02
Oct07
Primeira frase do Pulitzer 2007 de não-ficção
Numa cabine de primeira classe de um navio de passageiros fazendo o trajeto de Alexandria, Egito, a Nova York, um escritor e educador frágil, de meia-idade, chamado Sayyid Qutb viveu uma crise de fé.
O vulto das torres – A Al-Qaeda e o caminho até o 11/9. Lawrence Wright.
02
Oct07
02
Oct07
Lonely Planet agora é da BBC
Aviso aos viajantes: a BBC comprou a Lonely Planet. Tony e Maureen Weeler, casal de australianos que há 34 anos criaram a série de guias de viagem, vão receber em torno de 120 milhões de dólares e ainda ficam com um quarto da empresa, que hoje tem no catálogo cerca de 500 guias de viagem escritos por mais de 360 autores. Nada mal pra quem começou com um único guia, vendido a granel em poucas livrarias pra pagar o aluguel da mãe da autora.
Sou grande fã dos guias LP. Alguns, como Central Europe in a Shoestring, e South America, já me foram bastante úteis na estrada. Trazem uma visão equilibrada e informal sobre praticamente todos os lugares do mundo onde é possível um ser humano chegar com uma mochila nas costas e pouca grana no bolso. Mas tenho uma ressalva: eles sofrem do “paradoxo do sucesso”. Quando um guia LP recomenda uma pousada ou restaurante, em pouco tempo o lugar fica lotado de viajantes atrás da barbada e o resultado inevitável é a queda da qualidade.
Uma boa alternativa a esse paradoxo é o fórum do saite deles, The Thorn Tree, onde os viajantes têm a oportunidade de trocar dicas e idéias em seções segmentadas pelos mais diversos interesses, tanto geográficos quanto temáticos – mulheres, gays, idosos, viagens com crianças, viagens experimentais, viajantes com deficiências… É uma mina de ouro, sempre com informações atualizadas. Já fiz bons amigos por lá.
A proposta da BBC é manter o espírito de aventura que norteia a coleção e ampliar os produtos para outras mídias. Já os autores pretendem investir o dinheiro na Fundação Lonely Planet, dedicada a projetos educacionais e de conservação em países em desenvolvimento. Mais aqui (in English).
02
Oct07
Escravocratas financiam políticos
Meu amigo Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco, é co-autor de uma boa reportagem investigativa, dessas que me dão esperança de que o jornalismo não vai só pela lógica “detergente”. A matéria surge num momento bastante oportuno, em que senadores fazem pressão para desmoralizar o Grupo Móvel de fiscalização do governo federal, que liberta trabalhadores.
Política financiada pela lista sujaEmpresas autuadas por explorar trabalhadores em condição análoga à de escravo doaram R$ 897 mil para 25 candidatos em 2006
Lúcio Lambranho e Edson Sardinha – Congresso em Foco
Empresas autuadas por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo doaram R$ 897 mil para a campanha eleitoral de 25 candidatos em 2006. Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que dois governadores, três senadores, nove deputados federais e cinco estaduais receberam dinheiro de empresas incluídas na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). (…)
01
Oct07
Gato por lebre e a lógica do detergente
Continuando o assunto, o comentário de dois amigos jornalistas.
Anacris Oliveira:
A CBN está divulgando um comercial inacreditável: um “repórter” entrando ao vivo falando que a ponte está parada e que só é possível passar de moto. Anúncio da Amauri, com cara de reportagem.
Marques Casara:
Esse exemplo cai como uma luva para exemplificar a lógica do detergente, citada por Leandro Marshall em “O jornalismo da Era da Publicidade” (Summus, 2003). Confira alguns trechos:
“A publicidade não aceita mais apenas fazer vizinhança com o jornalismo. Portadora dos interesses do capital, a publicidade pressiona o jornalismo e opera na mesma lógica. A publicidade acossa o jornalismo, submete-o às mesmas regras e valores do capital, obrigando-o a relativizar seu compromisso com a verdade e com o interesse público”.
“A nova estética universaliza e radicaliza a práxis de mercado e atinge a essência da imprensa, das notícias, do noticiário, da informação e dos próprios jornalistas. …. passam a relativizar o conceito de verdade, de realidade, de conhecimento, de informação, de saber etc”
“Embora associe-se imprensa com verdade e jornal com informação, constata-se que a imprensa é consumo, publicidade e empresa privada. Os jornais contemporâneos viram mercadorias, submetidas a lógica do mercado, da audiência e do lucro, que passam a ser produzidas e vendidas dentro da mesma lógica que produz e vende detergente em pó.”
30
Sep07
Remixtures
Uma descoberta bacana em minhas webdivagações. Vou deixar ele mesmo se apresentar. Salvo engano, o gajo é português.
Remixtures.com é um blog assinado por Miguel Caetano sobre a cultura da remistura. Com este espaço, pretendemos criar um posto avançado de observação e reflexão sobre o que de mais recente e interessante ocorre no domínio da cultura livre emergente – netlabels, net-art, P2P, copyleft, Creative Commons, Mash-Ups, remixes – e dos entraves que se colocam ao seu pleno desenvolvimento, no sentido da partilha e reapropriação generalizada do conhecimento. Porque todo o criador não é senão um (re)apropriador das criações de muitos outros.
A cultura da remistura tem as suas raízes numa ecologia musical com vastas ramificações. Só para nos ficarmos pelo último século, podemos apontar uma genealogia que vai desde os blues que emanavam das plantações de algodão ao longo do Delta do Rio Mississippi passando pelos primeiros samples electrónicos da música concreta de Pierre Henry e Pierre Schaeffer no final dos anos 40 e início de 50 ou pelo Hip-Hop que brotou das ruas de Nova Iorque e o Dub dos raggamuffins e sistemas de som da Jamaica, chegando ao techno e house de Detroit e Chicago e culminando nos Mash-Ups da geração MySpace e YouTube.
Estas evoluções culturais colocaram em causa, cada uma à sua maneira, o sistema vigente da propriedade intelectual, em especial, os direitos de autor. (…)
28
Sep07
Cinco livros marcantes
A lista de ph:
Alguns livros que mais me influenciaram:1. Desafio aos Deuses: Uma Breve História do Risco. (Bernstein)
2. Ensaios Analíticos (M. H. Simonsen)
3. Conjectures and Refutations (Popper)
4. Manual do Perfeito Idiota Latino Americano (Llosa et all)
5. A Sangue Frio (Capote)
E a sua?
28
Sep07
28
Sep07
Não há fronteiras para as boas idéias
É ótimo quando uma boa idéia se multiplica. O PAIR - Programa Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro, que hoje existe em 57 cidades de 11 estados, vai ser expandido para mais três estados este ano: Rio de Janeiro, Rondônia e Pará. Criado há cinco anos, o programa teve sucesso reconhecido pelo Tribunal de Contas da União, que em 2004 recomendou sua expansão. A estratégia é buscar o fortalecimento dos Conselhos Tutelares e a capacitação dos agentes da rede de proteção à criança e ao adolescente. Está em negociação um projeto que vai levar a metodologia aos demais países do Mercosul, a princípio nos municípios de fronteira.
Conversei com Ângelo Motti, coordenador da Escola de Conselhos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que desenvolveu essa metodologia. Ele conta que o grande diferencial do PAIR é capacitar as pessoas para entender o problema:
“Nós mostramos os meios de que dispomos para o enfrentamento, os danos que a violência causa, o papel da rede e como organizá-la, sempre respeitando a dinâmica, a história e a cultura de cada lugar”.
Ângelo cita alguns resultados positivos. O município de Pacaraima, em Roraima, deixou de ser rota do tráfico internacional de crianças e adolescentes, que eram levadas para garimpos de brasileiros na Venezuela – algumas também para Holanda, Espanha e outros países europeus. Muitas dessas meninas eram de Manaus, outra cidade escolhida no projeto-piloto, onde a situação também melhorou.
No Acre houve redução no número de meninas que eram levadas de Brasiléia e do interior do estado para a Bolívia. Mas essa rota ainda é abastecida via Porto Velho. Por isso Rondônia é um dos três estados que vão ser incluídos no Programa este ano. Em Feira de Santana, importante entroncamento rodoviário na Bahia, o PAIR promoveu uma ação preventiva sistemática junto a caminhoneiros. Criou-se um “parlamento juvenil”, organização em que mais de 300 jovens atuam propondo políticas públicas e em outras ações de enfrentamento do problema.
27
Sep07
Radiola de fim de tarde
Ouvindo Cria, de Maria Rita. Som pra quem gosta de criança e de música. Valeu, Tadeu.
p.s. Curiosidade: a expressão “maria rita nua” está entre as principais portas de entrada dos “pára-quedistas do Google” neste blog. Mas como você pode conferir aqui, o texto e a imagem não têm nada a ver com fotos da filha de Elis pelada.








