pai querido, meu grande abraço.

Florianópolis, 29 de janeiro de 2010 (aniversário de Lubélia)

Outra carta ao pai, em julho de 2010

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29

Jan

11

A trégua

A TréguaA Trégua by Primo Levi

My rating: 5 of 5 stars

Belo e inspirado relato dos meses que se seguiram à libertação do autor do campo de Auschwitz, acompanhando a romaria de refugiados, primeiro na Polônia e depois na Rússia, de campo em campo, enquanto esperava a repatriação para a Itália. Ele descreve personagens fantásticos que encontrou na jornada e suas emoções desencontradas ao reconquistar a liberdade.

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13

Jan

11

Vamos ajudar!

No momento em que escrevo, a contagem de mortos na tragédia do Rio de Janeiro chega a 420 e continua crescendo. DVeras em Rede soma esforços à campanha de ajuda, reproduzindo o post do blog Coluna Extra, do Alexandre Gonçalves.

O Coluna Extra entra na corrente iniciada pelos sites SouAvaiano, Carnavalesco SC e Foto-Flagrante de divulgação da campanha da Cruz Vermelha Brasileira para ajudar as vítimas das enxurradas e desmoronamentos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Aqui em Florianópolis, os interessados em contribuir podem levar seus donativos na sede da Cruz Vermelha que fica localizada na rua Santos Saraiva, 821, no Estreito. Veja a localização no mapa.
Exibir mapa ampliado

A Cruz Vermelha pede os seguintes donativos:

- Arroz
- Feijão
- Macarrão
- Café
- Leite
- Açúcar
- Enlatados (milho, sardinha, atum)
- Bolacha
- Farinha de trigo
- Alimento infantil (mingau e papas prontas)
- Sabão em barra
- Sabão em pó
- Detergente para louça
- Sapólio
- Água sanitária
- Balde
- Vassoura
- Pano de chão
- Sabonete
- Pasta de dente
- Desodorante
- Papel higiênico
- Fralda descartável
- Absorvente
- Roupa de cama (lençol e fronha em bom estado e limpos)
- Cobertores e mantas (em bom estado e limpos)
- Toalha de banho
- Toalha de rosto
- Colchões (em bom estado e limpos)
- Roupas adulto e infantil (em bom estado e limpos)Para ver o endereço da Cruz Vermelha no seu estado, acesse o site oficial da entidade no Brasil.

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13

Jan

11

Um ano na Noruega em dois minutos

Um ano na Noruega, reproduzido em 17 mil imagens, em dois minutos. Por Eirik Solheim, via Boingboing.

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09

Jan

11

Em alfabetização

Bruno acordou hoje e pediu pra gente dizer palavras pra ele soletrar. Acertou quase todas. Mesmo pra quem acompanha o crescimento dos filhos dia após dia, há gratas surpresas. Elas parecem “saltos”, mas são a consequência natural de uma evolução cotidiana no entorno das letras. Há poucas semanas, ele tirou carteira de identidade e, no lugar da assinatura, colocaram um carimbo “Em alfabetização”. Logo essa informação vai estar desatualizada. Ou, quem sabe, todos devíamos ter o mesmo carimbo nos nossos RGs?

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