Posts com a tag ‘política’

03

Sep

09

Ô raça pra gostar de censura


Frank mais uma vez mata a cobra e mostra o pau. Leia mais sobre a iniciativa dos parlamentares trogloditas na Agência Senado.

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24

Aug

09

Atentado a líder de trabalhadores rurais em SP (3)


Líder sindical Élio Neves. Foto: Wilson Dias (ABr).

Esta matéria da ong Repórter Brasil traz mais informações sobre o atentado ao dirigente sindical Élio Neves, seu estado de saúde e sua atuação em defesa dos cortadores de cana.


Segundo informações da assessoria de imprensa do Hospital São Paulo, em Araraquara (SP), o presidente da Feraesp deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por volta das 16h. Ele está com um projétil alojado na nuca (no lado direito da parte de trás do pescoço), que atingiu um músculo e não afetou diretamente a coluna e a medula. O risco de morte, confirma a assessoria, é mínimo. Elio foi sedado e permanece em coma induzido. Dentro de 24 horas, o sindicalista deve ser submetido a novos exames médicos.

Elio Neves ocupa posição de destaque entre lideranças dos trabalhadores rurais. Ele vem participando de diversos fóruns, com papel especialmente ativo na defesa dos cortadores de cana-de-açúcar. No ano passado, Elio concedeu entrevista à Repórter Brasil sobre etanol, a situação atual e os caminhos possíveis para a melhoria das condições do trabalho no campo. Ele também representou os trabalhadores na negociação tripartite do Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condiçõesde de Trabalho na Cana-de-Açúcar (leia mais sobre o acordo e a sua relação com a alimentação e a “lista suja”).

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24

Aug

09

Atentado a líder de trabalhadores rurais em SP (2)

Recuperei de meus arquivos o resumo de uma entrevista que fiz em outubro de 2004 com o líder sindical Élio Neves, representante dos trabalhadores assalariados rurais do estado de São Paulo. Ontem ele sofreu um atentado em sua chácara. Nenhuma insinuação aqui sobre possível motivo ou autoria – cabe à polícia investigar isso. Mas sem dúvida sua atuação política incomoda muita gente.

O presidente da Feraesp (Federação dos Empregados Rurais Assalariados no Estado de São Paulo), Élio Neves, é crítico do “mito do agronegócio” da cana-de-açúcar. Para ele, a opressão e a injustiça são as grandes alavancas da produção, que deixa os benefícios para os usineiros e os custos para a sociedade. A entidade representa 70 sindicatos e 150 mil trabalhadores no estado.

“O Brasil se apresenta ao mundo como grande produtor de alimentos, álcool e açúcar, mas se isso nos traz muito orgulho, também nos deixa estarrecidos com as condições de trabalho”, diz. Neves critica a falta de sustentabilidade ambiental e social do “mar de cana”. “O álcool como combustível limpo é uma grande mentira”, afirma. “Não se produz álcool sem gastar petróleo em toda a linha de produção: tratores, transporte, maquinaria etc.”. Ele classifica de “desastre” o custo social da atividade econômica: “A quantidade de trabalhadores explorados e mutilados é muito grande”.

A saída, acredita, é a mobilização dos trabalhadores e a sensibilização da sociedade para a necessidade de mudança do modelo agroindustrial. Ele salienta que tentar restringir essa discussão ao corporativismo sindical é diminuir seu grau de importância, que interessa a toda a sociedade: “Na cadeia produtiva sucroalcooleira há metalúrgicos, químicos, motoristas e outras categorias que precisariam estar mobilizadas na mesma direção”.

Na avaliação do dirigente sindical, as históricas greves de 1984 e 1985 trouxeram melhorias para os trabalhadores da cana. Mas ele ressalva que da década de 1990 até os dias de hoje houve perdas, pois com a reestruturação produtiva, a estratégia patronal passou a ser extremamente agressiva contra os trabalhadores. “A modernização do setor, acelerada a partir do final dos anos 80, não foi acompanhada sequer por compensações sociais”, assegura.

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24

Aug

09

Atentado a líder de trabalhadores rurais em SP

O presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Élio Neves, sofreu uma tentativa de homicídio ontem à tarde na sua chácara em Ribeirão Bonito, interior do estado. Levou um tiro na região da cabeça e está na UTI de um hospital em Araraquara. Segundo a Feraesp (citada pelo G1), ele não corre perigo de vida. Conheci Élio Neves em 2004 quando eu levantava informações pra um estudo sobre trabalhadores na indústria da cana. Tivemos uma longa conversa num jardim arborizado, no intervalo de um evento na Universidade de São Carlos, e fiquei com uma forte impressão. Articulado e assertivo na defesa das suas ideias sobre reforma agrária e justiça social, é uma das mais importantes lideranças de trabalhadores rurais no Brasil. Lembro que cheguei a pensar (e guardei pra mim) que pessoas assim incomodam tanto os poderosos que estão sempre atraindo balaços de tocaia. Em um país sério, crimes como esse seriam considerados atentados à democracia. Espero que ele se recupere rápido e possa retomar a luta.

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15

Aug

09

Marina e a sacudida no cenário pré-eleitoral

Uma avaliação política do amigo Diógenes Botelho, nosso correspondente para assuntos aleatórios em Brasília, sobre o ensaio do lançamento de Marina Silva como candidata à Presidência em 2010:

Marina é a chance de não termos uma eleição plebiscitária em 2010. Sua candidatura já trouxe de volta o Ciro Gomes, que tava envolto naquela porralouquice de disputar o governo de SP. No cenário de hoje, Marina tira votos diretos de Dilma. Ciro tira de Serra/Aécio e de Dilma. Na matemática quem perde é Dilma. E corre o risco de ficar de fora do segundo turno. Pesquisa do PV (se é que dá para confiar) diz que Marina já tem mais votos que Dilma em alguns cenários.

O problema da Marina é agregar outras forças políticas em torno de seu projeto. Tem o PDT sendo sondado, mas o partido também pode pular para o lado do Ciro (esteve com ele em 2002), isso se o PSB bancar mesmo a candidatura do cearenso-paulicéia-desvairado.

A entrada da ex-ministra em cena já serviu para dar uma sacudida no quadro pré-eleitoral. Porém, colegas que trabalharam com ela são quase unânimes em analisar sua capacidade de formulação política: “Fraquinha”, dizem.

Acho um exagero, mas forte também não é. Está mais para “candidata-símbolo” ou “candidata-bandeira”, tipo o candidato-educação representado pelo Cristovam em 2006. O que não resta dúvidas é que é uma pessoa de boas intenções, séria e que representa, na área ambiental, um alento para um país dominado por ruralistas.

E o melhor: deixou o Lula doidinho, já que ele apostava tudo na luta contra o “bem e mal” em 2010.

O bom mesmo seria uma campanha como a de 1989, quando tivemos 22 candidatos a presidente. Não foi mais devido a anulação da bizarra dupla Correia/Silvio Santos.

Como relembrar faz bem, lá vai a lista de 1989 e os respectivos votos de primeiro turno:

Resultado da eleição para presidente da República:
Primeiro Turno:
1º lugar – Fernando Collor de Mello (PRN / PSC) – 20.607.936 votos
2º lugar – Luiz Inácio Lula da Silva (PT / PSB / PC do B) – 11.619.816 votos
3º lugar – Leonel de Moura Brizola (PDT) – 11.166.016 votos
4º lugar – Mário Covas Junior (PSDB) – 7.786.939 votos
5º lugar – Paulo Salim Maluf (PDS) – 5.986.012 votos
6º lugar – Guilherme Afif Domingos (PL /PDC) – 3.271.986 votos
7º lugar – Ulysses Guimarães (PMDB) – 3.204.853 votos
9º lugar – Roberto Freire (PCB) – 768.803 votos
10º lugar – Aureliano Chaves (PFL) – 600.730 votos
11º lugar – Ronaldo Caiado (PSD) – 488.872 votos
12º lugar – Affonso Camargo (PTB) – 379.262 votos
13º lugar – Enéas Carneiro (Prona) – 360.574 votos
14º lugar – José Alcides Marronzinho de Oliveira (PSP) – 238.379 votos
15º lugar – Paulo Gontijo (PP) – 198.708 votos
16º lugar – Zamir José Teixeira (PCN) – 187.160 votos
17º lugar – Lívia Maria (PN) – 179.896 votos
18º lugar – Eudes Mattar (PLP) – 162.336 votos
19º lugar – Fernando Gabeira (PV) – 125.785 votos
20º lugar – Celso Brant (PMN) – 109.894 votos
21º lugar – Antônio Pedreira (PPB) – 86.100 votos
22º lugar – Manuel Horta (PDC do B) – 83.280 votos

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12

Jul

09

Entrevista sobre o AI-5 Digital


Lúcida, contundente, libertária. Recomendo com ênfase esta entrevista que o professor Idelber Avelar, autor do blog O biscoito fino e a massa, concedeu à TV Assembleia de Minas Gerais. Ele denuncia o ‘AI-5 Digital’, projeto do senador tucano Eduardo Azeredo que criminaliza diversas práticas comuns na internet.

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09

Jul

09

Fora Sarney – A queda do bigodão


Já vi outras adaptações desse trecho do filme A Queda, mas esta é a mais engraçada de todas. Dica do Frank.

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28

Jun

09

Golpe em Honduras


Honduras President Arrested, originally uploaded by rbreve.

Acordei tarde, abri o twitter e me inteirei do golpe militar em Honduras. Fui de imediato ao portal G1, da Globo, procurar mais informações. Na capa não encontrei nada. Mas tinha um ótimo tutorial sobre os passos de Moonwalk. Acessei o UOL. Honduras estava lá, na terceira chamada, abaixo de uma matéria sobre futebol. A manchete ao meio-dia e pouco era “Depoimento de médico de Jackson foi inconclusivo”, semelhante à do G1. É isso que chamam de “infotainment”?

Foto de Roberto Brevé.

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22

Jun

09


E por falar em descaso com o patrimônio público…

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13

Apr

09

Trabalhadores da cana (4)

Quarta parte da série de reportagens e entrevistas sobre os impactos socioambientais da atividade sucroalcooleira no Brasil.

ENTREVISTA – FRANCISCO ALVES – UFSCar

“Reforma agrária deve ser o
foco dos trabalhadores da cana”

Especialista no setor sucroalcooleiro afirma que a mecanização do setor é inexorável e que é impossível conciliar trabalho por produção com trabalho decente na atividade.

Entrevista a Dauro Veras

O professor Francisco Alves, especialista da UFSCar (Universidade de São Carlos) que há anos pesquisa o setor sucroalcooleiro, defende que a reforma agrária, e não o combate à mecanização, deveria ser o foco principal das reivindicações sindicais dos trabalhadores da cana. Para ele, a mecanização é inexorável e vai descartar cerca de 20% da área total hoje ocupada com cana em São Paulo – o equivalente a mais de 1 milhão de hectares sendo destinado a outros usos agrícolas.

Nesta entrevista, Alves enfatiza que é impossível conciliar trabalho por produção com trabalho decente na cultura da cana-de-açúcar. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), trabalho decente é aquele exercido de forma digna, sem discriminação de qualquer espécie, em condições de segurança, remunerado de forma adequada, em ambiente seguro, com liberdade, resguardando os laços de sociabilidade e diálogo social, fomentando a eqüidade e valorizando os direitos fundamentais do trabalho.

Seu estudo diz que a mecanização das lavouras de cana no Brasil é inexorável. Que evidências embasam a afirmação?

Francisco Alves - Em primeiro lugar, a mecanização da agricultura tem sido uma tendência inexorável em todas as culturas, haja visto, inclusive, a capacidade imanente da agricultura em produzir superpopulação relativa, em decorrência do avanço do progresso técnico. Como a mecanização do corte é um elemento do progresso técnico da agricultura, não há dúvida que este elemento deverá ser incorporado ao processo de produção. Em segundo lugar, a mecanização do corte de cana já é uma tecnologia disponível em inúmeros países produtores de cana, inclusive a pobre Cuba. Na Austrália a mecanização do corte é da década de 60 e era um item de um programa racista do governo, que ia na direção da “Austrália Branca”. Para este programa era fundamental mecanizar o corte de cana de forma a evitar a imigração de trabalhadores não brancos. Em terceiro lugar, o que importa discutir não é a inexorabilidade da tendência à mecanização do corte, e sim o ritmo em que esta se dará. O ritmo de mecanização, ou de modernização, depende de variáveis econômicas e sociais. No caso da Austrália, a variável fundamental foi, como disse, a necessidade de embranquecer o país, que é uma variável social. No caso de São Paulo, a mecanização do corte de cana queimada se deu, na década de 80, pela necessidade de redução do poder de barganha dos trabalhadores, devido ao ciclo de greves da década de 80 (ALVES, 1991). A mecanização de cana crua da década de 90 se deu devido à pressão da sociedade para redução das queimadas de cana. O ritmo de mecanização esmoreceu no final da década de 90 e início da presente década, devido à redução dos salários dos trabalhadores, ao aumento da produtividade do corte manual de cana (de 6 para 12 T/C/H/D), ao baixo poder de barganha dos sindicatos e à crise do setor (1999/2002).

Na sua avaliação, por que algumas lideranças sindicais estão equivocadas quando são contra a mecanização na cana? Qual deveria ser o principal foco de reivindicação do movimento sindical quanto a isso?

Francisco Alves – O equívoco das lideranças sindicais é estarem levantando uma bandeira que leva ao descrédito do movimento. Enquanto a sociedade civil luta contra a poluição e contra um processo de trabalho que aleija e mata os trabalhadores, os sindicatos defendem uma posição anacrônica, que vem da década de 80, dos dissídios coletivos organizados pela quase extinta Fetaesp, contra a mecanização do corte, porque ela causa desemprego. Para mim a questão é que o ritmo de mecanização deve estar atrelado ao ritmo de geração de novos postos de trabalho em substituição aos postos perdidos. A mecanização do corte de cana levará, sem dúvida, ao descarte de áreas hoje ocupadas com cana, mas que só podem ser colhidas manualmente, porque são íngremes, porque são acidentadas, ou porque o regime de propriedade da terra obriga a feitura de talhões não retangulares. Algo como 20% da área total hoje ocupada com cana deverá ser descartada – isto equivale a algo como mais de 1 milhão de hectares em SP sendo destinado a outros usos agrícolas. Portanto a pressão do movimento sindical deveria ser no sentido da ocupação destas áreas disponibilizadas com cana para a reforma agrária, que é a política pública mais barata de geração de trabalho e renda. Parte desta reforma agrária poderia ser feita através do arrendamento destas áreas com opção de compra, tipo leasing, na medida em que parte destas terras pertence a pequenos fornecedores de cana que já arrendam estas terras às usinas. (…)

Continua

Parte 1
Parte 2
Parte 3

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