27
Sep07
Os livros, as bibliotecas e eu
Desde criança – muito antes de ter acesso ao debate sobre copyleft ou de fazer reflexões existenciais sobre o desapego – a idéia de “ter” um livro ou “ter” uma música sempre me parece estranha. Credito isso em parte ao fato de ter crescido num ambiente rodeado de música e gente: rádio ligado, irmãos cantarolando no chuveiro, LPs espalhados pela casa, fitas cassete no carro. Pra mim era mais que óbvio, o som estava no ar pra ser degustado na hora em que tocava. Cada pessoa que ouvia também passava a ser dona da música (aos seis passei a ser um dos donos dos Beatles).
Com os livros foi um pouco parecido. Tive a sorte de mergulhar cedo no mundo maravilhoso das bibliotecas. Primeiro na escola primária no Recife, numa fase introspectiva aos sete anos – logo depois de passar vergonha porque uma menina contou pra toda a turma que eu tava sem cueca por baixo do calção, mas isso não vem ao caso. O fato é que a escola tinha uma biblioteca interessante, apesar de pequena, e lá eu me refugiei por um tempo na hora do recreio. Momentos de belas descobertas, como a série francesa Petit Nicolas e os livros de Orígenes Lessa.
Aos doze, descobri na Biblioteca Pública de Natal um grande tesouro: a coleção completa de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Passei tardes muito agradáveis ali, numa deliciosa solidão cheia de aventuras africanas, até ler os mais de vinte livros da série. Aí parti pras obras de Monteiro Lobato, de quem se pode dizer sem exagero: é um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. No ginásio tive um professor que escreveu certo por linhas tortas. Um dia eu fui à aula com meias verdes porque não tinha as meias pretas do uniforme. Ele me mandou de “castigo”. Adivinha pra onde?… Pra biblioteca! Não lhe guardo rancor nem o nome. Outros mestres vieram e me estimularam com mais inteligência.
Como nunca tive grana sobrando pra comprar os livros e músicas que queria, precisei buscar alternativas. Bibliotecas públicas e de amigos, trocas, fotocópias, sebos… E mais recentemente os meios que a tecnologia oferece. Hoje já posso entrar numa livraria e levar um livro novo (é incrível que no Brasil e em tantos lugares isso ainda seja quase um luxo!), embora sempre deixe pra trás uns dez que também gostaria de ter comprado. A idéia de “ter” um livro ou uma música continua me parecendo tão bizarra quanto nos tempos de criança. Minha biblioteca virtual no LibraryThing é composta na maior parte por livros que não “tenho” no sentido físico. Na verdade, são os livros que me têm.
p.s.1. Nunca roubei livros. E não foi por falta de oportunidade, e sim porque isso nunca fez sentido pra mim. Mas confesso que já tive vontade.
p.s.2. Alguns livros marcantes (“disclaimer”: lista em eterna mutação).
p.s.3. Quais são os seus cinco livros marcantes? Se quiser, conte o motivo. Lembrança de um antigo amor, de uma viagem, de um momento bacana? Presente de alguém especial?
26
Sep07
Chegadas: Rodrigo
Lá do outro lado do mundo acaba de chegar uma bela notícia dos Camelos – Marcelo e Liz:
Olá meu Amigos!O Rodrigão nasceu no dia 26/09/2007 às 18h39min em Sydney, Australia, pesando 3.57Kg e medindo 51cm. Ele passa muito bem, assim como a mamãe. Ambos vão dormir esta noite na maternidade,
Felicidades!
25
Sep07
Gato por lebre
Sakamoto, em seu blog, escreveu – com muito mais talento – o que só pensei. A revista da Abril a que ele se refere bolou um jeito superinteressante de enrolar o leitor.
O jornalismo do gato por lebreAnúncios com cara de reportagem têm sido cada vez mais comuns na mídia impressa. Hoje, comprei uma revista da Editora Abril e me deparei com uma matéria, bem produzida, diga-se de passagem, sobre a produção de eucalipto, matéria-prima da celulose. Ao final, em um quadradinho acanhado, menor que um papel de bala, aparece que aquele conteúdo foi feito sob encomenda da Aracruz Celulose.
Cadê o “Informe Publicitário” que aparecia no topo das revistas antigamente quando elas publicavam anúncios com cara de matéria? A ganância comeu, provavelmente. (…)
25
Sep07
Aniversário dos Peladeiros
O grupo Peladeiros completou cinco anos de existência. É uma turma de amigos que se reúne toda segunda-feira pra jogar futebol – 89,7% são jornalistas, conta Rubinho Vargas, o tesoureiro. Eu não jogo bola, mas ontem fui prestigiar a comemoração num boteco nos fundos do Hospital Universitário, onde eles fazem o encontro semanal. Tive o prazer de tomar umas cervejas numa mesa comprida e barulhenta com Alexandre Gonçalves, Chico Faganello, Dorva Rezende, Edson Rosa, Fábio Brüggemann, Fernando Goss, Gustavo Cabral, Marcelo ‘Tarta’ Tonelli, Rogério ‘Magrão’ Mosimann e mais uma galera animada.
25
Sep07
Sabe onde fica Porto Murtinho?
Gosto muito do saite do IBGE. Sempre que vou lá descubro coisas novas sobre este Brasilzão. Uma seção que consulto bastante é Cidades, ótimo banco de dados sobre todos os municípios do país. Acabo de descobrir e ver no mapa onde fica o município de Porto Murtinho.
25
Sep07
24
Sep07
o coração só dá
duas garantias:
tum-tuns mortais
e o silêncio depois
Jeanine Will, em Caminhão de Mudança
24
Sep07
Síndrome de Estocolmo, quatro anos
Neste domingo completou quatro anos o blog Síndrome de Estocolmo, da Denise Arcoverde, pernambucana casada com sueco e residente em Washington D.C. Blog ecletíssimo, trata de artes, cidadania, gênero, saúde, relacionamentos, viagens – ela tem muita estrada – e o que mais vem na veneta. Denise é fundadora do Grupo Origem, ong que há quase vinte anos promove e defende o aleitamento materno. Um oásis de vida inteligente e vibrante pra quando a gente se cansa de abobrinhas na internet. E lá também tem abobrinhas, claro, o que só reforça o que eu disse sobre inteligente e vibrante.
23
Sep07
‘Cerveja é bom’
Nunca esqueço de um livro didático de comunicação e expressão que usei na terceira ou quarta série primária. Tinha uma crônica de um escritor brasileiro conhecido. No meio aparecia a frase “Cerveja é bom.” Mais adiante, na interpretação de texto, vinha a explicação de que essa conjugação de gênero é aceitável (o verbo “beber” ou “consumir” está implícito). Imagino que tal exemplo ia causar um escarcéu nos dias de hoje. Bom, não me tornei pinguço por causa disso. Concordo com o autor: cerveja é bom. Algumas são ótimas.
Uma lembrança puxa outra. E aquela cena do Vinícius de Moraes na tevê cantando músicas infantis, rodeado de crianças e de seu inseparável copo de uísque? Tem no youtube?
21
Sep07
Terceiro Setor
Nova seção no blog: Terceiro Setor. Comecei uma lista de organizações com as quais tenho afinidade. Colaboro regularmente ou eventualmente com algumas; com outras sou só simpatizante. Uma ressalva evidente: as afinidades não querem dizer alinhamento automático de idéias.
- Anistia Internacional
Direitos humanos. Salva muitas vidas.
- Ciranda Internacional da Informação Independente
Comunicação social alternativa.
- Creative Commons
Uma inovadora maneira de pensar os direitos de autor.
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
De grande utilidade pública contra os tubarões.
- Instituto Observatório Social
Monitoramento dos direitos dos trabalhadores, foco em multinacionais.
- Instituto Primeiro Plano
Comunicação, Responsabilidade Social Empresarial e Desenvolvimento Sustentável.
- Mozilla
Projetos de software de código aberto.
- Oxfam
Combate à fome e à pobreza. Apoio a projetos de desenvolvimento.
- Programa Na Mão Certa
Combate à exploração sexual de crianças e adolescentes nas estradas.
- Rede de Informações para o Terceiro Setor
Boa fonte para quem quer se manter por dentro do que acontece no meio.
- Rede de Tecnologia Social
Fomento a soluções comunitárias criativas de transformação social.
- Repórter Brasil
Ong e agência de notícias de jornalismo social, com foco no combate ao trabalho escravo.
- Repórteres sem Fronteiras
Atuação internacional em defesa da liberdade de imprensa.








