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Apr10
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Apr10
CurtaDoc no amor e no cárcere
Compartilho:
Cadeias superlotadas, mulheres que amam presidiários e jovens e velhas prostitutas são assuntos focados nos quatro documentários do CurtaDoc desta semana. Agrupados sob o título À Margem, o programa será exibido na terça-feira 20, às 21 horas, no SESCTV, e com reapresentações na quarta, sábado e domingo para todo Brasil. A convidada especial esse episódio é a professora de cinema Ramayana Lira, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).
“Se a gente pensa a realidade com um certo impulso documental, essa realidade é uma espécie de caminho, de rua. E como qualquer rua, as calçadas delimitam a passagem. O que eu vejo em alguns documentários é uma tentativa de desestabilizar estes limites, essa calçada, que recorta essa rua e provoca um olhar exatamente para a margem, para o lado”, reflete Ramayana.
Vila Mimoza, de 2001 com direção de Felipe Nepomuceno, é um documentário de apenas sete minutos. O filme elabora uma narrativa pungente sobre as personagens de uma região de prostituição do Rio de Janeiro. De uma entrevistadas, há o depoimento: “Agora meu coração virou um coração de pedra. Agora vai ter que vir um escultor para abrir ele a martelada”.
Visita Íntima, realizado em 2005 por Joana Nin, é um filme sobre mulheres que amam demais. Todas apaixonadas por presidiários. Há o caso de uma delas que espera o marido há 30 anos. Mas a maioria começou a namorar homens que já estavam presos. Visita Íntima discute este amor de mulheres que muitas vezes também vivem na condição de encarceradas.
Lotado, de 2004, dirigido por Luanda Lopes, discute a superlotação carcerária do Rio de Janeiro, um problema que atinge todo sistema presidiário brasileiro. Há celas com 12 metros quadrados que chegam a abrigar mais de 60 presos. Os presidiários que se revezar para dormir é o clima é de tensão permanente.
Aurora, documentário de 2002, de Kiko Goifman e Jurandir Muller, aborda a vida de velhas prostitutas do Rio de Janeiro que continuam na profissão. Nos relatos, entremeado por antigas estátuas abandonadas, há depoimentos sobre o desamor no tratamento estúpido dispensado a elas pela maior parte de seus clientes.
O CurtaDoc é exibido semanalmente em rede nacional. Durante o período de inscrições no primeiro semestre de 2009, foram inscritos 520 filmes e selecionados 125. As inscrições continuam e podem ser feitas no site em www.curtadoc.tv, que será transformado em um banco de dados do documentário brasileiro em curta-metragem. A produção é da Contraponto e a realização do SESCTV.
O QUÊ: Programa CurtaDoc
EPISóDIO 26: À Margem
QUANDO: 20 de abril, terça-feira, 21 horas.
REPRISES: quarta (21) à 1h; sábado (24) às 22h; e domingo (25) às 19h.
ONDE: SESCTV, canal 3 da Sky em todo o Brasil.
Outras operadoras, consulte: www.sesctv.org.br.
CONTATO:
Direção: Kátia Klock • (48) 3334 9805 | 9989 4202
Produção executiva: Mauricio Venturi • (48) 3334 9805 | 8411 6229
Comunicação: Fifo Lima • (48) 4141 2116 | 9146 0251
16
Apr10
Dia da Mãe
Hoje, se estivesse aqui, minha mãe Sara completaria 70 anos. Partiu aos 50, de uma daquelas maneiras bobas (complicação anestésica em operação de sinusite) que nos ajudam a lembrar como a vida é só uma brisa rápida. Viveu com intensidade o casamento, os filhos, a profissão de enfermeira, a aventura de se embrenhar nas florestas amazônicas num navio hospital, as viagens malucas de carro pelos estradões do Brasil. Nos últimos tempos dedicava-se às aulas na UFRN e à atenção aos doentes de hanseníase e de HIV. Amava dançar tango, ouvir Piazzolla, tomar café preto bem forte, preparar feijoada, fazer artesanato, costurar vestidos coloridos (abençoados sejam os que conseguem fazer seus próprios parangolés), receber os amigos em casa (mas detestava fazer visitas), fazer passeios e viagens de improviso. A fotografia era uma de suas paixões.
E chega de lembranças por hoje, que a sexta-feira vai ser comprida e eu já tou com um cisco no olho.
Na foto, ela e eu.
15
Apr10
Brunitezas: agenda folgada
A mãe apressando o menino no banho: “Bruno, quando você vai tirar o sabonete?”
Ele, na banheira quentinha: “Só depois do dia 15″
13
Apr10
Ilha 70
SC em Cena – Ilha 70 (primeiro episódio). Muito bom este documentário dirigido e roteirizado por Marco Martins e Loli Menezes, da Vinil Filmes.
12
Apr10
Lido & Leno: China, resenhas, imigrantes…
Em março encarei dois livros bem interessantes enquanto preparava um artigo para a edição 16 da Revista do Observatório Social: China: uma nova história (John King Fairbank e Merle Goldman), e China: radiografía de una potencia en ascenso (Romer Cornejo, coord.). Como o tempo era escasso pra deglutir os dois tijolos, precisei fazer uma leitura transversal de ambos, principalmente do primeiro, em que saltei alguns séculos (não sem certo remorso, logo deixado de lado ao lembrar dos direitos inalienáveis do leitor) pra me dedicar com mais detalhe aos tempos recentes. O segundo, da Editora El Colégio de México, é em espanhol e reúne artigos de especialistas em diversas áreas. Muito legal pra quem se interessa por geopolítica, relações internacionais, minorias étnicas, questões de gênero e combate à pobreza. Um dos artigos, escrito por Xulio Rios, aborda as relações entre China e Taiwan, tema que me atrái desde que tive a oportunidade de conhecer a ilha asiática em 1993.
Nos intervalos, me deliciei com Nick Hornby e seu Frenesi Polissilábico, que ganhei do cumpay Frank Maia. O escritor inglês reúne uma série de resenhas literárias que publicou em uma revista americana. Fiel à sua mania revelada em Alta fidelidade, no início de cada artigo ele faz duas listas: a dos livros comprados e a dos livros lidos no mês. Não é o filé de Hornby, mas mesmo assim, valeu encarar. São resenhas bem humoradas e cheias de tiradas espirituosas sobre a arte (ou vício) de ler, além de ótimas dicas, apesar de quase sempre restritas ao universo anglo-americano. A maioria dos livros e autores que ele cita, eu nunca tinha nem ouvido falar. Mas Hornby é simpático o bastante pra nos deixar bem à vontade quanto à nossa ignorância. Taí um cara com quem eu gostaria de tomar uma Guiness ou uma caipirinha. Se você é viciado em livros, recomendo o Frenesi, mas se ainda não leu Hornby, melhor começar com Um grande garoto ou Alta fidelidade.
Há poucos dias terminei A síndrome de Ulisses, do colombiano Santiago Gamboa. Aborda a vida de imigrantes ilegais. É a história de um colombiano que tenta ser escritor em Paris dos anos 90, em meio ao maior perrengue de grana, tendo que lavar pratos num restaurante coreano e fazer bicos de professor de línguas pra sobreviver. Ele faz amizade com vários imigrantes que, como ele, vivem no submundo parisiense: uma prostituta romena, um estudante marroquino, um norte-coreano com quem divide a pia do restaurante e outros. Pelo caminho, ele mata o tempo trepando com várias mulheres, investigando sobre um compatriota desaparecido, tentando superar o fora da ex-namorada espanhola e reescrevendo um romance ruim. Um dos pontos altos é a série de papos literários que ele tem com os amigos árabes e com escritores latino-americanos. Também é interessante a forma como, em determinados momentos, ele passa a narrativa em primeira pessoa aos outros personagens. Achei meio mal-amarrado em alguns trechos e foi inevitável compará-lo desfavoravelmente a outros autores que escreveram sobre a vida dura de Paris, com absoluto domínio da narrativa (Henry Miller, Paul Auster). De qualquer forma, a escrita é coloquial, flui bem e prende a atenção.
Anteontem comecei Um adivinho me contou, de Tiziano Terzani, enfaticamente recomendado pela @ladyrasta e que a Laura encontrou por R$ 9,90 num balaio de promoções. É o relato da experiência que esse jornalista italiano viveu ao passar um ano inteiro sem viajar de avião, se locomovendo entre Ásia e Europa por terra e mar. Um adivinho havia previsto que ele poderia morrer se voasse em 1993, e de fato ele se salvou de um acidente aéreo (eu também, quando era criança). Terzani questiona o modo de vida consumista, apressado e cético da cultura ocidental. As primeiras páginas já me fisgaram de jeito.
11
Apr10
Fotobiografia e lembranças babilônicas
Ayres Marques e Gigliola Capodaglio. Centro Cultural Babilônia, Ponta Negra, Natal, 1991.
Se você costuma seguir este blog, já deve ter notado que eu gosto de usar fotos como ponto de partida pra recuperar lembranças. É uma espécie de jogo de remontar e reinventar fragmentos do tempo. É o caso destas que meu amigo Ayres Marques publicou: uma fotobiografia muito legal dele próprio, com imagens desde a infância de ator-mirim de televisão até tempos recentes e com menos cabelo. Cliques que documentam sua jornada por São Paulo, Inglaterra, Itália, Alemanha, Natal e novamente Itália, onde vive hoje com Gigliola e a filha Marina. Nesta foto, de 1991, ele e Gi estão na casa deles em Natal, um lugar especialíssimo. Lá criaram a inquieta, efervescente e criativa Babilônia, um centro cultural que agitou a cidade nos anos 80 e 90, com bela vista pra praia de Ponta Negra. Babilônia foi um sonho real envolvendo poetas, pintores, videastas e escritores, que deu ao casal o título de cidadãos honorários de Natal e até hoje existe num canto especial das memórias de muita gente.
Conheci Ayres quando eu trabalhava e estudava na Cultura Inglesa. Ele havia recém-chegado a Natal e me deu aulas – aliás, foi um dos melhores professores de inglês que já tive, com seu humor peculiar, vasta cultura (a do tipo que ilumina em vez de humilhar) e uma paciência de monge beneditino pra aguentar nossas asneiras de aprendizes. Passamos muitos momentos agradáveis na Babilônia, entre partidas de xadrez e longos papos regados a vinho sob a lua cheia que refletia no mar de Ponta Negra (havia certo rito em nossos embates enxadrísticos, uma espécie de cerimônia do chá). Rimos bastante juntos e choramos com nossas perdas. As pausas serenas também foram muitas. Dizem que os grandes amigos são aqueles com quem você se sente bem em silêncio sem constrangimento. Minha amizade com Ayres só reforça essa tese.
Deixei Natal em dezembro de 1985, e eles – já com a pequena Marina, que ainda não tive a alegria de conhecer -, acho que em 2000. Levamos todos a lembrança quente da Cidade do Sol em nossos caminhos pra construir novas histórias. Dali em diante, outros silêncios se sucederam. Mas também bons momentos de reencontro em minhas férias natalenses, ou conversas a distância com direito a áudio e vídeo pelo skype – e também algumas partidas de xadrez online e brindes virtuais com vinhos tomados em garrafas distintas, mas irmanadas. Essa fotobiografia do Ayres me trouxe bons momentos e fico feliz em compartilhar aqui com vocês, pois também faz parte da minha história.
10
Apr10
Uma repórter brasileira em Bangcoc

Minha primeira leitura neste sábado foi o blog Presença de Anita, em que a jornalista Anita Martins – filha do colega Celso Martins, aqui de Floripa – faz o diário de bordo de sua viagem pelo Sudeste Asiático. No momento ela está na Tailândia, onde teve a oportunidade (a sorte, dizemos nós repórteres) de presenciar de perto um conflito entre militares e o grupo “camisas vermelhas”, manifestantes que fazem oposição ao governo e querem novas eleições. Anita, que está vivendo na Austrália, já percorreu nessa viagem Tasmânia, Indonésia e Cingapura. Sabe-se lá até onde vai. Seu blog está uma delícia.
p.s.: Mundo pequeno… Enviei pra lista Salinha do C.A. o link pro blog dela e, uns dois minutos depois, a própria respondeu de Bangcoc:
Eita, coisa rapida, hein. Hehehe. Sabe como eh pai ne, gente!?
Aproveito a deixa pra dizer que se alguem quiser um frila, to por aqui. Contatos: anitamartins11@hotmail.com/ anmartins11@gmail.com/ anmartins11 (skype).
Beijos e me desejem boa sorte, please
08
Apr10
Tudo começou no Cerrado
Recebi do Diógenes Botelho e compartilho com vocês essa nota sobre uma coleção que minhas amigas Adriane Adratt (a senhora Botelho) e Carol Grilo estão lançando pra homenagear o cinquentenário de Brasília.
A Yasaí Biojóias e a Fofys Factory lançam no próximo sábado, dia 10 de abril, na Feira da Lua, a Coleção “Brasília 50 anos – Tudo Começou no Cerrado”. São 50 conjuntos (colar e brinco) inspirados na flora, na fauna e nas paisagens do cerrado, criados especialmente para homenagear meio século da nova capital dos brasileiros.
frio do concreto. Nesses 50 anos resolvemos apostar e homenagear a natureza que nos rodeia, tão bela e ao mesmo tempo ameaçada pela exploração imobiliária, pelas queimadas, desmatamentos e o avanço do agronegócio”, ressalta Adriane Adratt.08
Apr10
Da arte de caminhar nas nuvens
Certa vez, Laura e eu fomos à praia do Campeche às 7h da manhã, pra espairecer a cabeça de um problema imobiliário que nos incomodava na época. Havia uma camada densa de neblina rasteira sobre a areia. Caminhamos meia hora literalmente no meio das nuvens, sem enxergar nada além de 10 metros. De repente, a neblina acabou, como que cortada por uma faca. E um dia lindo de sol apareceu. O problema se evaporou – o tempo mostrou que era irrelevante, ponto de partida pra uma longa viagem que depois fizemos.
Escrevi isto comentando o post Alvoradas oníricas, do amigo, vizinho e colega frila Mauricio Oliveira.









