27
Feb08
Deve haver um lugar bem distante
Reproduzo mensagem que a família Tuyama recebeu de Hugo, amigo de Augusto há longa data.
Amigos,Acompanhei a angústia de vocês, que também foi minha, pelo blog do Dauro, que ainda não tive a oportunidade de conhecer, mas a quem passei a admirar pelo que li, pelo conteúdo das suas palavras, pela sua cultura…
Vi na lista das 67 lembranças que a música que ele lembrava ” Deve haver um lugar bem distante…” me trouxe à luz o dia em que ele deixou Mauá para ir para Rolim de Moura. Não o dia da mudança mas um dia em que ele havia retornado para cá e em seguida retornaria para ficar em definitivo. Ele retornou de ônibus.
Gravamos uma fita com várias mensagens dos amigos que ficaram e gravamos essa música ( o Cláudio no violão e nós dois cantando). Entregamos a fita com a condição de que ele deveria ouvir já na viagem de retorno a Rolim de Moura.
Nesse dia ele assistiu conosco, na minha casa, ao filme Gritos do Silêncio. Esse filme termina com a música Imagine, de Lenon ( que o Dauro disse ser uma das suas preferidas – minha também!). Mas a mensagem maior do filme era e a ligação de amizade profunda e irrestrita do repórter americano, com o vietnamita, seu amigo, por quem ele tanto fez para resgatar do Vietnã. Ele chorou junto com a gente porque entendeu a mensagem. Ele estava deixando amigos de verdade por aqui… e nós nos distanciando de um amigo irmão.
A música se chama BALADA DE UM HOMEM SEM DESTINO – cantor: Sérgio Murilo.
Deve haver um lugar bem distante
Outro céu, outra terra, outro mar,
Onde possa viver sem sofrer, sem chorar
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar
Caminhando, sem rumo, eu vou sem destino
Procurando encontrar um mundo melhor.
Onde possa viver, sem sofrer, sem chorar.
Onde a paz e o amor eu consiga encontrar.Durante todos esses dias de angústia eu toquei essa música no teclado. Parecia que ele iria ouvir. Quem sabe…
Embora distantes, estou com vocês em meus pensamentos e sofrendo também com a nossa perda.
Hugo Antonio Suffredini
Mauá, SP
26
Feb08
Telemarketing e o sistema
Hora do almoço. Toca o telefone e atendo enquanto o feijão preto me espera no prato.
- Sim?
- Bom dia, aqui é da BR Turbo! O senhor é o responsável pela internet?
- Sim, sou eu.
- Nós gostaríamos de estar lhe oferecendo um plano especial de proteção contra vírus de computador e ataques de hackers…
- Muito obrigado, mas meu micro já está protegido. E tenho contrato de fidelidade de um ano com outro provedor de internet.
- No nosso sistema consta que o sr. é cliente da BR Turbo.
- Não sou nem nunca fui.
[e o feijão esfriando]
- Mas consta do sistema…
- Que sistema, rapaz?! Já disse que nunca fui cliente de vocês. E se continuarem insistindo eu…
[cai a ligação ou ele desliga]
~
Não é a primeira vez que o telemarketing dessa empresa me enche nas horas mais incômodas. Costumo ser gentil, sei que a profissão dessa gente é ingrata pracarai. No começo me alongava nas negativas, só faltava pedir perdão por não comprar nada. Depois automatizei a resposta-padrão do contrato de fidelidade. Mas essa última foi de lascar. Duas horas depois, me toquei de um absurdo na abordagem dele que teria me dado um excelente argumento:
- Peraí! Como é que você diz que eu sou cliente da sua empresa, se agorinha me perguntou se sou o “responsável pela internet”?
(vou lembrar dessa na próxima; se bem que prefiro as saídas menos cerebrais e mais espirituosas, tipo: “Me dá o número do seu celular que dou retorno em seguida”; “Aguarde um minutinho, por favor”; ou “Olha, foi bom você ligar, acabei de sair da condicional, tou desempregado e ninguém me dá crédito”).
Ah, o feijão, acompanhado de farinha com pequi, tava uma delícia.
26
Feb08
24
Feb08
Em casa
Depois de nove semanas, 9.497 km percorridos de um canto a outro do Brasil e um acidente fatal na família, voltamos pra casa. A vida segue.
23
Feb08
Quase em casa
Chuva forte por horas seguidas. Na descida da serra entre PR e SC, o trânsito ficou interrompido um tempão por causa de um acidente. Anoitecia e o aguaceiro não parava, então resolvemos passar a noite em Joinville. Jantamos num restaurante chinês na esquina do hotel.
23
Feb08
A caminho de casa
Dia 5 (22/fev): MS-SP-PR. Estradas razoáveis/boas e tranqüilas. Rodamos 740 km, parte em rodovia duplicada (a Rondon em SP). Miguel teve um pouco de febre, medicamos e melhorou.
Almoço em Birigüi, no oeste paulista; depois os meninos brincaram num parquinho da loja da Klin, fábrica de calçados infantis com sede no município. Passamos ao largo de Ourinhos, onde dormimos na ida – muitas lembranças recentes. Pernoite em Santo Antônio da Platina, PR.
Neste sábado vamos à reta final de uma longa viagem – ao outro canto do país e a regiões inesperadas das nossas almas. Sobre essa jornada interior de dor, perplexidade, saudade e busca da aceitação, ainda não tenho muito o que dizer. Por enquanto meus relatos só arranharam a superfície. Talvez as palavras venham com o tempo, mas vão ser sempre traduções imperfeitas do que vivi e vivemos.
A viagem continua.
21
Feb08
Diário de viagem: RO-SC
Dia 1 (18/fev): Rolim de Moura (RO)-Cáceres (MT). Uma provação pra cabeça. Escala em Pontes e Lacerda pra pegar documentos tristes. Dois meses depois do acidente (e dez dias da morte de Augusto), as lembranças nos apertam quando passamos por ali de novo. Eu choro ao volante; Bruninho, inocente, ri e canta. Algumas músicas foram ensinadas pelo avô. Em Cáceres pernoitamos na casa de dr. Jefferson e d. Gleide, a generosa família que adotou os Tuyama em Mato Grosso.
Dia 2 (19/fev): Ainda em Cáceres, troca de óleo, lavanderia, comprinhas e mais papelada burocrática. Saímos 15h. À noite, hotel na Serra de São Vicente, em Águas Quentes (MT). No meio da mata, com termas a céu aberto, riacho, banho de cachoeira. Lugar especial. Dormimos numa casa de pedra, ouvindo água corrente.
Dia 3 (20/fev): de manhã, termas e sossego. Vimos um macaco na floresta. À tarde muita chuva, buracos na estrada, caminhões. Hotel em Rondonópolis, a capital do agronegócio. Pregados de cansaço, ignoramos o eclipse da lua e a renúncia de Fidel.
Dia 4 (21/fev): neblina, depois sol forte, mais caminhões e buracos. Retões com soja dos dois lados. Avestruzes, silos, colheitadeiras. Nuvens enormes. Em MS o asfalto melhora muito. Chuva forte no fim de tarde, ficamos parados quase 1h num posto. Hotel em Ribas do Rio Pardo (MS). Pizza no quarto.
Na seqüência: SP
16
Feb08
Tempo de pegar a estrada. A partir de segunda-feira rumamos de volta à Ilha, sem pressa, com todos os sentidos bem ligados pra fruir a lindeza do caminho. Abração em todos que nos acolheram com carinho e amizade nesses dois meses em Mato Grosso e Rondônia. Muito amor! Até outro dia.
16
Feb08
16
Feb08








