Posts com a tag ‘poesia’

14

Jan

08

Cena oriental


passado o precipício
a vida neste momento
cruza uma ponte rangente
sobre um lago adormecido

Jeanine Will (no blog Caminhão de Mudança).

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08

Oct

07

Gostei


e viramos adultos
sem aviso prévio
e sem indenização

Jeanine Will

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24

Sep

07

o coração só dá
duas garantias:
tum-tuns mortais
e o silêncio depois

Jeanine Will, em Caminhão de Mudança

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21

Sep

07

Dois haikais

Lutar? Para quê?
De que vive a rosa? Em que
pensa? Faz o quê?

(Guilherme de Almeida Prado)

Era uma vez

o sol nascente
me fecha os olhos
até virar japonês

(Paulo Leminski)

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06

Sep

07

Ave Canen

Frank, desejando pros amigos um ótimo feriado, recorda um clássico:

Ave Canen

Vinícius de Moraes

O cão é o afeto em quatro patas
Amigo na alvorada ou noite escura
Pois ainda que faminto, a fuçar latas
Fiel nos segue em dita ou desventura

É chama e é sombra, paz e alerta
Renúncia consentida, amor doado
Lealdade que não falta na hora incerta
É luz de quem não vê, cego ou extraviado

Arrimo igual, irmão, só na bebida
Naquele “twelve years” especialmente
É tudo que ora digo, face erguida

Qual sóbrio porta-voz da boêmia gente
E lanço, copo à mão, novo ditado:
“O uísque é o cão engarrafado”

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27

Aug

07

Meus sapatos gastam sempre
na parte interna do calcanhar
Às vezes tropeço à toa,
mas tenho andado longe
Antes de pensar, passo

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27

Aug

07

Passarinhadas de fim de tarde

Do orkut de minha sobrinha Camilla, a de Manaus (tenho duas sobrinhas com o mesmo nome):

Sou um beija-flor dos grandes, e destreinado.
Apois intonci, num bula cumigu!!!

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18

May

07

Por um acaso

A revista piauí deste mês traz obras da poeta polonesa Wislawa Szymborska, Prêmio Nobel de Literatura em 1996. Seu texto me encantou instantaneamente. Segue um poema que recebi por e-mail da Nilva Bianco e um trecho do discurso à academia sueca quando ela ganhou o Nobel.

POR UM ACASO

Poderia ter acontecido.
Teve que acontecer.
Aconteceu antes. Depois. Mais perto. Mais longe.
Aconteceu, mas não com você.

Você foi salvo pois foi o primeiro.
Você foi salvo pois foi o último.
Porque estava sozinho. Com outros. Na direita. Na esquerda.
Porque chovia. Por causa da sombra.
Por causa do sol.

Você teve sorte, havia uma floresta.
Você teve sorte, não havia árvores.
Você teve sorte, um trilho, um gancho, uma trave, um freio,
um batente, uma curva, um milímetro, um instante.
Você teve sorte, o camelo passou pelo olho da agulha.

Em conseqüência, porque, no entanto, porém.
O que teria acontecido se uma mão, um pé,
a um passo, por um fio
de uma coincidência.

Então você está aí? A salvo, por enquanto, das tormentas em curso?
Um só buraco na rede e você escapou?
Fiquei mudo de surpresa.
Escuta,
como seu coração dispara em mim.

~

(…) O mundo – o que podemos pensar quando estamos apavorados com a sua amplidão e com a nossa própria impotência, ou quando estamos amargurados com a sua indiferença em relação ao sofrimento individual, das pessoas, dos animais e talvez até das plantas (pois por que estamos tão seguros de que as plantas não sentem dor?); o que podemos pensar sobre as suas vastidões penetradas pelos raios de estrelas rodeadas por planetas que apenas começamos a descobrir, planetas já mortos? Simplesmente não sabemos; o que podemos pensar sobre este teatro imensurável para o qual temos ingressos reservados, mas ingressos cujo prazo de validade é risivelmente curto, delimitado como está por duas datas arbitrárias; o que quer que pensemos sobre este mundo – ele é assombroso. (…)

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14

May

07

Mude

Em fevereiro de 2003, republiquei neste blog um poema chamado Mude, que recebi por e-mail com a informação atribuindo autoria a Clarice Lispector. Nunca é tarde pra corrigir um erro. O autor é Edson Marques, que o registrou na Biblioteca Nacional e está travando uma batalha judicial para ter seu direito reconhecido. A confusão começou quando a agência publicitária Leo Burnett fez um comercial em 2001 comemorando os 25 anos da Fiat no Brasil e apresentou o poema. O release à imprensa dava crédito a Clarice. Foi reproduzido em jornais e os versos caíram no gosto do povo através da internet. O caso foi parar na Justiça e envolve os herdeiros de Clarice, de quem a agência alega ter comprado os direitos de uso. Edson Marques chegou a publicar anúncio oferecendo 10 mil dólares a quem provasse que o poema era de Clarice. Ele criou um blog sobre a polêmica, Desafiat, em que explica toda a história em detalhes. Quanto a mim, contrito por ter involuntariamente ajudado a ampliar a marola do equívoco, peço desculpas ao autor, agradeço pelos versos inspiradores – já deletei do blog – e saio desta polêmica para sempre.

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11

May

07

Novos hábitos de leitura a caminho?

Uma pesquisa de neurocientistas da empresa americana Walker Reading Technologies chegou à conclusão que nossos cérebros não foram feitos pra ler da maneira convencional. Depois de estudar os hábitos de leitura por dez anos, concluíram que o foco dos nossos olhos é circular. Quando lemos um texto linha a linha, dizem eles, isso provoca uma “briga” cognitiva dentro da cachola, porque as duas linhas de baixo e as duas de cima também entram no campo de visão.

A empresa patenteou um
formato que espera ser
uma revolução nos hábitos
de leitura online. Algo mais
ou menos assim - fico imaginando
como vão proteger sua patente
dos “piratas” e dos poetas.
Leia mais nesta reportagem
da Venture Beat.
Tem uns comentários
engraçados no pé da matéria.
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