Posts de 2008

03

Mar

08

O mar da Ilha

Sábado molhei os pés no mar pela primeira vez em 2008. E ontem repeti a dose de corpo inteiro. A água do Campeche tava bem fria, mas deliciosa. Pequenos prazeres da vida: tomar cerveja com os amigos na areia da praia e depois fazer xixi no calção olhando o horizonte, com as ondas do mar grosso lavando a alma e tudo mais.

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03

Mar

08

Footprints In Your Heart

Enviado do Japão pelo amigo australiano Aidan Doyle.

Many people will walk in and out of your life,
But only true friends will leave footprints in your heart.

To handle yourself, use your head;
To handle others, use your heart.

Anger is only one letter short of danger.

If someone betrays you once, it is his fault;
If he betrays you twice, it is your fault.

Great minds discuss ideas,
Average minds discuss events,
Small minds discuss people.

He who loses money, loses much;
He who loses a friend, loses much more;
He who loses faith, loses all.

Beautiful young people are accidents of nature,
But beautiful old people are works of art.

Learn from the mistakes of others.
You can’t live long enough to make them all yourself.

Friends, you and me.
You brought another friend,
And then there were three.

We started our group,
Our circle of friends,
And like that circle -
There is no beginning or end.

Yesterday is history.
Tomorrow is mystery.
Today is a gift.

That’s why it’s called the present.

- Eleanor Roosevelt

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01

Mar

08

A fantástica história do índio do buraco

A edição de 13 de janeiro da Washington Post Magazine traz uma grande reportagem do jornalista Monte Reel sobre os índios isolados no Brasil. Em especial, conta sobre o último remanescente de uma etnia desconhecida: um índio nômade que vive numa área de selva rodeada de fazendas, no sul de Rondônia. Não é novidade, sabe-se disso há mais de dez anos, mas a cada vez que leio, me encanto com a síntese que esse caso representa de tantas outras histórias envolvendo os primeiros donos da terra Brasil. Seus ingredientes incluem desmatamento, violência, grilagem de terra, corrupção, pressões políticas. Há também aventura, trabalho duro e paciente, reviravoltas, investigação, ciência e tecnologia – imagens de satélite, por exemplo, foram algumas das evidências utilizadas para identificar clareiras feitas pelo índio.

O índio solitário constrói cabanas improvisadas de palha e cava um buraco dentro delas pra se abrigar. Está em permanente fuga e evita o convívio humano, talvez por um forte motivo: há evidências de que seus parentes foram mortos por jagunços. Arredio e hostil, já atacou a flechadas os que chegaram muito perto. Entre seus pertences foi achado um pequeno arco que provavelmente pertenceu a uma criança.

Há dez anos, em janeiro de 1998, tive o privilégio de ouvir o início da saga do “índio do buraco” narrada por um dos principais personagens, o sertanista Marcelo dos Santos. Laura e eu passamos uma tarde conversando com ele na sua casa em Vilhena, Rondônia. Apaixonado pelo modo de vida dos indígenas, conviveu com os Nhambiquara, Mamaindê e Negarotê durante a expansão da fronteira agrícola para o Norte na década de 70. Na época em que o encontramos, Marcelo era chefe do Departamento de Índios Isolados da Funai no estado. Seu cotidiano era enfrentar dias de caminhada na selva, na tentativa de minimizar os danos do eventual contato dos nativos isolados com madeireiros e fazendeiros.

Marcelo foi um dos reponsáveis por contactar pela primeira vez os Kanoê, com somente cinco sobreviventes, e os Akuntsu, com seis. No mato ou nos gabinetes, não tinha papas na língua pra cumprir a missão. Era inevitável que entrasse em rota de colisão com corruptos do serviço público, fazendeiros gananciosos e políticos escroques. Mas voltando àquela tarde em Vilhena. Ele nos contou que fazendeiros locais tinham todo o interesse em fazer o “índio do buraco” desaparecer para evitar que a área fosse protegida como terra indígena. Por isso era imporrante documentar a existência do homem, respeitando o seu direito de permanecer isolado.

As únicas imagens disponíveis do “índio do buraco” foram obtidas depois de um susto: Marcelo e um amigo francês, o cinegrafista Vincent Carelli, se aproximaram de uma cabana onde havia sinal de vida e ficaram algumas horas tentando contato. De repente, Vincent se aproximou demais e o homem lá de dentro disparou uma flecha que passou bem perto do cinegrafista. Decidiram se afastar, mas antes amarraram a câmera ligada a um galho de árvore. Alguns minutos depois, aparecia o índio: nu, cerca de trinta anos, moreno, de bigode, segurando um arco. Desconfiado, saiu da cabana com cautela e desapareceu no mato. Com base nas imagens de vídeo e em indícios antropológicos – entre eles o de que houve um massacre de outros índios que também tinham o costume de fazer buracos no chão -, Marcelo conseguiu que a Justiça Federal concedesse liminar interditando uma área de floresta.

Seu empenho lhe rendeu inimigos poderosos. Foi considerado persona non-grata pela Assembléia Legislativa de Rondônia – para a maioria dos parlamentares, a atuação do sertanista atrapalhava o progresso. As pressões políticas o fizeram deixar o estado e sair da Funai. Mas veja as voltas que o mundo dá: em abril de 1999 ele foi condecorado pelo governo federal com a Ordem de Rio Branco, uma das mais importantes honrarias do país. Atualmente de volta à Funai, Marcelo é responsável pela Coordenação Geral de Índios Isolados – existem 46 informações sobre a possível existência desses índios, a maioria na Amazônia Legal. Graças às evidências que sua equipe recolheu em uma década, no ano passado o governo brasileiro finalmente declarou uma área de floresta mais de 20 mil acres como território protegido para o índio solitário.

Em janeiro de 2007, conta a matéria da Washington Post Magazine, uma expedição liderada pelo sertanista Altair Algayer, parceiro de longa data de Marcelo, se embrenhou na mata e encontrou sinais de que o índio continua vivo: restos de coleta de mel e uma cabana recém-construída. Desfecho feliz, por enquanto, para um símbolo de resistência.

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01

Mar

08

Cobrança indevida da BrTurbo (2)

Lillys, Aloisio, Izabel, Daniele e amigos que comentaram seus problemas com a cobrança da BrTurbo, obrigado pelas dicas. Relatei o caso ao ombudsman do iG, Mario Vitor Santos e expliquei que não sou o único. Também citei o telemarketing abusivo. Falha de gestão ou má fé? Prefiro acreditar na primeira hipótese. Há muito dinheiro em jogo no negócio da telefonia pra que empresas desse porte se dêem ao luxo de arriscar a credibilidade a troco de merreca. Aguardemos os próximos capítulos.

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29

Feb

08

Frozen Grand Central


Uma performance coletiva bem bacana no Grand Central, o maior terminal de trens do mundo, em New York. Vi no Dharmalog do Nando.

Se você aproveitar a visita a esse ótimo blog pra descobrir o que é dharma, vai ganhar o dia.

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29

Feb

08

Cobrança indevida da BrTurbo

Há três dias escrevi sobre o incômodo que têm sido os telefonemas do telemarketing da BrTurbo. E sobre a minha surpresa quando o rapaz disse que “no sistema” constava meu nome como cliente. Ontem fui surpreendido de novo: há uma cobrança indevida de 11 reais na nossa conta telefônica, por uma suposta assinatura dos serviços desse provedor de internet no dia primeiro de janeiro. Quase colou, pois não percebi, mas a Laura descobriu. Como a conta está em débito automático, o valor já foi embolsado pela empresa.

Liguei pra Brasil Telecom – de quem somos assinantes de telefonia fixa e nos envia as faturas de várias operadoras numa única conta – pra formalizar a reclamação (protocolo 88736308). Disseram que a BrTurbo tem prazo até 6 de março pra me informar sobre a resolução do problema. Aguardo meus 22 reais, já que, conforme as regras da Anatel para telefonia fixa, os valores pagos indevidamente têm que ser devolvidos em dobro (as novas regras da Anatel para a telefonia celular também prevêem essa devolução em dobro).

Muito barulho por mixaria? Imagine quantas vezes esse tipo de ação passa despercebido. Lição da hora: desconfie do sistema.

p.s.: Leia aqui os direitos do usuário de celular (arquivo pdf).

p.s.2: Bem que podiam ter me cobrado indevidamente uns 10 mil dinheiros. :)

p.s.3: O telemarketing da Vivo me ligou três vezes nos últimos dois dias. Eles devem usar um sensor de inconveniência: me pegaram numa consulta médica, dirigindo e jantando com a família e amigos.

p.s.4: Quando é que vão implantar no Brasil um sistema anti-chatos do telemarketing como esse que a Megui conta dos Estados Unidos?

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28

Feb

08

Os mortos na sala de jantar

Recebi hoje pelo correio e sorvi de uma tacada só Os mortos na sala de jantar, do amigo Ademir Demarchi (Realejo Edições, Santos, SP, 2007). Seu livro de poemas ficou mais de vinte anos na gaveta-tumba, até que, no ano passado, foi premiado pra publicação pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Ademir passeia por vários formatos de escrita em torno do tema da nossa finitude. Seus textos, longe de oferecer conforto, fazem refletir sobre as idéias prontas que se tem sobre bater as botas.

O poeta se vale de referências irônicas e ácidas sobre história, política, literatura e comportamento pra criticar as fantasias que escravizam as pessoas: “Combato essa sociedade que vende felicidade, vida eterna e morte assépticas conquistadas sobre muita miséria”, diz. “Por isso a poesia que faço tem a pretensão, já de saída conscientemente falimentar, de ser eminentemente crítica. … Combato também as idealizações platônicas que em geral envernizam as mentes de quem se mete com literatura, acreditando em fantasias como A Obra, O Autor, O Livro, O Poema etc.”.

No prefácio, o crítico Raul Antelo assinala que Os mortos na sala de jantar se une a uma rica tradição que inclui artistas como Rubens, Rembrandt, Delacroix, Baudelaire, Marcel Duchamp, André Breton, Drummond e tantos outros. Ele cita o crítico de arte Georges Duhuit, para quem “o cadáver arrasta consigo a evolução dos estilos, serve às experiências perspectivas, aos ajustes de tonalidades, posa para efeitos de claro-escuro, é testemunha da diferença, do sério e até mesmo da majestade de uma personagem notável, instalado, porém, no espaço da função teatral, mero reflexo esverdeado em meio aos bajuladores de um lugar deslumbrante, por onde o homem comum já não pode mais passar”.

Alguns poemas:

Da felicidade e da infelicidade

lá vai o viúvo
sorri sua mulher
morreu sua amante
~

Epitáfios

epitáfios são epígrafes
de histórias que continuam túmulo adentro
~

Leviatan

evita levita
~

Amazônia
(in memoriam)

descansa em paz
no chão e nos móveis da sala
~

Aviso

caminha com cuidado
pisa sobre teus
antepassados

O autor:
ademirdemarchi [arroba ] uol ponto com ponto br

A editora:
Realejo Edições / José Luiz Tahan
(13) 3289-4935
realejolivros [arroba] terra ponto com ponto br

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28

Feb

08

Nim, uma árvore multiuso

Em dois meses, a nim plantada em nosso quintal passou do meu tamanho [p.s.: antes ela chegava à altura do meu ombro]. Essa árvore de origem indiana foi presente do meu sogro Augusto, que adorava falar das suas propriedades. Em poucos anos ela atinge dez metros de altura. A nim (muitos dizem “o”, mas prefiro chamá-la no feminino, lembra Anaïs Nin) produz um extrato que é defensivo natural contra pragas em plantas e animais: combate carrapatos, fungos, bicheiras e outras tranqueiras. É repelente de 120 espécies de insetos. Seu óleo serve pra fabricar xampu, sabonete, pasta de dente, desinfetante e até tônico capilar. As folhas, maceradas em água, produzem um caldo amargo que alivia mal-estar de estômago e ressaca (testei pessoalmente e aprovei). Pesquisadores da Embrapa já identificaram mais de 150 substâncias de uso comercial que podem ser retiradas da Azadirachta indica A. Juss, também conhecida como amargosa. Engov, nunca mais.

p.s.: O Planeta Orgânico traz mais informações interessantes sobre o uso da nim em propriedades agroecológicas.

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28

Feb

08

Educação

Cartum de Marcelo de Andrade.

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27

Feb

08

Imagens de Cartagena

Cartagena de Índias foi fundada pelos espanhóis na costa caribenha da Colômbia em 1533. Não conheço, mas pelo que ouvi das descrições de viajantes e li nos relatos de Garcia Márquez, é uma das cidades mais belas do mundo. Lugar repleto de histórias de piratas e corsários. Os amigos Silvia Pavesi e Eumano Silva estão por lá agora e compartilham umas imagens no blog Fotos e Fronteiras.

Gostei bastante destas três. A da Silvia mostra a mistura de cores que surpreende nos pequenos detalhes da arquitetura colonial. Um ramo de planta sobre a parede descascada cria uma composição bacana com o ferro curvado do lampião.

As outras duas fotos são do Eumano, tiradas na linda luz do fim de tarde: uma escada em caracol no casario; e o amasso de um casal de namorados em cima da muralha antiga da cidade, com o céu rosado no horizonte e a amiga segurando vela. Dá quase pra sentir a brisa que vem do mar.

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